Com base nas noções de face já discutidas no item anterior, Brown e Levinson (1978; 1987) desenvolveram os conceitos de polidez positiva e negativa, cada qual pretende atender a demanda de cada uma das faces.
Segundo os autores, a polidez positiva consiste na realização de ações polidas por parte do falante desenvolvidas com vistas a gerar uma aproximação/intimidade dele com seu interlocutor. Já a polidez negativa atua de forma inversa, pois resulta de atos que visam a preservação das faces dos participantes da interação.Essas categorias de polidez linguística englobam estratégias que visam atender tanto a face positiva e negativa dos interlocutores, podendo ser enunciadas de modo mais direto ( on-record) , indireto (off-record) ou simplesmente não ser enunciadas (bald-
on-record).
Deste modo, para atender a meta social que visa a aproximação e compartilhamento de imagens e interesses entre falante e ouvinte (polidez positiva), assim como manter o foco na intenção comunicativa dos falantes que pretendem ser diretos ( on-record) em seus enunciados. Seguem abaixo, as estratégias propostas pelos autores e comentários sobre elas a partir dos estudos realizados:
a) Note (isto é, foque) os interesses do ouvinte (interesses, metas, necessidades, qualidades)
Cabem aqui os elogios e atos que venham demonstrar algum aspecto do interlocutor que pode ser utilizado em prol de uma interação mais harmoniosa, solidária. Para isso, o falante deve buscar conhecer ou ter uma idéia do quem seja ou do que gosta seu interlocutor. Como visto em Paiva (2008), é uma estratégia bastante utilizada para iniciar a interação ou mantê-la, de modo que o interlocutor sente-se motivado a continuar na interação, pois está sendo beneficiado de algum modo.
b) Exagere (interesse, aprovação, simpatia com o ouvinte)
Tal como a estratégia anterior, esta permite que o interlocutor se sinta admirado pelo falante em algum aspecto, mas desta vez, este aspecto é ressaltado e exagerado na interação. Pensada em termos de escala, como aborda o estudo de Watts (2003), esta estratégia seria considerada mais polida, pois é claramente percebida pelo interlocutor como algo polido, o que pode em alguns casos prejudicar a interação quando pressiona o interlocutor a realizar alguma ação para retornar ao falante o mesmo nível de exagero ora empregado para si.
c) Intensifique o interesse do ouvinte
Ao contrário das estratégias anteriores, “intensificar os interesses do ouvinte” não necessariamente trata de realizar algum ato em prol do benefício dele, mas do falante. Acreditamos que ao utilizar partículas modalizadoras que de algum modo mantenham a expectativa do interlocutor sobre aquilo que está sendo dito gera mais benefício ao falante, pois
ele ganha mais atenção e tempo para formular ou reformular seu discurso. Sendo assim, o interlocutor pode esperar em termos psicológicos e temporais que algo aconteça, e isto, sem dúvida, em termos de escala de custo e benefício de Leech (1983) gera mais custo ao interlocutor que ao falante, e em seus termos é menos polido.
d) Use marcadores de identidade e grupo no discurso
Através desta estratégia o falante pode marcar na interação o nível de intimidade que ele tem com seu interlocutor, demonstrando, assim mais afiliação ou distanciamento com ele. Podemos observar que esta estratégia já aparece nos estudos de Lakoff (1975, apud WATTS, 2004), pois ao identificar expressões linguísticas que expressassem a formalidade e a camaradagem, Lakoff observou que conforme variava a distância social entre os interlocutores de uma interação variavam também as formas de tratamento entre eles. Deste modo, se a relação entre o falante e seu interlocutor é formal, eles utilizam formas de identificação de um e outro que refletem essa formalidade.
e) Procure concordar
Esta estratégia recomenda que o falante deva buscar evitar prejudicar a interação a partir do momento em que ele se propõe a negar ou amenizar a possibilidade de discordância com seu interlocutor, preferindo consentir a opinar. È portanto uma estratégia de manutenção interacional encontrada principalmente no desenvolvimento conversacional ( PAIVA, 2008).
