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Nemnder i andre deler av norsk

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Passa-se agora a apresentar a maior contribuição que a Universidade pode fazer no esforço para dirimir a crise de leitura no Brasil: formar professores preparados para a formação de leitores.

Defende-se aqui a necessidade de se compreender a realidade dos cursos de licenciatura para a consequente compreensão da crise da leitura no país. Como já sugerido em trabalho anterior (STEPHANI, 2009), acredita-se na urgência de que a Universidade assuma a tarefa de repensar seu papel social e sua importância no enfrentamento da crise pela qual passa o sistema literário em âmbito escolar. Neste tópico, far-se-á uma contribuição para essa tarefa.

Acredita-se que a posição da Universidade frente à problemática configurada deve se dar em três linhas: 1º.) na busca, cobrança e execução das políticas públicas para a formação de professores; 2º.) na articulação de estratégias e ações para a melhoria da formação inicial dos licenciados; e, 3º.) na relação com os profissionais já em efetivo exercício (ações de pesquisa e diagnóstico sobre a realidade e propostas de ações via extensão).

Com relação ao primeiro item, podem ser citados alguns programas governamentais que podem ser oportunos para dirimir algumas deficiências teóricas e de repertório dos futuros professores. Entre eles está o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência23 (PIBID), o Programa de Consolidação das Licenciaturas (PRODOCÊNCIA) e algumas outras modalidades de bolsa estudantil que permitem maiores recursos e verbas para a formação docente e para a permanência do aluno na

23 Objetivos do PIBID: Incentivar a formação de docentes em nível superior para a educação básica; contribuir para a valorização do magistério; elevar a qualidade da formação inicial de professores nos cursos de licenciatura, promovendo a integração entre educação superior e educação básica; inserir os licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, proporcionando-lhes oportunidades de criação e participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino- aprendizagem; incentivar escolas públicas de educação básica, mobilizando seus professores como conformadores dos futuros docentes e tornando-as protagonistas nos processos de formação inicial para o magistério; e, contribuir para a articulação entre teoria e prática necessárias à formação dos docentes, elevando a qualidade das ações acadêmicas nos cursos de licenciatura. Mais informações no site: http://www.capes.gov.br/educacao-basica/capespibid.

Universidade, além de maior dedicação a sua qualificação. Essas ações e programas estão sendo executados em algumas Universidades públicas.

O PIBID, por exemplo, é um programa federal que visa a envolver o aluno dos cursos de licenciaturas em atividades de docência, além de possibilitar melhor formação acadêmica, devido à intrínseca relação da teoria e da prática educativa. Como incentivo à participação no programa, o aluno recebe uma bolsa para que possa se dedicar às atividades propostas pelo curso.

O Prodocência24 é outro modelo de programa que visa ampliar a qualidade das ações voltadas à formação de professores, com prioridade para a formação inicial desenvolvida nos cursos de licenciaturas das instituições federais e estaduais de educação superior, dando suporte financeiro para a reestruturação dos laboratórios e a implementação de ações de práticas de ensino.

Todos esses programas podem auxiliar os alunos na maximização do tempo a ser dedicado à própria formação, uma vez que diminuem a necessidade de trabalhar para sustentar os estudos. Têm ainda a vantagem de ensejar espaços para reflexão, leitura e pesquisa.

Pinheiro (2013) chama ainda a atenção para o papel da Universidade (englobando professores e suas atividades de pesquisa e de extensão) na promoção da formação continuada de professores. A autora cita, ainda, o distanciamento e, muitas vezes, o desconhecimento por parte da Universidade (professores e suas pesquisas e atividades extensionistas) das práticas docentes na educação básica para a formatação das ações. Segundo a autora, ao prepararem seus cursos, professores e pesquisadores universitários raramente perguntam aos seus alunos o que eles já estão realizando (no caso não fazem o diagnóstico da situação e das ações já conhecidas e realizadas).

