• No results found

Hindre uønsket norsk og internasjonal skatteplanlegging

1 BI Norwegian Business School - Department of Law & Governance

1.3 Hindre uønsket norsk og internasjonal skatteplanlegging

Desde o surgimento dos meios de comunicação que a Igreja se preocupa com o modo como eles podem ser usados na ação evangelizadora. Ao menos os documentos mais rudimentares acerca do tema trazem essa preocupação que, naqueles primeiros momentos de vida da era midiática que hoje vivemos, eram muito simples em todos os aspectos dada a novidade que se impunha à sociedade. Na maioria das vezes, os documentos falam de uso dos meios, é o caso especialmente de Vigilanti Cura e Miranda Prorsus, que são anteriores ao Concílio Vaticano II. O Decreto Inter Mirifica é um documento do Concílio, seguido de Communio et Progressio e Aetatis Novae que são pós-conciliares e que dão sequência aos anteriores. Mesmo nestes últimos, a linguagem da Igreja ainda não havia se apropriado de termos mais adequados, e muitas vezes se confundiam meios com tecnologias e programações, tal como aconteceu com a mais recente invenção do computador, quando nem mesmo a cultura midiática tinha construído suas terminologias. Ainda não se percebia que o que estava nascendo era um novo e definitivo instante na história humana. Uma nova cultura baseada na comunicação midiática. Contudo, os efeitos dessa cultura, mesmo que incipiente, já se faziam sentir com toda a sua pujança. E a Igreja sabia que era preciso dominá-la. Contudo, é a partir do Concílio Vaticano II que de fato a Igreja se lança à conquista desse novo universo, publicando o Decreto Inter Mirifica sobre os meios de comunicação social.

A relação da Igreja como o universo midiático é, portanto, desde os primórdios, perpassada pela problemática de modelo, entre as suas práticas de comunicação e os modos de produção da mídia, bem como entre o contexto da estrutura institucional eclesiástica e sua deontologia na qualidade de instituição social.

Se os modos de comunicação refletem os modos de produção da economia capitalista da mídia contemporânea, “no caso específico da Igreja Católica, ... as práticas de comunicação têm variado no tempo, correspondendo às mutações estruturais da instituição e refletindo o seu relacionamento com a sociedade global”126.

Nesse processo histórico de aproximação da Igreja com o ambiente midiático, é importante destacarmos as dificuldades enfrentadas e os embates sofridos na tentativa de se estabelecer um diálogo entre a instituição eclesiástica e as mídias, que em primeiro momento eram vistas com muita desconfiança e resistência. Marques de Melo trabalhou em 2005 essa temática na sua pesquisa Comunicação eclesial: utopia e realidade, na qual ele esboçou quatro fases do desenvolvimento histórico dessa relação turbulenta da Igreja com as mídias127. Segundo este pesquisador, a primeira fase teria sido o exercício da censura e da repressão, pelo controle rigoroso dos processos de produção da palavra escrita que durou do século XIII ao XIX. A segunda fase se caracterizaria por uma “aceitação desconfiada dos novos meios de comunicação”128, do século XIX ao XX, quando “a Igreja exercitou um controle sobre a imprensa, vigiando-a, bem como os novos instrumentos que surgiam, em particular o cinema e o rádio”129, ao mesmo tempo em que começa a aceitá-los e a “usá-los, [servindo-se] deles para difundir suas mensagens”130, e o mesmo se daria no tratamento dispensado à imprensa. A terceira fase seria marcada pela pressão das transformações sociais e tecnológicas sobre a Igreja, exigindo dela profundas e imediatas adaptações à velocidade informativa da sociedade atual. Disso teria decorrido a convocação do Concílio Vaticano II, com o propósito de aggiornare o fazer eclesiástico no mundo contemporâneo e, consequentemente, da sua comunicação, com a proclamação do Decreto Inter Mirifica e a Instrução Pastoral Communio et Progressio131. Essa brusca mudança precipitou a Igreja num ambiente hostil ao seu modelo de comunicação. Ela passou a utilizar todos os meios à sua disposição para comunicar o Evangelho e acabou penetrando num ambiente de mídia, cuja ética é contraditória à própria mensagem evangélica, acreditando que o simples uso dos meios seria capaz de atender suas demandas pastorais. A quarta fase dessa busca dialógica da Igreja com o espaço midiático seria a atual, quando acontece a superação do deslumbramento e o uso insólito dos meios. A Igreja hoje se propõe a “avaliar criticamente sua postura diante da comunicação, analisando

127 Para mais acurada compreensão do processo histórico de construção ética da Igreja relacionada à

comunicação, veja também o “Capítulo VI – Deontologia dos MCS no Magistério da Igreja” de Niceto Blázquez, Ética e meios de comunicação. São Paulo: Paulinas, 1999, pp. 181-195.

