De acordo com ODUM (2004), o impacto antrópico na paisagem sempre foi tema central na geografia e na antropologia, pautando a relação entre a cultura humana e o ambiente. O ordenamento do ecossistema e a ecologia humana aplicada requerem a fusão de diversas disciplinas que foram tratadas de forma independente.
O conceito de “indicadores sociais” paralelo aos “indicadores de poluição” se configura como elemento chave na determinação da qualidade de vida da população urbana. O mesmo autor ressalta que a ecologia humana deve ir além da ecologia geral e considerar a interligação entre os atributos naturais e culturais do homem, já que a flexibilidade de sua conduta, sua capacidade para controlar suas vizinhanças imediatas e a sua tendência para desenvolver cultura independentemente do ambiente são maiores que de outros seres.
CONDIÇÕES SOCIAIS AMBIENTE NATURAL MDE* EXPERIÊNCIA HUMANA PERCEPÇÃO EA VARIÁVEL CULTURAL
Figura 22: Educação Ambiental e Ecologia Humana FONTE: Dias, 2000.
As condições sociais e o ambiente natural são fatores interligados e são afetados pelo tipo de Modelo de Desenvolvimento Econômico (MDE). Tanto as condições sociais quanto o meio ambiente formam a qualidade da experiência humana individual ou do grupo. O que ocorre é a perda dessa qualidade, tornando-se natural, prejudicando a percepção do que seria o causador das reações. A Educação Ambiental atinge exatamente nesse ponto da percepção, estimulando e promovendo a sensibilização para que haja mudança de atitudes e melhoria da qualidade de vida, ou seja, a própria experiência humana (DIAS, 2000).
8.2 A Educação Ambiental (EA) como Instrumento de Prevenção
A educação ambiental, como instrumento de prevenção, deve ser tratada de forma integrada e solidária para que haja a reparação de danos, e não um instrumento de repressão. Mas é importante lembrar que a reparação do dano não minimiza a responsabilidade e importância da prevenção do dano (LANFREDI, 2002).
A EA como princípio da PNMA (Lei 6.938/81), art. 2°, inciso X e na própria Constituição Federal em seu art. 225, § 1°, VI, é uma ferramenta indispensável na formação da personalidade de crianças e jovens na escola (formal), bem como na sensibilização de adultos (não-formal) com vistas a gerar atitudes e comportamentos visando à qualidade de vida e do meio ambiente coletivo (LANFREDI, 2002).
Conforme o autor, deve haver um processo de educação contínuo e permanente, incentivando posturas de integração e participação, com ênfase em uma perspectiva interdisciplinar, insistindo na cooperação dos diversos atores em nível local e internacional.
Parte-se do princípio que a Educação Ambiental é um processo contínuo em que os indivíduos tomam consciência do meio ambiente em que vivem e adquirem conhecimentos, valores, habilidades, experiências e determinação que os tornem aptos a agir, seja individual ou coletivamente, resolvendo problemas ambientais atuais e futuros (DIAS, 2000).
EA Conhecimento Compreensão Habilidades Motivação Valores Mentalidades Atitudes Questões/ Problemas ambientais Soluções Sustentáveis
desenvolver Para adquirir
Necessários para lidar
com
E encontrar
Figura 23: Definição da Educação Ambiental FONTE: Dias, 2000.
Nesse contexto nota-se a fundamental importância de programas de sensibilização ambiental para os moradores, os maiores interessados na adequação do condomínio às normas ambientais. Após a tabulação dos dados obtidos pelos questionários, percebeu-se a importância do engajamento e sensibilização da comunidade nos temas ambientais referentes ao condomínio. O fato principal de o condomínio se encontrar em uma zona de corredor
ecológico, uma zona de amortecimento ao lado de uma UC de Proteção Integral, faz com que deva haver um processo urgente de EA para os moradores, que na realidade sabem da importância desse tipo de iniciativa.
A EA se baseia na interdisciplinaridade e permanência das ações para que haja a identificação e resolução de problemas. Conforme Dias (2000), a integração da comunidade e a adoção de uma visão crítica das questões que afetam a qualidade de vida orientam a busca de soluções, considerando as variáveis envolvidas, não somente a ecológica.
As UCs devem atuar não somente como um espaço de proteção da biodiversidade mas também como local de sensibilização e aprendizagem da comunidade do entorno, representando uma valiosa ferramenta no processo de construção do conhecimento ecológico (JACOBI; FLEURY; ROCHA, 2007). Conforme as autoras, são necessários diversos componentes para se atingir o objetivo da EA: “amor e respeito à vida, interesse e conhecimento sobre o meio ambiente, postura crítica e consciência dos próprios hábitos” (JACOBI FLEURY; ROCHA, 2007, p.2).
8.3 A Importância da Percepção Ambiental
Cada indivíduo percebe, reage e responde de forma singular frente ao meio em que vive. Dessa forma, as respostas ou manifestações são resultado das percepções, dos processos cognitivos, julgamentos e expectativas individuais. Embora nem todas as manifestações psicológicas sejam evidentes, são constantes, e afetam nossa conduta, na maioria das vezes, inconscientemente. Portanto, a percepção ambiental pode ser definida como sendo uma tomada de consciência do ambiente pelo homem, ou seja, o ato de perceber e cuidar do ambiente em que
vive (FAGGIONATO, 2004, apud FERNANDES, 2004).
De acordo com Fernandes (2004), uma das dificuldades nas ações de proteção aos ambientes naturais decorre das diferentes percepções em relação à importância ambiental do meio em que se vive, já que cada indivíduo possui culturas, valores, condições socioeconômicas distintas. A questão de maior interesse e relevância no campo da percepção ambiental é o comportamento humano, onde ele é resultado de um processo perceptivo no qual o ambiente possui papel fundamental. A harmonia com que o homem se relaciona com o meio natural e sua convivência é o ponto central do tema.
Segundo o Programa MAB da UNESCO (1973), um dos objetivos importantes das pesquisas baseadas na percepção ambiental consiste em obter uma compreensão sistemática e científica do ponto de vista obtido a partir do interior (do indivíduo ou do grupo),
completando a pesquisa científica tradicional, abordada no exterior do ser humano (BUTZKE;
PEREIRA; NOEBAUER, 2007). O ponto de vista interior seria o hábito ou uma experiência,
muitas vezes associados a uma certa inaptidão de realizar transformações rápidas. Ao contrário do ponto de vista interior que é singular e objetivo, o ponto de vista exterior é associado ao desenvolvimento, à ação, e à objetividade. O ponto de vista exterior depara-se com
a tradição interior e à resistência àmudança (BUTZKE; PEREIRA; NOEBAUER, 2007).
O comportamento do indivíduo ou grupo frente ao ambiente em que vivem e suas respostas, varia de acordo com os níveis de percepção e valor. Entretanto, o aspecto mais importante não é o comportamento ou a percepção, mas as atitudes após o processo de sensibilização.
A utilização da EA, conforme o grau de percepção ambiental dos indivíduos, é uma ferramenta extremamente importante na modificação de padrões de conduta de médio a longo prazo que efetivamente resultam em melhorias na qualidade de vida e manutenção do meio natural.
Questionários voltados à conhecer o papel do indivíduo no contexto ambiental e sua conseqüente percepção, são necessários para entender as relações nos processos de degradação, comportamento, dinâmica entre indivíduos, natureza e poder público, entre outros. Esses dados são importantes para que haja planos de participação e de inserção da comunidade na manutenção da biota.