3. BESKRIVELSE AV ARBEIDSMETODER OG LEDERVERKTØY
3.3 H ANDLINGSPLANEN OG VERKTØYET ” KRITISK VENN ”
Antes de discorrer sobre as ações e os projetos implementados pela China para transpor suas próprias barreiras políticas, e reflexivamente econômicas, e integrar-se ao processo de globalização, destacamos que tal processo não é um paradigma científico ou um modelo de desenvolvimento, mas um movimento histórico, sob o qual não há como ficar alheio ou indiferente (CANCLINI, 2010). Alguns autores do tema, como Jean Chesneaux (1995) e Immanuel M. Wallerstein (2000), acreditam que este movimento, considerado como a era da transição (age of transition) teve início no século XV quando começou a expansão capitalista. Todavia, não há uma data considerada marco para o início da globalização e tanto o antropólogo argentino Nestor Garcia Canclini quanto o sociólogo brasileiro Octavio Ianni (2010) percebem-na como uma etapa histórica, cujas estatísticas macrossociais indicam a sua configuração a partir do século XX: o grande momento de transformação da sociedade (ou formação), quando a globalização se coloca em expansão.
E foi ao final do século XX que a China começou a sua ascensão econômica bem além dos 22,8 mil quilômetros quadrados territoriais. Mais precisamente, a partir de 1978, por meio das reformas realizadas por Deng Xiaoping43.
Nesse período, final dos anos 70 e início dos anos 80, os chamados Tigres Asiáticos se erguiam aos olhos do mundo44. Era um período que anunciava o fim da Guerra Fria, época marcada pela modificação do sistema internacional em decorrência do aumento do poder econômico e político dos Estados Unidos. O crescimento financeiro e a prosperidade pelos quais passavam essas sociedades asiáticas despertaram a curiosidade da elite ocidental, cujo conhecimento sobre aquele lado do Globo se pautava por personagens históricos da região, como Gêngis Khan, ou exploradores que revelaram aquele território, como Marco Pólo, ou
43 Com a morte de Mao Tse Tung em setembro de 1976, abriu-se o caminho para que Deng Xiaoping
reassumisse as funções de Vice-Primeiro Ministro em 1977 – na ocasião ele já ocupava a vice-presidência do Partido Comunista Chinês (PCC) e a chefia do Estado-Maior das Forças Armadas – e, em 1978, assumisse o comando da China. Em dezembro daquele ano, na reunião do 11º Congresso do PCC, Deng viu aprovadas as medidas que dariam início às reformas que mudariam a face econômica do país.
44 Canclini (2010) menciona que os Tigres Asiáticos funcionaram como modelo de desenvolvimento econômico
para o Ocidente até a crise dos anos 90. Ianni (2010) destaca o bloco de países pela contemporaneidade na adoção de um modelo de industrialização voltado para a exportação.
ainda pelas lutas marciais, cujo ator Jackie Chan consagrou com sua atuação em filmes de Hollywood. Contribuem, ainda, para a formação desse imaginário sobre a Ásia, épicos históricos do cinema como O Expresso de Xangai (1932) e diretores como Akira Kurosawa.
A falta de informação mais qualificada, ou minuciosa, obstou o entendimento sobre o potencial econômico dessas sociedades, que apresentavam baixa inflação e baixo déficit público, além de foco no capitalismo transnacionalizado45. Assim, a nova versão (ou versão mais realista) dos Tigres ainda levaria algum tempo para ser compreendida.
A Coreia da Sul expôs mundialmente o que continha dentro de suas fronteiras ao sediar as Olimpíadas em 1988. Na ocasião, os meios de comunicação de massa do Ocidente começaram a enxergá-la não somente pelas suas diferenças culturais, mas também pelo vigor econômico. Os demais Tigres, que na década de 80 aprimoraram a sua tecnologia na produção de televisores, videocassetes, computadores e eletroeletrônicos diversos, ganharam espaço nos países ocidentais por apresentarem melhor qualidade e preços competitivos. Iniciaram, ali, uma ação de conquista de mercados que prossegue ativa no aspecto comercial.
