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5. Methodology: Onto-epistemological assumptions, scientific procedures,

5.1. Onto-epistemological assumptions

Como dito anteriormente, o novo modelo de Leech (2005) permite que todas as antigas máximas, agora regras, trabalhem em conjunto para realizar uma determinada ação polida, cujo objetivo principal é evitar conflitos na interação. Conforme podemos observar no Quadro 1, há uma discriminação entre os valores atribuídos ao falante e ao seu interlocutor, foco das regras que engendram maior força no modelo. Nesse caso, podemos dizer que, para Leech, o outro (ouvinte) ainda é o foco do seu modelo de polidez, independente da cultura onde se encontra. (PAIVA, 2008)

Com a finalidade de demonstrar o que é mais ou menos polido, Leech (2005) distribui as chamadas regras de polidez em uma escala de 1 a 10. O autor sugere que os números ímpares da escala são aqueles que detêm um valor mais polido dentro da escala, enquanto os números pares apresentam regras menos polidas, se comparadas aos ímpares. Esta divisão parece estar balizada por uma segunda categoria proposta pelo autor: as noções de pos-polidez e neg- polidez.

Acerca das regras de números ímpares, o autor cita-as como formas de manifestação de pos-polidez, demonstrações de polidez linguística, cujas metas sociais e e ilocucionais não competem entre si, e são elas as responsáveis por trazer mais benefícios ao Outro. Já as regras pares, de neg-polidez, levam o falante a assumir custos na interação para atingir suas metas sociais, que desta vez competem com as metas ilocucionais. No Quadro 1, podemos observar as regras pragmáticas que o falante realiza ao tentar ser polido em sua escala orginal.

No quadro 1, verificamos cinco colunas: a regras; parte do par relacionado às regras; título da regra; ato de fala típico relacionado a regra; e exemplo. A proposta do autor nos faz analisar a polidez linguística da seguinte forma: se para enunciar um determinado ato x, o falante atribui um alto valor aos “interesses” de seu interlocutor ou terceira parte, ele então usa do tato, fazendo ofertas, convites, promessas, comprometendo-se com o que diz, e, portanto, passa uma imagem de generosidade.

Trata-se de um modelo analítico bem interessante quando observamos que o autor não o reduz a falante e ouvinte, mas as categorias self e outro, que podem ser falantes e ouvintes, como não. Outro ponto positivo de seu modelo é que ao dividir as regras em números primos e pares conforme os custos do self, não há aí uma priorização da polidez em benefício de si, como

sugere o modelo de Brown; Levinson (1987).

Neste modelo, Leech mantém uma estreita relação com a teoria dos atos de fala, isso se deve ao fato de que ao falar, o indivíduo tem duas metas, uma comunicativa e uma social, que podem estar em conflito ou não. Nesse caso, o próprio autor aponta que, dependendo da cultura e da relação que o indivíduo estabelece com o seu grupo, algumas regras podem competir, ativando diferentes comportamentos polidos, dependendo da situação. Leech (2005, p.20) nos fornece alguns exemplos, pelos quais podemos observar esse conflito de regras:

I) Questionando sobre quem vai pagar a conta do restaurante: aqui, a generosidade compete com a concordância, a menos que exista um claro entendimento que uma pessoa está sendo convidada por outra;

II) Aconselhar: a generosidade pode competir com a concordância e a modéstia. Dar conselhos consiste em fornecer benefícios da opinião de S para O, mas pode implicar também que você superestime a própria opinião;

III) Ofertas e convites: a generosidade pode competir com a modéstia.

Nestes exemplos fornecidos pelo autor, verificamos que o agir do self implica em uma determinada reação do outro, e esta reação deve ser polida, tanto quanto a primeira ação e por isso pode competir com a ação do self. Vejamos o ato de aconselhar, o self ao aconselhar seu interlocutor ele pode estar tentando ajudá-lo, mas pode ser mal interpretado por isso e seu interlocutor reagir de forma pouco polida. Reações não são objeto dos estudos de Leech (2005), que assim como Brow; Levinson (1987) centra-se nos enunciados do self, que sem o Outro não haveria interação.

Com base nisso, observa-se que o modelo de Leech:

a) utiliza uma nomenclatura própria para tratar dos interlocutores da interação, dando conta, assim, de outros participantes como a terceira parte ou zona de influência.

b) traz grandes contribuições para os estudos de polidez linguística, uma vez que as regras propostas não privilegiam o falante da interação, e sim o outro;

c) no entanto, apenas o enunciado do self é analisado, a sua reação não é foco do modelo, d) está extremamente apegado a teoria dos atos de fala proposta por Austin ( 1962 ) e Searle

( 2003), pois para o autor, conforme o self vai agindo, suas ações podem ser tratadas como comissivas, diretivas, e assim por diante. Verificamos aí, uma generalização que pode ser útil em identificar os propósitos comunicativos e sociais, mas não dá conta das

particularidades dos enunciados, aspecto bem trabalhado por Brown; Levinson (1987) por meio das estratégias.

