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konsekvensutredning fase 2

In document * KONSEKVENSUTREDNING FASE 1 (sider 107-121)

A partir do que já foi analisado até o momento é perceptível a marca das relações de gênero na vida das jovens participantes desta pesquisa. Isso vai se acentuar mais ainda a partir de determinados eventos/situações, como: a gravidez na adolescência; o exercício da maternidade/paternidade; a relação entre vida pública e vida privada; o mundo do trabalho e a escolha dos tipos de atividades e outras questões cotidianas. No Capítulo III se chamou atenção para como a teorização de gênero tem contribuído para a discussão dessas relações na sociedade em geral, no campo da educação e do currículo.

Com base nas reflexões que venho fazendo, assevero, mais uma vez, que a categoria relacional analítica gênero nos ajuda na compreensão de como as relações entre mulheres e homens, homens e homens e mulheres e mulheres são relações de poder que, em função da estruturação social androcêntrica e machista, se expressam mais na direção da desigualdade, do que da equidade e da justiça, o que no âmbito desta pesquisa se revela nos eventos supracitados, com ônus maior para as jovens entrevistadas.

Todavia, tomando como suporte a terceira precaução metodológica de que fala Foucault (1979), cabe destacar que o poder não é “um fenômeno de dominação maciço e homogêneo de um indivíduo sobre os outros” (FOUCAULT, 1979, p. 103). Portanto, as

64 Para Giddens o amor confluente “é um amor ativo, contingente, e por isso entra em choque com as categorias ‘para sempre’ e ‘único’” (p. 72), que fundamental o amor romântico, cuja meta final é a “pessoa especial”. De

acordo com o autor, o que é especial no amor confluente é “igualdade na doação e no recebimento emocional” (GIDDENS, 1993, p.73).

relações entre homens e mulheres são relações em que ambas as partes possuem poder e o utilizam conforme a situação em que se encontram.

O que significa, mais uma vez, dizer que:

O poder deve ser analisado como algo que circula, ou melhor, como algo que só funciona em cadeia. Nunca está localizado aqui ou ali, nunca está nas mãos de alguns, nunca é apropriado como uma riqueza ou um bem. O poder funciona e se exerce em rede. Nas suas malhas os indivíduos não só circulam, mas estão sempre em posição de exercer este poder e de sofrer sua ação; nunca são o alvo inerte ou consentido do poder, são sempre centros de transmissão. Em outros termos, o poder não se aplica aos indivíduos, passa por eles (FOUCAULT, 1979, p. 103).

Dessa maneira, tomando como referência essa noção de poder, afirma-se que é através do jogo de gênero que as relações entre homens e mulheres se estabelecem. No exercício desse jogo são as situações, os contextos em que se inserem e os diferentes aspectos a elas relacionados que vão determinar como as personagens (mulheres e homens) conduzem as condições em que se encontram envolvidas. Por exemplo, no tópico relacionado às estruturas familiares, algumas jovens registraram as condutas de suas mães diante das situações de violência a que estavam submetidas. Nas reflexões a seguir apresento a configuração dessas relações no cotidiano das jovens, começando com a chegada do primeiro filho.

Assim, a vivência da gravidez na adolescência é uma experiência única que vai marcar de forma diferenciada a vida de cada jovem, em alguns casos, acirrando a desigualdade das relações de gênero. A maioria das participantes deste estudo começou sua vida sexual no início da adolescência e engravidou aos 15 ou 16 anos. Ao falar de sua história Paloma

contou que quando sua mãe soube que ela não era mais virgem ameaçou colocá-la para fora de casa. Então, ela resolveu pedir ao namorado que conseguisse um lugarzinho para eles morarem. De acordo com seu relato, a relação que era eivada por brigas e ciúmes adolescentes piorou depois do nascimento do filho.

Aí depois... é... a gente se mudou. Aí eu mudava o meu jeito de ser, meu comportamento, minha roupa, tudo. Tudo mudava. E ele não aceitava. Ele também mudou muito, com o cuidado dentro de casa, não me respeitava direito e eu, também, não levo desaforo de ninguém, de ninguém. Aí do jeito que ele dizia coisa comigo, eu também dizia. Aí um dia a gente acabou se separando (...) porque as diferenças foram muito grandes.

