5.5 Ideology and curricular challenges
5.5.1 English as a foreign language (EFL)
Essa categoria apresenta a efetividade diante do panorama de todas as séries do curso, por se perceber similaridades nas respostas.
A efetividade é algo que se combina à existência real, concreta, que pode ser atual, legítima, verdadeira, ativa e eficiente. Durante a observação junto aos professores, não foi possível verificar, pela observação, na maior parte do tempo, a efetividade da sua prática, por se tratar de uma característica que demanda maior tempo de observação da realidade e a necessidade de avaliação junto ao discente. No entanto, dois aspectos foram possíveis de serem observados de forma unânime e que, a priori, podem contribuir para a efetividade da metodologia, a citar: o engajamento e preocupação do docente no alcance dos objetivos do ciclo e a vivência do professor no cenário de prática.
Ao encontro dessa informação, pode-se incluir o comentário de Luckesi (2011, p. 145) de que “[...] o educador dificilmente poderá desempenhar seu papel na práxis pedagógica se não tiver certa compreensão da realidade na qual atua [...]”. Assim, percebeu-se na práxis do professor de Enfermagem que ele conhece muito bem o ambiente onde desenvolve as atividades para o ensino e aprendizagem, bem como as relações sociais, a cultura, as histórias de vida, as comunidades, os profissionais de saúde e a gestão do serviço, fazendo com que seja parte contribuinte para a efetividade da proposta pedagógica em que está inserido.
Quanto ao diálogo, os docentes foram unânimes em verbalizar que a MP é efetiva, por entender e perceber transformações nos estudantes em relação à maturidade, à postura e atitude, à comunicação, à capacidade de reflexão, aos diferentes pontos de vista; o estudante busca um olhar mais crítico e ainda se apropria do seu aprendizado, caracterizando o ‘empoderamento’. Esses aspectos podem ser compreendidos na fala do professor:
Eu consigo ver uma evolução e que ela realmente acontece, desde o primeiro ano, de forma espiral. Eu penso que alguns tutores tenham mais dificuldade de ver essa evolução, porque é uma visão mais conservadora, mais tradicional de não acreditar, mas eu não tenho dúvida que a problematização é efetiva de verdade. (DOROTHEA OREM).
Certifica-se, diante desse contexto e com base em Berbel, Oliveira e Vasconcellos (2010), que a MP fornece várias fontes de diferentes aprendizagens pelas diversas habilidades que demonstra capacidade de desempenhar, bem como pela vasta aplicabilidade em muitas áreas do conhecimento, pela capacidade de poder transformar a realidade e pelo poder de ação-reflexão-ação de forma constante. Enfim, tem-se uma metodologia que supera as práticas tradicionais de ensino e ganhos de dimensões transversais, tanto para o professor quanto para o estudante; ambos compartilham da mesma forma para aprender e contribuir não só para a vida profissional, mas também para a vida pessoal, comprovando, assim, uma metodologia de ensino e aprendizagem, verdadeiramente efetiva.
Nessa comunicação sobre a efetividade na aplicação da MP com o Arco, os docentes fizeram comparações com o modelo tradicional de ensino percebida na expressão [...] eu acho efetivo sim, comparando a minha formação tradicional, é um
diferencial muito grande, vejo muitas mudanças, a começar pela quebra de paradigmas [...] (ANA NERY). Nesse mesmo sentido, outro docente acrescenta: é mais efetivo por estar em contato com a realidade, eu acho válido, é mais efetivo do que o tradicional (CELESTIN FREINET). Os docentes fazem comparação utilizando
a sua própria formação em Enfermagem, concebida no modelo tradicional e compara com o modelo de ensino atual (ativo) em que está trabalhando, confirmando mais uma vez a efetividade da MP. Assim, segue mais uma expressão nesse caminho:
[...] comparando minha experiência com ensino tradicional, vejo uma diferença que considero vital: você observa um estudante do 8º período do ensino tradicional de outra IES, apresentando uma monografia, e compara com um estudante de 1ª série da ESCS apresentando um projeto de intervenção, eu não vejo muita diferença, no sentido da abordagem, da comunicação e no desenvolvimento do trabalho coletivo [...]. (ANA NERY).
