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2. LEDELSE, LEDERSKAP OG LEDERUTVIKLING

2.2 L EDELSE

A partir do conjunto de informações levantadas e examinadas até esse ponto, aprofundaremos a nossa discussão teórica tomando como base – do vasto campo de ação sígnica da Semiótica, uma das mais jovens ciências humanas – a Semiótica da Cultura, dado que a sua abordagem pressupõe cultura como a combinação de vários sistemas de signos (ou um grande texto); e a mesma se propõe a compreendê-los. Consideramos que essa área de investigação nos dará a habilidade necessária para analisar, predominantemente, a comunicação não-verbal que prevaleceu na Exposição de Xangai, e o discurso do Brasil no evento. Ressalte-se que o caráter teatral da Exposição, com seus monumentos arquitetônicos, performances dramáticas e espetáculos tecnológicos, foram condutores intensos de mensagens e valores culturais.

Mas vamos nos deter um pouco mais nos dois autores que, conforme citado anteriormente, irão fundamentar nossas análises na abordagem que faremos sobre o diálogo das duas nações: China, que representa o desafio de construção imagética, e Brasil, o objeto de construção analítica.

O dialogismo de Bakhtin é indispensável para que possamos enxergar se o caminho construído pelo Brasil em sua representação na Exposição de Xangai foi, de fato, condutor de sentidos. Do enfoque dado ao campo do diálogo, nos importa o sentido de compreensão, que

ele coloca como uma forma de diálogo, pois compreender é apresentar uma contrapalavra à palavra do locutor.

Qualquer tipo genuíno de compreensão deve ser ativo deve conter já o germe de uma resposta. Só a compreensão ativa nos permite apreender o tema, pois a evolução não pode ser apreendida senão com a ajuda de um outro processo evolutivo. Compreender a enunciação de outrem significa orientar-se em relação a ela, encontrar o seu lugar adequado no contexto correspondente (BAKHTIN, 2006, p. 135).

O que importa para Bakhtin é a interação entre locutor e receptor, que fundamentará o processo de compreensão ativa e responsiva entre ambos. Vamos levar esse entendimento (e sentimento) para o campo da relação entre Brasil e China, países cujos tênues vínculos culturais impõem obstáculos a esse compreender.

Lotman (1978) nos ajudará a complementar esse entendimento, principalmente pelos seus estudos sobre textos (mais adiante citamos como abordaremos essa questão), como também pela interação entre textos e sistemas de signos. Voltando à semiótica da cultura, é preciso esclarecer que há várias correntes de estudo, mas a que nos interessa, conforme já indicado pelos autores mencionados, é a de origem russa, que percebe cultura como o “[...] elo que une domínios diferentes da vida no planeta” (MACHADO, 2003, p. 25). Ou ainda, que abarca as relações entre sistemas culturais e a natureza das interações. O desafio, aqui, é entender se, e como, culturas radicalmente diferentes (China e Brasil) conseguem dialogar e se compreender.

Nesse sentido, achamos apropriado destacar que os semioticistas russos, estimulados pela necessidade de entender a comunicação como um sistema semiótico, e compreender os sistemas pelo olhar da cultura, desdobraram a ideia de linguagem a uma diversidade de fenômenos como mitos, religião, literatura, artes, música, ritos, comportamento, enfim, uma gama de representações que podem ser abraçadas pela semiótica da cultura. “Com base nessas noções, o relacionamento dinâmico entre os sistemas da cultura foi definido como um processo de modelização, segundo o qual a cultura é entendida como texto e a comunicação como processo semiótico” (MACHADO, 2003, p. 165).

Podemos considerar, então, que cultura funciona como um sistema de armazenagem e de propagação de informações e, por conseguinte, de memória coletiva. Isso é claramente exemplificado na Exposição de Xangai, que reuniu 189 culturas (nações), e pôde ser percebida como um sistema semiótico ativo, onde a busca por signos para estabelecer o

processo comunicacional se valeu do espaço favorável para a interação dialógica evolutiva. Aproveitamos para enfatizar dois aspectos: o ambiente interativo, produtor de discursos, e a necessidade de transmutar15 informação em códigos de emissão que busquem garantir a comunicação, cujo sentido a ser observado em nosso estudo é o de transformar mensagem em instância produtora de sentido.