Assim como Paloma, Anita identificou que a chegada do filho/a foi um divisor de águas na convivência com seu marido. Ao se queixar da sua relação e das ausências do companheiro no cuidado com a família desabafou:

Porque ele não era assim, a gente saia junto pra tudo que era canto, ele me levava, a gente conversava, a gente tinha um diálogo, um ajudava o outro. Aí depois que o menino nasceu, quando o menino completou seis mês, ele começou. Não me ajudava com o menino, não quer sair, diz que não pode, que o menino é pequeno. O menino já cresceu, não sai porque é muita gente e acontece isso e tem bala e tem não sei o quê. Nunca tem um dia assim só pra família, entendeu?

Fonte: Entrevista Individual Anita.

Apesar de não reflexionarem mais profundamente sobre as possíveis desigualdades do início da relação, Anita e Paloma sentiram a desigualdade que marcava suas relações apenas com a chegada dos filhos, momento em que veio uma sobrecarga de trabalho, o que foi confirmado a partir das suas rotinas. No seu estudo Dias (2005, p. 170) diz que ao falarem das funções parentais “moças e rapazes vislumbram um envolvimento mais igualitário acerca das atribuições na criação dos filhos”, o que não se confirma nesta pesquisa.

Entretanto, como diz Franch (2008), no terreno das práticas cotidianas cuidar e prover são dimensões que separam os universos feminino e masculino e isto é bem demarcado nas falas de Marcos. O universo doméstico e reprodutivo permanece como domínio feminino. Todavia, algumas mulheres desta pesquisa, em função da própria condição de precarização do trabalho do marido, assumem sozinhas as dimensões produtivas e reprodutivas.

Na Tabela 6 apresento o número de filhos por jovem e na Tabela 7 é possível se ter uma visão geral da idade da primeira gravidez e paternidade. Percebe-se que 27 jovens declarou ter filhos/as, destas a maioria permanece com apenas uma criança. Este quadro é reflexionado a seguir a partir da contribuição de autores como Aquino et al (2006) e Bonzon (2006), que investigam a temática da gravidez na adolescência.

Tabela 06 – Número de Filhos/as Tabela 07 – Idade 1ª Gestação/Pai/Mãe

Sim – um 16 1 13 anos abaixo 1

Sim – dois 7 14 a 16 anos 14

Sim – três ou mais 3 17 a 19 anos 6

20 anos acima 7 1

Ainda observando a Tabela 6 nota-se que a quantidade de jovens que têm duas ou três crianças é pequena. O grupo com três filhos é o menor, as jovens que estão nele têm filhos de diferentes relacionamentos. Esta informação foi confirmada em conversas no núcleo e a partir de suas rotinas ou, ainda, em momentos como festa das mães e dia dos pais que a escola segue afirmando, apesar da diversidade familiar que por ela transita.

As idades reveladas na tabela 7 e o discurso da maioria do grupo sobre a primeira gravidez confirmam as análises de Bozon e Heilborn (2006), de que quase não existe diálogo sobre proteção/contracepção entre parceiros jovens na entrada da vida sexual. Segundo o autor, este indicador mostra uma prática espontaneísta e pouco reflexiva da sexualidade, conduta que se reforça em estereótipos de gênero e na ocorrência de gravidez não prevista, o que é confirmado pelos discursos de algumas jovens:

Cida - Quando eu engravidei da menina, pra ele foi um choque (...). Ele ficou muito triste porque com cinco meses eu engravidei, né, de casado. Ele sempre teve medo de eu engravidar, fui nessa tal de tabela, né. Por curiosidade, por fazer sem camisinha, aí eu disse a ele: “Ó, eu aprendi uma tabela!”. (...) Aí, a primeira vez eu engravidei, mulher.

Luana – Foi difícil, que meu pai não aceitou. Eu nova, grávida, com dezessete anos e eu não sabia... (...), eu não sabia tomar conta de um bebê. Ruth – Com quinze anos. Foi. Eu tive pré-eclâmpsia.