Com base nisso, fica evidenciado mais uma vez, através das falas destacadas, que o paradigma tradicional arrasta críticas ao longo das experiências pedagógicas. Embora esses professores sejam formados nesse modelo, percebe-se a capacidade de criticidade e o levantamento de pontos negativos que favorece, ao que Santos-Filho (2004) salienta que o paradigma tradicional opera com abordagens centradas no professor para a reprodução do conhecimento, partindo do
pressuposto de que o estudante é um mero receptor de informações a serem memorizadas com ênfase nos conteúdos.
Embora a prática do professor de Enfermagem se apresente impregnada pelo modelo tradicional, seu olhar crítico e sua concepção revelam, sim, que a MP, em comparação ao modelo tradicional, favorece a efetividade do ensino e aprendizagem em vários aspectos, a citar: coletiva, crítica, reflexiva e comunicação, sendo que isso contribui para o crescimento e desenvolvimento do formando, descaracterizando, de certa maneira, o modelo tradicional, no qual o foco, em grande parte, é o conteúdo.
Para os docentes, através de suas verbalizações, a efetividade é demonstrada também nas questões sociais e políticas, nas avaliações (dos pares, dos docentes, do cenário, dos profissionais de saúde), remetendo a análises críticas com mais propriedade. Acrescenta-se, nesse contexto, a percepção do professor em relação ao uso do Arco de Maguerez. A efetividade é percebida com maior solidez no fechamento do arco, retratada na expressão a seguir: Quando o arco é fechado,
ele é efetivo (EMILE DURKHEIM). Dessa maneira, o Arco, quando aplicado de forma
organizada, ou seja, começo, meio e fim, percebe-se de fato, a efetividade. E complementando a fala anterior, apresenta-se outra declaração:
[...] a efetividade da MP com o uso do Arco só acontece quando começam as pontuações, e é dado espaço para a reflexão para o estudante retornar a uma referência, seja bibliográfica, web, ou em consulta com pessoas mais experientes, desde que ele tenha esse tempo, aí se torna efetivo. Por isso, é mais efetivo fechar o arco um pouco mais a frente, porque o estudante ainda não tem embasamento suficiente para uma conclusão, isso fortalece o conhecimento do estudante [...]. (EMILE DURKHEIM).
Na realidade desse professor, obtém-se com certa clareza a efetividade do Arco, quando este é aplicado dentro das condições do estudante e do cenário, não importa o tempo que se leva para concluí-lo, o importante é a sua efetividade. Essa prática é concebida também por outro professor:
Quando o discente descobre o Arco, é como se ele se materializasse, ele busca esse conhecimento em outros encontros, palestras, tutorial, leitura ou observação no cenário. Quando ele consegue enfrentar aquele problema, buscar a solução, entender como seria a solução do que ele tem na realidade e resolver o problema, você vê um brilho nos olhos dele, essa é a grande efetividade do arco. (MARIA MONTESSORI).
Para fundamentar essa posição, o estudo de Berbel, Oliveira e Vasconcellos (2010) reforça algumas lições referentes à MP, uma delas, quando reafirmam que a efetividade dessa metodologia vale para formação de professores, bem como para o desenvolvimento do potencial do estudante, já que todos podem aprender nesse processo. As lições que podem ser elucidadas aqui, em que fazem parte o fortalecimento do conhecimento, o embasamento teórico que o estudo possibilita com a utilização do Arco, a curiosidade em aprender, a compreensão e resolução dos problemas investigados, se fazem reveladas pelas falas dos professores.
Torna-se relevante contrapor, também, com base nessa posição, algumas práticas docentes apresentadas nas quatro séries, referente à aplicabilidade da MP com o Arco, por apresentar-se desorganizada, não sistematizada, e por vezes, descomprometida. Bem, percebe-se que, para constatar a efetividade do Arco de Maguerez, é preciso que este seja realizado de forma organizada e mais comprometida, por parte do professor e do estudante, que todas as etapas do Arco, seja aplicada, tornando a estratégia realmente eficaz, remetendo sentido à aprendizagem. Isso significa que, quando a estratégia é aplicada apenas de maneira técnica, sem começo, meio e fim, não tem sentido para o aprendizado, infere-se que esse fica pouco ou nada significativo.
Infere-se, com os princípios teóricos de Davini (1989) sobre o processo de ensinar e aprender, que o Arco de Maguerez abre alternativas para o docente sistematizar a ação pedagógica e organizar os conhecimentos a serem assimilados, de modo que o discente possa compreender os fundamentos do problema evidenciado, desviando ou evitando a rotinização do método ou acumulação de informações soltas. Por isso, o docente deve se apoderar dos conhecimentos que sustentam as estratégias pedagógicas.
