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A definição de solo varia em função da sua utilização. Cada especialidade possui uma definição que atende seus interesses específicos. Entretanto, há uma definição que considera o solo como produto do intemperismo, do remanejamento e da organização das camadas superiores da crosta terrestre, sob a ação da atmosfera, da hidrosfera, da biosfera e das trocas de energia envolvidas (TOLEDO; OLIVEIRA; MELFI, 2003). Conforme Brasil (2004), solo é a parte superficial intemperizada não consolidada da crosta terrestre, contendo matéria orgânica onde se desenvolvem vegetais, que obtém do solo, através das raízes, a água e os nutrientes.

O Distrito Federal possui quatro classes de solos mais significativos: latossolo vermelho-escuro, latossolo vermelho-amarelo, latossolo amarelo e cambissolo, totalizando cerca de 85,49% no território. Os latossolos representam cerca de 54,47 % da área e os cambissolos ocupam 31,02%. Os demais tipos de solos encontrados são: podzólicos, brunizens avermelhados, aluviais, hidromórficos indiscriminados e areias quartzosas. O restante da área 5,45% está representado por superfície aquática e áreas urbanas.

TABELA 2: SOLOS DO DISTRITO FEDERAL

Solos Área encontrada no DF (%)

Latossolos 54,47 Cambissolo 31,02 Podzólico 4,09 Brunizens avermelhados 0,09 Aluviais 0,19 Hidromórficos indiscriminados 4,16 Areias quartzosas 0,53

Superfícies aquáticas e áreas urbanas 5,45 Fonte: EMBRAPA, 1978 apud Haridasan, 1993.

Na área do condomínio foram encontrados três tipos de solo: Cambissolo (Ca), Latossolo Vermelho-Amarelo (LV) e Coluvionar (CLv).

Figura 9: Classes de Solo encontradas no condomínio (poligonal em vermelho). FONTE: Geológica (2002a)

6.1.1.1 Cambissolo

Os cambissolos em relação aos latossolos são pouco desenvolvidos, pelo fator principal de se desenvolverem em relevos acidentados da superfície. O conceito de cambissolo é que apresentam um horizonte B câmbico20 subsuperficial com algumas alterações sem acumulação de minerais.

Este horizonte, muitas vezes concrecionário ou cascalhento, possui textura mais grossa que os latossolos, dificultando o processo de desenvolvimento das raízes. Os principais fatores que restringem o desenvolvimento da vegetação são sua baixa capacidade de reter água além da pouca profundidade do solo (HARIDASSAN, 1993). Conforme a Geológica (2002b) este solo não apresenta profundidade superior a um metro e sua superfície é considerada semi-impermeável. Possuem baixa capacidade de saturação de bases, além de serem distróficos21 e fortemente ácidos. Devido às suas características não são recomendáveis para práticas agrícolas.

Este solo pode apresentar maiores riscos de erosão devido à sua textura de cascalho e pedregosa devido ao menor preenchimento de espaços vazios, onde há granulação

20 Qualificação utilizada para unidades de solos com características intermediárias para cambissolo (IBGE, 2004).

21 Solo que apresenta saturação por bases < 50% e teores de Fe2O3 (obtido pelo H2SO4) compreendida entre 18% e 36% (IBGE, 2004).

mais fina. A retirada da cobertura vegetal no processo de terraplanagem e a conseqüente exposição do solo aos processos erosivos e de intemperismo22, agrava o riso de erosão nos taludes construídos na instalação do condomínio, contribuindo para o aumento do escoamento superficial, aumentando com isso o risco de erosão nos taludes.

Haridassan (1993) lembra que os cambissolos encontram-se em terrenos com mais de 8% de declividade, já que a alta taxa de erosão impede a formação de um solo mais profundo. Em geral, apresental lençol freático perto da superfície, tornando o solo menos favorável para o desenvolvimento de vegetação arbustiva. Estão associados com gramíneas, campo sujo e campo limpo. Os cambissolos possuem alta susceptibilidade à erosão23, principalmente

quando encontrados em terrenos com declividades acentuadas, entretanto, quanto às construções civis realizadas no condomínio, não oferecem riscos de colapsividade e erosão, já que o solo não possui grande espessura (GEOLÓGICA, 2002b).

