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~ AS Oslo Sporveier

In document * KONSEKVENSUTREDNING FASE 1 (sider 104-107)

A relação entre moradia e conjugalidade parece bem estreita no cotidiano de parte do grupo, mas, como já destacado, não existe uma linearidade para esta organização. Na maioria das vezes, se estabelece um relacionamento mais sério que chega à convivência conjugal sem ter a moradia. Por isso é comum que muitas/os jovens comecem a vida conjugal habitando com a família de um ou de outro. No caso de jovens deste estudo, os relatos mostram que as tensões foram mais recorrentes para aquelas cuja convivência iniciou na casa da sogra.

A história de Giselle foi diferente. Logo que iniciou sua vida sexual, ela passou a conviver maritalmente com o rapaz dentro da casa dos seus pais, permanecendo até depois do nascimento do filho, quando o marido alugou uma casa. Giselle foi mãe aos 16 anos, mesma idade do pai do seu filho na época. Ela relatou que a temporada na casa da mãe foi importante para a aprendizagem dos cuidados para com o filho.

A partir da Tabela 4, a seguir, é possível observar uma composição familiar trinaria: pai, mãe e um/a filho/a, configuração na qual Giselle se encaixa, cujo filho já está com 8 anos. Embora afirmem desejar um segundo filho, algumas jovens procuram postergar ao máximo esta decisão por conta da instabilidade da relação que vivem. Outras, em função das circunstâncias vividas, estabeleceram família monoparental, a exemplo de Elisabeth e Raquel. São elas que arcam com toda a responsabilidade da criação de suas crianças. A síntese geral da situação de moradia apresentada na Tabela 4 corresponde apenas aos respondentes do questionário.

Tabela 04 – Situação de Moradia

Sexo F M Total de Moradores

Casa alugada/própria 18 Ate 3 pessoas 18

Casa da mãe/pais 07 1 De 4 a 6 pessoas 11

Com outros responsáveis 02 1

Sozinho/amigo/a 02 2

Não declarada 1

Ambos os pais ou um deles Inclui o/a jovem

A partir desta Tabela percebe-se que 19 casais vivem na sua própria casa, mesmo que seja alugada, sendo que a maioria vive na mesma territorialidade da família de origem. Por isso, é comum encontrar jovens morando na mesma rua da casa dos pais, ou na rua detrás, mas sempre no mesmo bairro, o que indica, como confirmado no trabalho de campo, a manutenção de vínculo. Um pequeno grupo ainda mantém suas residências construídas nos fundos da casa da mãe, figura que recorrentemente toma a iniciativa de organizar a vida dos jovens casais, mesmo com a presença paterna em algumas estruturas familiares. Os estudos de Dias (2005), Andrade (2007) e Dayrell (2001) revelam a mãe como a pessoa catalisadora das relações familiares.

Em sua pesquisa Dayrell (2001) observou que mesmo estabelecendo uma relação mais séria muitos jovens permanecem com a família de origem, como são os caso de Ruth, Marcos

e Laura, neste estudo. Este casal somente em 2013 conseguiu sair do quartinho onde vivia, que ficava nos fundos da casa dos pais dele. Sobre essa questão revelou que muitos dos jovens da sua pesquisa disseram que sem a ajuda dos pais não conseguiriam a própria casa. Dessa forma, apesar das tensões entre gerações, principalmente por conta da interferência familiar na organização da vida e no cuidado dos filhos, a família de origem parece funcionar como um porto seguro para algumas jovens.

Laura e Luana revelaram que morar próximo atrapalha a relação, pois a família tende a querer interferir na vida do casal e na criação dos filhos/as. Cabe destacar que as duas moram nos fundos da casa da sogra, o que talvez seja um fator afirmador da tensão geracional. Luana, para quem a conquista da casa trará mais segurança, fez o seguinte desabafo, quando perguntei se morava de aluguel:

Luana - Não, moro na casa dele.

Pesquisadora – Na casa de teu marido atual?

Luana - É atrás da casa da minha sogra, mas é... é assim (...). É muito ruim você morar perto de família porque quer se meter, quer fazer isso do jeito que ele quer. (...) Que eu vivo com ele é eu e ele que tem que resolver, não é ninguém da família, aí fica chato. Aí o meu sonho é de sair dali mesmo, o mais rápido possível. O que tá mais atrapalhando, também, a gente é a família. Que é em cima direto, se a gente disser um “piu”, escuta. Fala muito alto, é, é horrível.