Perante essa condição, que torna a aplicabilidade do Arco de Maguerez efetivo, faz-se pertinente acrescentar a teoria da aprendizagem significativa, criada por David Ausubel. Percebe-se, então, que o Arco de Maguerez propicia fortemente essa relação.
Assim, Moreira (1985), ao trazer em sua obra Enfoques Teóricos: a teoria da
aprendizagem significativa de Ausubel vê o armazenamento de informações no
cérebro humano de maneira estruturada, quer dizer, sistematizada, formando uma hierarquia conceitual, na qual elementos de conhecimentos são ligados e assimilados.
Nesse conjunto, Moreira (1985) expõe a teoria de David Ausubel que recomenda o uso de organizadores prévios, sendo âncora para novas aprendizagens e uma estratégia para facilitar a aprendizagem significativa. Esses organizadores prévios servem como pontes entre o que o aprendiz já sabe e o que ele deve saber, com o objetivo de aprender de forma significativa. Outra condição para essa aprendizagem é que o material aprendido seja relacionável, conectado, que evite a linearidade, a compartimentação do conhecimento a ser aprendido.
Ao pensar nas condições da aplicabilidade do Arco de Maguerez nas séries do curso de Enfermagem pelos docentes, a sua efetividade e a teoria da aprendizagem significativa, percebe-se que é possível resgatar, na concepção da maior parte dos professores, a teoria de David Ausubel e Davini.
Por outro lado, existe também, mas de forma incipiente, aquele docente que conduz a estratégia de maneira a atribuir significado à aprendizagem percebida na expressão: Então o Arco é isso, é ver o problema, ficar instigado, incomodado e
busca resolver esse incômodo que traz uma resposta positiva, um aprendizado muito significativo e foi construído por ele (MARIA MONTESSORI).
Compreende-se, assim, a importância que este docente atribui à aprendizagem significativa. O Arco de Maguerez possibilita essa aprendizagem, que muitas vezes é esquecida na prática do professor inserido na metodologia ativa.
Então, cabe aqui indicar na perspectiva de melhor aplicação do Arco de Maguerez conduzido pelo professor de Enfermagem, em comprometer-se com a estratégia e realizá-la da forma completa em busca da real efetividade. Caso contrário, da forma como alguns docentes estão implementando, torna-se, apenas, um cumprimento de ‘tarefa’ ou um ato ‘mecânico’ se valendo na verdade do método tradicional de ensino. Não se está querendo dizer que a forma de aplicar o Arco de Maguerez é algo linear, fragmentado, ‘engessado’ quando se diz, por exemplo, em ter começo, meio e fim, até porque o saber e a construção do conhecimento é algo interminável. Contudo, se propõe direcionar a estratégia para a ação e reflexão dos fenômenos encontrados na realidade e construir conhecimentos. Presume-se não ser a melhor forma, ‘aplicar por aplicar’ ou abrir vários Arcos e não fechar nenhum ou somente alguns, mas sim, que a abertura do Arco possa prosseguir de maneira a percorrer todas as etapas, que seja bem discutido, refletido, que faça parte do contexto de maneira que se torne significativo para o docente e para o discente.
Nessas circunstâncias da efetividade, diante das expressões docentes e da observação direcionada ao cumprimento dos objetivos do ciclo, vieram à tona falas que refutam que a efetividade só é válida quando se consegue chegar aos objetivos propostos, sendo fator crucial para tal qualidade, como se percebe a seguir:
Nem sempre os objetivos são conquistados. O cenário é o mesmo, eu o mesmo docente, mas os objetivos ...? Porque a metodologia é centrada no estudante. Desta forma, se o grupo é ágil e tem iniciativa, eu busco mais, eu passo mais demandas, mas se o grupo está muito atrás, não consigo avançar. Então, os objetivos estão centrados no estudante, por isso o alcance ou não desses objetivos depende muito da dinâmica de cada grupo. (EMILE DURKHEIM).
Dessa forma, entende-se que os objetivos propostos para cada ciclo nem sempre poderão ser alcançados e nem por isso o aprendizado não será efetivo. Isso significa que, a partir das descrições apresentadas na categoria da aplicabilidade e a fala aqui destacada, os professores do curso de Enfermagem, na sua grande parte, ao se preocuparem com o alcance em massa dos objetivos do ciclo, ainda estão atrelados ao conteúdo de forma a pensar que seja o mais importante para o aprendizado, preocupando-se mais com o ensino do que com o aprendizado.