A autora acrescenta também que, além disso, poucas vezes os cursos de formação planejam o reencontro com a turma de professores para avaliar se as leituras e as propostas de atividades deram certo. Ela destaca que a formação continuada, nesses casos, baseia-se em cursos com programação fechada e o não acompanhamento do

24 ―Criado em 2006, o Prodocência financia projetos voltados para a formação e o exercício profissional dos futuros docentes, além de implementar ações definidas nas diretrizes curriculares da formação de professores para a educação básica. Os objetivos do programa são: contribuir para a elevação da qualidade da educação superior, formular novas estratégias de desenvolvimento e modernização do ensino no país, dinamizar os cursos de licenciatura das instituições federais de educação superior, propiciar formação acadêmica, científica e técnica dos docentes e apoiar a implementação das novas diretrizes curriculares da formação de professores da educação básica.‖ Informações disponíveis no site: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=12244&Itemid=86>.

processo na escola acaba por comprometer o trabalho e interrompe o diálogo entre Universidade e docentes.

É como se existissem dois mundos paralelos, o da Universidade e o da educação básica, cada um com seus objetivos e planejamentos; tentando resolver o mesmo problema, no entanto, separados. A união de esforços através de parcerias, com os dois níveis de ensino planejando as ações em conjunto seria uma alternativa mais viável, sem contar que otimizaria o tempo e trabalho dos envolvidos.

Ludmila Thomé de Andrade (2007, p. 76) avaliou esse desencontro entre instituições que, não obstante sua indiferença mútua, estão atrás dos mesmos objetivos: ―as diferentes vozes (pesquisa universitária e ensino da escola básica) dialogam: ora se justapõem, ora se superpõem, ora ainda se opõem umas às outras. O encontro de objetivos ocorre, mas também se constata o desencontro‖. Andrade defende a ideia de que os professores deveriam se ver como ―formadores de si mesmos e que pesquisadores-formadores deveriam perceber o quanto sua função consiste em ser professor (de professores)‖ (op. cit., p. 157).

Outra forma de as Universidades ajudarem a combater a crise da leitura é investindo nos mestrados profissionais, nas especializações em letramento literário e em mediação de leitura. A propósito, existem atualmente várias linhas para ―letramento‖, mas desconhecem-se propostas para o ―letramento literário‖, tão ou mais urgente.

É preciso lembrar que algumas ações de Universidades mostram o envolvimento da instituição na problemática da leitura, desenvolvendo estratégias e ações efetivas, algumas delas já em efetivo exercício. Podem ser citadas, como exemplo, ações no estilo da Tertúlia Literária·. Merece destaque o trabalho realizado pelo CEALE da UFMG25

. O projeto de extensão desenvolvido pelo Centro, implantado pela primeira vez no ano de 2009, destina-se a professores em exercício de escolas públicas e privadas que atuam com crianças entre 0 e 10 anos da Região Metropolitana de Belo Horizonte e alunos do curso de licenciatura em Pedagogia e Letras.

Como apontado por Adriana de Oliveira e Silva (2012a), o objetivo central desse projeto é a ampliação do universo literário desses professores. Além dos encontros presenciais, os diálogos sobre os textos acontecem por meio de fóruns de discussão em plataformas virtuais.

Ações como essas26 deveriam ser mais difundidas pelo país e pelas Universidades; sair dos grandes centros de ensino, das grandes cidades e chegar a todo país, com adaptações ou mesmo com estruturas totalmente diferentes, mas que objetivassem atuações mais efetivas para o quadro atual. Essas ações já em andamento compõem apenas uma pequena parte do que a Universidade pode e deve fazer na busca por uma educação de qualidade. Por isso, os estudos e projetos devem ser contínuos para que uma geração competente de professores-mediadores de leitura seja formada.

Discutiu-se aqui o papel da universidade para a formação dos professores mediadores de leituras, no entanto, é pertinente conhecer quem são esses profissionais, o que será feito no tópico seguinte.

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