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3. BESKRIVELSE AV ARBEIDSMETODER OG LEDERVERKTØY

3.1 G RUPPEETABLERING

As exposições da era industrial, que aconteciam desde fins do século XVIII na Europa, eram patrocinadas por instituições representativas do segmento industrial e ganhavam todo o apoio dos governos. Promoviam os benefícios do livre comércio e buscavam chamar a atenção dos empreendedores sobre novas matérias-primas, bem como sobre o progresso do design industrial. Havia, também, o interesse em educar a população a respeito dos avanços tecnológicos e seus benefícios. O objetivo (não declarado) era instruir o público, a fim de influenciar a sua forma de pensar; desenvolver na sociedade a mentalidade e o conceito capitalista de ser.

Retomemos aqui o sentido de nação, que nos séculos XIX e XX materializavam a face nacionalista do Estado, que queria uma sociedade educada e atenta ao seu desenvolvimento econômico – uma significativa contribuição para a soberania. Para clarificar essa colocação, vamos considerar o argumento de S. Hall (2006), cujo entendimento de nação é de um ente produtor de sentidos, exatamente por ser constituído por pessoas que comungam com a ideia do conjunto, ou do todo, tal como representado na cultura nacional. Ou ainda, como teoriza Anderson (2008) ao conceber nação como a capacidade dos indivíduos de se verem como um conjunto, partilhando os mesmo interesses e ambições, mesmo que cada um jamais possa conhecer a maioria de seus compatriotas. Ainda assim, se consideram companheiros de tal forma que permitiram a materialização de um sentimento fraterno tão forte que nos últimos

séculos despertou, em milhões de pessoas, a disposição de matar e morrer por uma nação, ou comunidade imaginada.

Encorajar esse sentimento era uma das razões das Exposições ao levar para fora das fábricas os avanços técnico-científicos representados pelas enormes máquinas fabris, pelas destilarias de petróleo, pelo dínamo elétrico e canhões de porte extraordinário, ou ainda pelos elevadores hidráulicos, entre outros itens. A ação sinalizava a composição tática da burguesia de fortalecer o campo científico, já percebido como fonte de poder.

Na Exposição de Londres, em 1851, a primeira conforme o calendário oficial do BIE, houve uma categorização das exibições em matérias-primas, máquinas, indústrias e artes. Entre as inovações apresentadas havia fotografia na seção francesa, máquina de costura, colheitadeira mecânica e revólveres na sessão americana, telégrafo e forno a gás na seção britânica.

Mas as estrelas desta Exposição foram o diamante Koh-i-noor (um dos mais famosos do mundo, que atualmente ornamenta uma coroa de propriedade da realeza britânica e especialmente confeccionada para a rainha-mãe), as joias da rainha da Espanha e uma fonte de cristal em que fluía água de colônia. Na mostra de máquinas podia-se assistir à transformação de matérias-primas (algodão) em artigos acabados (tecido). Também reservou- se espaço para montar uma gráfica com a impressão de jornais.

A Grande Exposição de Londres, assim como as Exposições que se seguiram, celebrou o nacionalismo e o império, enaltecendo os feitos da civilização europeia. Pretextos para realizá-las tinham, quase sempre, vínculo simbólico com datas nacionais: a Exposição do Centenário da Filadélfia, em 1876, comemorou os 100 anos da independência dos Estados Unidos, a Exposição Universal de Paris, em 1889, celebrou 100 anos da revolução francesa, e várias Exposições Internacionais também seguiram a receita. Isto é, uma pretensão de mostrar ao mundo a soberania da Europa e da “América”.

O historiador de arte Paul Greenhalgh, estudioso das Exposições, afirma que elas ofereceram oportunidade para que “[...] nações no ápice do desenvolvimento trombeteassem seu poder e sua capacidade de dominação, incluindo a subordinação de povos [...]” (1988, p. 3, tradução nossa).

Justo, então, inferir que as Exposições compuseram um novo canal de influência. Paralelamente aos museus públicos e às lojas de departamento, que surgiram ainda no século XVIII, impulsionadas pela revolução industrial e pelo consequente comércio em larga escala,

as Exposições Universais conceberam um novo modo de apresentação, cujo principal reflexo se fez junto à massa, que, influenciada pela cultura da classe média em gestação, se integrou ao projeto capitalista de progresso (BENNETT, 2005).

Logo, é também concebível afirmar que o objetivo de expor máquinas e processos industriais passava pelo propósito das nações europeias, notadamente, de unir desenvolvimento científico e progresso ao coletivo. Mas com qual finalidade? Encontramos em Edgar Morin (2002) a base para o nosso raciocínio. Segundo ele, uma cultura pode orientar e até domesticar o potencial (ou qualidade) humano por meio de normas, símbolos, mitos e imagens que penetram o indivíduo estruturando os estímulos e orientando as suas emoções. Ela “[...] fornece pontos de apoio imaginários à vida prática, pontos de apoio práticos à vida imaginária [...]” (MORIN, 2009, p. 15).