Para melhor compreensão, acrescentamos que no contexto de análise da Exposição, mensagem será tratada como um processo dinâmico de significação, de geração e de circulação de sentido.

E já que discorremos sobre significação, será preciso mergulhar no significado de cultura, visto que é caráter inequívoco da abordagem da Semiótica da Cultura a “[...] produção de mensagem como produção de linguagem na e da cultura” (MACHADO, 2010, p. 283, grifo da autora). Soma-se o fato, citado anteriormente, de o tema tratado em nossa pesquisa estar intrinsecamente ligado à interculturalidade. Ou seja, não há como compreender a construção discursiva realizada pelo Brasil no ambiente da Exposição sem pensarmos a questão cultural e a sua amplitude de abordagens.

[...] em 1952, os antropólogos A. L. Kroeber e Clyde Kluckhohn puseram em discussão nada menos do que 164 definições de cultura. Em meio a essa diversidade de definições, há um certo consenso sobre o fato de que a cultura é aprendida, que ela permite a adaptação humana ao seu ambiente natural, que ela é grandemente variável e que se manifesta em instituições, padrões de pensamento e objetos materiais (SANTAELLA, 2006).

Importante citar que no contexto semiótico cultural as bases da cultura como informação tem um elemento-chave que é a memória, ou melhor, a memória não-hereditária que garante sua transmissão e conservação. A cultura, como já mencionamos, compreende uma determinada combinação de sistemas de signos, mas também o conjunto das mensagens que são realizadas numa língua ao longo da história. Explica a pesquisadora Irene Machado (2003) que traduzir certo setor da realidade em uma das línguas da cultura, transformá-la numa informação codificada, isto é, num texto, é o que introduz a informação na memória coletiva.

Definições de cultura estão distribuídas nos vários textos de Iuri Lotman, mas há uma que, certamente, traduz o nosso pensamento nesse momento da análise: “o conjunto de informações não hereditárias que as diversas coletividades da sociedade humana acumulam,

15 Transmutar diz respeito a transformar, portanto, codificar pressupondo descodificação e recodificação, o que

conservam e transmitem” (1979, p. 31). Ou seja, ao mesmo tempo em que é informação, cultura é também o meio pelo qual essa informação se conserva e se transmite.

Tal compreensão torna-se relevante para o olhar que teremos sobre o evento e a representação brasileira, que se dará na forma de texto. Tanto a Exposição de Xangai quanto aquelas que a antecederam podem ser compreendidas como um sistema de texto (com limites, estrutura e expressão), ou sistema semiótico gerador de sentidos, que segundo Bystrina (1995) preenchem uma função comunicativa, além de cumprirem funções estética, emotiva, expressiva e social. Também iremos, para efeito de estudo, analisar o Pavilhão do Brasil como um texto, que se comunicava com os demais Pavilhões (textos) inseridos na Exposição.

Nosso objetivo é evidenciar que leremos o objeto de pesquisa como um texto codificado e que recorreremos à semiótica da cultura na reconstrução dessa codificação. Também exploraremos a alteridade no discurso do Brasil. Para fundamentar e balizar essa parte da pesquisa nos apoiaremos nos autores citados e em outros estudiosos da Semiótica, bem como pesquisadores que, de alguma forma, aprimoraram o debate em torno dessa ciência e da concepção de alteridade.

Mas também nos permitiremos averiguar e nos amparar em autores de campos teóricos cujos conceitos ou temas debatidos, examinados e investigados tenhamos identificado como essenciais à ancoragem do exame que nos propomos fazer. Principalmente para a sua compreensão e localização dentro do universo histórico, político, econômico, cultural e geográfico necessário.

Construções plurais de pensamentos, no campo das ciências sociais, ajudam a investigar o objeto de pesquisa de forma mais segura e completa, tendo em vista que hoje qualquer análise requer a combinação de várias disciplinas, e que limites impostos às ciências sociais refletem muito mais movimentos de institucionalização do que exigências de natureza epistemológica (LOPES, 1999).

Consideramos, então, interpretar o uso discursivo de imagens16 em nosso estudo não apenas pelo lado da Semiótica da Cultura, mas também com base nos conceitos antropológicos de Durand. Nossa proposta é por em interseção esses dois campos teóricos com o intuito de obter uma análise mais abrangente do trabalho imagético realizado pelo Brasil em sua representação na China, cercado pelo imaginário que isto envolve.