128MELO, José M. de. Comunicação eclesial: utopia e realidade. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 25. 129Ibidem, p. 25.

130Ibidem, p. 25.

131 Consulte esses dois documentos em Noemi Dariva, Comunicação Social na Igreja: documentos

seus posicionamentos anteriores e buscando novos padrões, resgatando as práticas do cristianismo primitivo”132, privilegiando assim uma comunicação realmente mais dialógica.

A evidente transformação do modo de a Igreja se comunicar é decorrente da mudança de paradigmas que a instituição sofre de tempos em tempos ao longo de sua história. E isso lhe traz consequências:

Pretendendo evangelizar a qualquer custo, queimar etapas na intensificação do seu magistério, a Igreja confunde de modo ingênuo a essência com a aparência. E deixa de perceber que a massificação do Evangelho não conduz necessariamente à sua vivenciação, à recriação no cotidiano comunitário133.

O insucesso produzido pelo uso inadequado dos meios, o que poderíamos chamar de instrumentalização da mídia, forçou a Igreja a trilhar novos horizontes, lançar-se ao mar de uma nova cultura, flexibilizando suas práticas comunicacionais, que no interior da instituição têm hoje um caráter mais dialógico e democrático. Mas isso ainda está difícil de acontecer nas práticas de comunicação externa, em que predomina uma formação massiva, quando na verdade a sua proposta genuína seria, partindo do Evangelho, favorecer a criação de espaços comunitários, fortalecendo as comunidades cristãs, confirmando-as na comunhão.

Embora reconheça o caráter massificante da reprodução simbólica que se opera através dos mass media, a Igreja ainda persiste utilizando-os como se tal dimensão não tivesse sido constatada e autocriticada. Ou seja, ela proclama e pratica internamente formas dialógicas, horizontais, interativas de comunicação; externamente, prossegue ocupando espaços no rádio, na televisão, na imprensa, no cinema para difundir mensagens evangélicas à maneira dos demais mercadores de bens e serviços que se valem desses recursos potencialmente abrangentes da moderna tecnologia134.

É preciso notar que esse descompasso é devido a pelo menos dois fatores: a comunicação interna da Igreja é mais direta, clara, objetiva e possui a chancela da representação institucional. A comunicação evangelizadora católica possui muitos interlocutores. Existem muitos canais de TV, por exemplo, que falam em nome da Igreja, mas

132MELO, José M. de. Comunicação eclesial: utopia e realidade. São Paulo: Paulinas, 2005, pp. 25-26. 133 Ibidem, p. 28.

que falam a partir de perspectivas distintas e muitas vezes não estabelecem uma parceria entre si, para que a Igreja apareça e não eles. A consequência disso, é que possivelmente a Igreja seja vista como uma instituição que não sabe se comunicar ou observada a partir de um espectro fragmentário em que sua imagem parece múltipla, dispersa, falando para muitos e ao mesmo tempo para poucos. A superação desse ruído comunicacional é o grande desafio da Igreja na sua relação com a mídia e a sua plataforma de indústria cultural.

Como superar as contingências tecnológicas dos mass media que não possibilitam, pelo menos de forma coletiva, o retorno da palavra dos ouvintes, leitores e telespectadores? Como evitar que a mensagem evangélica seja um mero monólogo?[...] Cabe ao contingente dos comunicadores comprometidos com a evangelização (...) prosseguir nessa trilha, buscando compatibilizar as práticas interpessoais, comunitárias da comunicação eclesial com as práticas tecnológicas, eletrônicas, coletivas135.

Criar comunidade com programas participativos, fomentar a identidade cristã do fiel católico que assiste a programação eclesiástica pela TV precisa ser, à luz do Evangelho, a prioridade da Igreja no domínio da cultura midiática. Apesar de ainda incipiente, esse também poder ser um caminho alternativo para a problemática defendida por Bucci e Khel no texto Videologias136, como, por exemplo, a possibilidade de uma TV capaz de criar vínculos educativos.