Como se pode observar na figura 9, o cambissolo encontra-se na parte norte do condomínio na área de influência direta acompanhando as áreas de topografia mais inclinada.

6.1.1.2 Latossolo

O cerrado stricto sensu, a fitofisionomia mais freqüente na região, está associado ao

latossolo, pois essa formação vegetal se desenvolve a partir de solos bem drenados, profundos e de baixa fertilidade. Isso significa que as fitofisionomias acompanham fatores edáficos (HARIDASSAN, 1993).

Conforme o glossário do Agritempo (2006):

No Sistema Brasileiro de Classificação de Solos, é a classe de solos constituídos por material mineral com horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte superficial, exceto hístico, dentro dos primeiros 2 m de profundidade ou dentro dos primeiros 3 m de profundidade caso o horizonte A apresente espessura maior que 0,50m.

Os latossolos caracterizam-se por apresentar teor de argila variando entre 14% e 24%. Nos Latossolos Vermelhos de textura média, esse teor varia de 36% a 59% nos argilosos; de 60% a 79% nos muito argilosos; de 55% a 59%, nos Latossolos Vermelho-amarelos argilosos;

22 Conjunto de processos físicos, químicos e biológicos com conseqüente desintegração e decomposição das rochas devido à agentes atmosféricos e biológicos. Sinônimo de meteorização (PINTO, 1993).

Conjunto de modificações de ordem física (desagregação) ou química (decomposição) que as rochas sofrem ao aflorar na superfície da Terra. O resultado pode ser: rochas alteradas ou solo os quais estão sujeitos a outros processos do ciclo supérgeno (erosão, transporte, sedimentação) que acabam levando à denudação continental, com o conseqüente aplainamento do relevo. (TOLEDO et al., 2003)

23 Conforme Pinto (1993, p. 671): “termo genérico para descrever a remoção física ou química de material de um lugar. Geralmente realizada por processos geomórficos superficiais como rios, ventos, marés, geleiras, etc. uma força ativa é envolvida e conduz ao transporte. É oposto ao intemperismo, que é estático.”

e de 61% a 80% nos muito argilosos. A classe de drenagem vaia de fortemente drenado (Latossolos de textura média) a acentuadamente drenado (Latossolos de textura muito argilosa e argilosa). Os Latossolos, geralmente, possuem elevada permeabilidade24. A capacidade de água disponível em Latossolos varia, em média, de 500 a 760 mm para os solos de textura muito argilosa, de 300 a 500 mm para os de textura argilosa e de 360 a 30 mm para os de textura média.

Conforme Haridassan (1993), dentre as características dos latossolos, se destacam: - altos teores de argila não são ligados à alta retenção de água, baixa infiltração, alta

capacidade de troca iônica e problemas de aração após chuvas intensas. Esses solos possuem uma estrutura forte muito pequena granular em quase todo o perfil e comportam-se como solos de textura mais grossa;

- São fortemente ácidos, com baixos teores de bases e fósforo disponível para plantas;

- Os níveis de alumínio e a saturação do alumínio são altos;

- A densidade da maioria desses solos é baixa sob vegetação nativa. Esses solos, no entanto, podem ser compactados com uso de máquinas agrícolas ou pisoteio de animais;

- São altamente susceptíveis à erosão após desmatamento, especialmente se os sulcos atingem camadas mais profundas (subsolo). O regolito também é altamente erodível e permite um rápido aprofundamento de voçorocas causando desmoronamentos, no caso de canalização de águas pluviais;

- Esses solos abrigam uma grande quantidade de cupins sob a vegetação nativa, sendo um elemento da paisagem típico. Os cupins desempenham uma importante função na ciclagem de nutrientes através da decomposição do litter25 e

translocação dos solos.