Tal processo de emancipação mercantil das nações orientais revelou-se oportuno para a economia da região, pois intensificou a expansão das relações com a Ásia. Relações que, naquele momento, ganhavam solidez (exceto pelo Japão, que já integrava, desde a década de 70, o grupo das nações mais industrializadas e prósperas economicamente). Canclini (2010) cita que a globalização no século XX favoreceu o crescimento das redes econômicas e culturais, estimulou a desterritorialização da produção de bens e mensagens. Gerou, ainda, um movimento transfronteiriço de tecnologias, finanças, produtos e pessoas, motivou a aquisição de imaginários culturais46.
Acrescentamos avaliação dos economistas Jeffrey Sachs e Felipe Larraín (2002) sobre o aumento do comércio entre países decorrente do processo de globalização. Ambos observam que o estímulo do comércio entre blocos de nações deriva do progresso tecnológico e das telecomunicações, bem como do barateamento dos transportes de bens. Em seus estudos, os professores Sachs e Larraín verificaram que na década de 70 tais obstáculos começam a se dissipar, e nos anos 90 praticamente desaparecem. No intermédio desses dois
45 Transnacionalizado se traduz por “industrialização orientada para a exportação”. (IANNI, 2000, Estud. av. vol.
14 no. 40. São Paulo Sept./Dec. 2000).
46 As construções imaginárias contribuem para a existência de sociedades locais e regionais e, também, para a
organização e disposição da globalização, pois tornam factíveis as trocas de bens materiais entre países, bem como de mensagens co-produzidas por várias nacionalidades (CANCLINI, 2010).
períodos houve a importante resolução, por parte de países menos desenvolvidos e daqueles socialistas, de eliminar o protecionismo e abraçar as reformas de mercado.
Enfim, destacamos Ianni cujo entendimento é de que o mundo se torna cenário para a internacionalização do capital após a Segunda Guerra Mundial. Há uma dispersão geográfica do processo produtivo, aliada a uma nova divisão internacional do trabalho, concretizando a globalização do capitalismo. Uma situação que o sociólogo resume da seguinte forma: “A dinâmica do capital, sob todas as suas formas, rompe ou ultrapassa fronteiras geográficas, regimes políticos, culturas e civilizações” (2010, p. 58).
O quadro descrito compunha o panorama dos anos 80, quando a China ainda não havia emergido em todo o seu recente esplendor econômico. No início da década de 90, entretanto, o país já se torna ‘visível’ ao mundo em conseqüência de uma produção industrial febril e uma dicotomia incomum: o poder político no país é exercido pelo Partido Comunista que opta, formalmente, por uma economia (capitalista) de mercado47. Ao isentar de impostos os investimentos estrangeiros, a China estrutura o setor industrial, principalmente na região sul de seu território, e começa um processo de extraordinário crescimento econômico (Quadro 2).
E se os produtos de consumo fabricados na China passam a trilhar caminhos diversos – hoje o país detém quase 10% das exportações mundiais – e em todas as direções do Globo, os códigos culturais chineses, isto é, codificações visuais, sonoras, audiovisuais, gestuais, entre outras, não ficam desprezadas. Percorrem as mesmas vias, com um expressivo apoio do Estado, pois também são exportadas junto com os bens materiais e imateriais. Canclini (2010) preconiza que a globalização intensificou dependências recíprocas, provocadas pelo crescimento das redes econômicas e culturais que atuam em escala mundial.
Quadro 2 – Principais números da economia chinesa
Fatos apresentados à mídia Registro numérico – textual
Taxa média anual de crescimento econômico desde 1970 a 2011 10%
PIB 2011 2º país no ranking mundial – US$ 7,46 trilhões
Corrente de comércio 2011 1º país no ranking mundial – US$ 3, 6 trilhões
Reserva internacionais 2011 1o país no ranking mundial – US$ 3,18 trilhões
População 2011 1,347 bilhão, 51,27% urbana
Fonte: Agência Nacional de Estatística Chinesa, Banco Popular da China
47 “Devemos intensificar ainda mais a ação das forças de mercado”, cita documento aprovado e divulgado após a
14ª reunião do Partido Comunista Chinês em 1992, indicando o início de uma era com transformações ainda mais fortes e tendentes ao capitalismo. Revista Veja, no 1258, São Paulo, p. 38, 21 out. 1992.
