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Child law research reforming legislation, practice and education in Norway

2 UiT The Arctic University of Norway - The Faculty of Law

2.2 Child law research reforming legislation, practice and education in Norway

Nesta segunda parte deste terceiro capítulo, faremos a análise da pesquisa de campo, trazendo presente o que temos considerado até o momento em nossa oficina conceitual. A partir da contribuição dos autores e obras documentais citados ao longo do estudo, buscaremos localizar os pontos convergentes e divergentes da presença litúrgica da Igreja no espaço midiático da televisão, escutando as pessoas que constituem o público dos programas produzidos e interlocutores da Igreja nesse universo.

A pesquisa sobre a audiência de programas religiosos na TV foi realizada na Cidade de São Paulo, no bairro de Campo Grande, Zona Sul, Diocese de Santo Amaro, Paróquia São Pedro Apóstolo, entre os dias 25 de fevereiro a 10 de março de 2012. Foram entrevistadas 42

pessoas no total. Muitas responderam ao questionário no momento em que passavam pela paróquia e muitas levaram o questionário para casa e o devolveram respondido.

2.1 - Apresentação dos dados da pesquisa de campo

2.1.1. Sexo:(Considerando 100% dos entrevistados) Homens = 35,72%

Mulheres = 64,28%

2.1.2. Idade:(Considerando 100% dos entrevistados) 15 a 20= 0% 21 a 30= 21,42% 31 a 40= 16,67% 41 a 50= 14,28% 51 a 60= 19,05% Acima de 60= 28,58%

2.1.3. Estudo:(Considerando 100% dos entrevistados) Fundamental = 19,05%

Médio = 35,72% Superior = 40,47%

Não responderam = 4,76%

2.1.4. Qual sua profissão?(Considerando 100% dos entrevistados) As profissões foram agrupadas em 5 áreas para facilitar a tabulação: Administrativo = 40,47% Aposentado = 14,28% Atendimento ao público = 28,58% Educação = 7,14% Saúde = 7,14% Não respondeu = 2,39%

2.1.5. Vida eclesial:(Considerando 100% dos entrevistados) Participa só das missas = 42,85%

Participa das missas e trabalha em alguma pastoral = 57,15% 2.1.6. Você tem o hábito de assistir a programas religiosos na TV? (Considerando 100% dos entrevistados)

Sim = 92,86% Não = 7,14%

a) Quais? (Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam sim) Espíritas = 0%

Católicos = 92,30% Evangélicos = 5,13% Outro = 2,57%

b) Que tipos? (Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam sim) Pregações = 20,51%

Cultos = 0% Missas = 51,28% Bênçãos = 5,13% Novenas = 23,08% c) Com que frequência?

(Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam sim) Manhã = 28,20%

Tarde = 25,64% Noite = 41,03% Madrugada = 5,13%

2.1.7. Dos programas religiosos que você assiste, de qual você mais gosta? (Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam sim)

Terço = 15,39%

Novena do Divino Pai Eterno = 17,94% Missas = 56,41%

Escola da Fé = 10,26%

2.1.8. Você gosta de participar da missa pela TV?

(Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam que assistem aos programas religiosos)

Sim = 79,48% Não = 20,52%

a) Sim, por quê? (Considerando apenas os 79,48% dos entrevistados que responderam que gostam de participar da missa pela TV)

Falta tempo para ir à igreja = 38,71% A missa é mais bonita = 9,68% Outro = 51,61%

b) Que canal você usa? (Considerando apenas os 79,48% dos entrevistados que responderam que gostam de participar da missa pela TV)

Rede Vida = 45,16% TV Canção Nova = 22,58% Globo = 9,67% TV Século XXI = 3,22% TV Aparecida = 12,92% Outro canal = 6,45%

2.1.9. Os programas religiosos que você assiste lhe trazem algum conforto espiritual? Fale um pouco.(Considerando os 92,86% dos entrevistados que responderam que assistem aos programas religiosos)

Sim = 79,48% Não = 5,13%

Apenas comentaram = 15,39%

Foram selecionados os comentários considerados mais relevantes: 1. Fortalece minha fé. (13 pessoas citaram).

2. Traz paz ao meu coração e me sinto bem. (5 pessoas citaram). 3. Ouvir falar de Deus me mantém em oração. (2 pessoas citaram).