16 A Comunicação não-verbal, referente ao uso de imagens imaginárias, reais e simbólicas, terá fundamental

importância neste trabalho, tendo em vista que o discurso imagético predominou na Exposição de Xangai, cenário de nossa pesquisa.

Nos estudos que apresentou (tese de doutorado) na obra As estruturas antropológicas do imaginário, e que seguem como referência há mais de 30 anos, Durand (1999) decifrou o imaginário como elemento comum ao pensamento humano e, portanto, questões relativas à sua significação e também concernentes ao símbolo não podem ser tratadas por apenas uma das ciências humanas, devem receber um tratamento antropológico, sendo analisadas em todas as camadas culturais propostas pela história, pela etnologia, pela linguística e outras áreas. Nossa abordagem não será tão ousada, mas encontramos espaço para unir a linha conceitual do pesquisador, discípulo de Gaston Bachelard e seguidor de Carl Jung, com o enfoque semiótico para imagem como representação visual e mental, tema investigado com abrangência pelos semioticistas Lucia Santaella e Winfried Noth no livro Imagem (1998). Lá está uma alusão sobre a ausência de tradição institucional de pesquisa ao campo da imagem: uma ciência da imagem. Por isso as investigações se distribuem por várias disciplinas.

Imagem, do latim imago, significa representação visual de um objeto; em grego corresponde ao termo eidos, que originou a palavra idea, cujo conceito foi desenvolvido por Platão (MARCONDES FILHO, 2009). Na antropologia do imaginário de Durand, imagem é símbolo e como tal constitui uma categoria especial: apresenta-se ora sob o aspecto psíquico, ora sob o aspecto material. Fenomenologicamente, Durand ressalva que imagem é consciência e, portanto, transcendente.

Na semiótica, imagem é meio de expressão da cultura humana e também se divide em dois domínios: representação visual (desenhos, pinturas, gravuras, fotografias, infográficos, ou signos que expressam o meio ambiente visual), e imaterialidade da mente (visões, fantasias, imaginações e outras representações mentais). E ambos estão ligados em sua origem.

Sendo real ou mental, imagem, sabe-se, não se explica por si própria, como a língua, que no seu caráter metalinguístico serve como meio de comunicação para se fazer entender. Imagem, contudo, só pode ser estudada pela imagem: mandamento de Bachelard que Durand se utiliza para ressaltar sua fidelidade materialista. Santaella e Nöth manifestam que uma teoria das imagens implicaria em uso de imagens, tão somente.

Saindo um pouco do campo conceitual, observamos que o intenso desenvolvimento tecnológico tem provocado uma abundância de imagens, suscitada, em parte, pela própria demanda da sociedade. Falta de tempo, excesso de curiosidade, desejo pelo oculto, anseio pela exposição, facilidade na transmissão de mensagens (no fazer-se entender), tecnologias

sedutoras, seja qual for a razão, ou a mistura delas, o fato é que as imagens alargam consistentemente seu espaço no cotidiano social. Durand fala em civilização da imagem e inflação de imagens, referindo-se ao século XX.

Mas antes de chegarem a esse nível prolífero, as imagens passaram, no Ocidente, por um processo de desafio, uma desconfiança iconoclasta, segundo Durand (1999). Nossa herança monoteísta proibia criar qualquer imagem substituta ao divino, aliada ao método socratiano da verdade, baseado na lógica binária, “a imagem, que não pode ser reduzida a um argumento verdadeiro ou falso, passa a ser desvalorizada, incerta e ambígua” (1999, p.10). Durand, em análise histórica que compõe a base de seu trabalho metalinguístico, refere-se a outros momentos do iconoclasmo ocidental que influenciaram a maneira como as imagens eram consideradas, julgadas. Nesse longo caminho sobressai-nos o momento vivido a partir do século XVII, quando o imaginário é excluído dos processos intelectuais devido à invasão da ciência em todas as áreas de pesquisa em busca do verdadeiro saber, apregoado por Descartes. O pensamento cientificista e materialista classifica o imaginário como ilusão ou fantasia que se opõe ao verdadeiro conhecimento. Inserida nesse processo, a imagem passa a ser, então, produto de uma “casa de loucos” (DURAND, 1999), ficando restrita ao mundo dos pregadores, poetas e pintores. Um erro, no entender de Durand.