f) Distancie-se da discordância
Tal como a estratégia anterior, essa nos remete ao princípio de Leech (1983), também tendendo a aparecer no desenvolvimento das conversações e conforme apontam Brown; Levinson (1987) é utilizada em interações, cujos falantes pretendem intensificar a concordância, sendo assim, mais saliente, mais percebida como um ato de polidez, segundo os estudos de Watts (2003).
g). Aceite, aumente, delimite o terreno comum
A nosso ver, esta é uma estratégia que trata de conquistar a confiança do interlocutor por meio do compartilhamento de opiniões e saberes dele. O falante afirma-se como sabedor das dificuldades, características, situações (entre outros) em que o interlocutor se insere e a partir disso tenta estabelecer uma aproximação com ele. Acreditamos que em corpora de chats educacionais
virtuais esta é uma estratégia que deve ser bastante utilizada por tutores, quando pretendem dar
suporte a seus alunos e por alunos, quando pretendem demonstrar conhecimento sobre o tema discutido.
h) Brinque para deixar o ouvinte mais à vontade
Conforme observado em Paiva (2008), esse tipo de estratégia reflete que há um nível alto de intimidade entre falante e interlocutor, demonstrando simpatia e enfraquecendo as possíveis distanciais interacionais que possam existir entre eles.
i) Acerte ou pressuponha conhecimento do ouvinte e de seus interesses
Ao contrário da estratégia “a”, em que o falante pretende conhecer os aspectos e interesses de seu interlocutor, e da estratégia “g” em que ele procura conquistar seu interlocutor, nesta estratégia o falante já demonstra conhecê-lo e para isso usa expressões que lhe conferem autoridade e o comprometem com o que está dizendo, como o uso da expressão: Eu sei que você X. Em termos de polidez, esta seria uma estratégia menos polida que as estratégias “a” e “g”, pois a imagem construída do falante que enuncia a estratégia “i” não o coloca em posição simétrica em relação ao seu interlocutor, ao contrario, sugere que, em algum sentido, ele é hierarquicamente superior a ele, ou seja, o benefício é maior para o falante do que para o interlocutor.
j) Ofereça, prometa
Assim como a estratégia “c”, a estratégia “j” tem como foco criar expectativas do interlocutor sobre as ações de falante e, por conseguinte, o ato de oferecer e prometer, ao mesmo tempo em que sugerem proporcionar ao interlocutor o benefício de algo, há o aumento do benefício do falante, pois se associa a sua imagem uma idéia de generosidade e comprometimento com o que diz.
l) Seja otimista sobre os interesses do ouvinte. Ele quer o que o falante quer
Tal como a estratégia “j”, esta estratégia eleva o falante ao status de sabedor de quem é e quais interesses tem seu interlocutor. Diante desta circunstância, o falante usa de seu “conhecimento” para valer a sua vontade, não deixando ao interlocutor a possibilidade de obstinar-se a ele. Esta estratégia é pouco polida, altamente coercitiva e gera, ao invés de benefício ao interlocutor, custo a sua liberdade de ação.
m) Inclua ouvinte e falante na mesma atividade
Trata-se de uma estratégia bastante utilizada em discursos políticos e pedagógicos, pois possibilita ao falante dar a idéia de que ele e o seu interlocutor estão envolvidos na mesma atividade. É uma estratégia que visa a integração e afiliação entre eles, podendo ser utilizada em todos os momentos da interação, com metas distintas, das mais altruístas as mais coercitivas, pois na medida em que o interlocutor se sente parte de um grupo, ele tenderá a agir em prol do grupo,
mesmo que isso possa fazer com que ele perca sua face.
n)Forneça ou peça razões para a realização de um ato em prol do ouvinte
A partir desta estratégia, a falante busca justificar ou pedir razões para realizar um determinado ato em prol de seu interlocutor, de imediato ele visa gerar um benefício para o falante, mas em segundo momento, promove a imagem de si como alguém generoso, solidário e simpático, dependendo da circunstância.
o) Acerte uma troca recíproca
Utilizando esta estratégia, o falante evidencia que a sua ação pode gerar vantagens para si e para seu interlocutor, passando assim, uma imagem de justiça na realização de seus atos.
p) Forneça presentes ao ouvinte (qualidades, simpatia, entendimento, cooperação)
Trata-se da demonstração pública de sentimentos do falante que podem beneficiar seu interlocutor, assumindo assim, que na inerência da interação, o interlocutor deseja ser compreendido, ter suas qualidades admiradas, ser aprovado e ter cooperação em suas ações.
