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6. Mer for pengene i transportsektoren

6.2 Reformer og rammebetingelser

Mas que papel desempenhará a escolaridade dos inquiridos? Em Portugal, como sabemos, a população frequentou menos anos a escola que as populações dos nossos vizinhos europeus.31 Para perceber qual o efeito da distribuição por habilitações escolares dos portugueses (e dos restantes europeus) no comportamento ao nível da                                                                                                                          

31 De acordo com os resultados provisórios dos Censos de 2011 (INE 2011), a população residente em Portugal (todos os grupos etários incluídos) reparte-se atualmente da seguinte forma, no que diz respeito às habilitações escolares:

i) As pessoas com curso superior são atualmente 12% da população (a população que hoje possui o ensino superior completo quase duplicou, face a 2001; cerca de 61% dos licenciados é do género feminino)

ii) 13% da população possui o ensino secundário completo. iii) 16% da população possui o 3º ciclo do ensino básico completo. iv) 13% da população possui o 2º ciclo do ensino básico completo. v) 25% da população possui o 1º ciclo do ensino básico completo. vi) A população sem qualquer nível de ensino representa ainda 19%.

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A população portuguesa com 9 ou menos anos de escolaridade, que corresponde a mais de metade da população ativa, apresentava, em 2007, uma média de aprendizagem informal um pouco superior (29,7%) à média europeia dos adultos menos escolarizados (27,1%). Esta diferença explica-se sobretudo pelo peso significativo, neste grupo menos escolarizado, da aprendizagem interpessoal, aquela que decorre do contacto com pessoas próximas.

Figura 2-16. Aprendizagem informal em Portugal e na Europa, entre os inquiridos com nível básico de educação, por meio de concretização da aprendizagem, em 2007

Fonte: Eurostat, Inquérito à Educação e Formação de Adultos, 2007

Efetivamente, entre a população adulta pouco escolarizada em Portugal e a sua “congénere” europeia a grande diferença, em 2007, situava-se ao nível da aprendizagem com um familiar, amigo ou colega de trabalho, que em Portugal era referida por 19,8%                                                                                                                          

32 International Standard Classification of Education (UNESCO, 1997). Versão revista da Classificação ISCED adotada pela Conferência Geral da UNESCO, em substituição da anterior versão. O ISCED é utilizado para definir os níveis e áreas da Educação: ISCED 0º – pré-primária; ISCED 1º - 1º ciclo do ensino básico; ISCED 2º - 2º e 3º (5º, 6º, 7º, 8º e 9º ano) ciclo do ensino básico; ISCED 3º - Ensino Secundário (10º, 11º e 12º ano); ISCED 4º - Nível de estudos entre o ensino secundário e o superior; ISCED 5ºA. – ensino superior (formação de âmbito sobretudo teórico, de 3 anos); ISCED 5ºB – formação de âmbito sobretudo prático, técnico e de aprendizagem específica de tarefas de uma profissão, com uma duração mínima de 2 anos; ISCED 6º - Estudos Avançados (Doutoramentos e Mestrados) (Adaptado de Laboratório das Desigualdades).

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dos inquiridos, face à referência europeia na ordem dos 11,9%. Note-se também que os portugueses menos escolarizados pareciam aproveitar ligeiramente melhor o computador para efetuarem aprendizagens (10,5%) do que os europeus menos escolarizados, em média (9,7%).

As restantes aprendizagens informais eram referidas em percentagem menor pelos portugueses menos escolarizados que pelos europeus menos escolarizados. Assim, apenas 13,4% referiam a aprendizagem a partir de materiais impressos, face à média europeia de 16,1%. Neste caso estão, uma vez mais, em evidência os baixos níveis de literacia (enquanto capacidade de utilização de materiais escritos na vida quotidiana). Apenas 7,7% dos portugueses menos escolarizados inquiridos referiam aprendizagens feitas a partir da televisão, rádio e vídeo, em contraponto com uma média europeia de 11,2%. As visitas guiadas a locais de interesse cultural como forma de saber mais eram muito pouco referidas pelos portugueses menos escolarizados (2% face a uma média europeia de 4,6%), o mesmo se passando com a frequência de bibliotecas ou centros de aprendizagem, que se encontravam ausentes das práticas quotidianas da população menos escolarizada. Neste ultimo caso a percentagem de portugueses era muitíssimo baixa (0,8%), mesmo tendo em conta uma média europeia de 2,9%.

Em relação aos níveis 3 e 4 do ISCED (que correspondem, respetivamente ao nosso ensino secundário completo e ao ensino pós-secundário), é interessante verificar que, em média, os adultos portugueses referiam efetuar aprendizagens informais em maior número que a média dos adultos europeus (55,8% de portugueses para 46,7% de europeus).

Figura 2-17. Aprendizagem informal em Portugal e na Europa, entre os inquiridos com nível secundário e pós-secundário de educação, por meio de concretização da aprendizagem, em 2007 !"#$%! !&'$"! !(($'! !)%$&! !&'$*! !'$%! !#$+! !,,$+! !()$+! !(,$#! !(#$'! !&"$"! !+$+! !#$)! !*$*! !&*$*! !)*$*! !(*$*! !"*$*! !,*$*! !#*$*! !%*$*! -./012345607!819:/75;!<=:=5;>! ?:7!@7!707A/:!25!957B;35$!5736:!:@!C:;06! DE;34512:!75=0/353F!37./0FF:F! DE;34512:!:!C:7.@=52:/! -=/5GHF!25!=0;0G3FI:J/K23:JG320:! -=/5GHF!20!G3F3=5F!6@3525F!5!7@F0@F$!;:C53F!20!31=0/0FF0! L3F=M/3C:J15=@/5;J312@F=/35;! -=/5GHF!20!G3F3=5F!5!C01=/:F!20!5./012345607!<31C;@312:! A3A;3:=0C5F>! N:/=@65;! D13I:!O@/:.035!<)%!.5BF0F>!