24 O principal fator que determina a disponibilidade de água subterrânea não é a quantidade de água que os materiais armazenam, mas a sua capacidade de permitir o fluxo da água através dos poros. Esta propriedade dos materiais de conduzirem água é chamada permeabilidade, que depende do tamanho dos poros e da conexão entre eles (KARMANN, 2003).

25 “Litter, Necromassa, Serrapilheira, Manta Húmica ou Folhedo. Matéria orgânica morta que geralmente se acumula na superfície do solo e no sedimento. Esse termo, em ecologia, substitui melhor as denominações “serrapilheira, manta húmica e folhedo”, assim como substitui perfeitamente o anglicismo litter” (GRISI, 2000, p.127).

6.1.1.3 Latossolos Vermelho-Amarelo

A EMBRAPA26 (1978) define os solos dessa classe como não-hidromórficos, com horizonte A moderado e horizonte B latossólico, de textura argilosa ou média. Possuo alta porosidade27, são bastante permeáveis e variam de bem drenado a fortemente drenados. Também são álicos28 e fortemente ácidos. São solos espessos, com fraca distinção entre os horizontes, pouco férteis e com evolução antiga. Distingue-se do latossolo vermelho-escuro pelo menor teor de hematita, resultando em cor mais amarelada e ocre.

A vegetação associada é geralmente de cerrado e cerradão. O relevo, na maioria dos casos, varia de plano a suave ondulado, estende-se em grande continuidade. Estes solos ocorrem nos compartimentos Planaltos e divisores em Planos Intermediários, sobre as rochas do Grupo Paranoá.

O horizonte A é subdividido em A1 e A3, com espessura entre 20 e 50 cm, de cor predominantemente bruno-avermelhada escura, com estrutura granular de fraca a moderadamente desenvolvida, de friável a muito friável quando úmido. É um solo poroso devido ao alto grau de floculação das partículas de argila. A floculação permite que as partículas muito finas se aglomerem formando grânulos que se assemelham a grãos de areia, isso faz com que tenham uma alta taxa de infiltração mesmo quando argilosos. Possuem pequena variação no teor de argila, são pouco diferenciados e bem desenvolvidos.

O latossolo vermelho-amarelo possui boa estabilidade, entretanto, devido à baixa permeabilidade deve-se adotar práticas conservacionistas evitando riscos de erosão.

O horizonte B latossólico possui as seguintes características: espessura quase sempre maior que 250 cm; pouca ou nenhuma diferenciação entre os seus suborizontes; os saprolitos

29estão ausentes ou devem constituir menos de 5% do volume do horizonte;

26 EMBRAPA, Levantamento de reconhecimento dos solos do Distrito Federal. Boletim Técnico, n.53, Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Rio de Janeiro, 455 p., 1978.

27 Porosidade é uma propriedade física definida pela relação entre o volume de poros e o volume total de um certo material. Espaços entre os grãos em rochas sedimentares (porosidade primária). Fraturamento ou falhamento de rochas ígneas, metamórficas ou sedimentares (porosidade secundária). Criação de vazios por dissolução em rochas solúveis como calcário e mármore (porosidade cárstica) conforme Karmann (2003). 28 Solo que apresenta saturação por alumínio trocável (valor de m igual ou superior a 50%), associada a um teor de alumínio extraível > 0,5 cmolc/kg de solo. É calculada pela expressão m (%) = 100 Al3+ / (Al3+ S), onde S é a soma de cátions básicos trocáveis. Para efeito de classificação do solo, a saturação por alumínio trocável é considerada em uma seção de controle de 100cm de espessura, contada a partir dos 25cm superficiais, ou menos profunda, quando presente contato lítico ou litóide antes dos 125cm (IBGE, 2004).

29Manto de alteração constituído essencialmente de uma mistura de minerais secundários e primários derivados

de rochas pela ação do intemperismo químico e que mantém vestígios da estrutura original da rocha, sendo reconhecido como um produto de alteração da rocha in situ, denominado horizonte C (IBGE, 2004).