Desde situar-se no ambiente da mídia industrial até reconhecer o seu verdadeiro espaço nesse campo, a Igreja no Brasil ainda travará muitas batalhas internas e externas, apesar de já ter sofrido na carne a perda de muitos fiéis por conta de ainda não ter definido seus paradigmas técnicos operacionais e estratégicos nessa área, a cada dia mais exigente e necessária. “As relações entre igreja e mídia no Brasil, têm-se caracterizado por ambiguidades, defasagens, conflitos e desconfianças”137. No entanto, os organismos da Igreja responsáveis pela comunicação têm-se empenhado visceralmente por um equilíbrio nessas relações com a mídia não católica. O esforço tem valido a pena, com os eventos promovidos pelo Setor de Comunicação da CNBB e encontros formativos para os membros dos departamentos de comunicação, bem como de todo o povo de Deus que trabalha nas pastorais

135 Ibidem, p. 31.

136 BUCCI, Eugênio & KEHL, Maria Rita. Videologias. São Paulo: Boitempo, 2004.

vinculadas à comunicação em suas dioceses. Mas ainda é preciso fazer mais, pois, a linguagem da TV ainda não foi suficientemente apropriada pelas emissoras de inspiração católica, especialmente no que se refere à transmissão da celebração eucarística. Noutras programações, o avanço cultural é perceptível na qualidade dos produtos apresentados que, de modo geral, melhoraram muito.

A diversidade enfrentada pela Igreja no espaço midiático brasileiro hoje advém inclusive de mais um fator de poder. Além das empresas jornalísticas e dos partidos políticos, tradicionalmente refratários ao magistério eclesiástico, a Igreja tem ganhado uma nova concorrência que se fortalece a cada dia, as “igrejas evangélicas da TV ou igrejas eletrônicas”138, que a rivalizam em duas frentes: a comunicação e a fé. A Igreja se vê atualmente obrigada a dizer quem ela é, não só para o público, mas também para si mesma. A Igreja no Brasil tem se visto pela TV, analisando-se por meio desse espelho eletrônico e buscando se reconhecer nele. Num esforço titânico de firmar sua identidade frente às mutações do mundo contemporâneo e identificar as necessidades dele, para responder ao seu desafio com um modelo eclesiológico que atenda ao menos em parte os anseios da humanidade combalida pela já saturada artificialidade da indústria cultural, a Igreja precisa favorecer que “os protagonistas da comunicação eclesial [se deem conta] da natureza peculiar do sistema midiático que constitui o lastro emergente da sociedade da informação”139. Ou seja, se, portanto, a Igreja deseja participar da vida do homem midiático do mundo contemporâneo, ela precisa então mergulhar no universo dele, e, sem medo, escutar seus anseios para falar com ele sobre o Evangelho usando linguagem adequada.

Apesar de a Igreja dispor, na sua pluralidade estrutural, de vários modos de fazer comunicação, de maneira geral predomina a relação institucional tanto para dentro quanto para fora, ou seja, o modelo que os teóricos da comunicação identificam como funcionalista. Mesmo já superado, esse modelo, que parte de um pressuposto utilitarista dos meios de comunicação e que pretende exercer a função de informar algo, no caso, ampliar o alcance do magistério da Igreja, ainda é muito presente na ação comunicativa católica.

138MELO, José M. de. Comunicação eclesial: utopia e realidade. São Paulo: Paulinas, 2005, p. 138. 139 Ibidem, p. 138.

Se em âmbito local é possível identificar focos de um modelo dialógico de comunicação, que privilegia o espaço social, comunitário e democrático, e nisso a própria identidade católica, em âmbito global já se percebe na comunicação da Igreja, inclusive pela variedade de fontes comunicadoras em seu nome, a acentuação de um modelo massivo, funcionalista, quiçá até formalista, próprios ainda de um tempo passado de reticências, que precisam ser superadas pela urgência do Evangelho na atual cultura midiática que predomina no mundo de hoje.

As TVs de inspiração católica no Brasil retratam um pouco essas feições ainda distorcidas da imagem da Igreja, exatamente por não exercerem uma práxis comunitária, não estarem em muitos casos de comum acordo. Embora a inspiração seja a mesma, os objetivos dos grupos católicos que possuem a concessão dos canais são diversos, bem como o perfil de ideias que promovem nos seus ambientes de TV. Contudo, o que se percebe de comum nas emissoras televisivas de inspiração católica, seja qual for sua orientação pastoral, é a veiculação da celebração eucarística, presente em todas elas.