No entanto, essa visão que reduziu a participação do imaginário nos estudos filosóficos e epistemológicos impulsionou o progresso técnico e colaborou para que o domínio do poder material se fizesse sobre civilizações não ocidentais. Na confluência da corrente do iconoclasmo ocidental e do papel cognitivo da imagem (forte apelo religioso), avança Durand em seu relato, irrompe a denominada revolução do vídeo que ele atribui ao iconoclasmo técnico-científico, começando na descoberta da imagem fotográfica, primeiro em preto e branco e depois em cores, passando pela animação da imagem e pela descoberta da onda eletromagnética, que permitirá a inesperada explosão da comunicação e difusão das imagens, principalmente no campo do puro entretenimento, que ele chama de campo do “distrair”. Todavia, lembra Durand, as difusoras de imagens (a mídia, basicamente) encontram-se em todos os níveis de representação.

A imagem mediática está presente desde o berço até o túmulo, ditando as intenções de produtores anônimos ou ocultos: no despertar pedagógico da criança, nas escolhas econômicas e profissionais do adolescente, nas escolhas tipológicas (a aparência) de cada pessoa, até nos usos e costumes públicos ou privados, às vezes como “informação”, às vezes velando a ideologia de uma “propaganda”, e noutras escondendo-se atrás de uma “publicidade” sedutora... A importância da

“manipulação icônica” (relativa à imagem) todavia não inquieta. No entanto é dela que dependem todas as outras valorizações - das “manipulações genéticas”, inclusive (2004, p. 34).

Santaella e Nöth adicionam um aspecto importante à história da imagem e à interpretação do tema. Observam que após o século XVII, a vaga noção de imagem foi gradualmente substituindo as figuras de linguagem. No Romantismo o salto é maior, quando as imagens pictóricas (verbais e mentais) se sobressaem em meio à predominância da imaginação. Até que no Modernismo o poema inteiro ou texto passa a ser considerado como uma imagem estruturada, “[...] um complexo intelectual e emocional num instante de tempo” (SANTAELLA e NÖTH, 1998, p. 67).

Revela-se interessante perceber o objeto de análise em sua estrutura completa, para então examiná-lo em suas diversas partes. O Pavilhão do Brasil constituiu, sem dúvida, uma representação única, na união de todos os seus espaços: da fachada verde a amarela – referência às cores da bandeira e aos campos floridos e bosques cheios de vida, ao sol da liberdade e do novo mundo – ao ambiente interno com cenas do cotidiano festivo e esportivo, embaladas pela musicalidade ritmada e enaltecida mundo afora. Imagens que povoam, sem dúvida, o imaginário do país. Imaginário que para Durand (2002) é a faculdade de operacionalizar a imaginação, ou seja, é a capacidade de perceber, criar e reproduzir fatos reais em imagens.

O conceito de Durand, notamos, contrapõe-se a outros, visto a complexidade do tema, a multiplicidade de métodos de estudo e a inexistência de uma teoria única. Mas é fato que o estudo do imaginário há muito saiu do campo das belas-artes e passou para o campo dos estudos sociais aplicados, reconhecida a sua universalidade.

Para o imaginário, símbolo está ligado a imagens e, por conseguinte, remete a um significado abstrato, que representa algo desconhecido. “[...] possui algo mais que um sentido artificialmente dado e detém um essencial e espontâneo poder de repercussão” (BACHELARD, 1957, p. 6 apud DURAND 2002, p.31).

No campo semiótico, símbolo se define como um signo que se refere ao objeto evidenciado, ou com o qual se relaciona. Há uma associação mental entre o objeto representado e o símbolo que o representa. Essa agregação de ideias refere-se a um valor, uma tradição, um hábito ou lei adquirida, que permite ao símbolo ter uma função designadora. Representar algo diferente dele.

Chama atenção aquilo que Harry Pross assinala sobre o fato de o homem não ter uma relação imediata com a realidade, pois essa relação é experimentada somente através dos signos. “A realidade virgem parece fugir à medida que se faz mais maduro o pensar e atuar simbólico do homem” (PROSS, 1980, p. 24). Outra inferência interessante de Pross refere-se às três funções dos símbolos: de organizar o mundo circundante do homem por meio do pensamento, de canalizar sentimentos e de estimular ações.