Conforme Brown; Levinson (1987), as estratégias (“a” a “p”), discutidas anteriormente, visaram atender a face positiva do ouvinte, mas como observado nos comentários sobre elas, verificamos que a face positiva do falante também foi beneficiada, e no caso de algumas estratégias, parece até assumir-se como o primeiro objetivo comunicacional, pois ao invés de diminuir os custos do ouvinte e aumentar os seus benefícios, aumenta os próprios, dependendo da situação de comunicação.
Além dessas estratégias, os autores alocaram em uma segunda categoria de estratégias On – Record, ou seja, aquelas que podem ser enunciadas diretamente, aquelas que direcionam-se a face
negativa do ouvinte, proporcionando-lhe o resguardo da sua liberdade de ações dentro da interação. Seguem abaixo, as estratégias direcionadas à face negativa (polidez negativa) de Brown; Levinson (1987) e seus respectivos comentários balizados pelos estudos sobre o tema.
a) Seja convencionalmente indireto
Para os autores, “ser convencionalmente indireto” é todo ato de fala que se realiza por meio de outro com o objetivo de minimizar a força do primeiro. Conforme Searle (2002), os atos indiretos de fala surgem da união de um ato “x”, que unido a uma força ilocucionária “y” formam um ato duplo que pode ter um sentido literal, associado ao ato “x” e um outro associado a força. São exemplos de atos indiretos de fala, os pedidos por meio de afirmações, entre outros. O autor ainda destaca o uso de condicionais ou verbos modalizadores que enfraquecem o ato, como por
exemplo, o can e could, que em tese serviriam para questionar a habilidade do interlocutor, mas que no enunciado funcionam como amenizadores do ato.
b) Questione, restrinja-se
Seguindo o mesmo pressuposto da estratégia anterior, esta estratégia também visa enfraquecer a força do ato, mas desta vez, não pretende confundir o interlocutor com a dubiedade de sentidos e sim, mostrar para ele de forma clara o que se pretende enunciar. Para isto, faz-se uso de um verbo modalizador, que ao enfraquecer um possível ato de ameaça a face negativa do interlocutor, resguarda e restringe o posicionamento do falante dentro da interação. Entre os verbos mais comuns, encontramos: achar, pensar, acreditar.
c) Seja pessimista
Como mostrou Paiva (2008), esta estratégia assemelha-se bastante a estratégia on-record de polidez positiva seja otimista, e tal como ela talvez devessem estar juntas na mesma categoria, uma vez que ambas de algum modo levam o interlocutor a realizar ações, em prol da manutenção da polidez, sem que ele tenha vontade para isso, ou seja, o seu desejo de manter sua “liberdade desimpedida” (BROWN; LEVINSON, 1987) é maculado. A diferença que há entre as duas reside na forma em que as estratégia são formuladas, pois enquanto na primeira, o falante se diz sabedor do que quer o ouvinte e de acordo com isto realiza suas ações, na segunda o falante também se diz sabedor , mas agora daquilo que o ouvinte não quer. Normalmente utilizada de modo cerimonioso, a estratégia do pessimismo interacional sugere que falante e interlocutor em pouca ou nenhuma intimidade, ou que na interação atravessa um grande nível de formalidade.
d) Minimize a imposição
Assim como as estratégias on-record de polidez negativa “a” e “b”, esta estratégia visa enfraquecer o ato de ameaça a face negativa, mas, ao contrário das primeiras faz uso de adjetivos, conjunções e advérbios para minimizar a imposição dos atos de ameaça a face negativa do interlocutor.
e) Demonstre respeito
Outra estratégia que demonstra que há um distanciamento em termos de poder e solidariedade entre falante e ouvinte é Demonstre Respeito. Por meio desta estratégia, o falante sugere que seu interlocutor tem mais poder ou com ele tem menos proximidade e por isso prefere usar formas de tratamento que reflitam tal relação, a exemplo temos as formas de tratamento que demonstram as diferenças etária e de papel dos participantes. Silva (2008) distribui as formas de tratamento em
quatro categorias:s formas pronominalizadas, nominais, vocativas e outras. Ao utilizar esta estratégia, o falante aumenta os benefícios ao interlocutor, oferecendo-lhe respeito, ao passo que o aloca em posição superior a sua na interação.
