ocorrido no passado” (Dancygier e Sweetser 2005:31). (O Espaço-Real pode ser compre- endido como parte do espaço de base do con- ceitualizador). Espaços mentais distintos são criados com relação não apenas a outros es- paços mentais, mas, também, a este espaço de base. No que se refere a diálogos construídos, o Espaço-de-Evento que consiste de elemen- tos relacionados ao diálogo é estabelecido com relação ao espaço de base (o termo “Es- paço-de-Evento” usado neste artigo é usado como rótulo para espaços de input que geram combinações de evento e não o “primitivo do discurso” (“discourse primitive”) discutido em Cutrer 1994 e Fauconnier 1997). Assim (pelo menos) três espaços mentais têm papéis na representação de diálogo.
Dentre os diferentes papéis que os espa- ços mentais têm no discurso, existe um no qual um espaço mental está sendo estrutura- do. Esse é o espaço de foco, “o espaço corren- te, mais ativo; o espaço ‘sobre’ o qual é um enunciado” (Cutrer 1994:71). Uma expressão na qual o diálogo é representado parece ter tanto o Espaço-de-Evento, quanto a combi- nação de evento como espaços mentais ativos. Deixarei o exame detalhado dos espaços de foco em diálogos envolvendo representação para investigações futuras. É suficiente obser- var o seguinte: quando uma combinação de evento é criada, ela se torna parte da grade de espaços mentais criados no discurso; depois de criada, ela permanece acessível durante o discurso em questão e no momento em que o sinalizante deixa de representar um even- to, a combinação de evento é desativada. Essa combinação de evento pode ser reativada (ou talvez se torne um espaço de foco novamen- te), permitindo que o sinalizante continue o discurso com representação adicional. Tam- bém é possível haver duas combinações de
evento diferentes em uma porção de discurso (Liddell e Metzger 1998; Liddell 2003). A Fi- gura 19 é um diagrama de um discurso que analiso como tendo duas combinações de evento criadas para representar um diálogo entre Dana e Tracy.
Figura 19
Existe um Espaço-de-Evento estabeleci- do com relação ao Espaço-de-Base. Porque os interlocutores são conhecidos pelo sinali- zante, eles são elementos do Espaço-de-Base. Os “mesmos” interlocutores são o assunto da conversa em um contexto diferente do Espaço-de-Base, um que é contido no Espa- ço-de-Evento anterior. Uma vez que esses
interlocutores são identificados, talvez via um
grupo nominal, o sinalizante pode mudar de posição, de uma posição voltada para o des- tinatário, para uma posição no vídeo ainda próxima à combinação denominada Combi- nação-de-Evento 1 (CE1). Enquanto se con- siderar que o |sujeito interlocutor| está ativo e produzindo diálogo, a CE1 (ou talvez mais precisamente, o elemento de |progressão temporal|) continua ativa. Uma variedade de pistas sinaliza a desativação do elemento de |progressão temporal|. O olhar dirigido ao destinatário é re-estabelecido e, simultanea-
Base Espaço do Evento Passado EspaçoRreal Combinação de Evento 2 |sujeito Tracy| |Dana| Combinação de Evento 1 |sujeito Dana| |Tracy|
Paul Dudis
Questões T
eóricas das P
esquisas em Línguas de Sinais
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mente, a posição do sinalizante não se apre- senta mais alinhada ao |interlocutor sujeito|. Se a posição agora assumida é uma previa- mente adotada pelo sinalizante antes da cria- ção do CE1, então fica claro que a representa- ção terminou. Uma nova posição, como vista no vídeo, ainda próxima à Combinação-de- Evento 2 (CE2), sinalizaria a criação de uma combinação, que pode ser precedida por uni- dades lingüísticas identificando o interlocutor
2 como o participante do diálogo que está
sendo representado. Essas três posições e as pistas a elas associadas auxiliam o sinalizan- te a se mover entre os espaços mentais. Fre- qüentemente, o sinalizante alterna entre as posições associadas às combinações de even- to sem voltar à posição neutra de sinalizante, um processo de desativação-reativação entre CE1 e CE2.
Quando uma combinação de evento criada para representar diálogo está ativa, virtualmente qualquer porção da expressão feita pelo sinalizante é entendida como diá- logo do |interlocutor|. Como discutido pre- viamente, uma vez que uma parte do corpo do Espaço-Real, especialmente da cabeça ao torso inferior, está integrada com o interlocu-
tor do Espaço-do-Evento, qualquer ação do
sinalizante do Espaço-Real é entendida como sendo a ação do |interlocutor|. É irrelevante, nesse caso, saber se os sinais que estão sendo produzidos estão ou não representando uma ação. O que está sendo representado é o ato de dialogar, que inclui tanto sinais representati- vos, como sinais não-representativos. Essa é uma maneira como os sinais são associados à |progressão temporal|. Isso não exige mais do uma combinação de evento e, quando comparada a outros tipos de combinações de evento discutidos a seguir, a representação de diálogo é um processo relativamente simples. Um tipo combinação de evento que também
é relativamente simples é aquele em que uma ação manual é executada por um |sujeito|. A ação manual representada pode ou não ser considerada um exemplo de um verbo repre- sentativo. A Figura 20 mostra um verbo que representa a ação de abrir uma garrafa com tampa.
Figura 20
Os articuladores manuais aparentam ser a |mão segurando o abridor| e a |mão segu- rando (o gargalo) (d)a garrafa|, respectiva- mente. A |garrafa| e o |abridor| são elementos combinados que não são visíveis, mas que, mesmo assim, estão conceitualmente presen- tes. Observe que as duas |mãos| entram em contato uma com a outra. Esse contato não ocorre tipicamente no ato real de abrir garra- fas. Isso não faz o verbo ser não-representa- tivo, mas pode indicar a natureza unitária do verbo, ao invés de ser apenas um gesto não- lingüístico.
Tipos de representação em ASL
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