Conforme a Figura 9, pode-se observar a presença do latossolo vermelho-amarelo na porção sul do condomínio próximo ao Ribeirão do Torto. Conforme a Geológica (2002b), não foi encontrado presença de rocha até dois metros de profundidade.

6.1.1.4 Coluvionar

Este solo é caracterizado por apresentar seqüência de horizontes A-B-C com nítida diferenciação entre eles, sendo o horizonte A de textura arenosa podendo superar um metro, o horizonte B com mais concentração de argila e o horizonte C com características semelhantes às dos materiais originais. O solo coluvionar é predominantemente argiloso.

Este solo ocorre na região do condomínio mais próxima do Ribeirão do Torto na faixa de cem metros. Conforme estudos da Geológica (2002a), o horizonte A do solo com espessura de 1,5 m, arenoso, o horizonte B possui elevação brusca na concentração de argila e matéria orgânica. Na área, até a profundidade de 2 m, não foi encontrado indícios de material rochoso. Conforme observações feitas pela empresa, estes solos poderiam ter sido formados a partir do transporte e deposição natural de partículas arenosas sobre solo rico em argila preexistentes.

Estes solos possuem alta susceptibilidade à erosão devido à presença de pequenas porções de águas residuárias, já que possui caráter arenoso em seu horizonte A. devido à impermeabilidade do horizonte B, o solo coluvionar possui lençol freático 30suspenso temporário localizado no limite dos horizontes A e B. O horizonte C apresenta comportamento variável.

Esta classe de solo apresenta baixa resistência ao desmoronamento em taludes artificiais, como é o caso da área onde se verifica contenção de encostas. Ocorrem em toda porção sul do condomínio, na margem esquerda do Ribeirão do Torto, em faixa de aproximadamente 100 metros.

6.1.1.5 Susceptibilidade à Erosão

Dentre os processos de erosão se destaca neste trabalho a erosão de origem antrópica diferentemente da erosão de origem natural. Conforme Brasil (2004) a erosão do solo ocasiona o desprendimento e arraste de partículas do solo pela água e pelo vento, sendo a chuva um dos fatores climáticos de maior importância. A erosão hídrica é causada por forças ativas (características da chuva, declividade e comprimento do declive do terreno, capacidade de absorção de água do solo) e forças passivas (resistência do solo à ação erosiva, densidade

30 Conforme Pinto (1993, p. 676): “superfície superior de uma zona de saturação, onde a massa de água subterrânea não é confinada por uma formação impermeável sobrejacente”

da cobertura vegetal). A água da chuva exerce sua ação erosiva na degradação do solo pelo impacto das gotas, que caem com velocidade e energia cinética variáveis (dependendo de seu diâmetro), e pelo escorrimento da enxurrada. O volume e a velocidade da enxurrada dependem, por sua vez, da intensidade (fator pluviométrico mais importante na erosão), duração e freqüência das chuvas.

As principais propriedades do solo relacionadas ao processo erosivo são: textura, estrutura, permeabilidade e espessura. Sobre estas características do solo que influenciam no grau de erosão conforme Larios (2006), a textura é o tamanho as partículas que compõem o solo, que conferem maior ou menor infiltração, quanto maior a espessura menos susceptível à erosão é o solo; a estrutura determina sua permeabilidade, resistência à erosão e as condições de desenvolvimento das raízes das plantas; a porosidade refere-se à porção de espaços ocupados pelos líquidos e gases em relação ao espaço ocupado pela massa de solo (relação entre volume de vazios e volume total de uma amostra de solo); a permeabilidade: é a maior ou menor facilidade com que a percolação da água ocorre através de um solo e é influenciada pelo tamanho e arranjo das partículas.