4. Interesso-me por pregações e formação. (2 pessoas citaram). 5. Quando estou doente assisto TV. (2 pessoas citaram).

6. A palavra é um bálsamo. Reconheço minhas misérias, buscando a santidade todos os dias.

7. Como o programa é a palavra de Deus sempre trará conforto.

8. Quando assisto aprendo a ter paciência e compreendo mais as coisas. 9. É um meio de Jesus adentrar a minha casa.

10. A mensagem é a mesma que ouvimos de um padre na igreja. Todo conhecimento de Deus é válido.

11. Gosto de ver as notícias da Igreja e as missas de outros estados.

2.1.10. Em sua opinião, a missa pela TV tem alguma diferença da missa celebrada na sua comunidade paroquial? Fale sobre isso.

(Considerando 100% dos entrevistados) Sim = 50%

Não = 14,28%

Apenas comentaram = 33,34%

Não respondeu nem comentou = 2,38%

Com a seleção, apenas três comentários foram descartados por irrelevância:

1. Por ser uma missa transmitida, ela tem diferença em relação à participação. Ela não deve substituir a missa presencial. A missa pela TV deve servir mais àqueles que não podem se locomover (4 pessoas citaram).

2. A diferença é muito grande. Na missa celebrada na comunidade paroquial, com presença ao vivo, participamos da ceia eucarística, comungamos o Corpo de Cristo (3 pessoas citaram).

3. Na paróquia participo e sinto muito mais (3 pessoas citaram). 4. Em casa fico dispersa com tantas coisas (2 pessoas citaram).

5. Na missa pela TV falta o contato com os irmãos, a unção espiritual, o aconchego do olhar e a sintonia com o padre (2 pessoas citaram).

6. É melhor na paróquia, assim podemos comungar (2 pessoas citaram).

7. A diferença é que na missa da comunidade o padre consegue abordar as necessidades da comunidade (2 pessoas citaram).

8. Nada substitui participar da missa na casa do Pai. É um momento de graça em que ele próprio se doa totalmente por amor.

9. As pessoas que têm o costume de assistir a missa pela televisão não comungam e não podem se confessar, e nesta situação ficamos com o pecado. Por falta de tempo, acabamos não colaborando com as obras da paróquia.

10. Só assisto a missa pela TV quando não posso ir à igreja. Na igreja é mais calorosa. 11. Tem diferença porque a missa pela TV não tem calor humano. Na comunidade há mais alegria.

12. Não nego que as missas pela TV sejam boas e que sejam necessárias para aqueles que não podem ir até a igreja, mas a força da oração na paróquia me parece mais forte e real.

13. A diferença está no ao vivo. Fazer tudo junto é mais espiritual.

15. A missa na comunidade é melhor porque, além da comunhão, sinto a energia das pessoas, que pela TV não tem, mas a TV é uma grande aliada para os idosos, enfermos e deficientes físicos.

16. A missa pela TV jamais substitui a missa da paróquia, mas traz comentários e ensinamentos que podem servir de complemento espiritual, dentro de um sadio e necessário discernimento que contemple exatamente o Magistério, a Tradição e as Sagradas Escrituras. Ressalto que a TV não substitui a presença pessoal aos sacramentos.

17. Para mim, a missa pela TV só serve para quem está impossibilitado de ir à missa, de se locomover. Caso contrário, de nada vale.

18. A diferença está na vida em comunidade; viver o sacramento conforme seu significado verdadeiro: comunhão.

19. A missa na TV é algo superficial comparada à missa que se participa na paróquia. 20. Não há diferença, pois a fonte é a mesma. Pode haver diferença quanto ao ritual, mais elaborado ou mais simples, mas a maturidade na fé elimina as diferenças rituais. 21. Na missa de TV falta a comunhão e a fraternidade vivida pessoalmente na comunidade.

22. Em minha opinião, a única diferença é o padre.

23. Gosto mais da missa celebrada na comunidade paroquial, mas, como já tenho 88 anos, fica difícil ir mais vezes à igreja.

24. A missa é melhor na paróquia, pois não há interação pela televisão, não recebemos Jesus (apenas espiritualmente).

25. Na comunidade a missa é especial, pois se recebe o Deus vivo.

26. Gosto de assistir à missa e ouvir a Palavra de Deus dentro da minha casa junto com a minha família.

27. Em minha opinião, as missas são iguais, mas como não posso receber naquele momento a santa comunhão, não posso participar, só assisto.

