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Password cracking

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5.1 Password Attacks

5.1.1 Password cracking

A partir da década de 1960, mas com grande ênfase nos anos 1970 e 1980, são desenvolvidos uma série de sistemas de engenharia no território, absolutamente necessários à modernização dos fluxos “imateriais” aqui presentes: estamos falando da renovação das nossas “bases materiais das telecomunicações” (SANTOS e SILVEIRA, 2001:73 e ss.). Segundo ainda Santos e Silveira (2001:73), “do telégrafo ao telefone e ao telex, do fax e do computador ao satélite, à fibra ótica e à Internet, o desenvolvimento das telecomunicações participou vigorosamente do jogo entre separação material das atividades e unificação organizacional dos comandos”.

A unificação do território por meio do desenvolvimento de sistemas técnicos voltados especificamente para os fluxos de informação no País é também um dado do período da integração e creditização do espaço nacional, e que merece ser destacado. O processo de institucionalização das preocupações do Governo Federal com o domínio desta “variável estratégica” é um bom exemplo de como os novos eventos ligados ao controle e circulação da informação passam a fazer parte dos conteúdos do território brasileiro.

Assim, a partir já do ano de 1962 (com a criação do Código Brasileiro de Telecomunicações), são erigidos os primeiros organismos burocráticos com a tarefa de impulsionar esta renovação da base de telecomunicações do País; estes organismos podem ser considerados os atores que cuidarão da instalação de uma “nova geografia da circulação no espaço brasileiro”(DIAS, 1995:52):

a) Sistema Nacional de Telecomunicações (que visava assegurar o funcionamento integrado de todas as iniciativas a partir dali);

b) Conselho Nacional de Telecomunicações (CONTEL), que cuidaria da definição dos padrões e das tarifas a serem praticadas pelo sistema; e criação do Departamento Nacional de Telecomunicações (DENTEL), que funcionaria como órgão executivo do CONTEL (1963);

c) constituição da Empresa Brasileira de Telecomunicações (EMBRATEL), em 1965, que exploraria industrialmente os sistemas de engenharia a serem instalados no espaço nacional;

d) implementação, em 1967, do Ministério das Comunicações. Fruto da própria complexificação das atividades desenvolvidas, “em 25 de fevereiro de 1967, através do Decreto-Lei nº 200, foi criado o Ministério das Comunicações, ao qual, desde logo, foram vinculados o CONTEL, o DENTEL e a EMBRATEL” (ANATEL, 2006);

e) por último, mas não menos importante, é criada a Telecomunicações Brasileiras S/A (TELEBRÁS), entidade incumbida de planejar e coordenar todo o esforço de renovação desses sistemas de engenharia no país. Assim como foi o caso da

ELETROBRÁS para a geração/transmissão de energia, a TELEBRÁS foi criada para aumentar as sinergias organizacionais das infra-estruturas de telecomunicações66.

A evolução deste sistema contribuiu para tornar a base material do território mais moderna, sobrepondo às redes de transporte material novas infra-estruturas, capazes de integrar o espaço nacional através do deslocamento de imagens, sons, bits, informações etc. Antes da introdução destes novos sistemas técnicos no país, as informações circulavam comumente junto às redes-suporte mais restritas (ou menos capilarizadas), como cabos submarinos, redes de telex, sistema de correio aéreo etc.

Do ponto de vista da evolução dos sistemas de engenharia que passam a compor esses novos conteúdos informacionais do território, faz-se necessário destacar ao menos três principais processos:

1) a evolução da rede telefônica: utilizada ao menos desde 1948, demora quase um quarto de século para dobrar sua extensão no território (DIAS, 1995:96); a partir de meados da década de 1970, seu crescimento é pronunciado, e passa a ser uma alternativa à transmissão de dados por parte das empresas e das autarquias governamentais demandantes;

2) até o final dos anos 1960, a base técnica do território permitia que as telecomunicações se dessem sobre três principais tecnologias: ondas curtas, cabos submarinos (com baixa capacidade de transmissão) e ondas hertzianas (conhecidas também como “ondas de rádio”); os fluxos de ondas hertzianas, por seu turno, concentravam-se principalmente em dois eixos do território: Rio de Janeiro–São Paulo–Campinas e Rio de Janeiro-Belo Horizonte-Brasília-Goiânia. Daí podermos dizer que a integração, até esta época, era uma integração restrita, que não permitia um alcance nacional por parte dos sistemas de ação das grandes empresas (e mesmo do

66 “Logo após sua criação, a TELEBRÁS iniciou o processo de aquisição e absorção das empresas que

prestavam serviços telefônicos no Brasil, visando consolidá-las em empresas de âmbito estadual. Havia nessa época mais de novecentas operadoras independentes no Brasil e, no total, uma planta de cerca de dois milhões de terminais. Através do Decreto nº 74.379, de 1974, a TELEBRÁS foi designada "concessionária geral" para exploração dos serviços públicos de telecomunicações em todo o território nacional.”(ANATEL, 2006).