Para Larios (2006), a erodibilidade dos solos é a propriedade que retrata a facilidade com que partículas são destacadas e transportadas. O estudo geotécnico da erosão do solo deve necessariamente considerar a resistência ao cisalhamento do solo. O destacamento das partículas está relacionado à superação da resistência pelo impacto da gota de chuva ou pela força de escoamento das enxurradas. Nos solos lateríticos existe a cimentação (aumento da coesão) da estrutura que aumenta a resistência ao cisalhamento. Isto explica por que os solos lateríticos são mais resistentes a erosão.

Bender (1985 apud, LARIOS, 2006) observou que quanto menor o grau de saturação do solo maior é a erosão quando submetido às chuvas. Nestes casos a erosão é muito intensa nos instantes iniciais sofrendo uma redução gradativa ao longo do tempo, sendo este comportamento compatível com o que se observa em solos colapsíveis: quanto maior a sucção inicial maior o colapso quando do umedecimento. Portanto, é de se esperar que o horizonte sub-superficial onde o solo é colapsível, sofra maior erosão que aquele sobrejacente.

Diversos são os fatores que influenciam a erosão, dentre os principais pode-se citar de acordo com Larios (2006):

a) Chuva: é um dos fatores climáticos de maior importância na erosão dos solos. O volume e a velocidade da enxurrada dependem da intensidade, duração e freqüência da chuva, sendo a sua intensidade talvez o mais importante;

b) Infiltração: é o movimento da água dentro da superfície do solo. Quanto maior sua velocidade, menor a intensidade de enxurrada na superfície e, conseqüentemente, a erosão;

c) Topografia do terreno: o tamanho e a quantidade do material em suspensão arrastado pela água dependem da velocidade com que ela escorre, e essa velocidade é função do comprimento do declive e da inclinação do terreno;

d) Cobertura vegetal: é a defesa natural contra a erosão que age como proteção direta contra o impacto das gotas de chuva, diminuindo a velocidade da enxurrada;

e) Natureza do solo: as propriedades físicas, principalmente estrutura, textura, permeabilidade e densidade, assim como as características químicas e biológicas do solo exercem diferentes influências na erosão. Suas condições físicas e químicas, conferem maior ou menor resistência à ação das águas, caracterizando o comportamento de cada solo exposto a condições semelhantes de topografia, chuva e cobertura vegetal.

O processo erosivo é agravado com a retirada da cobertura vegetal o que expõe o solo, pois aumenta o fluxo superficial, incluindo a declividade do relevo que agrava o fluxo de material. Na área do empreendimento, em sua grande parte, a declividade média varia de 2% a 10%, caracterizada como baixa.

6.2 Geologia

O Distrito Federal, por estar localizado na porção central da Faixa de Dobramentos e Cavalgamentos Brasília (CAMPOS & FREITAS E SILVA, 2001) na sua transição das porções internas (de maior grau metamórfico) e externas (de menor grau metamórfico), apresenta uma estruturação geral bastante complexa com superimposição de dobramentos com eixos ortogonais. Quatro conjuntos litológicos compõem geologia do DF: os grupos Paranoá, Canastra, Araxá e Bambuí e suas respectivas coberturas de solos residuais ou coluvionares.

Os grupos Paranoá e Canastra apresentam idade Meso/Neoproterozóico (1.300 a 1.100 milhões de anos), e os grupos Araxá e Bambuí, idade Neoproterozóica (950 a 750 milhões de anos) conforme Campos & Freitas e Silva (2001).

A área de estudo está inserida no contexto do Grupo Paranoá que ocupa cerca de 65% da área total do Distrito Federal, sendo possível caracterizar sete unidades litoestratigráficas correlacionáveis, da base para o topo: Q2, S, A, R3, Q3, R4 e PC.

Conforme Geológica (2002b), o substrato rochoso da área de influência direta do empreendimento em questão é composto por rochas das unidades MNPpr3 (onde se localiza o condomínio) e MNPpq3.

