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Den nærmere utforming om

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8.6 Opplysningsplikt

8.6.3 Den nærmere utforming om

Mediar é dar a ver o que não se vê. É tornar próximo o distante.

Neide Catarina Turra. Reuven Feuerstein: Experiência de Aprendizagem Mediada – um salto para a modificabilidade cognitiva estrutural.

Os conceitos de mediação e mediador são recorrentes em diversas áreas do conhecimento. Referências a eles são encontradas nos campos de saberes jurídicos, terapêuticos, nas relações internacionais e em muitos outros. Recentemente, a noção de mediação passou a merecer certo destaque nas reflexões sobre ensino, particularmente nas do ensino de leitura.

Tendo adentrado os muros da escola, o conceito de mediação veio fornecer recursos para se repensar o papel do professor de língua portuguesa: por essa nova perspectiva, o docente deixa de ser um transmissor de conhecimentos para atuar como

mudança terminológica, uma vez que nessa nova perspectiva exige-se do professor que seja mediador por excelência e um agente de mudanças.

Em suma, que ele ―intervenha nos processos cognitivos de desenvolvimento do mediado, deixando de lado a atitude passiva de apenas reconhecer o aluno que não obteve sucesso na aprendizagem‖, como apontado por Souza, Depresbiteris e Machado (2004, p. 06). Segundo esses autores, o mediador deve ir além do mero ensino de conteúdos, propondo ―estratégias de análise, síntese, comparação, classificação, estabelecimentos de relações‖ (idem).

É, portanto, importante aprofundar um pouco mais a explicação sobre a natureza da mediação, demonstrando a validade de propô-la como foco da formação de aluno dos cursos de Pedagogia e Letras, futuros professores de leitura. Para esse aprofundamento, faz-se necessário primeiramente tentar responder às seguintes questões: O que é a mediação em ambiente pedagógico? O que é mediação de leitura (literária)? Como se dá a leitura por mediação? Que modelo de mediação se quer e qual a relação disso com o tipo de formação que se deve priorizar para os professores?

Inicialmente, é oportuno deixar claro que neste trabalho está se tratando apenas do conceito de mediação enquanto atuação do professor; está também focando o ato de mediar a relação texto-leitor e, mais especificamente, da relação com o texto literário. Isso significa que não se tem aqui a pretensão de fazer uma abordagem exaustiva do tema da mediação, ainda que fosse a mediação em ambiente escolar.

Nas últimas décadas, grande foram os avanços alcançados pelas ciências da educação, principalmente no que se refere à epistemologia, à defectologia, à psicologia do aprendizado e demais linhas de pesquisa sobre os fenômenos do aprendizado e da compreensão. Dentre essas contribuições, não se pode deixar de citar as teorias que apresentam a mediação como elemento necessário e intrínseco ao processo de compreensão e aprendizagem. Merecem destaque os trabalhos de Vygotsky (2000) e Reuven Feuerstein (1991).45

Segundo a teoria socioconstrutivista, a inteligência do homem se desenvolve em interação com o meio sociocultural. Vygotsky delineia o conceito de mediação pela perspectiva sociohistórica, segundo a qual o conhecimento humano e sua ampliação se dão pela mediação, processando-se na ação entre pessoas, conforme aponta o teórico.

45 Para uma mais completa abordagem das teorias desses autores, indica-se os trabalhos de Marta Kohl Oliveira (2002), Harry Daniels (2002a), Norris Minick (2002), Neide Catarina Turra (2007) e Aida Varella (2007).

Tendo em perspectiva a teoria vygotskiana, Oliveira (2002, p. 26) afirma que a ―mediação em termos genéricos é o processo de intervenção de um elemento intermediário numa relação; a relação deixa, então, de ser direta e passa a ser mediada por esse elemento‖. Ela afirma ainda que esse processo de mediação feito pelo homem por meio de instrumentos e signos é de crucial importância para o desenvolvimento das ―funções psicológicas superiores‖, que acabam por distinguir o homem dos outros animais. Sendo assim, ―[a] mediação é um processo essencial para tornar possível as atividades psicológicas voluntárias, intencionais, controladas pelo próprio indivíduo‖ (op. cit., p. 33).