Torna-se evidente que os canais que alimentam o processo de globalização econômica servem convenientemente para a China exteriorizar, de forma massiva, os seus cultuados símbolos de poder, como as grandes construções que transpõem séculos, exemplos na Grande Muralha e na Cidade Proibida, ou o poder absoluto do Partido Comunista sobre a sociedade de 1,3 bilhão de habitantes, ou ainda o culto a cinco mil anos de história. Importante ressaltar que no âmbito da nossa abordagem, símbolo é dotado de um espontâneo poder de repercussão, indo além do exclusivo sentido artificial (DURAND, 2002).
No início dos anos 90 a China intensifica suas reformas iniciadas em 1978, quando Deng Xiaoping, de volta ao poder, coloca em prática um plano de modernização que englobava eletricidade nas áreas rurais, automação industrial, nova perspectiva econômica e investimento militar. Tais iniciativas indicam ao mundo que o país desponta como potência econômica emergente, e funcionam como um contraponto a acontecimentos internos de repressão política, externados e criticados pela mídia, cujo ápice se deu em 1989: o incidente na Avenida da Paz Eterna48, logo após a belicosa reprimenda à manifestação da Praça da Paz Celestial49, que incita condenações da comunidade internacional ao governo comunista chinês.
Nos anos 2000, já com uma economia em intensa expansão, o Governo institui a política Going Global, por meio da qual promove a internacionalização de suas empresas e o aumento de investimentos no exterior, respondendo a processos econômicos e, também, atendendo objetivos de cunho geopolítico. Depois de investir na América do Norte, na Oceania e na própria Ásia, a China estende seus braços para a América Latina e a África. Nesse lado do mundo as motivações excedem a ordem econômica e transparecem interesses políticos. Em apenas dois séculos, a China passa a ser um significativo fator de influência, mas também se deixa influenciar50.
48 No dia 4 de junho de 1989 um chinês desconhecido, sozinho, impede a passagem de uma fila de tanques de
guerra que se dirigiam à Praça Tianamen. Ele se coloca de frente aos tanques, que interrompem seu trajeto. Sobe no veiculo da frente, que permanece parado. O homem acaba sendo retirado do local. As imagens daquele momento foram divulgadas globalmente e permanecem na memória coletiva.
49 Entre os dias 15 de abril e 4 de junho de 1989, estudantes e cidadãos se reúnem na Praça da Paz Celestial para
protestar contra o Governo, exigindo democracia. A manifestação foi repreendida pelo Governo, que mandou o exército para ao local. As imagens da ação dos militares foram divulgadas pelo mundo e tornaram-se conhecidas como o Massacre de Pequim.
50 Análise do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) das últimas três décadas da economia chinesa
descreve a política e o processo de internacionalização do país por meio de suas empresas. Pesquisa assinada por Luciana Acioly cita que “A presença das empresas chinesas no mundo, tanto em termos setoriais como
geográficos, mostra uma tendência à diversificação de seus negócios e a um ganho de experiência no
Cabe aqui buscarmos Bourdieu (1989) para avaliar a postura chinesa de construir, com base em uma ordenada estratégia econômica de expansão do seu espaço de atuação, novas relações de poder num mundo cujas forças econômicas e políticas estão definidas. Porém, iniciando uma era de grandes transformações.