Os metarritmitos MNPpr3 são caracterizados pela alternância rítmica de camadas de metapelitos e metapsamitos com ampla predominância de termos arenosos. No conjunto de metapelitos destacam-se os metassiltitos, metassiltitos argilosos e ardósias em espessuras variáveis de centimétricas a métricas.

As ardósias e metassiltito, em profundidades maiores que 80 metros, encontram-se intemperizadas. Esta unidade ocorre em toda área de influência direta do condomínio, estendendo-se em uma faixa de aproximadamente 1800m em direção NW. Transaciona para rochas MNPq nas proximidades do limite sudoeste do condomínio. A característica deste contato, definido como transacional, dificultou a sua identificação no campo.

A unidade Quartzitos MNpq3 na parte norte do Condomínio segue para o PNB, formando as escarpas íngremes observadas na topografia da região.

Os quartzitos apresentam espessuras que varia de 60 a 70 metros. O contato entre as unidades MNPpq3 e MNppr3 não foi observado na área, em virtude principalmente do espesso manto de intemperismo que sobrepõem as duas unidades litológicas e o relevo plano que propicia a constituição de solos desenvolvidos.

6.3 Geomorfologia

De acordo com Pinto (1993), a área do Distrito Federal constitui-se por: - níveis planos a suave ondulados conhecidos como chapadas;

- por níveis inclinados que se estendem da base das chapadas e dos morros residuais em direção aos vales – os pediplanos e pedimentos; e

- por áreas entalhadas e dissecadas pelos rios Paranoá, São Bartolomeu, Preto, Descoberto, por tributários do rio Maranhão e por formadores do rio Alagado. A partir da análise das relações entre fatores naturais da paisagem e considerando aspectos morfológicos e genéticos de conjuntos similares em aparência e ambientes, o Distrito Federal possui três tipos de unidades geomorfológicas, onde cada uma dessas unidades é subdividida num total de treze conforme a tabela a seguir:

TABELA 3: UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS DO DISTRITO FEDERAL DE ACORDO COM SUA ÁREA

UNIDADES GEOMORFOLÓGICAS ÁREA TOTAL

Km ² %

1. REGIÃO DE CHAPADA 1.968 33,8

1.1 Chapada da Contagem 1.028 17,7

1.2 Chapada de Brasília 202 3,5

1.3 Chapada do Pipiripau 445 7,7

1.4 Chapada do Div. S. Bartolomeu-Preto 188 3,2

1.5 Chapada Div.Descoberto-Alagado 105 1,8

2. ÁREA DE DISSECAÇÃO INTERMEDIÁRIA 1.793 30,9

2.1 Depressão do Lago Paranoá * 726 12,5

2.2 Vale do Rio Preto 1.067 18,4

3. REGIÃO DISSECADA DE VALE 2.053 35,5

3.1 Curso Sup. do Rio Maranhão 574 9,9

3.2 Alto Curso do Rio Bartolomeu 270 4,6

3.3 Curso Sup. do Rio S. Bartolomeu 608 10,5

3.4 Alto Curso do Rio Descoberto 237 4,1

3.5 Curso Superior do Rio Descoberto 270 4,6

3.6 Alto Curso do Rio Alagado 94 1,6

Total do Distrito Federal 5.184 100,0

FONTE: Pinto (1993)

* unidade onde se localiza o condomínio

6.4 Hidrogeologia

No Distrito Federal procura-se suprir a demanda de água através da água subterrânea com a perfuração de milhares de poços em diferentes regiões. Os aqüíferos são estruturas geológicas com capacidade de transmitir, armazenar e liberar água subterrânea. De acordo com Barros (1993), no Distrito Federal onde predominam rochas metamórficas, os aqüíferos de domínio fissural com cerca de 1,2 bilhão de m³ de água predominam sobre os de domínio poroso. A caracterização hidrogeológica relaciona-se à geologia da região e no Distrito Federal o manto de cobertura da idade Cenozóica é areno-argiloso, com diferentes intensidades de lateritização, com espessura média de 20 m, sendo geralmente poroso e