É esse sentido da atuação do símbolo que queremos examinar a partir da representação do Brasil.

1.4 METODOLOGIA

Para contextualizar o procedimento metodológico é importante apontar alguns limites que nortearão nossa pesquisa e, consequentemente, o entendimento da amplitude da abordagem. O primeiro ponto a ser observado recai sobre o fato de estarmos avaliando um momento pretérito, que baliza a nossa análise a documentos descritivos de tal momento. Nos interessa, portanto, a história sob o ponto de vista do contexto em que se encontra o objeto de estudo. E, lógico, sob o entendimento teórico e analítico dos diversos conceitos que sustentarão a nossa abordagem. Principalmente, como citado anteriormente, o aspecto dialógico entre interculturalidade e globalização, e globalização e o Outro, que para nós é o estrangeiro, ou a outra cultura: aquela distante, que se mantém cativa no imaginário – seja porque se encontra presa pela falta de informação que encarcera o conhecimento, seja pela sedução que o universo da imaginação exerce.

Todavia, o presente (o tempo atual) também é fator relevante neste trabalho. Pois é nele que nos debruçaremos para propor um olhar sobre o aprisionamento que o distanciamento cultural nos impõe, colocando-nos refém do discurso empobrecido pelo estereótipo, que vive no imaginário e lá encontra espaço para crescer.

Para construir a metodologia de análise do estudo proposto, combinaremos pesquisa documental, análise de conteúdo – que nos proporcionará um método quantitativo para analisar o teor de jornais – e análise de imagem, utilizando o campo da Semiótica da Cultura e o imaginário descrito e estudado por Gilbert Durand.

Conforme aqui citado, a Exposição Universal de Xangai aconteceu entre maio e outubro de 2010, um total de 184 dias, sob a coordenação do Bureau International des

Expositions (BIE). Importante, pois, esclarecer que as Exposições Universais constituem-se

em eventos coordenados por uma organização intergovernamental e realizados por governos nacionais, que se responsabilizam pelo cumprimento das regras de execução indicadas por essa instituição. O Estado que deseja acolher uma Exposição deve apresentar a sua candidatura ao BIE, mencionando o tema proposto, bem como a data, a duração, o estatuto jurídico e a garantia de apoio público, caso o Governo não seja o responsável direto. Há, ainda, outros deveres, como a indicação da área, das metas e de garantias financeiras.

Baseado nas colocações acima, reconhecemos que a pesquisa documental, baseada em registros públicos, viabilizará um levantamento cuidadoso de dados. São documentos oficiais que revelam uma face da história – classificados como documentos de primeira mão, sem tratamento analítico (GIL, 1991). Usaremos também documentos secundários, descritivos, que adjetivam propostas, ações e frutos de realizações.

Não iremos, todavia, limitar nossa pesquisa a fontes primárias e secundárias. Faremos uma averiguação de informações em jornais chineses que disponibilizam conteúdo em língua inglesa – mais especificamente os diários China Daily e People’s Daily. O primeiro é um jornal produzido em inglês na China, com tiragem de 200.000 unidades/dia e circulação nacional. O impresso foi parceiro oficial do evento, realizando uma ampla cobertura diária. Produziu um site17 dedicado à Exposição e às suas atividades. O segundo é o jornal oficial do Comitê Central do Partido Comunista Chinês e tem uma circulação de 2,4 milhões de exemplares/dia, conforme dados de 2010, situando-se entre os 10 periódicos com maior circulação no mundo. Desde 1998 possui uma versão online (reduzida) em inglês, expondo traduções das principais matérias produzidas pela versão original em mandarim, principalmente de resoluções e declarações do Governo chinês.

Justificamos tais opções também pela barreira idiomática – todo e qualquer documento em mandarim necessitaria tradução – e pela notória censura imposta aos periódicos publicados em mandarim, pelo Governo chinês, o que poderia impactar em nossa pesquisa.

Ressaltamos que todas estas fontes bibliográficas serão de fundamental importância, não reduzindo a acuidade do levantamento de dados – não executados durante o evento –, e nem o aspecto científico da observação, uma vez que resgataremos, numa livre abordagem