7. Discussion
7.1. Helpful help—Who defines and decides what it is?
A mudança de footing por mudança de frame é bastante comum, mesmo em um gênero institucionalizado como o chat educacional virtual, é possível que tutores e alunos
introduzam um novo frame caso julguem necessário, embora, em algumas ocasiões o novo frame não diga respeito ao foco da interação e ao seu tópico discursivo previamente introduzido.
Consideramos que o tópico discursivo diz respeito ao tema, a algo que está sendo discutido em determinado momento sob certas circunstâncias (BROW; YULE, 1984, apud, MARCUSCHI, 2006, p.10). Deste modo, em qualquer tipo de conversa, seja ela realizada face a face ou não, estamos sujeitos a mudança de tópico discursivo, e quando passamos por isso, precisamos nos ajustar, nos posicionar diferente, e quando nos posicionamos de modo diferente, pois trazemos a tona uma nova situação com um cenário diferenciado, seja em termos cognitivos ou sociais, estamos realizando, necessariamente uma mudança de frame.
Para Marcuschi (2006, p.10), “os tópicos discursivos manifestam-se nos frames que se desenvolvem no encadeamento de elementos informacionais lexicalizados”. Deste modo, concluímos que os tópicos discursivos materializados em forma de atividades propostas dentro do
chat enunciadas pelo tutor previamente e durante os chats funcionam como um gatilho para
construção social, comunicacional e cognitiva da situação de fala.
Neste caso, cabe ao tutor, a tarefa de definir o tópico discursivo previamente, o que geralmente ocorre em duas etapas: por mensagem e no próprio chat. Assim, os alunos já sabem sobre o que vão conversar e como devem se portar, antes de iniciarem a interação, nos termos de Goffman (1981), já sabem o que vai acontecer naquele ambiente e preparam-se para esta ocasião.
Sendo assim, na interação realizada em chats educacionais virtuais sempre há um
frame primário que diz respeito à discussão de um determinado texto ou a uma revisão, cujos
alunos assumem as atribuições de seus papeis sociais e tendem a ser comportar conforme sugere a situação, no entanto, pode ocorrer a introdução de frames parasitas, que são inseridos por tutores e alunos com diferentes funções, sejam elas sociais ou comunicacionais.
Não queremos dizer aqui que há uma exclusão do tópico discursivo e por conseguinte do frame situacional provocado por este, e sim uma adição de um novo frame suscitado por um novo tópico, que pode ficar em evidência por um curto ou longo período na cadeia da fala.
Tomaremos como mudança de frame em chats educacionais virtuais a ativação de
frames que não estão relacionados às saudações, despedidas ou discussões sobre temas da aula,
ou seja, a introdução de qualquer outro tema, tópico discursivo, relacionado ou não com a terceira parte que quebre momentânea e/ou permanentemente o frame principal ativado pelo tutor da disciplina.
Com base em experiência em chats educacionais e para efeito de análise, consideramos que a discussão de um novo tópico discursivo que leva a elucidação de um novo
frame situacional pode prejudicar o desenvolvimento do chat educacional se perdurar por um
tempo longo o suficiente para deixar tutor e alunos confusos quanto ao que estão fazendo. Deste modo, propomos que em um chat de sessenta minutos, um novo tópico discutido por mais de seis minutos pode comprometer a função do chat.
Consideramos que os novos frames que ultrapassam seis minutos de conversa podem gerar a quebra da moderação do tutor, cuja obrigação é mantê-la durante toda a interação para que se instaure a harmonia interacional.
Deste modo, verificaremos se a presença da terceira parte influencia na introdução de novos frames e manutenção deles por mais de seis minutos e se os novos frames introduzidos têm alguma relação consigo e se, de algum modo, esta mudança de footing por mudança de frame demonstra a dificuldade de moderação do tutor.
Por se tratar de conversas com caráter institucional, partimos do pressuposto que a mudança de frame em chats educacionais virtuais é pouco comum, muito embora apresente característica de um gênero conversacional, seja ele oral ou escrito, no entanto, é mais comum em gêneros conversacionais informais, o que não é o caso do corpus analisado. Por se tratar de uma conversa formal com tópico pré-definido, consideramos um desvio relativamente grave a introdução e manutenção de novos frames por um tempo superior a seis minutos, o que corresponde a um tempo maior ou igual a 10% de toda a conversa. Com base nisso, dividimos as mudanças de frame em três categorias: padrão, desfocalizadora e influenciada pela terceira parte.
Em uma mudança de frame padrão, tutores e alunos podem introduzir outros
frames durante a conversa, mas esses não são mantidos por muito tempo. São exemplos: avisos,
perguntas de natureza pessoal, entre outros. Neste caso, a desfocalização conversacional não implica em dificuldade de moderação do tutor, pois ele consegue isolar o frame introduzido sem abandonar o frame principal.
Uma mudança de frame desfocalizadora consiste em uma ou mais mudanças que provocam a desordem e até a desarmonia interacional, visto que os propósitos comunicativos dos participantes divergem do propósito comunicativo instituído previamente pelo tutor do chat. Esta mudança pode ocorrer por introdução do aluno, como do tutor e a sua manutenção por mais de seis minutos é que pode ser ameaçadora para o propósito do encontro ou até mesmo para o tutor,
quando este se encontra em posição desfavorável dentro da interação, sendo excluído pelo grupo25, quebrando, assim, a sua hierarquia perante os alunos.
A mudança de frame por influência da 3ª parte ocorre quando, pela presença ou ausência da terceira parte, alunos e tutores insistem por vários turnos em conversar sobre ela ou algum assunto relacionado a ela diretamente. Deste modo, instaura-se o frame “fala-se sobre a terceira parte” e alunos e tutores desfocalizam seus chats por interferência dela.
Diante do exposto, acreditamos que a terceira parte influencia moderadamente quando, além das reações polidas de tutores e alunos às suas investidas em saudações e despedidas, eles sentem-se motivados a incluir a terceira parte na atividade de fala ou mencioná- la, ocasionando, assim, uma mudança de footing por mudança de frame com a introdução de um novo tópico discursivo, que por sua vez, é discutido durante poucos minutos, e logo o tutor consegue retomar o tópico anterior; e interfere na interação quando algum assunto relacionado a ela perdure por mais de seis minutos em toda a interação, proporcionando assim, uma quebra de tópico com retomada tardia, levando a uma alta dificuldade de moderação do tutor.
25 Neste caso, a mudança de frame acarreta a mudança de footing por estrutura de participação do tutor, que ocupa a