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No segundo semestre de 2011, foi aplicado um questionário contendo 16 questões que objetivaram traçar um breve perfil dos participantes de chats educacionais virtuais, matriculados no curso Letras Português. Depois de coletados, os dados foram tabulados no programa SPSS versão 17.0 e passaram por tratamento estatístico. As informações foram cruzadas a partir das variáveis: sexo, idade, disciplina e pólo.

Os cruzamentos demonstraram respostas similares, levando-nos a optar por uma análise mais aprofundada quanto à variável sexo, visto que a maior parte dos participantes da pesquisa é constituída pelo sexo feminino. Ao todo, contamos com a colaboração de 225 mulheres e 73 homens, 298 informantes, entre eles 17 tutores e 281 alunos.

4.7.1 O perfil dos tutores

Com base nos resultados, é possível afirmar que o perfil do tutor em Educação à Distância do curso Letras-Português é constituído de jovens professoras, pois a maior parte dos tutores que respondeu ao questionário é composta de mulheres, com idades entre 22 e 37 anos (50%), e todos, sem exceção, já concluiu algum curso de pós-graduação, seja no nível lato ou

stricto sensu.

Ao todo, tivemos acesso aos dados de 10 tutores de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos, 4 de Sociolinguística e 3 de Linguística Textual. A disparidade deste número ocorreu devido ao fato de boa parte dos tutores de Sociolinguistica não preencheu o questionário,

28apenas três tutores de Linguistica Textual promoveram o chat da disciplina, e houve

coincidências entre tutores de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos com os das outras disciplinas.

Todos esses tutores passaram por um curso de formação que lhes permitiu conhecer e compreender o nível de importância das ferramentas de interação. Dentre os dezessete tutores que responderam às perguntas, dez deles consideraram o chat educacional virtual como uma ferramenta importante de interação, no entanto, quinze julgaram aquilo que é discutido através dessa ferramenta pode ser feito através do fórum e mensagens.

Caso não houvesse o uso da obrigatoriedade do uso da ferramenta como aspecto avaliativo de conhecimento e participação dos alunos, catorze tutores ressaltaram que ainda assim a utilizariam. Se a proposta do chat não fosse definida previamente, nem houvesse data limite para interação (chat livre), doze deles também fariam uso da ferramenta e possivelmente sentiriam sua falta, caso não estivesse disponível na disciplina.

28 O mesmo número de questionários foi entregue aos tutores, mas alguns não preencheram ou não devolveram, no

Com relação aos seus comportamentos dentro das sessões de chat, dez tutores afirmaram que costumam entrar mais cedo para recepcionar os alunos, e lá procuram discutir textos relacionados à aula e tirar dúvidas dos alunos. Apenas dois tutores afirmaram que o chat pode ser um ambiente para conversar, “colocar o papo em dia”.

De fato, observamos, ao acompanhar as sessões de chat, que os tutores parecem bem focados às propostas dos chats educacionais virtuais, evitando que se instaure no AVA algum desvio do tema ou algo que esteja relacionado à aula, mas, nem sempre verificamos sua pontualidade, como demonstraram em suas respostas, ou mesmo presença, quando o chat era obrigatório.

Diante disso, podemos inferir que apesar de não ser uma ferramenta exclusiva de interação, o chat educacional virtual parece ser importante para os tutores, pois eles sentem sua falta e dizem que o usariam sem a obrigatoriedade da disciplina, servindo-lhes como apoio, já que consideram que as demais ferramentas de interação possam resolver a lacuna de interação existente nessa modalidade de educação.

4.7.2 O perfil dos alunos

Para a realização desta pesquisa, contamos com a colaboração de 281 alunos, 62 da disciplina Sociolinguística, 58 de Gêneros Textuais e Ensino, e 161 estudantes de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos, todos esses alunos estão matriculados em semestres distintos do curso Letras-Português e parecem acompanhar a grade curricular do curso, pois a maior parte deles, na época, cursava o segundo (69,5%) e quarto semestre (18,1%).

Assim como o perfil dos tutores, os alunos são em sua maioria mulheres, cerca de 75% deles, e ambos sexos se concentram em maior número nas faixas etárias de 16 a 27 anos. Apesar de serem turmas relativamente jovens, observamos que há estudantes com faixa etária elevada (mais de cinquenta anos) ocupando os bancos da Universidade, e mais uma vez, são as mulheres.

Elas também parecem persistir mais nos estudos, pois 24,6% delas declarou que já concluiu outro curso de graduação, enquanto apenas 18,6% deles fez o mesmo. Quando questionados sobre já ter concluído um curso de pós-graduação, o resultado foi similar, pois, as

mulheres, novamente, são as que mais procuram se especializar, cerca de 12% delas admitiu já ter feito uma especialização contra 4,3% deles.

Como os tutores, aproximadamente 29% das alunas e dos alunos consideram a ferramenta chat educacional importante, e mesmo quando esta não vale como avaliação, ainda assim, 94% dos homens e 70% das mulheres afirmam que participam.

Ao contrário do que verificamos anteriormente (PAIVA; SOARES, 2011), os alunos parecem ter afinidade com a ferramenta, pois quando a disciplina não disponibiliza a ferramenta, tanto os estudantes do sexo masculino (45,7%) quanto do sexo feminino (47,6%) afirmam que não sentem sua falta. Algo interessante também ocorreu quando questionados sobre o uso do chat livre, houve uma diferença pequena entre os alunos que costumam e aqueles que não costumam usar, 122 estudantes declararam que não usam o chat livre, representando um total de 44% do total de estudantes pesquisados.

Observamos que este número deve-se ao fato de que os estudantes dos pólos de Meruoca e Ubajara foram os mais enfáticos quanto à afinidade com a ferramenta e a sua baixa utilização, sejam chats educacionais livres ou de cunho avaliativo. Este resultado leva-nos a inferir que às precárias condições das redes de internet nos municípios supracitados frustram seus usuários a ponto deles não gostarem e preferirem, quando podem, evitar o uso da ferramenta.

Além dos alunos dos municípios citados acima, boa parte dos tutores e cerca de 264 alunos concordam que o que é feito por eles em chat pode ser feito através de outras ferramentas de interação, levando-nos a crer que o chat realmente funciona como um apoio, não necessariamente fundamental, para os participantes.

Quanto aos hábitos dentro do chat, observamos que os homens são os que demonstram maior ansiedade, uma vez que 47% deles afirmaram que chegam mais cedo, enquanto 55% das mulheres procuram chegar na hora marcada. Um aspecto interessante é que poucos alunos afirmaram que não costumam participar ou chegam atrasados, neste ponto, observamos incoerência entre o que é dito e o que realmente se concretiza como comportamento, pois na coleta do corpus, observamos que muitos alunos chegam atrasados, ou não comparecem as sessões de chat, mesmo quando estão sendo avaliados.

Com base nas opções sugeridas, aproximadamente 74% das alunas e 80% dos alunos afirmou que eles usam o chat educacional para discutir textos e assuntos relacionados à aula, um segundo propósito seria tirar dúvidas, mas poucos deles, assim como os tutores, consideraram o

chat como um ambiente para bater-papo, demonstrando assim, que apesar de ser uma ferramenta

que possibilita esse tipo de uso, os alunos parecem cientes, que por estarem em um AVA, não devem confundir o que é aula com entretenimento.

5 TERCEIRA PARTE E SUA INFLUÊNCIA NA MUDANÇA DE FOOTING EM CHATS