Para os governos e a elite europeia da época, instigar a cultura do nacionalismo através da identificação de signos de pertencimento, ou seja, da capacidade econômica, intelectual e científica da sociedade, era fundamental para incitar o desejo de domínio e de soberania. Nesse contexto, esclarecimento significava progresso, e progresso significava projetar os modos de vida da população a todos os cidadãos, tendo em vista alcançar a homogeneidade nacional. Tal homogeneidade se refletia em unificação cultural, histórica e patriótica, bases para a constituição de nação e do senso de participação (ou de cidadania).

Bennett, em pesquisas baseadas na teoria sócio-cultural, analisa as Exposições como o campo de poder das elites comerciais e culturais que, com a conivência do Estado, determinavam o que seria oferecido com o intuito de canalizar a mensagem para a inevitabilidade do progresso industrial. Em uma de suas publicações acadêmicas, Bennett (1988) cita que “[...] museus, galerias e, mais esporadicamente, exibições, desempenharam um papel fundamental na formação do Estado moderno e foram essenciais para a sua concepção [...]”. Desde o século XIX as nações desenvolvidas definiram tais espaços como prioritários no recebimento de recursos, uma vez que provaram sua influência cultural no recrutamento dos cidadãos. Exemplo disso, relata Bennett, está no fato de em 1850 o Museu Britânico ter recebido 720 mil visitantes e no ano seguinte, quando da Exposição Universal, o mesmo museu registrou a visita de 2,2 milhões de pessoas.

E tal progresso estava estreitamente vinculado ao sentido de modernização. De acordo com Ianni (2010), modernização é emblema de desenvolvimento, crescimento, evolução e progresso. Torna-se claro, pois, o papel simbólico desempenhado pelas Exposições Universais

na expansão dos padrões e valores ocidentais. “A tese da modernização do mundo leva consigo a tese de sua ocidentalização [...]. É uma tradução da idéia de que o capitalismo é um processo civilizatório não só “superior”, mas também mais ou menos inexorável” (IANNI, 2010, p. 99, grifo do autor).

A própria criação do BIE é um exemplo disso. Instituído pelos países que representavam a elite mundial do início do século XX, precedeu ao surgimento de outras instituições de representação mundial sob o domínio dos países europeus e dos Estados Unidos, como o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. Ambos compõem estruturas com poder financeiro e/ou político para organizar processos, definir regras de atuação, produzir informações e diretrizes em escala global.

Ainda no campo da atuação simbólica das Exposições, soma-se aos elevados custos empregados à sua realização e à complexa estrutura requerida, o brilhantismo de seus organizadores, apoiadores e visitantes. A de 1851, montada no Hyde Parque de Londres, entre os dias 1º de maio e 15 de outubro, sob a batuta do historiador Henry Cole e do príncipe Albert, marido da rainha Vitória, recebeu um público de 6 milhões de visitantes, entre eles algumas personalidades ilustres como Charles Darwin, Samuel Colt, Lewis Carroll e Mary Ann Evans29. O evento foi aberto pela rainha Vitória. Já a Exposição de 1889, realizada entre os dias 5 de maio e 31 de outubro no Campo de Marte em Paris, recebeu mais de 32 milhões de visitantes, com destaque para as presenças de Claude Debussy, o príncipe de Wales Edward VII, Edvard Munch, Paul Gauguin, Vincent van Gogh, Henry James e Thomas Edison30.

Além dos ilustres que compareceram ao evento em Paris, outro fato evidencia que a Exposição – realizada quase quatro décadas depois daquela considerada a primeira Universal – firmou a sua importância na história da humanidade: a construção da torre concebida pelo engenheiro Gustave Eiffel para o evento. Outras obras arquitetônicas se somaram à Torre Eiffel, como o Grande Domo, com sua cúpula de 60 metros, e os palácios das Belas Artes e das Artes Liberais, cada um com 230 metros de comprimento por 80 de largura. Thomas Edison apresentou o seu fonógrafo durante a Exposição.

29 Respectivamente, o cientista autor da Teoria da Evolução das Espécies, o industrial que inventou a peça

cilíndrica que armazena as balas do revólver e gira a cada disparo deixando-o pronto para um novo tiro, o poeta e romancista britânico autor do célebre livro Alice no país das maravilhas e a novelista inglesa que escrevia sob o pseudônimo de George Eliot.