Fonte: Entrevista Individual com Luana.

Sua situação confirma que morar com familiares, ou nos fundos da casa dos pais é uma saída bastante recorrente quando o homem está desempregado, ou quando ambos estão

em trabalhos precários. A precariedade das condições de trabalho, que se revela nos baixos salários e na ausência dos direitos trabalhistas é uma realidade de jovens do Programa (MOSTRA, JOVEM! 2010), também vivida por muitos de seus familiares. Luana acredita que conseguindo sua casa o marido virá com ela.

Para alguns casais, morar próximo da família acaba facilitando o viver a juventude, pois sabem que podem contar com esta estrutura em momentos de diversão ou quando vão trabalhar. Segundo Thelma: Se eu for para uma festa com ele, minha mãe fica. Ela dorme lá com a minha mãe. Dias (2005) também observou uma tendência das famílias com maiores condições em ajudar as/os jovens, tanto no aspecto financeiro, quanto afetivo. Segundo a autora cuja investigação abordou outras classes socais, no contexto da classe média é comum que a criança se torne filha de todos. Apesar de reconhecer o apoio materno, Thelma registrou que, em algumas situações, sua mãe parecia ter menos experiência do que ela, o que revela à assunção da sua responsabilidade maternal.

Um pequeno grupo destacou morar com outros familiares, como tias e avós. Observa- se que, geralmente, é outra mulher que acolhe o/a jovem que vem do interior para estudar e/ou trabalhar, ou aquele/a que esteja passando por alguma situação que leva a família a afastá-lo por um tempo. Tal situação é comum com jovens homens que se envolvem com as drogas e com o tráfico.

O retorno à condição de solteira não significa a volta para a casa materna. Ana

separada e com três filhos disse que preferiu ficar em condições difíceis, trabalhando como diarista, mas não retornou para a casa da mãe. Seu maior apoio é a avó que mora próximo e com quem parece contar, sempre. Noutra situação que conversávamos sobre um passeio que a turma faria e muitas levantavam a dificuldade de ir por não ter com quem deixar os/as filhos, ela disse: “Se soubesse que minha mãe cuidaria bem das crianças deixava todos com ela e me danaria pelo mundo”62. Aqui Ana revela as dificuldades de ser mãe de três crianças, de pais diferentes e o desafio de assumir sozinha. Jovens como ela sabem que dificilmente as mães aceitam de volta, ela ainda contava com o apoio da avó.

Outras jovens separadas, em especial, aquelas que moravam noutras cidades revelaram que ao partirem em busca de trabalho, para dar uma melhor vida para seus filhos/as, optaram por deixar suas crianças com familiares, especialmente com as avós maternas, ou no caso de algumas com o pai da criança, que quando não se envolve em outra relação acaba voltando para família de origem (casa da mãe). Betty, uma das que vivem esta situação, disse que

62 Diário de campo, 10/04/2013.

mantem o contato com as filhas por telefone, nos finais de semana e nas férias. Experiências harmônicas como a de Betty não são comuns, principalmente quando os rapazes constituem nova família. Sobre a decisão das filhas ficarem com o pai, ela relatou:

Betty - Eu acabei vindo trabalhar aqui e acabei tendo que deixar as minhas filhas com o pai, cá a vó. Porque a avó não trabalha, ela vevi em casa, é uma dona de casa. E eu, pra manter eu e minhas filhas eu tive que vir pra cá, mas o pai da minha filhas ele matem, assim com comida e com outras coisas. Mas, também, eles, também, têm as dificuldade deles, eles mora no interior, lá no Conde. (...) Ele ganha pouco também, mas também não é de dizer assim, num faço nada!

Pesquisadora – Aham.

Betty - E a criação é mais com ele, mas eu tenho um... Um grande respeito por ele, pela minha ex-sogra, pela família dele inteira, a gente se respeita. Pesquisadora – Vocês convivem bem?

Betty - A gente convive bem, eu vou pegar as minhas filhas, trago pra cá pra João Pessoa...

Fonte: Entrevista Individual com Betty.

