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In document Ny konkurranselov NOU (sider 175-180)

Na mediação entre o leitor e a leitura, segundo Sandra Alves da Silva (2005a), a escola e o professor agem em duas instâncias. A primeira diz respeito ao nível teórico ou abstrato; é a mediação qualitativa. A outra diz respeito ao aspecto sociológico da leitura: nível concreto ou mediação quantitativa. Para Silva (2005a, p. 53), a formação do leitor se dá na interlocução desses dois aspectos. Segundo ela, a mediação qualitativa ―acontece propriamente nos momentos de estudo de textos

literários, no momento em que o professor orienta seus alunos nos labirintos deixados pelo texto, em seus inúmeros espaços vazios que precisam ser completados‖.

Já a mediação quantitativa se dá por meio da aproximação concreta entre aluno e obras literárias, sendo necessário que o aluno selecione tais obras ―de acordo com critérios de literariedade, unindo o hábito cotidiano da leitura ao prazer de ler um bom livro. O professor é, nesse momento, uma espécie de cicerone no universo livresco‖ (idem).

Vê-se, assim, que a mediação no ensino de leitura literária pressupõe um levantamento e uma consideração no que se refere aos horizontes de leitura dos alunos. A função do professor compreende a tarefa de respeitar os limites, porém num constante esforço para ampliá-los, como diz Cosson (2006, p. 35): ―É papel do professor partir daquilo que o aluno já conhece para aquilo que ele desconhece, a fim de se proporcionar o crescimento do leitor por meio da ampliação de seus horizontes de leitura‖.

O protagonismo do professor pode ser maior ou menor, desde que o crescimento do aluno como leitor seja priorizado. Barros (2006, p. 17), por exemplo, concebe a atuação do professor quase em termos de ―ducto‖ ou de facilitador: ―mediar leitura é fazer fluir a indicação ou o próprio material de leitura até o destinatário-alvo, eficiente e eficazmente, formando leitores‖.

O perfil desse mediador pressupõe, portanto, recursos para interpretar e intervir adequadamente. Isso significa que o professor de leitura literária deve conhecer as teorias que fundamentam e/ou explicam a experiência leitora. Do contrário, como ele poderá saber que está no caminho certo?

O professor que se percebe como mediador da leitura para seus alunos precisa conhecer os fundamentos básicos da Teoria da Leitura, a fim de que sua indicação de textos e de autores faça parte de um processo eficiente de formação e de manutenção de leitores jovens, processo esse baseado em consciência, preparo, conhecimento e competência, isento de mesmices e sensaborias. (BARROS; BORTOLINI; SILVA, 2006, p. 137)

Sobretudo, o mediador de leitura literária precisa ser um leitor assíduo de literatura, conhecer empiricamente os vários gêneros e dominar recursos teóricos que tornem possível ele guiar os alunos pela leitura mais completa possível de um texto literário, uma vez que, como afirma Rösing (2009, p. 137), ―[a] mediação de leitura pressupõe a formação do mediador enquanto leitor e leitor de textos literários‖. Segundo

ela, a experiência individual do professor é decisiva para o tipo de abordagem que ele dará a sua mediação com o texto:

[a] relevância do conhecimento prévio, acumulado não somente em suas vivências cotidianas, mas também, no processo de construção do conhecimento que pauta sua existência, deve ser observada na significação do texto selecionado para leitura, conformando-se com uma estrutura individual de abordagem do texto. (op. cit., p. 137-138).

Assim, o mediador exerce papel fundamental de aproximação, a partir de diferentes estratégias, entre os desejos do leitor e os desejos colocados em cada livro. O mediador não deve ter a pretensão de ser o protagonista do processo de leitura, ainda que sua atuação seja fundamental para o sucesso dele. O professor não ensina tudo e nem é o único responsável pelo principal, a descoberta do gosto pela leitura: ―Na mediação da leitura, entra-se em um domínio em que o capricho e o prazer imediato não funcionam. Entra-se no campo de um prazer que se constrói na lentidão. E ainda que não possa ensinar o prazer, pode-se partilhá-lo, aceitando a lentidão‖ (CHARTIER, 2008, p. 2).

Além da dicotomia ―obrigação vs. prazer‖ outro ponto é a determinação/escolha dos textos para trabalho/estudo em sala de aula. Cosson (2006) ressalta ainda a importância do professor em todos os momentos desse processo, acompanhando, ajudando nas inferências. A importância dessa relação professor/aluno também é realçada por Maria Rosa Oliveira e Samira Chalhub (1980), que apontam-na como a mola propulsora por onde perpassa uma leitura de mundo.

Concluímos, portanto, que o papel do professor de leitura literária é o de alguém que cria condições favoráveis para a lenta, consistente e prazerosa aquisição do hábito de leitura. Ele tem como uma de suas principais tarefas a de levar os alunos a descobrirem seus gostos pessoais, suas preferências de leitura, de modo a que essa experiência possa ser configurada como um universo próprio de cada leitor, e não como um território acadêmico-escolar:

[a] função do educador não seria precisamente a de ensinar a ler, mas a de criar condições para o educando realizar a sua própria aprendizagem, conforme seus próprios interesses, necessidades, fantasias, segundo as dúvidas e exigências que a realidade lhe apresenta. Assim, criar condições de leitura não implica apenas alfabetizar ou propiciar acesso aos livros. Trata-se, antes, de dialogar com o leitor sobre a sua leitura [...] (MARTINS, 1994, p. 34).

Mais adiante, no capítulo seguinte, serão avaliadas pesquisas feitas junto a estudantes do EM do Distrito Federal, com o intuito de fazer um levantamento a respeito de como o professor de LP tem atuado naquelas escolas. Isso possibilitará condições de explorar os significados desses dados para a realidade da mediação no

lócus estudado. Na verdade, essa análise será um teste para as concepções de leitura

elencadas neste capítulo: a situação ideal do professor mediador, de modo a propiciar a leitura como verdadeiro diálogo do aluno com o texto literário, está se materializando nas práticas e discursos das escolas estudadas nas pesquisas?

Crê-se que a análise permitirá descrever situações em que fica configurada uma lacuna no perfil do professor mediador. No capítulo 5, apresentar-se-á, finalmente, uma proposta de ensino e de mediação de leitura literária na tentativa de preencher tal lacuna.

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