2. 2 - Análise dos dados da pesquisa de campo

O cômputo dos entrevistados registra 64,28% de mulheres e 35,72% de homens. No quesito idade, 21,42% estão de 21 a 30 anos, que é o primeiro registro etário da pesquisa, a qual não contemplou nenhuma criança ou adolescente entre 15 a 20 anos. As pessoas de 31 a 40 registraram 16,67%. As de 41 a 50 somaram 14,28%. Com 19,05% se apresentaram os entrevistados entre 51 a 60 anos. A maioria dos contemplados na pesquisa, por faixa etária, está acima de 60 anos, com 28,58%. Como podemos ver, a pesquisa apresentou certo equilíbrio neste quesito, com exceção das crianças e adolescentes que não foram contemplados. Poderíamos inclusive, constituir dois grandes grupos percentuais de idade: de 21 a 50 anos com 52,37% e de 51 anos para frente com 47,63%. É neste último grupo que se encontram os aposentados, por exemplo, bem como aqueles que encontram mais dificuldades para participar da missa na igreja. No primeiro grupo, que é bem maior, encontra-se o maior número dos trabalhadores, que não dispõem de muito tempo em casa, com a família.

Provavelmente assistem TV fora de casa, no trabalho, na hora do almoço ou apenas em casa à noite, na hora do descanso do dia. Os entrevistados apresentaram muitas profissões que agora podemos elencar, mas que, para efeitos de tabulação foram agrupadas em 5 áreas/setores: administrativo, aposentado, atendimento ao público, educação e saúde. Todas as profissões foram incorporadas nessas categorias, mas vamos agora apresentá-las na íntegra para visualizarmos melhor a realidade dos entrevistados: administrador de redes, promotor, cabeleireira, dona de casa, aeroportuário, técnico de laboratório, estudante, costureira, educadora, projetista, aposentado, biólogo, administrador, professora, advogado, analista programadora, bancário, engenheiro, jornalista, microempresário, assistente de atividades, auxiliar jurídico, técnico em enfermagem. As 5 categorias já elencadas foram criadas a partir das funções desempenhadas em cada profissão, e assim, fixarmos a atenção nesse desempenho, para efeitos de análise.

A maior parte dos entrevistados foi agrupada no setor administrativo com 40,47%. Trata-se de um setor que exige muito do trabalhador, porque, nesse ambiente, além de existir muita competição, as relações humanas são geralmente muito frias. Em seguida, vem a área de atendimento ao público com 28,58%. Aqui as pessoas já mantém contato com o mundo fora da empresa, estabelecem mais facilmente ligações com clientes e interessados na sua economia de negócios, falam uma linguagem mais próxima, mais humana, mas não menos complexa em termos de relacionamento comercial. Em terceiro aparecem os aposentados com 14,28%. Isso indica que mesmo em idade de se aposentar, muitos entrevistados estão na ativa. A educação e a saúde somam 14,28%, duas situações básicas e muito complexas da sociedade urbana atual. Apenas 2,39% não registrou ocupação.

Quanto à escolaridade, a maioria dos entrevistados registrou 40,47% no grau superior, nos fazendo perceber neles mesmos um alto nível de conhecimento científico. Em segundo lugar, ficou o registro do ensino médio com 35,72%. Se somarmos estes dois graus de escolaridade, teremos 76,19% dos entrevistados com escolaridade suficiente para ter um bom acesso a conhecimentos acerca do mundo midiático, bem como do universo religioso. Os participantes com ensino fundamental registraram 19,05%, e 4,76% não informaram seu nível de instrução, perfazendo um total de 23,81% possíveis alfabetizados funcionais. Poderíamos dizer que a televisão influencia mais este último número de entrevistados pelo fato de seu pouco conteúdo científico? A missa pela TV alcançaria mais este perfil do que aquele? O que

cada grupo buscaria fruir na missa transmitida pela TV? Buscariam a mesma coisa? Esse nível educacional provavelmente tem a ver com a idade? A pesquisa mostra que o grupo de pessoas mais novas é maior e tem mais acesso à educação e ao trabalho do que os idosos que não tiveram acesso a cursos escolares com a excelência que hoje se tem, e isso responde a esses questionamentos.

Quando indagados sobre sua vivência eclesial, a grande maioria registrou 57,15% como participante das missas e trabalhando em alguma pastoral na sua comunidade paroquial, e 42,85% indicou que apenas participa das missas, muito provavelmente só as dominicais. Isso nos deixa entrever que a maioria dos participantes, apesar de estar engajada na comunidade, e aparentemente não precisar da missa televisionada, por exemplo, encontra na programação religiosa da TV alguma forma de ganho espiritual.