Independente das novas relações, as jovens que não vivem com os filhos, ou que não convivem com todos, no caso daquelas que têm duas ou três crianças continuaram destacando o momento de ir pegar o/a filho/a para ficar consigo, ou de visitar no final de semana. Tal realidade mostra transformações no modelo de família e na maternidade, cujo substrato atual “é o ideal de equidade na responsabilidade parental” (SCAVONE, 2001, p. 47). Esta mesma dinâmica não foi possível observar no caso dos rapazes, pois nenhum dos quatro que respondeu os instrumentos revelou ter filhos de outra relação, ou ter deixado filhos com familiares. Entretanto, no levantamento das rotinas, a dimensão do cuidado emerge como responsabilidade feminina.

Na Tabela 5 é possível visualizar a síntese da situação conjugal do grupo. Esse olhar foi importante porque a maioria (das mulheres) anunciava ser casada, ou compromissada, mas, também, porque no caso de algumas as maiores justificativas referentes às faltas estavam relacionadas à organização da vida privada.

Tabela 05 – Situação Conjugal Estado Civil Sexo F M Solteiro 12 3 Casado/vive junto 15 1 Outra 2

Fonte: Questionário Sócio-Demográfico

Analisando a Tabela 5 se verifica que existe um equilíbrio entre solteiras e casadas. Apenas duas jovens destacaram outra situação. Uma foi Ruth,que nunca saiu da casa da mãe, na qual mora com duas filhas, a mais velha de uma primeira relação e a mais nova da atual relação, além de um menino que vive com o seu “namorido” (pai do garoto), na casa da avó. Na realidade de muitas jovens dessa pesquisa a situação de conjugalidade as direcionou para sua moradia própria, o que não significa, em vários casos, o distanciamento da família de origem, como já visto.

Nas entrevistas, algumas jovens revelaram que depois da primeira relação amorosa (primeira transa) foram para seus espaços, mesmo aquelas que não engravidaram logo, como aconteceu com Paloma, Luana e Thelma. Outras permaneceram com a família de origem, como fizeram Giselle e Laura, até organizarem a própria moradia. Além das trajetórias labirínticas já destacadas, Pais (2009) observa que a entrada no mundo adulto é marcada por situações de impasse que vão confirmando a reversibilidade que afeta os acontecimentos em algumas áreas da vida. De acordo com o autor pode se dizer que a reversibilidade na trajetória das/os jovens dessa pesquisa é configurada nas situações de: “emprego/desemprego; casamento/divórcio; abandono/retorno à escola ou família de origem” (PAIS, 2009, p.373).

A história de Paloma que viveu com o pai do filho até o menino completar um ano demonstra como a reversibilidade é bem marcada na sua vida. Até determinado momento a jovem estava na condição de casada morando na própria casa. Depois que a relação saturou e o marido foi embora, Paloma retornou para a casa da mãe com o filho e voltou se considerar solteira. Segundo seu relato, o pai do menino queria ficar com ele, mas Paloma não abriu mão dizendo que ele só levaria o filho quando este fosse adulto. Paloma,que disse continuar em busca do seu grande amor, vive o conflito entre uma ideia de amor romântico63 e o desejo de

63 Segundo Giddens, a ideia do amor romântico emerge no final do século XVIII junto com o gênero novela.

Com o amor romântico um conjunto de condutas sociais interferiu diretamente na vida das mulheres, entre as quais o autor destaca a criação do lar, a modificação das relações entre pais e filhos (fundamentada no poder patriarcal) e a invenção da maternidade (GIDDENS, 1993, p. 53).

uma relação que se fundamente num amor confluente64 (GIDDENS, 1993). Mais do que um amor romântico, a maioria das jovens do Projovem Urbano busca um amor confluente.

Luana entrou numa nova relação depois de uma semana de separada. Segundo ela sua mãe foi seu principal apoio para terminar a primeira relação conjugal atravessada pela violência simbólica. Ao justificar sua decisão apressada disse: (...) a minha rotina de vida era muito difícil pra criar a minha filha só. Aí tive que encontrar alguma saída pra mim viver e saber viver. A decisão de Luana mostra que sua iniciativa foi mais fundamentada no plano material, do que no afetivo. Observa-se no caso de Luana e de outras jovens dessa pesquisa que a situação econômica precária em que vivem parece ser o que impede algumas de saírem de determinadas relações.

In document * KONSEKVENSUTREDNING FASE 1 (sider 104-107)