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Steg 1: Kategorisering av de ulike balansepostene

5. REGNSKAPSANALYSE

5.6 O MGRUPPERING AV BALANSE :

5.6.1 Steg 1: Kategorisering av de ulike balansepostene

Militarismo e civilismo. A República já nasceu dividida entre essas duas forças políticas. No primeiro mandato civil exercido pelo presidente Prudente de Moraes, a cisão já se apresentava com o fato de os civis terem obtido projeção no cenário político e econômico, razão pela qual pleiteavam um espaço maior nas esferas de decisões.

Durante o período imperial a feição política da nação foi criada sob a égide dos civis, havendo uma valorização do elemento civil na política. Ao exército cabia a mantenedor da ordem civil. A questão militar foi um ponto essencial para que os

135 Idem.

militares se firmassem como um grupo mais coeso e ativo na vida política da nação, traço que já vinha se delineando desde a Guerra do Paraguai.

Historicamente a divergência entre civis e militares, acirrada logo após a proclamação da República, encontra suas raízes no Império. Como os republicanos civis não detinham condições de depor o imperador e dar um fim à monarquia, se viram obrigados a optar por duas linhas de ação: omitir-se ou aliar-se aos militares com tal objetivo.

Entretanto, após a deposição do Imperador, abriu-se uma crise entre os dois grupos. Na arena política os civis preocupavam-se com a concentração de poder nas mãos dos militares que havia, naquele momento, se tornado os detentores da condução política do país. Determinados a assumir a direção do novo regime, os civis dirigiam suas críticas aos militares, principalmente no que dizia respeito aos quesitos do exercício das liberdades civis, freqüentemente ameaçadas nos seus governos. Não aceitavam o fato dos militares apresentarem-se como " os donos da revolução e os constantes desrespeitos à legalidade e à Constituição”.137

Conforme expõe Décio Saes, o advento da República implicou uma democratização do regime do ponto de vista formal e jurídico, levando a um a ampliação dos quadros formais do regime, contudo, na prática, o sistema não logrou mudanças significativas, continuou fechado e excludente para a maioria da população. 138

“Esta não é a República dos meus sonhos".139 Frase ouvida de bocas republicanas que traduzia o desencanto com o novo regime desde os primeiros anos

137 HAHNER, J. Relações entre Civis e Militares no Brasil (1889-1898). São Paulo: Pioneira, 1965.

p.115.

138 SAES, D. Classe média e política. Na Primeira República brasileira (1889-1930) Petrópolis, Vozes,

1975, p. 44.

da República. Rui Barbosa também se incorporava ao coro dos descontentes140 , embalado pelo ideário civilista, fortemente influenciado pelos princípios do liberalismo político. Era natural, portanto, que ocorresse resistência à permanência dos militares no poder.

O grupo militar, uma vez no poder, procurou manter-se nele, mais por convicção da necessidade de um poder forte para a consolidação do regime republicano e pelo instinto de conservação de uma posição adquirida, que pelo desejo de realizar um projeto político de transformação da sociedade. Contudo o esforço militar de conservação do poder encontrou a repulsa dos grupos oligárquicos civis que, já refeitos da surpresa provocada pelo golpe de 15 de novembro, procuravam moldar o novo regime à sua imagem. Vendo no Exército o seu grande antagonista potencial, as oligarquias desenvolveram uma concepção defensora da “volta dos soldados aos quartéis", que salientava o papel do militar como agente de execução das decisões emanadas pelas lideranças civis, como mantenedor da ordem interna e segurança das fronteiras.141

Conforme Décio Saes ressalta: o “liberalismo político das oligarquias fundamentava-se numa concepção da democracia representativa sem nenhuma relação com representatividade da vontade popular.”142

Na visão desse autor o civilismo enquanto atitude de negação ao grupo militar, do "status" da força pública autônoma, teve suas origem nos momentos imediatamente posteriores à Proclamação da República.143

Ainda segundo a visão de Décio Saes, a concepção antimilitarista foi o componente essencial do liberalismo político oligárquico, que ao longo de toda a

140IGLESIAS, F. Trajetória Política do Brasil. 1500-1964: Cia das Letras, 2000. p.221. 141SAES, D.,1975, p.67-8.

142 SAES, D., 1985, p. 48. 143 Loc. cit.,

Primeira República ficará demonstrado, constituindo-se no porta-voz do civilismo. analisando que a origem desse antimilitarismo encontrava-se:

“na ação autônoma do grupo militar , por ocasião do golpe militar de 15 de novembro e a ditadura militar instalada sem seguida. A partir desse momento as elites compreenderam, se bem que intuitivamente ainda, que as tendências putschiatas e nacionalistas do grupo militar poderiam ser postas a serviço de uma política antioligárquica.144

Os militares, porém, sentiam-se donos e guardiões da República e da Constituição, zeladores do novo regime que se instalava, cientes de seu papel de defendê-las contra os abusos das elites regionais145.

Essa disputa favoreceu a eclosão de um forte sentimento antimilitarista e a adoção de uma postura civilista por parte das camadas médias urbanas e das elites civis, principalmente entre os denominados bacharéis.

Ao assumir a presidência da República em 1894, Prudente de Moraes realizou o tão alimentado sonho de conduzir o exercício do poder para as mãos dos civis. Durante os vários anos seguintes da Primeira República, a condução do país esteve em mãos das oligarquias regionais que criaram as políticas do "café com leite" e a "dos governadores" para repartirem o poder entre si. Realidade bem demonstras conclusões de José Murilo de Carvalho ao afirmar que:” O Brasil era como um sistema heliocêntrico, dominado pelo sol do Estado, em torno do qual giravam os grandes planetas do que chamavam as “classes conservadoras” e, muito longe, a miríade de estrelas das grandes massas do povo.”146

144ibidem., p. 48

145 Esse empenho em assumir o papel de regeneradores da República é conhecido na historiografia

como a raiz do tenentismo, movimento esboçado por jovens oficiais que tinha como lema "Republicanizar a República.

146 CARVALHO, J. M. de. O Conselho de Estado: a cabeça do governo In Teatro de Sombras. Rio de

Essa situação manteve-se estável até quando surgiu a ameaça da candidatura de Hermes da Fonseca, apoiada pelo grupo de Pinheiro Machado147. Os

civis não aceitando a possibilidade de devolver o poder aos militares empreenderam a campanha civilista pelo país. Como assevera Sertório de Castro ao referir-se sobre o domínio civil na presidência da República: “Dai para cá o governo civil parecia definitivamente estabelecido. Para que regressarmos? Seria mister que começássemos a contar com a opinião pública, o povo, a vontade nacional”.148