A grande maioria, 92,86% dos entrevistados, manifestou o hábito de assistir a programas religiosos na TV, o que significa que os programas oferecem algo a mais que a comunidade. Além da comodidade, da exclusividade, porque a pessoa não tem a concorrência de outras junto a ela disputando espaço e atenção, a programação televisiva possivelmente ofereça a liberdade de escolha diante da variada oferta de programas religiosos, inclusive de missas nos variados canais de inspiração católica. Apenas 7,14% disseram não ter o costume de acompanhar tais programas, mas isso não significa que esporadicamente não tenham entrado em contato com essas produções. É o caso da maioria das opiniões que concluem a entrevista. Mesmo que não acompanhem, os entrevistados têm uma opinião a respeito. Em termos de opções de programação, 92,30% responderam que gostam de assistir a programas católicos; 5,13% disseram que veem programas evangélicos e 2,57% não definiram a orientação religiosa dos programas que assistem. Como a pesquisa foi realizada numa paróquia, é de se esperar que o número confirme a opção de fé do entrevistado, mas foi possível localizar também católicos que fazem outras experiências de fé, assistindo a programas evangélicos e de outras denominações não definidas.

No que se refere aos tipos de programas religiosos mais assistidos, a missa ficou em primeiro lugar com 51,28% dos entrevistados que tem o hábito de assistir a programação religiosa da TV. Isso nos leva a perguntar o que a missa pela TV oferece ao fiel católico que, embora engajado na vida comunitária local, no pouco tempo de que dispõe para o seu descanso, ainda recorre a uma programação televisiva de conteúdo litúrgico que ele já possui

na comunidade de modo muito mais intenso e apropriado. Nos comentários que os telespectadores farão logo mais, quando indagados do porquê de gostar da missa pela TV, teremos respostas a esse questionamento. Logo após a santa missa, vêm, em segundo lugar na pesquisa, as novenas com 23,08%, como programas religiosos mais assistidos. Poderíamos dizer que os entrevistados veem com muito bons olhos as práticas de piedade presentes na TV, acompanhando as novenas como se fazem nas igrejas. Consideremos também que, hoje em dia, muitas paróquias abandonaram o hábito de fazer práticas de piedade, como novenas, trezenas, cruzadas, ... e a TV pode ser o lugar onde o católico tem a oportunidade de viver essa experiência de oração, quando não a tem em sua comunidade local. Em terceiro lugar, aparecem as pregações com 20,51% dos programas mais assistidos. As pregações possuem conteúdo formativo, doutrinal, catequético, instrução moral, ética e litúrgica. Essa porcentagem revela que a TV tem prestado um serviço excelente à Igreja neste campo. Muitos fiéis que mantém o hábito de assistir a essas produções têm uma visão de fé mais esclarecida e madura, e, quando não sanados durante a transmissão, trazem ao padre da paróquia os questionamentos oriundos da audiência desses programas. Em quarto lugar, as bênçãos pontuaram 5,13% dos programas mais assistidos pelos entrevistados. As bênçãos são sacramentais e seria um tanto lógico imaginar que as pessoas as buscassem mais do que qualquer outro tipo de serviço religioso na mídia, mas a pesquisa não revelou isso. Ao contrário, embora essa porcentagem de modo algum seja desprezível, ela não revela o que parece óbvio no senso comum. Fica claro que as pessoas não têm as bênçãos em primeiro lugar, ou então, a pesquisa revela outra face do católico entrevistado, a de que ele não conhece a diferença entre um sacramento e um sacramental, isto é, não sabe a diferença entre uma missa e uma bênção. Contudo, vemos essa última alternativa como pouco provável, dado o nível de escolaridade dos participantes da pesquisa, bem como o seu engajamento na vida comunitária paroquial. Quanto à programação religiosa evangélica, o culto não registrou pontuação, o que significa que os entrevistados estão vendo outros tipos de programas não especificados, tanto evangélicos como de outras orientações religiosas não definidas. Talvez se trate de programações não habituais ou de que os próprios entrevistados não tenham o hábito de assistir, fazendo-o apenas esporadicamente e em ocasiões eventuais.

Acerca do tempo de que dispõem para assistir aos programas religiosos da TV, os entrevistados apontaram a noite em primeiro lugar com 41,03%. A frequência matutina aparece em segundo lugar registrando 28,20% dos que assistem a programação religiosa. O

período da tarde marcou 25,64% e a madrugada conferiu 5,13%. Vemos por estes resultados que a programação religiosa católica está disputando espaço em horário nobre com outras emissoras laicas, que neste mesmo período apresentam telejornais, novelas, seriados, filmes e futebol, que são programações prediletas do telespectador brasileiro no período noturno. Tendo o hábito de assistir aos programas religiosos, os entrevistados estão fora do ibope das grandes emissoras. Mesmo durante o dia, é altamente significativa a participação dos entrevistados na programação religiosa da TV, deixando de lado ou convivendo com programas infantis, culinária, telejornais, novelas e filmes. Isso explica o altíssimo investimento que as igrejas eletrônicas têm feito no Brasil com aquisição de concessões de canais de TV nos últimos anos, bem como, a própria Igreja Católica, que tem procurado, a seu modo, acompanhar o ritmo de crescimento desses investimentos.