Vygotsky (2000, p. 53) concebe o processo de aprendizagem de acordo com o conceito de mediação para a aquisição de funções superiores. O teórico formula uma lei geral do desenvolvimento das funções mentais superiores, que pode ser aplicada ao aprendizado das crianças.

Toda forma elementar de comportamento pressupõe uma relação direta à situação-problema defrontada pelo organismo — o que pode ser representado pela forma simples (S R), por outro lado, a estrutura de operações com signos requer um elo intermediário entre o estímulo e a resposta. Esse elo intermediário é um estímulo de segunda ordem (signo), colocado no interior da operação, onde preenche uma função especial; ele cria uma nova relação entre S e R. O termo ―colocado‖ indica que o indivíduo deve estar ativamente engajado no estabelecimento desse elo de ligação. Esse signo possui, também, a característica importante da ação reversa (isto é, ele age sobre o indivíduo e não sobre o meio ambiente). Conseqüentemente, o processo simples estímulo-resposta é substituído por um ato complexo, mediado. (idem, grifos do autor).

O método de Vygotsky resolve o problema da relação entre o individual e o coletivo no pensamento e na criação humanos. Segundo ele, o homem precisa da interação com o outro para desencadear suas habilidades cognitivas. No entanto, isso leva o aprendiz a fazer suas próprias escolhas, já que a ação reversa ―confere à operação psicológica formas qualitativamente novas e superiores, permitindo aos seres humanos, com o auxílio de estímulos extrínsecos, controlar o seu próprio comportamento‖ (op. cit., p. 54).

Assim, o teórico descreve sua teoria da zona de desenvolvimento proximal:

o aprendizado desperta vários processos internos de desenvolvimento que são capazes de operar somente quando a criança interage com pessoas e seu ambiente e quando em cooperação com seus

companheiros. Uma vez internalizados, esses processos tornam-se parte das aquisições do desenvolvimento independente de crianças (VYGOTSKY, 2000, p. 118).

Se toda ação humana supõe uma mediação, do mesmo modo a aprendizagem se faz com a mediação semiótica ou pela interação com o outro, na interação social, na qual as palavras são empregadas como meio de comunicação ou de interação. A essa mediação, Vygotsky e seus discípulos denominaram de sociointeracionismo, já que a ação se dá numa interação sociohistórica ou histórico- cultural.

Outra teoria com a qual se coaduna aqui é a de Euven Feuerstein, teórico judeu influenciado pelas ideias de Vygotsky. Esse estudioso sugere que a mediação é um fenômeno tão antigo quando o homem e que seria a chave para o aprendizado nas mais variadas esferas. Para Feuerstein, há duas formas de aprendizagem: uma é a experiência direta de aprendizado – aquela que se dá como resultado da interação do organismo com o meio ambiente – e a outra é a Experiência de Aprendizagem Mediada, ―que requer a presença e a atividade de um ser humano para organizar, selecionar, interpretar e elaborar aquilo que foi experimentado‖ (TURRA, 2007, p. 302).

Na perspectiva de Feuerstein, o mediador ―é aquele que é capaz de enriquecer a interação do mediado com seu ambiente‖, e para isso utiliza-se de ―ingredientes que não pertencem aos estímulos imediatos, mas que preparam a estrutura cognitiva desse mediado para ir além dos estímulos recebidos, transcendendo-os‖. (SOUZA; DEPRESBITERIS; MACHADO, 2004, p. 56).

Segundo Regilene Ribeiro Danesi Ron (2011, p. 3), ―a mediação é um trabalho complexo, fundamentado na reflexão e no planejamento‖ e, ao planejar sua mediação, o docente deve levar em conta os seguintes aspectos: que ele tem papel de parceiro na aprendizagem; que é testemunha privilegiada do embate entre o mediado e o ambiente e que é observador do comportamento do mediado, avaliando-o e favorecendo seu progresso, sua melhoria no pensar. (idem, p. 3-4)

Essa consciência por parte do mediador instaura uma relação de ajuda e não de sancionamento, de coerção. Para Ron, o mediador tem uma tarefa essencial de organizar o contexto, imaginando e propondo situações-problema adequadas. Ele deve colocar-se no lugar do outro, perceber sua lógica e suas intenções. Ron (2011) aponta também os elementos para uma mediação de qualidade, levando em consideração os

diversos critérios propostos por Feuerstein. Segundo ela, é preciso que o mediador seja capaz de:

- Estabelecer o nível inicial de funcionamento do mediado, observando e coletando informações;

- identificar, tratar e ou encaminhar para tratamento deficiências psicomotoras;

- ajudar o mediado a tomar consciência e verbalizar processos mentais;

- ajudar o mediado a adquirir estratégias cognitivas eficazes;

- identificar fatores afetivo-emocionais que possam prejudicar a aprendizagem;

- identificar habilidades sociais deficientes; - identificar funções cognitivas deficientes; - elaborar tarefas desafiadoras;

- apresentar tarefas de modo motivante; - preparar tarefas alternativas;

- privilegiar tarefas que conduzam à transcendência; - atribuir significado às tarefas;

- disponibilizar recursos diferenciados; - encorajar a aprendizagem coletiva; - aplicar tarefas individualmente adaptadas; - criar situações de desequilíbrio;

- transmitir ao mediado uma crença sincera na sua modificabilidade. (2011, p. 21).

Outros autores também discutem a mediação, quase sempre partindo dos conceitos da teoria de Vygostky. Para Souza, Depresbiteris e Machado (2004, p. 38), por exemplo, o fundamento da mediação é ―transmitir a outros um mundo de significados, ou seja, a cultura, entendida aqui não como classificação de raças e etnias, mas como um conjunto de características que um povo tem em comum‖.

O conceito de mediação é, portanto, uma relativa novidade no ambiente pedagógico brasileiro, ainda dominado pelas leituras distorcidas das correntes behavioristas e por um construtivismo ―meia boca‖, que prega autonomia total para o aluno como meio de justificar o despreparo e a indiferença de muitos professores. Essas linhas equivocadas de abordagem acabam agravando os transtornos e as dificuldades de aprendizado, uma vez que não fomentam um preparo contínuo do professor. Despreparado, esse profissional não consegue ajudar os alunos a aprenderem.

A aprendizagem mediada é o caminho pelo qual os estímulos são transformados pelo mediador, guiado por suas intuições, emoções e sua cultura. O mediador avalia as estratégias, seleciona as que são mais apropriadas a determinada situação, amplia algumas, ignora outras, faz esquemas. É por meio desse processo de mediação que a estrutura cognitiva da criança adquire padrões de comportamento que

determinarão sua capacidade de ser modificada. Assim, quanto menos mediação for oferecida, menor será a possibilidade de o mediado desenvolver a capacidade de se modificar. (TURRA, 2007, p. 303)

Turra sintetiza as contribuições de Feuerstein para a noção de mediação pedagógica, descrevendo aquilo que o teórico chamou de critérios de mediação:

Intencionalidade/Reciprocidade [...] O mediador deliberadamente

interage com o sujeito, selecionando, interpretando e interferindo no processo de construção do conhecimento. [...] A reciprocidade, como o próprio nome indica, implica troca, permuta. O mediador deve estar aberto para as respostas do sujeito [...] O Significado refere-se ao valor, à energia atribuída à atividade, aos objetos e aos eventos, tornando-os relevantes para o mundo. [...] Transcendência, objetiva promover a aquisição de princípios, conceitos ou estratégias que possam ser generalizados para outras situações. Envolve o princípio de se encontrar uma regra geral que possa ser aplicada a situações correlatas [...]. (idem)

Esses critérios defendidos por Feuerstein são de extrema importância para que a mediação de fato ocorra. Não se é possível mediar sem possuir objetivos claros, estar aberto ao diálogo e se pré-dispor a essa capacidade de sempre estar se adaptando ás diferentes situações que possam ocorrer no processo de mediação. É por isso que se defende aqui a preocupação com a formação do professore mediador que também seja um leitor para que esses critérios estejam permeando suas práticas por ele conhecer o lado do ―leitor‖.

E, para demonstrar a relevância dessa perspectiva para o ensino de leitura literária, passar-se-á agora a apresentar os dados de duas pesquisas realizadas com alunos de Ensino Médio do Distrito Federal. Tem-se por objetvo confirmar a importância do professor mediador como agente de letramento literário e para isso analisar-se-ão as ―falas‖ desses jovens no intuito de comprovar ou não a existência da perspectiva da mediação da leitura e se ela acontece como se espera.

4. A voz dos [des] interessados: a relação dos estudantes com a leitura literária e o

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