QUADRO 1- Regras pragmáticas de polidez linguística REGRA PARTE DO PAR RELACIONADO

ÀS REGRAS

TÍTULO DA

REGRA TIPO TÍPICO DE ATO DE FALA EXEMPLOS

1. Atribuir um alto valor

aos “interesses” de O Tato / Generosidade Generosidade Comissivos Ofertas; Convites; Promessas

2. Atribuir um baixo valor

aos “interesses” de S Generosidade / Tato Tato Diretivos Pedidos

3. Atribuir um alto valor

às qualidades de O Aprovação / Modéstia Aprovação Elogios Elogios; Cumprimentos

4. Atribuir um baixo valor

às qualidades de S Aprovação / Modéstia Modéstia Avaliação pessoal Auto-depreciação

5. Atribuir um alto valor às obrigações de S para

com O -

Obrigação de S para O

Desculpas;

agradecimentos Pedido de desculpas

6. Atribuir um baixo valor às obrigações de O para com S - Obrigação de O para S Respostas a pedidos de desculpas e agradecimentos Respostas a pedidos de desculpas e agradecimentos

7. Atribuir um alto valor

às opiniões de O - Concordância Concordância e discordância

Concordância; intensificação

8. Atribuir um baixo valor

às opiniões de S - Opinião; reticência Opiniões

Modalização; suavização de opiniões

pessoais

9. Atribuir um alto valor aos sentimentos de O - Simpatia Expressão de sentimentos Congratulações e condolências

10.Atribuir um baixo valor

aos sentimentos de S - Sentimento; reticência

Contenção dos sentimentos

Contenção dos sentimentos e emoções

Fonte: Quadro adaptado de Leech (2005) e disponibilizado por Paiva (2008, p.84)

Além de revisar as máximas da polidez, Leech (2005) reflete sobre os componentes sociais e culturais que podem balizar a interação adotados por Brown; Levinson (1987) e propõe a criação de mais duas variáveis, além do peso do ato de ameaça a face, a distância e do poder propostas pelos autores, Leech (2005) propõe que os interlocutores de uma interação social estão sob as influências dos: direitos e obrigações sociais definidos; e do território do self e do outro.

Observamos que com essas duas variáveis, parte dos problemas de análise de polidez linguística estaria resolvida, pois, de um modo geral, ao interagirmos em um determinado grupo, assumimos um determinado papel social, o qual é balizado por direitos e obrigações que precedem a interação.

Tomando nosso corpus, podemos dizer que ali interagem interlocutores que podem ocupar o papel de aluno e o papel de tutor, ambos devem ter direitos e obrigações bem definidos, a saber: ao tutor cabe a tarefa de abrir e fechar as interações, mediá-las, orientar os alunos; ao aluno cabe comparecer ao chat, interagir com os colegas e tutor, ser respeitoso, discutir sobre o assunto determinado pelo tutor. Há aí, uma relação clara que define quem é um e quem é outro, demonstrando-se assim a assimetria dentro da interação.

Leech (2005) também fala do território do self e do território do outro. Com essa variável, ele pretende dar conta das relações interculturais existentes. Trata-se de uma variável que pretende ter um caráter universal, para Paiva (2008, p.88), esta variável

tem como objetivo demonstrar as diferenças culturais com relação ao território dentro da comunicação, ou seja, ela identifica em que medida, em uma determinada cultura, nós podemos avançar ou recuar no território do outro; é uma relação que se estabelece dentro e fora do grupo social.Essa variável foi estipulada para tentar compreender alguns tipos de relação social existentes no Japão e na China, cujos meios de integração do indivíduo dentro do grupo são bastante complexos, muitas vezes ritualísticos, o que ocasiona termos específicos para a delimitação do território, do que pertence ao grupo.

Mais acima, mencionamos que a adoção destas duas variáveis, além das já citadas por Brown; Levinson (1987) resolvem em parte os problemas de análise de polidez linguística, pois observamos que outros elementos podem determinar o nível e a forma como a polidez se manifesta nas interações. Entre esses elementos que julgamos ter bastante importância, destacamos a modalidade interacional (falada ou por escrito), o nível de formalidade da interação6, a presença ou não da terceira parte ou zona de influência na interação.

Deste modo, para nossa pesquisa, assumimos como variáveis de polidez linguística: o peso do ato de ameaça a face, o poder, a distância interacional, o papel dos participantes ( direitos e obrigações), o nível de formalidade da interação e a presença da terceira parte ou zona de influência. As variáveis modalidade interacional e território do self e do outro não serão adotadas nesta pesquisa, pois nosso corpus é constituído inteiramente por chats educacionais virtuais, ou seja, não varia e nessas interações não há nenhum participante estrangeiro, cuja

cultura poderia interferir em maior ou menor grau na interação.