Paloma - F – Ah, a gente se conheceu, assim de repente. Minha mãe não queria que eu namorasse aos meus catorze anos, por aí. (...) Aí depois acabei engravidando. Não tomava nada.

Fonte: Entrevista Individual.

Um aspecto interessante relacionado às jovens que engravidaram na faixa de 14 a 16 anos é que parte delas, hoje com mais de 20 anos permanece com apenas um filho/a. Aquino et al (2006) revelam que a prevenção inicial do início da vida sexual vai sendo relaxada à medida que a relação vai se estabilizando, o que leva muitos jovens casais a diminuir o uso do preservativo e as mulheres a aumentarem o consumo da pílula anticoncepcional. Porém a não regularidade leva muitas jovens a engravidarem. Somente depois do primeiro filho muitas jovens voltam a associar métodos de barreira, normalmente o preservativo masculino, com a pílula, ou a injeção, o que de certa forma explica a prole de um filho. No momento da pesquisa de campo todas as jovens disseram fazer uso de um desses métodos.

Cida que engravidou depois de 5 meses de casada disse que o acontecimento foi um choque para o marido que não queria ser pai. De acordo com ela, somente depois do sétimo mês de gestação as dificuldades foram diminuindo e:

(...) ele veio se animar em comprar as coisas da menina, compramos tudo direitinho. Quando a menina nasceu foi uma luz! Tudo pra ele mudou, minha filha. Ele começou a trabalhar de carteira assinada, a vida dele mudou de uma hora pra outra. Hoje ele é o pai mais feliz do mundo, a menina é a vida dele. Nunca deu uma tapa nela. Ela não sabe o que é levar uma tapa.

Pesquisadora – E com o novo bebê? Cida – Tá ótimo.

Fonte: Entrevista Individual com Cida. Para Marcos, único jovem da pesquisa que tem uma filha, a experiência da paternidade mudou muito sua vida. Ao falar dessa vivência afirmou: “você não vai mais pensar só em você. Você vai pensar em você e naquela pessoa. São duas vidas”. Marcos que não divide toda a rotina da vida privada se esforça para ver a filha no horário de almoço, pois tem mais tempo do que a mulher. Na sua entrevista quando falava de como é ser pai, ainda, registrou:

É diferente né. A responsabilidade muda um bocado. Agora toda vez eu tô trabalhando, de vez em quando eu já penso na menina, como é que ela ta e... E eu trabalho em Cabedelo, aí eu só venho em casa, só (...) ver a menina. Às “vez” penso que vou almoçar, mas não, como uma bolacha recheada, que Joseane ta trabalhando, aí não faz o almoço.

Fonte: Entrevista Individual com Marcos.

Com base nos relatos das jovens infere-se que nas situações em que a família foi mais acolhedora, o impacto da maternidade adolescente não foi tão grande, como aconteceu com

Giselle. Em contextos de tensão parental, ou quando as jovens já adolescentes estavam vivendo maritalmente nas suas casas, como aconteceu com Luana, Paloma, Anita e Cida, a notícia da gravidez e a vivência da maternidade ganhou outra dimensão levando cada uma a lidar com o acontecimento de forma diferenciada.

Luana e Paloma acabaram encerrando suas relações nos primeiros anos de vida das suas crianças. Anita permanece na relação com seus altos e baixos, se mostrando mais fortalecida a partir da entrada no Programa. Cida, que durante a gravidez da primeira filha viveu sete meses de solidão, resilientemente esperou e viu aos poucos o marido acolher a gravidez da primeira e agora se mostrou mais maduro para a chegada do segundo bebe.

Diferente de Cida,outras jovens apesar de admitirem o interesse em ter outro/a filho/a colocaram a questão como algo a ser pensado e planejado. Teve quem disse que quando pensa em começar tudo de novo, logo desiste. Para Iara: “é muito fácil os homens quererem porque não são eles que cuidam”65. Sua frase foi direcionada a Rodrigoque expressou o desejo de ter mais filhos, porém disse que a mulher dele não quer. Ainda existem aquelas que dizem nem pensar no segundo filho, principalmente, porque os maridos não dividem os cuidados com a criança.