Quando perguntados sobre quais programas religiosos mais gostam de assistir, os entrevistados apontaram o percentual de 56,41% para a missa. Mais uma vez a missa dispara na opção do telespectador entrevistado, coincidindo com os números apontados quando solicitados sobre que tipos de programas religiosos assistem na TV, ao que responderam 51,28% para a missa. E esse número vai subir quando isolarmos a missa na grade de programação religiosa. Na lista dos programas religiosos que os entrevistados mais gostam de assistir, seguem, após a missa, a novena do Divino Pai Eterno com 17,94%, o terço com 15,39% e a Escola da Fé com 10,26%, denominados pelos próprios telespectadores. Essa ordem de preferência concorda com o levantamento do item anterior que trata dos tipos de programas que os telespectadores entrevistados têm o hábito de assistir. No item dos tipos, a missa também aparece como o mais assistido, as novenas em segundo lugar, a formação em terceiro e as bênçãos em último. As missas, os entrevistados podem assistir em qualquer canal de TV de inspiração católica de sua preferência. A novena do Divino Pai Eterno é uma produção do Santuário do Divino Pai Eterno, na cidade de Trindade em Goiás, transmitida pela Rede Vida. O programa Escola da Fé é uma produção da TV Canção Nova que discute aspectos formativos doutrinais, teológicos, litúrgicos, conduzido pelo professor Felipe Aquino. Como foram os entrevistados mesmos a citar esses programas, conclui-se que os referenciais de porcentagem dessa programação realmente indicam sua grande penetração nos lares católicos, bem como retratam o modo como os entrevistados têm lidado com esses produtos midiáticos.

O próximo item da pesquisa buscou isolar a missa no contexto da programação religiosa da TV, para termos uma aproximação mais objetiva do nosso objeto de estudo. Àqueles que responderam assistir à programação religiosa televisiva, perguntamos se gostam de participar da missa pela TV. Obtivemos a porcentagem de 79,48% para os que disseram que gostam. Os que responderam não gostar de participar da missa pela TV somaram 20,52%. É importante, inclusive, considerar que, mesmo não gostando de participar da missa pela TV, os entrevistados já tiveram contato com esse programa ou esporadicamente o fazem, daí o comentário que vários participantes fizeram, e que analisaremos mais à frente, mesmo não tendo o hábito de acompanhar a missa pela televisão. Dos 79,48% que disseram gostar de participar da missa pela TV, 38,71% responderam que gostam porque lhes falta tempo para ir à igreja, 51,61% marcaram a opção outro, que indica outras possibilidades de dar preferência à missa pela TV, e 9,68% marcaram a opção porque a missa é mais bonita. Vemos, então, que quase oitenta por cento dos entrevistados que assistem aos programas religiosos da TV gostam de participar da missa televisionada. É um número surpreendedor, haja vista que os entrevistados têm contato com sua comunidade paroquial pelo menos uma vez por semana. Em segundo lugar, com 38,71%, a falta de tempo foi apontada pelos telespectadores como motivo de sua preferência pela missa televisionada. Talvez eles estejam se referindo à participação nas celebrações eucarísticas em dias da semana. Em primeiro lugar, e igualmente surpreendentes, são os 51,61% que preferiram não definir o motivo de sua preferência pela missa televisionada. Essa indefinição pode provir de uma série de situações que não favorecem à participação real do fiel à celebração eucarística na sua comunidade paroquial. Talvez seja o caso de considerarmos itens como segurança, estacionamento, horário da celebração, algo relacionado à pessoa do padre, distância de sua casa ou trabalho, trânsito, saúde, idade e tantas outras possíveis variantes. De qualquer forma, a pesquisa demonstra que há obstáculos significativos para a melhor frequência dos fiéis à participação da celebração eucarística na igreja, e isso acaba favorecendo sua assistência da missa pela TV, sem considerarmos os 9,68% dos entrevistados que disseram preferi-la porque é mais bonita do que a celebração eucarística de sua comunidade, o que também é uma verdade, pois a missa pela TV tem algo de glamoroso, espetacular, diferenciado do comum porque está na TV ou é uma produção da TV. Os 79,48% que responderam gostar da missa televisionada geralmente a assistem nos seguintes canais: Rede Vida em primeiro lugar com 45,16%, em segundo a TV Canção Nova com 22,58%, em terceiro a TV Aparecida com 12,92%, em quarto a Rede