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Fonte: Eurostat, Inquérito à Educação e Formação de Adultos, 2007

A diferença é sobretudo evidente se considerarmos a aprendizagem informal proporcionada pelo contacto com um membro da família, amigo ou colega de trabalho: 32,8% dos portugueses referiam aprendizagens deste tipo face à média europeia de apenas 19,4%. Mas também a aprendizagem através de materiais impressos e através do computador era superior entre os portugueses com o nível secundário ou pós- secundário do que entre os europeus com estes níveis de escolaridade: 35,6% face à média europeia de 33,9% no caso da aprendizagem através de materiais impressos, 36,9% face à média europeia de 27,1%, no caso da aprendizagem utilizando o computador. Aprender vendo televisão e vídeos, ou ouvindo rádio é que parecia não acontecer frequentemente com os portugueses (14,4% face a uma média europeia de 19%). Já as visitas a museus e bibliotecas como forma de aprendizagem invertiam aqui a sua tendência para o irrisório verificado quando se tratava de portugueses pouco escolarizados. No caso da população adulta com o ensino secundário ou pós-secundário, assistia-se a uma aproximação entre os valores dos portugueses e de europeus, em geral: 8,8% referiam idas a museus e outros locais de interesse histórico/natural/industrial face a 9,7% de europeus, 6,2% referiam a frequência de bibliotecas e/ou centros de aprendizagem, face a 6,8% de europeus.

O cruzamento destas duas variáveis (aprendizagem informal e nível de escolaridade) permite verificar que, subindo na escala da escolaridade, os portugueses vão superando a média europeia de aprendizagens informais. É uma singularidade de Portugal já analisada por Ávila no que concerne à literacia: o nosso país “não só tem uma das distribuições de literacia mais baixas, como, simultaneamente, apresenta um dos maiores níveis de desigualdade interna.” Comparando os perfis de literacia e os perfis de escolaridade dos países participantes no IALS (OECD, 2000), Ávila observava que, de um modo geral, “quanto maiores as taxas de escolarização de nível igual ou superior ao ensino secundário (…), maior a proporção da população nos níveis de literacia intermédios e elevados”, percebendo-se, assim “que o facto de Portugal surgir como um dos países com perfis de competências mais baixos quando a análise incide sobre o conjunto da população decorre, em grande parte, dos níveis de literacia acentuadamente baixos dos menos escolarizados, os quais são largamente maioritários na sociedade portuguesa (cerca de 65%) ”. E apontava a escolaridade como o fator de relevo na identificação das disparidades: “Se o país, quando observado a partir dos mais escolarizados, parece acompanhar as sociedades mais desenvolvidas, quando perspetivado na ótica dos menos escolarizados (que são a maioria da população) surge

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duplamente em desvantagem: o défice de escolarização é reforçado por um défice de competências, mais acentuado do que seria de esperar.” (Ávila, 2008: 182).

A aprendizagem informal, uma das dimensões da aquisição de competências de literacia, é, pois, tal como a literacia, muitíssimo permeável à variável escolarização: quanto mais escolarizados, mais aprendizagens são realizadas, ou percepcionadas enquanto tal, pelos indivíduos nos diversos contextos em que se movem.

Figura 2-18. Aprendizagem informal em Portugal e na Europa, entre os inquiridos com o nível superior de educação, por meio de concretização da aprendizagem, em 20

Fonte: Eurostat, Inquérito à Educação e Formação de Adultos, 2007

Quando se trata da população com um diploma universitário – níveis 5 e 6 do ISCED, confirma-se esta tendência: as formas informais de aprendizagem eram, em 2007, referidas por 71, 2% de portugueses com estes níveis de ensino, face a 64,7% de europeus com as mesmas habilitações. No que concerne à aprendizagem interpessoal, Portugal apresentava valores muito elevados: 40,6% os portugueses licenciados, mestres e doutorados que afirmavam efetuar aprendizagens desta forma, contra apenas 25,7% de europeus com idênticas habilitações. Também a utilização do computador como forma de aprendizagem era muito mais referida pelos portugueses do que pelos europeus: 57,1% para 44,8%, sendo mesmo a forma mais referida pelos portugueses de aprendizagem informal neste grupo habilitacional. Mesmo a aprendizagem a partir de materiais impressos se encontrava muito equiparada entre os portugueses e a média europeia, reforçando uma vez mais a ideia de que literacia e escola se encontram entrelaçadas, decorrendo, em grande parte, a primeira da segunda, o que explica graus de literacia tão diminutos num país em que a maioria dos adultos frequentou o sistema de ensino durante um número reduzido de anos. Assim, no caso dos adultos que frequentaram e concluíram o ensino superior, a aprendizagem através de materiais escritos era referida

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por 56,2% dos inquiridos portugueses, face a uma média europeia de 55,8%. A televisão, a rádio e o vídeo continuavam a não ser tão encarados pelos portugueses (como pelos europeus, em geral) como formas de aprendizagem: eram 19,3% os portugueses mais escolarizados que os referiam, face a 24,1% de europeus. Tanto em Portugal como, em geral, na Europa era evidente que são as pessoas com habilitações de nível superior quem mais visita (com guia) museus e locais de interesse histórico/natural/industrial: 19,4% de portugueses referiam-no face a 17,1 de europeus, sendo também quem mais frequentemente encarava as bibliotecas como fontes de aprendizagem: 14,3% face a 16% de europeus. Mas neste caso, continuavam a verificar-se percentagens de portugueses mais reduzidas a frequentarem as bibliotecas, quando comparadas com os outros países europeus.