Concordo com os achados de Reis (2004) de que a maternidade e a paternidade são exercidas pelas/os jovens “desde as relações sociais que criam e dão sentido à parentalidade juvenil, às relações que estabelecem o viver (ou não) a maternidade e a paternidade, construídas por sonhos, desejos, decepções, alegrias, sofrimentos, desencantos” (p. 244). Ou seja, viver a parentalidade é viver sentimentos contraditórios, é encarar desafios cotidianos, o que se verifica em vários relatos deste estudo. Exercer a maternidade/paternidade revela diferentes maneiras de ser homem e mulher, que no caso das jovens indica um desejo de distanciar-se das construções mais tradicionais, em que a única função do homem era prover. Todas as jovens que vivem maritalmente com os pais dos seus filhos revelam que querem muito mais deles, até porque o trabalho que realizam também pesa na manutenção da casa.

Ainda com relação à idade da primeira gestação, de acordo com a Tabela 7 seis jovens tiveram filhos na faixa dos 17 aos 19 anos. A maioria das jovens deste grupo permanece com o pai da criança, o que sugere uma estabilidade do ponto de vista da conjugalidade. Segundo Aquino et al (2006) tal configuração também pode comprovar a existência de relações de gênero mais tradicionais. Heilborn (2006) registra que hoje muitos pais e mães estão cientes do exercício da sexualidade durante o namoro, não ocorrendo mais a expulsão das filhas por conta da gravidez.

De acordo com Thelma que começou a vida sexual aos 13 anos, quando a mãe soube que ela não era mais virgem “achou que era o fim do mundo” e exigiu que o rapaz fosse

morar com a filha. Thelma que só engravidou aos 18 anos disse: “jamais vou fazer isso com a minha filha, nunca!”. Em seus achados, Dias (2005, p. 170) revela que “atestar a assunção paterna simboliza responsabilidade ‘de homem’ e, também, a preservação da honra e da moral familiar”. Segundo a autora, tal pressão é mais expressiva em contextos populares, o que se confirma no discurso de Paloma e de outras jovens deste estudo.

65 Diário de campo: 01/08/2013.

De acordo com Bonzon (2006), a iniciação sexual é diferenciada para mulheres e homens. Para eles, uma obrigação cultural, social e “técnica” de prova da masculinidade, o mais cedo possível, sem necessidade de vinculação; para elas é um processo lento que deve buscar a constituição de um relacionamento estável, importando quem é o escolhido. Segundo o autor, no Brasil existe uma tendência das mulheres menos favorecidas procurarem que a primeira relação seja um passo para um relacionamento estável, por isso tendem a buscar parceiros mais velhos, na intenção de consolidar o laço. Para algumas jovens deste estudo, os homens mais velhos são mais cabeça.

Em conversa, um dos rapazes que não respondeu ao questionário, me revelou que mesmo não tendo certeza se era aquilo que queria, considerou importante ir morar com a namorada depois que ela engravidou. Esta postura em assumir a moça grávida, em algumas das trajetórias, implicou em ir morar dentro da casa dos pais, ou num espaço improvisado construído nos fundos da casa da família. Neste sentido, de acordo com Heilborn (2006), embora atualmente não se discuta com mais afinco a questão da honra, parece-me que no contexto investigado muitas jovens e seus familiares esperam que o rapaz tenha postura de homem responsável, de homem adulto.

Na Tabela 7 encontra-se um terceiro grupo, que teve a primeira gestação/paternidade a partir dos 20 anos. Neste grupo três jovens mantêm relacionamentos mais instáveis,

permanecendo alguns anos na mesma relação. Deste conjunto, duas foram mães solteiras e duas estão separadas sendo que apenas uma conta, regularmente, com a responsabilidade financeira do pai do seu filho. Alguns homens diminuem, ou deixam de assumir este compromisso à medida que têm filhos em novas relações. É o que acontece com o pai dos três filhos de Ana, que alega não ter mais condições depois de ter uma nova filha.

