7. Discussion
7.5. Implications for practice and further research
Foram coletados 60 chats, 40 deles desenvolvidos na disciplina Leitura e Produção de Textos Acadêmicos, 16 na disciplina Sociolinguística e 4 na disciplina Linguística de Texto, todas pertencentes à grade curricular do curso de Letras-Português. Os chats disponíveis têm caráter diferenciado, pois aqueles pertencentes à disciplina de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos são requisito para avaliação e freqüência dos alunos, enquanto aqueles ofertados pelas outras disciplinas não.
Quanto ao nivelamento, todos os tutores, antes de ingressarem no ambiente, devem passar por um curso de tutoria que lhes habilita a lecionar no ambiente virtual. O curso propõe uma discussão sobre tópicos pertinentes ao desenvolvimento das ferramentas e da demonstração do comportamento esperado para essa função. O mesmo parece ocorrer com os alunos, pois eles, ao iniciarem o curso, passam por uma disciplina de Educação à Distância que tem como objetivo situá-los no ambiente, mostrando seus direitos e obrigações enquanto alunos.
Desse modo, acreditamos que se o pesquisador se fizer presente no chat, algum comportamento costumeiro que se dissocie daquele previsto para o papel de aluno e professor será atenuado com a realização de uma mudança de footing que vise gerar uma boa impressão do comportamento dos participantes.
4.6.1 Coleta de dados
O primeiro passo para a realização desta pesquisa foi a aquisição de uma autorização dos professores conteudistas das disciplinas e a colaboração deles para a pesquisa. Esta colaboração consistiu em fornecer a senha pessoal para a pesquisadora para que ela pudesse entrar no AVA usando a identidade deles, permitindo-lhe acessar os chats e seus históricos. Esse procedimento foi necessário, pois não foi permitido a pesquisadora 27acessar o chat usando outro papel, forçando-lhe a restringir sua pesquisa a apenas um tipo de terceira parte, aquela hierarquicamente superior aos demais.
Depois disso, a pesquisadora enviou um e-mail a todos os tutores encarregados das
disciplinas, pedindo autorização para coletar os chats e aplicar com os alunos e responder a um questionário sobre o comportamento deles em chats educacionais virtuais. Foram impressos mais de quatrocentos questionários, no entanto, apenas 298 foram entregues para a análise.
Cada tutor foi orientado a fazer uma breve explicação da pesquisa e destinar 10 minutos para a aplicação do questionário, nele, alunos e tutores responderam sobre seus hábitos e afinidades com a ferramenta chat educacional, além de assinar um termo de consentimento para a pesquisa. Neste termo consta que a identidade dos participantes será preservada, e que somente um dos chats da disciplina será acompanhado pela sua participação. Desse modo, não será mencionado se a pesquisadora usará ou não a ferramenta histórico como elemento de sua pesquisa.
Depois desse procedimento, os tutores deveriam informar a pesquisadora, com antecedência, a data e o horário em que os chats iriam ocorrer. Com posse dessas informações, a pesquisadora acompanharia os primeiros minutos do chat através da ferramenta histórico e passados cerca de vinte minutos, entraria na sala, saudaria a turma, pediria para acompanhar a conversa e, depois disso, permaneceria em silêncio até 15 minutos do final da aula, despedindo-se da turma.
A decisão por falar com a turma deve-se aos seguintes motivos: a) ser necessário que os alunos e tutores vejam que há alguém na sala, não sendo apenas mais uma foto que pode estar disposta na janela por um erro de sistema, mas que está ali realmente; b) a necessidade em reiterar com a turma o compromisso estabelecido no termo de livre esclarecido que assinaram; c) verificar quem e em quais momentos da interação, parece mais suscetível a influência da terceira parte.
Parecia um procedimento simples, mas não foi. Como muitos dos chats ocorreram ao mesmo tempo, foi necessário utilizar dois computadores e seis navegadores para dar conta da demanda. Em alguns casos, a instabilidade do AVA não deixou que a pesquisadora conseguisse entrar na sala, houve problemas de travamento que impossibilitaram atos como saudação e despedida em alguns chats, ou pior que inibissem a participação de tutores, chegando ao ponto de alguns deles ligarem e justificarem porque não estavam na sala.
4.6.2 Procedimentos de Análise
A análise dessa pesquisa se dividiu em três fases: a primeira fase trata de uma análise dos dados coletados no questionário que tutores e alunos responderam. Todos os dados coletados foram tabulados no programa SPSS 17.0, em seguida, extraímos freqüências e fizemos cruzamentos das informações fornecidas pelos alunos.
Nesta primeira fase, priorizou-se compreender quem são os alunos e tutores que compõem o curso de Letras-Português, faixa etária, gênero, se já cursaram outra graduação ou pós-graduação e como eles se relacionam com a ferramenta chat educacional virtual, verificando: qual seu nível de importância, se a utilizariam se não fosse obrigatória, se costumam chegar no horário previsto.