f) Desculpe-se
O ato de desculpar-se caracteriza-se como uma estratégia de polidez na medida em que o falante antecipa-se a realização de um ato de ameaça a face ou reage após o cometimento do ato reparando a interação. Ao desculpar-se o falante age em benefício do ouvinte quando tenta minimizar o dano feito ou a ser gerado e em benefício próprio quando projeta uma imagem de solidariedade e simpatia com relação as questões do ouvinte. Neste caso, temos um tipo de estratégia que pode beneficiar a face positiva do falante, quando protege a face negativa do ouvinte.
g) Impessoalize o falante e o ouvinte. Distancie-se dos pronomes eu e você:
Ao impessoalizar as pessoas na interação, o falante opta por dá-la um tom mais formal, demonstrando que não se trata de uma interação entre interlocutores que ocupam o mesmo patamar hierárquico, mas que não compartilham intimidades. A nosso ver, trata-se também de um modo de resguardo da própria face, assim como fazem as estratégias on-record de polidez negativa “b” e “e” e que como elas pode ser bastante encontrada em comunicações escritas e/ou de caráter jornalístico e acadêmico/científico.
h) Categorize um ato de ameaça à face como uma regra geral
Outra maneira de se esquivar da responsabilidade pelo que se diz refere-se ao tratamento do enunciado como algo incontestável, uma verdade que não pertence nem ao falante, nem ao interlocutor, mas a cultura, a ideologia e aos hábitos sociais de uma época. Quando um falante categoriza um ato de ameaça a face como uma regara geral ele desloca a responsabilidade do enunciado para um OUTRO constitutivo e anterior a enunciação. Neste caso, encaixam-se os provérbios e ditos populares.
i) Nominalize para distanciar o ator e adicione formalidade
Aqui, o falante faz uso dos nomes, dos pronomes para instaurar ou manter o distanciamento entre os interlocutores. Ao contrário da impessoalização, a pessoalidade com que o falante se exprime adicionada da formalidade tende a exprimir uma boa imagem de si, sem que haja o seu envolvimento.
nada
Ao fazer uso desta estratégia, o falante evidencia que deve algo a seu ouvinte por meio de um seu enunciado mais polido, pois apela para o aspecto cerimonial da interação. Tal apelo cerimonial, amplamente reconhecido pelo interlocutor como uma ação polida, leva-o a agir, também com polidez em relação ao falante, e deste modo, acreditamos que esta, assim como as estratégias, seja pessimista, seja otimista e exagere de polidez positiva on-record denigrem, ao invés de resguardarem a face negativa do ouvinte.
Discutimos, anteriormente, vinte e cinco estratégias de polidez propostas por Brown; Levinson (1987) que pretendem dar conta das faces positiva e negativa do ouvinte na interação. Segundo a categorização dos autores, tais estratégias são enunciadas de modo direto e que de algum modo comprometem diretamente o falante com aquilo que enuncia.
No entanto, observamos que algumas dessas estratégias, ao contrário do que revela a categoria on-record, trata-se de modos indiretos de enunciar algo, seja de forma a enfraquecer a força do ato, torná-lo duvidoso ou até mesmo apagar os seus atores.
Observamos também que muitas dessas estratégias de polidez visam, sobretudo, gerenciar a imagem que o falante deseja projetar de si mesmo na interação, de modo complementar pode resguardar ou auxiliar no compartilhamento de faces do ouvinte, ou seja, a polidez linguística de Brown; Levinson (1987) não possui de modo algum uma perspectiva altruísta, ao contrário, apresenta contornos de uma polidez que vela os desejos do falante nos benefícios do ouvinte.