Essa demonstração condiz com Feuerwerker (2002, p. 24) relacionada à educação médica, fato que se pode aplicar também à Enfermagem: “[...] a ênfase nos conteúdos também é insustentável. É impossível cobrir tudo e é impossível atualizar tudo em tempo real”. E a autora complementa que, na problematização, os objetivos educacionais que se pretendem atingir devem ser baseados nas necessidades de aprendizagem dos estudantes e no problema real que existe na realidade. Não quer dizer que com isso a efetividade não seja alcançada ou não seja seguida a estratégia peagógica.
Sendo assim, o professor de Enfermagem deve repensar sua prática na MP, refletindo como esta pode ser efetiva, independente de alcançar todos os objetivos propostos. Não que estes deixem de ser importantes, mas não precisam ser obrigatoriamente cumpridos naquele ciclo. A MP é uma metodologia ativa, isso quer dizer que cada estudante deve construir seu aprendizado no seu tempo e na sua condição de aprendiz. Faz-se necessário lembrar que a metodologia ativa deve ser centrada no sujeito, conforme trata o construtivismo pedagógico.
Verificou-se, ainda, outro aspecto preponderante, levado em consideração pelo professor, que contribui para a efetividade da MP. O fato de acreditar e confiar na estratégia, destacada na seguinte fala:
[...] o Arco funciona quando os atores acreditam e confiam nele. Eu vejo que a efetividade está relacionada à confiança que eu tenho nesta ferramenta. Eu acredito, eu utilizo e está incorporado em mim. Quando o estudante não tem interesse e nem acredita no Arco, eu problematizo exatamente isso. Desta forma, se ninguém acredita no Arco, ele se torna pouco efetivo, e isso se dá na forma tradicional. O discente traz respostas prontas fora do contexto. Então, a efetividade depende da confiança e do conhecimento que os atores têm e devem ser incorporados na sua prática do dia a dia [...]. (WANDA HORTA).
A partir dessa fala, infere-se que, para alcançar a efetividade da MP com o Arco, é preciso também que haja confiança para o desenvolvimento do ensino e aprendizado. Ou seja, se o estudante e o próprio docente não acreditarem na estratégia, não irão se comprometer, levando a desgastes e prejuízos para o ensino e aprendizagem, colocando novamente em risco a metodologia ativa empreendida pela IES.
Todavia, é importante elucidar com base no estudo de Berbel, Oliveira e Vasconcellos (2010), ao trazer alguns fatores que podem levar a empecilhos na aplicação da estratégia, e citam, como exemplos, algumas questões pessoais, o excesso de atividades escolares e o sentimento de desânimo ou estresse por parte dos estudantes. Ao mesmo tempo, as autoras acrescentam que, para trabalhar com metodologias inovadoras no ensino, o professor deve, além de ousar, desafiar e saber dos riscos de alguns insucessos, tornar-se imprescindível acreditar e confiar no potencial e na efetividade da metodologia.
Nessa conjunção, cabe ao docente buscar mudanças na atitude e postura comprometida com a MP, de forma que faça constantemente uma reflexão crítica da sua prática e possa se inteirar da responsabilidade em trabalhar uma metodologia que exige a desconstrução e reconstrução do seu papel docente.
Assim, os aspectos principais levantados nessa categoria, pode-se dizer que estão gradativamente mais presentes na mente dos professores, mas pouco presente na sua práxis. Sendo os mais relevantes: a importância de resgatar a aprendizagem significativa, os objetivos educacionais podem ser baseados também nas necessidades de aprendizagem dos estudantes, a aplicação sistematizada do
Arco, o pensamento crítico e a importância dos atores conhecerem, confiarem e acreditarem na MP.
Dessa maneira, mesmo os docentes não aplicando de fato a MP com o Arco de Maguerez, e sim, etapas incompletas, eles percebem efetividade no que resulta do que fazem. Se antes não levavam os discentes à observação para problematizar, agora o fazem, valorizam isso, sendo que cada etapa da MP estimula ações que contribuem para o desenvolvimento dos estudantes, portanto, são aprendizados efetivos e, no que conseguem fazer, encontram bons resultados.
4.1.3 As potencialidades da metodologia da problematização identificadas