Ao estruturar-se como um país apto a integrar o discurso econômico dominante, impondo a eficácia do seu próprio “discurso performativo51” (BOURDIEU, 1989), e dando à sua palavra o poder de arrogar novos limites desse discurso, a China subverte a ordem estabelecida globalmente e começa a trilhar um caminho para o qual arrasta desde os menos industrializados, até os mais influentes. Os símbolos chineses de poder se espalham nessa nova trajetória do país, seguindo a sucessão de acontecimentos globais. Líder regional, a China rompe as barreiras asiáticas e firma-se num caminho semelhante ao percorrido pela Inglaterra durante a Revolução Industrial, alterando conceitos de produção, de custo, de comercialização e de expansão.
Para entendermos esse processo vivido pela China, recorremos à descrição de Bourdieu sobre a extensão do poder simbólico como
[...] poder de constituir o dado pela enunciação, de fazer ver e fazer crer, de confirmar ou de transformar a visão do mundo e, deste modo, a ação sobre o mundo, portanto o mundo; poder quase mágico que permite obter o equivalente daquilo que é obtido pela força (física ou econômica), graças ao efeito específico de mobilização, só se exerce se for reconhecido, quer dizer, ignorado como arbitrário (1989, p. 14).
E o reconhecimento ao discurso de modernização socialista, com investimentos em programas de fomento agrícola, industrial, tecnológico e científico, foi o que buscou o Governo chinês para conquistar espaço no rol dos países industrializados e nas instâncias político-decisórias de nível global. Para isso, precisou abrir o país, deixando entrar o capital estrangeiro e, com ele, indústrias, cientistas, técnicos e acadêmicos, turistas; enfim, o conhecimento necessário para colocar em prática o discurso que proclamava, inicialmente, para os seus cidadãos, mas que deixava aflorar internacionalmente.
posição do país na produção mundial e em seu papel político frente a outras nações”. Comunicado IPEA no 84, 6
abr. 2011. Disponível em:
<http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=7903&Itemid=4>. Acesso em: 5 set. 2011.
51 Bourdieu concebe o discurso performativo como aquele que manifesta o que pretende no próprio ato de sua
Modernizar-se, adaptar-se e, por conseguinte, inserir-se no mundo globalizado e integrado comercialmente e culturalmente foi a meta pragmática que a China adotou, conferida em artigo assinado pelo vice-presidente da Comissão de Assuntos Exteriores da Conferência Político Consultiva do Povo Chinês, uma instância que assessora o Governo central, e decano da Escola de Jornalismo e Comunicação da Universidade Renmin da China, Zhao Qizheng.
Atualmente, o desenvolvimento de qualquer país não é determinado somente por suas condições nacionais, mas também pelas circunstâncias globais. Para ajudar o mundo a entender genuinamente a China, um país em desenvolvimento com uma população de 1,3 bilhão de pessoas, não podemos simplesmente esperar por uma cobertura justa e imparcial da mídia ocidental. As habilidades de comunicação de cada chinês são ferramentas importantes para ajudar o mundo a compreender a nossa Nação (QIZHENG, 2010).
Ele escreveu este texto por ocasião da Exposição Universal de Xangai, em 2010. Citou que o evento era uma oportunidade única para a China se mostrar ao mundo em toda a sua extensão e ser melhor compreendida – uma visão que predominou o pensamento chinês ao buscar eventos midiáticos para se expor mais abertamente. Entretanto, era necessário contar com o apoio dos cidadãos, até pouco tempo atrás preservados da convivência direta com o ambiente externo. Cada um, obviamente, teria um papel a desempenhar no projeto que o país colocava em prática de se desvendar a visitantes estrangeiros52.
Essa é uma questão importante captada por Kellner (2001) ao avaliar que o espaço de produção cultural da mídia reflete a disputa de interesses, posições políticas, valores e outros pontos. Transcodifica discursos políticos para desvendar a disputa de poder entre classes, etnias e nações. É, portanto, um espaço pronto a ser ocupado.
Por isso, foram enfáticas as manifestações oficiais com o intuito de atrair a benevolência da sociedade e tê-la como parte integrante da disseminação do discurso. Na abertura dos Jogos Olímpicos, em agosto de 2008, o presidente da China, Hu Jintao, exaltou que o país realizava um sonho secular: o de abrigar as competições.