Além dessas vinte e cinco estratégias, os autores propõem um terceiro tipo, que, segundo eles, têm o propósito de evitar a associação do falante com atos ameaçadores de face. Seriam então as estratégias off –record de polidez linguística as estratégias mais egocêntricas do modelo
dos autores? Segue abaixo a discussão sobre elas.
a)Faça insinuações
A primeira estratégia de polidez off-record proposta pelos autores muito se assemelha a estratégia
seja convencionalmente indireto categorizada como uma estratégia de polidez on-record positiva
e amplamente discutida por eles como demonstrações de atos indiretos de fala, ou seja, atos em que suas forças ilocucionais competem, cabendo ao interlocutor identificar qual sentido mais se adéqua a situação comunicativa. Em faça insinuações, os autores usam os atos indiretos de fala como fórmulas para infringir a máxima da relevância de Grice (1967;1982), pela qual o falante responde algo que aparentemente não tem nenhuma relevância com o que foi perguntado. Por
serem tão próximas, acreditamos que Brown; Levinson (1987) apegaram-se a característica da resposta como algo que lhe diferencia da estratégia da categoria anterior, no entanto, isto não está claro na obra.
b) Forneça pistas associativas
Seguindo a mesma linha dos atos indiretos de fala, em forneça pistas associativas, cabe ao ouvinte a capacidade de trazer a tona elementos que possa associar para que só assim chegue ao sentido pretendido. Deste modo, podemos dizer que as pistas associativas são geradas segundo o conhecimento compartilhado entre falante e ouvinte (PAIVA, 2008) e este pode ser desenvolvido através de código compartilhado entre eles.
c) Pressuponha
Assim como as três estratégias anteriores, a pressuposição também funciona a partir de um conhecimento prévio compartilhado entre falante e ouvinte, cabendo ao ouvinte o esforço de retomar tal conhecimento através de pistas contextuais, prosódicas e linguísticas.
d)Minimize
Quando o ato de ameaça a face é considerado pelo falante como algo que pode prejudicar o desenvolvimento da interação e ou a construção e preservação de faces, ele pode minimizar a força do ato com o uso de diminutivos, advérbios de dúvida, explicação, exclusão, aproximação, retificação, entre outros. Em Paiva (2008), observamos que minimize, parece ter alguma relação com o princípio de lítotes de Leech (1983), que tem como principal objetivo distorcer o estado de coisas, que nesse caso pode ser considerado como um ato ameaçador de face.
e)Exagere
Tal como Minimize, Exagere é uma estratégia que pretende altear o estado de coisa do ato enunciado, mas desta vez para uma conotação exagerada, como que enfatizando o valor de algo ou da ação do falante. Observamos que esta estratégia também se assemelha com a estratégia de polidez positiva exagere o interesse pelo ouvinte, o que a nosso ver, poderiam ser a mesma estratégia, uma vez que ambas não denunciam aspectos de indireção, como também não enfraquecem a associação do falante com aquilo que enuncia.
A respeito da semelhança entre essas das estratégias minimize e exagere, Paiva (2008) propõe uma acomodação das duas em uma única estratégia, que teria como objetivo distorcer o estado de coisa no ato da enunciação, caracterizando uma violação às máximas da qualidade e da quantidade de Grice.
f) Use tautologias
Violando a máxima da quantidade, a tautologia é uma expressão enunciada pelo falante que pretende responder a algo, sem ser preciso, e de certo modo não fornece informação suficiente, levando o ouvinte a inferir o que seja o enunciado.
Para Paiva (2008), as tautologias e provérbios funcionam de forma parecida, pois na medida em que tentam ser precisos apelando para conceitos compartilhados entre os interlocutores são generalizadores, infringindo, assim, a máxima da quantidade.
g)Use contradições
De modo semelhante às tautologias, as contradições também são estratégias que permitem o falante a burlar as máximas da quantidade e a máxima da qualidade de Grice (1983), pois o ouvinte terá que realizar um cálculo inferencial para compreender o que se passa na interação.
h) Seja irônico
Para Leech (1983), a ironia é considerada como um princípio à parte da polidez, pois ela em si constitui uma forma velada de violação do princípio seja polido, já que ela trabalha a polidez apenas superficialmente. Talvez, com bsae em Leech (1983), alguns estudos recentes como Bravo (2004), entre outros que analisam a (des)cortesia, a ironia seria uma forma de realização descortez de um ato, pois um dos sentidos evocados denigre ao invés de preservar a face do ouvinte. Podemos argumentar a favor de Brown; Levinson (1987) observando que a ironia nem sempre é empregada para violar a face do ouvinte, ou remeter-se ao ouvinte em potencial, mas a