Na segunda fase da pesquisa, procuramos nos deter sobre os aspectos mais aparentes da interação dentro do chat educacional virtual. Para isso, foi necessário coletar as conversas e fazer um diário de bordo, explicitando elementos como: a presença do tutor, o horário em que iniciou e finalizou o chat, identificando as possíveis mudanças de footing, em que momento de que forma ocorreram as mudanças. Com relação à presença da terceira parte, procuramos identificar as possíveis repercussões de sua presença e ausência, tal como a perda da moderação ou sua dificuldade, mudança de tópico decorrente de sua presença, apresentação, abordagem e menção a terceira parte durante o chat.
Nesta fase, procuramos definir o filtro da pesquisa, observando quais fatores poderia comprometer ou tendenciar a nossa análise, levando-nos a excluir conversas que não contemplassem os requisitos fundamentais para uma análise bem sucedida de um chat. Desse modo, dos sessenta chats coletados, optamos por analisar 15 chats (06 de sociolinguística, 02 de Linguística de Texto, e 07 de Leitura e Produção de Textos Acadêmicos), todos tiveram a presença da pesquisadora, sob o papel de coordenador da disciplina, assumindo o lugar de auditor, segundo a teoria de Bell (1982), por um período de aproximadamente vinte minutos, compreendendo a fase de desenvolvimento do chat educacional virtual.
Embora tenham sido coletados sessenta chats, o número reduzido de chats analisados deveu-se aos seguintes fatores: a) duas dessas disciplinas ocorreram concomitantemente com as mesmas turmas, levando-nos a optar entre uma ou outra na seleção dos pólos; b) durante a coleta de dados, muitos tutores negaram-se a participar da pesquisa, não realizando o chat ou não
avisando a data e horário que eles iriam acontecer, impossibilitando, assim, a nossa participação como terceira parte; c) ainda durante a coleta de dados, o AVA SOLAR demonstrou instabilidade levando a ocorrência de chats truncados, sem desenvolvimento, ou mesmo sem a presença de alunos, tutores ou a nossa própria presença, d) alguns chats realizaram-se com a presença de poucos alunos, e e) alguns tutores demonstraram preocupação com a nossa presença, procurando- nos fora do AVA para tirar dúvidas ou perguntar se obtivemos sucesso na análise.
Considerando todos esses fatores como elementos que prejudicaram a nossa coleta ou que de alguma forma poderiam contribuir para uma análise tendenciosa, preferimos centrar nossa análise em chats com características parecidas, tais como: a) participação ativa do tutor e de no mínimo 3 alunos; b) entrada da pesquisadora com aproximadamente vinte minutos do início e saída com 15 minutos para o término do chat; c) estabilidade razoável do AVA, e d) presença do tutor em mais de um chat, mas a turma não pode se repetir. Com base nisso, segue o Quadro 3 com os pólos, disciplinas e quantidade de alunos que participaram dos chats.
QUADRO 3: relação de pólos, disciplinas, turmas e participantes
PÓLO DISCIPLINA TURMA PARTICIPANTES
ARACATI Sociolinguística 01 05 ARACOIABA Sociolinguística 01 08 CAMOCIM Sociolinguística 01 05 CAUCAIA (FLÁVIO MARCÍLIO) Linguística de Texto 01 14 CAUCAIA (RUBEM VAZ) Leitura e Produção de Textos Acadêmicos 01 06 02 10 03 06
QUIXERAMOBIM Leitura e Produção de Textos Acadêmicos
01 04
02 08
RUSSAS Sociolinguística 01 08
MARANGUAPE Leitura e Produção de Textos Acadêmicos
01 05
SÃO GONÇALO Sociolinguística 01 10
02 04
ITAPIPOCA Leitura e Produção de Textos Acadêmicos
01 13
Fonte: quadro desenvolvido com base no corpus analisado.
Depois de definidos quais eram os chats mais adequados para a análise, demos início a terceira fase da pesquisa, que também passou por tratamento estatístico e consiste na contabilização das mudanças de footing conforme a presença e a ausência da terceira parte nos momentos anteriores, posteriores e durante a sua estadia na sala de bate-papo.
Além dos dados estatísticos das fases citadas, mostramos através de exemplos extraídos do próprio corpus, quais as estratégias de polidez presentes nos chats, relacionando-as com os tipos de footing encontrados em relação a presença e ausência da terceira parte.
Para preservar a identidade dos interlocutores, cada exemplo foi numerado e logo abaixo apresenta uma legenda que menciona o número do chat moderado pelo tutor (se primeiro, segundo, terceiro, etc.), as iniciais das disciplinas ( LT- linguística de Texto; LPTA- Leitura e Produção de Gêneros Acadêmicos; S- Sociolinguística) e a letra T, seguida das iniciais do nome do tutor.
Nos exemplos analisados, os nomes dos tutores foram trocados pela letra T, os nomes das terceiras partes foram codificados como AUDITOR(A), e os nomes dos alunos foram codificados com letras do alfabeto segundo a ordem em que iniciaram a sua participação efetiva no chat. Desse modo, o primeiro aluno a ocupar um turno passa a se chamar A, o segundo B, e assim por diante.