Para além da questão financeira o exercício do cuidado com as/os filhos, para aqueles que vivem maritalmente, foi outra preocupação levantada pelo questionário sócio- demográfico. Como já se viu em vários momentos deste tópico as jovens esperam mais dos maridos e pais das suas crianças. Assim, ao responderem esta questão a maioria destacou que todos os dias e quando necessário assumem as tarefas de: acordar, dar banho, alimentar, colocar pra dormir; levar e pegar na escola/creche; orientar nas atividades escolares; ir para reuniões da escola/creche; levar para passear e brincar; levar para o médico quando necessário e impor autoridade diante de um erro infantil, ou seja, todas essas tarefas permanecem sob responsabilidade materna.

Embora por falta de representação quantitativa de homens não seja possível um mergulho nas falas masculinas sobre as atividades de cuidado, Marcos, o único dentre os que

responderam ao questionário que é pai destacou sua participação diária nos cuidados da sua filha. Entretanto, diferente das mães e de sua mulher, marcou unicamente a atividade de levar para passear e brincar. Como visto anteriormente, Marcos disse que a chegada de uma criança muda muito a vida da pessoa, em especial, porque aumenta a responsabilidade, no caso dele só não aumentou a divisão do trabalho doméstico (reprodutivo).

A partir das suas colocações pode se deduzir que seu sentido de responsabilidade não se relaciona ao chamado trabalho reprodutivo, ele se acha responsável porque trabalha e por isso conseguiu fazer uma casinha na comunidade, além de colocar comida na mesa, a velha idéia de provedor, preocupação que ele deixa marcada no seu discurso. Para as mulheres que, unissonamente, afirmaram ser mãe como um grande desafio, o sentido da responsabilidade está vinculado a uma série de funções e atividades que elas assumem todos os dias.

A divisão de papeis está bem marcada nas falas de Marcos que disse não almoçar porque a mulher está trabalhando e não faz a comida. Ele reconhece que, diferente da mulher, seu tempo de trabalho é mais solto, por isso no intervalo do almoço sempre vem ver a filha. Apesar disso, diz que a mulher acaba ficando mais tempo com a menina, por conta das folgas que tem. Nestes dias ele continua vindo em casa e diz: “Aí, quando ela ta em casa, eu já venho por ela, né, nem pela é menina porque eu já sei que ela ta com a mãe, né. (...) Ela gosta que eu vá almoçar em casa, esses negocio. Aí eu venho”.

Um dos achados do estudo de Dias (2005) vem ao encontro do que Marcos coloca. Os homens demonstram encantamento com a paternidade, pois reconhecem o filho como parte de si. Entretanto, a autora registra que mesmo buscando uma resignificação da paternidade, assim como visto na postura de Marcos, com maior afetividade na relação com seus filhos, a participação no cuidado não faz parte da postura masculina, os homens somente participam quando solicitados. Considerando os relatos de Adélia e Layale essa orientação vai se confirmando no contexto desta pesquisa.

No caso dessas jovens que não trabalham fora, apenas Layale disse que o trabalho doméstico era dividido, por exemplo, o banho das crianças, dar de comer, colocar para dormir, mas arrematou: “às vezes, eu faço tudo, sabe. Mas, pra não ver ele fazendo nada porque às vezes ele chega um pouco meio cansado”. Isto confirma que, apesar da

transformação da intimidade (GIDDENS, 1993) que se reflete na própria organização da sociedade, nas ações mais cotidianas, a hierarquia de gênero marca as rotinas de muitas jovens mulheres.

Para todas que trabalham fora a não divisão do trabalho doméstico e do cuidado com as crianças é injusta. Iara que atualmente é separada disse que mesmo quando os dois

trabalham, no fim de semana “o homem quer sai e não quer ajudar a mulher em casa. A mulher se lasca todinha”. Anita que vive essa tensão no seu cotidiano desabafa: “eles querem se divertir mais e não querem deixar a família se divertir. Porque eles querem sair e não querem levar a família deles”. Como visto anteriormente, a insatisfação de Anita com o casamento e com as posturas do marido emergem depois do nascimento do seu filho.

Ao reflexionar sobre o exercício de ser pai e mãe, a partir dos achados da sua pesquisa

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