30 Respectivamente, o compositor francês, o futuro rei da Inglaterra, o precursor do expressionismo alemão, o

pintor francês, o pintor holandês, o escritor norte-americano e o norte-americano criador da lâmpada elétrica, do gramofone, do cinescópio, do microfone, entre outras invenções.

Na de 1867, também em Paris, houve uma demonstração mais significativa de engenhocas inovadoras, como uma cadeira de balanço, membros artificiais e um elevador hidráulico que levava ao topo do edifício principal para uma visão do recinto da Exposição. Esta foi, também, a primeira a incorporar pavilhões nacionais. Desde então, tais espaços tentam espelhar características marcantes do país representado. Neste ano os austríacos montaram seus tradicionais chalés, os mexicanos e os egípcios ergueram cópias de seus templos, a Tunísia um palácio e o Japão uma clássica casa de bambu.

Em 1873, a Exposição de Viena introduziu novos tópicos, como os avanços da medicina e debates sobre as condições de vida das mulheres, tema este que ganhou amplitude nas Exposições da Filadélfia, em 1876, e na de Chicago, em 1893, que se dedicaram às conquistas das mulheres nas artes, ciências e humanidades31. Em tais momentos, a comunicação32 emergia como o processo social mais básico de produção e trocas simbólicas.

A de 1876 foi montada no Fairmount Park e o tema era Artes, Manufaturas e Produtos Rochosos e Minerais. Apesar do título, a grande atração do evento foi o Pavilhão das mulheres e o espaço erguido ao lado deste, cuja função era retratar um dia de atividades numa sala de aula, onde um grupo de crianças respondia aos ensinamentos com base nos métodos de Froebel33. Era, de fato, a primeira reprodução de um jardim de infância, com todas as suas características. Ainda contíguo a esta área havia um stand da Milton Bradley Company vendendo brinquedos infantis, material didático e cópias dos conjuntos de peças de Froebel, adquiridos pelas famílias curiosas em testar, em casa, com seus próprios filhos, os métodos do estudioso. A estrutura apresentada na Exposição indicava um novo paradigma que viria a surgir a respeito da educação infantil.

Importante citar que a Exposição da Filadélfia também se destacou por abrigar a demonstração pública da invenção de Alexander Bell. Uma atividade interativa foi proporcionada ao público presente, que podia executar chamadas telefônicas gratuitas e de longa distância, desde que os demais presentes pudessem ouvir a conversa na extensão.

31Em 1791 a revolucionária francesa Olímpia de Gouges escreveu a declaração dos direitos da mulher.

Proclamou que a mulher possuía direitos naturais iguais aos homens e que tinha o direito de participar, direta ou indiretamente, da formulação das leis e da política em geral. A declaração se tornou símbolo do feminismo racionalista e democrático que, na época, reivindicava igualdade política para ambos os gêneros.

32 Aqui no sentido de coletivizar, compartilhar, evidenciar.

33 O alemão Friedrich Froebel foi um dos primeiros educadores a considerar o início da infância como uma fase

decisiva na formação das pessoas - ideia posteriormente consagrada pela psicologia. Froebel foi fundador dos jardins-de-infância, destinado aos menores de 8 anos.

O evento foi aberto pelo presidente dos Estados Unidos, Ulysses Grant, e pelo imperador do Brasil, Dom Pedro II34. No Pavilhão brasileiro os visitantes conheceram o quadro A Primeira Missa no Brasil, de Victor Meirelles.

Retomando o ponto das descobertas científicas e como sua subsequente propagação foram percebidas como fonte de poder, destacamos Morin (2005) que ao propor uma discussão sobre ciência – em seus aspectos econômico, político e social –, observa a profunda modificação de seu papel na sociedade, que sai do campo marginal e filosófico do século XVII para entrar, a partir do século XVIII, no campo do controle econômico, exercido tanto pelos poderes do segmento privado (industriais) quanto público. Ambos, inclusive, provendo- a com recursos necessários ao seu desenvolvimento. Neste período da história, segundo o sociólogo e filósofo francês, a sociedade industrial passa a ser sinônimo de racionalidade. Um “racionalismo humanista” que se apresenta como “ideologia de emancipação e de progresso” (MORIN, 2005, p. 160). O avanço derivado desse racionalismo tem efeito direto sobre a propagação do imperialismo ocidental, ou da “racionalização do etnocentrismo ocidental” (MORIN, 2005, p. 165).

As Exposições realizadas no século XIX e a primeira do século XX – Londres, Paris, Viena, Barcelona e Chicago – buscaram marcar um tempo de paz internacional e de avanços nos sistemas de saneamento e de habitação para as classes trabalhadoras, enfatizando a melhoria na qualidade da vida cotidiana da população, um tema que se tornaria proeminente em exposições posteriores35.