Governo Federal) no território brasileiro. Até se tornar uma rede “reconhecidamente nacional”, em 1972, as conexões do território por ondas hertzianas seguiriam a seguinte evolução:

Quadro 2: Brasil: Conexões por Visibilidade e por Tropodifusão no Território (1972) LIGAÇÕES NACIONAIS

Período Por “visibilidade” Por “tropodifusão”

Antes de 1969 São Paulo-Curitiba Belo Horizonte-Brasília Rio de Janeiro-São Paulo

Curitiba-Porto Alegre B. Horizonte-Rio de Janeiro 1969-1970 São Paulo-Curitiba B. Horizonte-Salvador Uberaba-Brasília Campo Grande-Corumbá-Cuiabá Belém-Manaus Curitiba-Florianópolis São Paulo-Rib. Preto-Uberaba Recife-Fortaleza

Rio de Janeiro-Vitória

1971-1972 Belém-Brasília

Fortaleza-Teresina Porto Velho-Rio Branco São Paulo-Belo Horizonte Cuiabá-Goiânia São Luís-Belém Cuiabá-Porto Velho 1977-1978 Belo Horizonte-Brasília Curitiba-Bauru Rio de Janeiro-Vitória Vitória-Salvador 1981-1983 Salvador-Fortaleza Cuiabá-Porto Velho Fonte: DIAS, Leila (1995:94)

Apesar de ser considerada como uma rede “nacional” por parte da Embratel, as ligações por vias hertzianas na verdade atingem apenas as regiões próximas às cidades descritas no quadro acima. Segundo Leila Dias (1995), quando muito, cerca de metade dos municípios (55%) brasileiros eram servidos por ligações telefônicas no período contemplado no quadro acima.

3) utilização de satélites: a partir de 1969 também, o Brasil começa a utilizar o satélite INTELSAT (International Telecommunication Satellite Organisation), para as ligações internacionais do país (a partir de uma estação terrestre instalada na cidade do Rio de Janeiro). Em 1985 é lançado o primeiro satélite brasileiro (o Brasilsat I), e no ano seguinte o Brasilsat II; as principais estações terrestres destes satélites foram instaladas principalmente na região Norte do país (dada a ausência de redes-suporte

terrestres que permitissem as telecomunicações desta parcela do território com o resto do país).

Como já foi frisado, o sistema técnico composto pelos satélites em órbita, e seus respectivos retransmissores instalados em pontos estratégicos do território, conseguem conectar lugares inóspitos do espaço nacional, aumentando assim a quantidade de usos possíveis destas partes do território em questão (CASTILLO, 1999). Como nos lembra a geógrafa Leila Dias,

“A reorganização do espaço nacional, condição indispensável à realização do modelo nacional de desenvolvimento, acompanhou as transformações do setor industrial. Em menos de vinte anos as redes de suporte de telecomunicações – microondas e estações terrestres de satélites – cobriram o conjunto do território, permitindo a operacionalização das diferentes redes de serviço – telefonia, transmissão de dados etc.”(DIAS, 2005:31).

Esta integração mais sofisticada do território brasileiro (tanto do ponto de vista da circulação material, quanto informacional) vai ser utilizada pelo sistema bancário brasileiro, que passa a modernizar e difundir com mais vigor suas formas organizacionais e materiais pelo território. Pode-se dizer mesmo que a possibilidade de um comando mais centralizado das atividades econômicas (permitida pela utilização desta nova base informacional) é uma das responsáveis pela própria “concentração bancária” que ocorreria no país a partir do ano de 1964.

Ainda no que diz respeito à relação do sistema financeiro e bancário com esta nova base técnica, há também uma reestruturação das instituições financeiras, fruto em grande parte das alterações normativas propugnadas pela chamada “Reforma Bancária”, que ocorreria a partir do ano de 1964. Tanto as técnicas da informação, quanto as normas são dois conteúdos do espaço geográfico que passam cada vez mais a influenciar as formas de organização das atividades produtivas no país.

CAPÍTULO 6. A Formação do Moderno Sistema Financeiro e a Reforma

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