No discurso oficial de abertura da Exposição de Xangai proferido também por Hu Jintao, na noite de 30 de abril de 2010, bem como no site oficial do evento, torna-se perceptível a forma como a China, simbolicamente, apresenta-se incorporada ao mundo
52 Em 2010 a China aparece como o terceiro país no ranking dos mais visitados no mundo, com 55,7 milhões de
turistas, perdendo apenas para França e Estados Unidos, primeiro e segundo lugares, respectivamente. Os dados são da Organização Mundial de Turismo (UNWTO, na sigla em inglês). Disponível em:
contemporâneo e visualizando possibilidades de liderar uma nova era econômica, política e social. Para isso, as palavras e/ou termos utilizados em vários momentos refletiram a posição privilegiada de economia emergente, bem como de país comprometido com reformas, e de “civilização antiga53”. Vejamos exemplos:
Não há dúvida de que os chineses apresentarão ao mundo uma Exposição exitosa, esplêndida e inesquecível. [...] A Exposição Mundial será uma ponte entre a China e o mundo. [...] Como a primeira Exposição Universal sediada por um país em desenvolvimento, a Exposição de Xangai será uma oportunidade para a China e também para o mundo. [...] A China apresentará ao mundo um país com 5.000 anos de história, que desfruta um acelerado desenvolvimento e mudanças oriundas da abertura e das reformas adotadas. [...] O país permanecerá comprometido com o caminho do desenvolvimento pacífico e uma estratégia vencedora de abertura (JINTAO, 2010).
Esta será a primeira Exposição Universal registrada em um país em desenvolvimento, o que expressa as expectativas mundiais em relação ao futuro desenvolvimento da China (EXPO SHANGHAI, 2010).
É manifesto que a ascensão chinesa provoca mudanças estruturais no sistema global. Apesar dos 5.000 anos de história, a China só foi descoberta pelos europeus no século XVI, mostrando um pluralismo humano (ANDERSON, 2008), e daquilo que se vincula a ele: língua, genealogia, geografia global etc.
A influência da China no destino global se tornou mais evidente após a crise financeira de 2008, momento em que possibilidades surgiram para novas nações na hierarquia mundial. São claros os sinais de decadência da Europa, provocando uma multicentralização dos eixos de poder e de transformação. Países de economia emergente, como China, Brasil, Rússia e Índia, assumem responsabilidades na condução econômica e política global.
De certa forma, a China passa hoje por um momento como o que a Inglaterra viveu na primeira revolução industrial alterando a divisão internacional do trabalho. Com sua altíssima produtividade, fabricação em série numa escala imbatível e, consequentemente, preços baixíssimos, transforma a economia, as relações sociais e a paisagem geográfica de poder. Não inventou a máquina a vapor do século XXI, mas segue derramando recursos financeiros pelo mundo na exploração de matéria prima, na exportação de produtos e na instalação de suas fábricas em regiões relativamente livres do domínio europeu. Não por acaso a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, após um intenso trabalho do
53 Em inglês o termo “ancient” (antigo), utilizado nos discursos para referenciar a China, tem uma conotação
político e então primeiro ministro Zhu Rhongji, um admirador de Margaret Thatcher (1979 – 1990), primeira ministra inglesa54.
Ao produzir o seu discurso, o Governo se apóia no poder invisível do simbólico que, de acordo com Bourdieu, “[...] só pode ser exercido com a cumplicidade daqueles que não querem saber que lhe estão sujeitos ou mesmo que o exercem” (1989, p. 8). Para o sociólogo, os sistemas simbólicos, como instrumentos de comunicação e de conhecimento, têm o poder de interferir na construção da realidade, criando um sentido social e a anuência entre atores.
Por isso, como iremos abordar mais claramente, os símbolos estavam obviamente presentes no desenho, na preparação e na montagem da Exposição Universal de Xangai, último evento internacional de grande porte organizado na China e que serviu de plataforma para o país promover os seus valores.