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ECHR Protection of Property and the Norwegian Ground Lease Act

2 UiT The Arctic University of Norway - The Faculty of Law

2.3 ECHR Protection of Property and the Norwegian Ground Lease Act

Tanto as aproximações teóricas quanto as contribuições da pesquisa de campo nos permitem localizar a missa pela TV como um programa que incentiva a comunhão com a Igreja, que leva a presença confortadora da Igreja aos que de algum modo se encontram impossibilitados de ir à paróquia, e que contribui para o fortalecimento da fé de quem o assiste, mas que não possui valor sacramental199, devido ao limite da mediação. Seu papel, portanto, é eminentemente evangelizador.

Através do perfil da evangelização, como o programa católico preferido e mais assistido pelo público entrevistado, a missa televisionada ganha um destaque todo especial. Se, enquanto celebração litúrgica, o programa perde em participação e comunhão, enquanto comunicação da Palavra de Deus, isto é, do Evangelho, ela se efetiva plenamente, superando a barreira dos limites muitas vezes presentes no ambiente da igreja paroquial. A comunicação evangelizadora da TV tende a ser mais eficaz do que a pregação do padre na sua paróquia, onde os instrumentos de sonorização, por vezes, são o pior inimigo da ministração da Palavra de Deus, além do desconforto e das distrações circundantes. Nesse ponto, toda a potencialidade da TV, com seus mais inovadores recursos técnicos e conceituais, se encontra com a força transformadora do Evangelho em sua plenitude. Ocorre aqui uma combinação perfeita que resulta na atitude do telespectador em acolher de bom grado e se dispor de alma e coração à mensagem do Evangelho.

Muitos passos no estudo científico entre liturgia e comunicação midiática precisam ser dados no sentido de uma compreensão conceitual que melhor abrigue tão distintas realidades. Mas nessa fronteira, enquanto avançamos na pesquisa de tais conceitos, precisamos, hoje, privilegiar a evangelização, pois, de qualquer modo, toda comunicação mediada só se justifica pela vontade de os comunicadores em diálogo estabelecerem uma comunicação efetiva e plena, que podemos chamar de comunhão, encontro. É para o encontro que tende toda comunicação porque a comunhão é sua plenitude200. Entendemos, desse modo, que a

199 Cf. CNBB. Assembleia eletrônica litúrgica. Estudos 48. São Paulo: Paulinas, 1987, n. 36, pp. 22-23.

200 Cf. Orientações para a formação dos futuros sacerdotes, n. 3. In: DARIVA, Noemi (Org). Comunicação

comunidade eclesial é a expressão maior de comunhão, e, assim, o sentido da missa veiculada pela TV encontra-se em animar o telespectador a buscar e cultivar essa comunhão. Mover o telespectador disperso ao encontro da comunidade paroquial é o grande desafio da Igreja, e a pesquisa que realizamos mostra que a missa televisionada pode ser sua grande aliada nessa tarefa. Realizando esse papel, a liturgia eucarística presente na TV contribui para a evangelização e a edificação da comunhão da Igreja.

Enquanto comunicação que caminha para sua plenitude na comunhão, podemos dizer que sim, é possível ao fiel católico participar da liturgia eucarística pela TV. Trata-se de uma participação mediada, parcial, mas efetiva, verdadeira. A missa pela TV não é um imbróglio ou uma enganação. Ao contrário, embora esteja limitada enquanto programa midiático, ela também é lugar sagrado, ponto de encontro com Deus, através da oração da Igreja para todos quantos estejam em comunhão com ela.

Indagávamos ainda no primeiro capítulo sobre o fato de haver ou não espetáculo, entretenimento, na programação religiosa da TV, na ação televisiva de comunicar a liturgia da Igreja. Respondendo a esse questionamento, vimos na entrevista que para 9,68% dos participantes que gostam de participar da missa pela TV, existe nela algo de espetacular; gostam de assistir porque é mais bonita do que a celebrada em sua comunidade paroquial. Embora essa porcentagem seja a menor no item pesquisado, ela revela que a missa encontra- se em meio à natureza espetacular inerente à TV, e que, por vezes, a liturgia eucarística pode ser vista como mais um programa na grade de produção e que os membros da assembleia in loco da celebração televisionada podem ser vistos como artistas, inclusive, e principalmente, a figura do padre.

Alguns questionamentos a seguir sugiram no segundo capítulo, ao abordarmos a liturgia da comunicação midiática televisiva, especialmente quanto ao ponto de encontro entre essas duas esferas da cultura humana tão peculiares, tão específicas, e que têm uma da outra tentativas tão meticulosas de aproximação. Apesar dos melindres inerentes a essa aproximação, quiçá em virtude do ainda tenro domínio sobre a epistemologia da vinculação liturgia-mídia, as fontes teóricas e as contribuições advindas da pesquisa de campo nos levam a compreender que a economia midiática televisiva, com sua ritualidade e liturgia próprias, tem potencial, sim, de comportar em seu complexo universo a liturgia orante da Igreja e de conferir a ela um alcance ainda maior em sua eficácia. Poderíamos nos perguntar: em que

ponto, então, elas se intercruzam e se potencializam mutuamente? Diríamos que a liturgia midiática encontra-se com a liturgia da Igreja no momento em que aquela provoca no interlocutor uma reação, uma atitude em relação a esta última. E também podemos dizer que o mesmo ocorre quando movido pelo desejo da liturgia da Igreja, o telespectador recorre à comunicação da liturgia midiática. Vemos nisso a comunicação no seu nível mais básico, o meio permitindo aos comunicadores sua interação em vista do fim. Trata-se de uma mediação a serviço, fazendo um paralelo ao comentário de São João Crisóstomo201 sobre o start, o começo, o ponto de partida para se estar disposto a receber sacramentalmente o Cristo, e, assim, tomar parte plenamente da grande festa da Eucaristia. Entendemos, com isso, que a mediação da TV não é o fim, mas o começo do processo de comunhão, onde Cristo se faz tudo para os seus convivas, sendo ele mesmo o alimento dos que à mesa dele vão sentar.

Enquanto plenitude do processo comunicativo, a comunhão se expressa também na plena participação dos membros da assembleia litúrgica à mesa eucarística, não comportando, portanto, a ideia de comunhão à distância, como já dissemos acima, mas, quanto à participação, o telespectador a realiza de modo parcial. Seguindo essa linha de raciocínio, sabendo que sacramento é sinal visível e eficaz da ação de Deus na vida do homem, e que todo sacramental é apenas uma referência ao sacramento, como fica quem está longe, toma parte de um sacramento ou de um sacramental? Agora podemos responder a essa pergunta com toda clareza. Sabemos que por meio da televisão, o fiel não tem como participar plenamente dos sacramentos e nem dos sacramentais que reclamam matéria como, por exemplo, a água benta, muito utilizada nos programas religiosos televisivos. Há necessidade de o ministro e o que recebe esses sinais sacramentais estarem fisicamente presentes. Portanto, para quem está longe, nem sacramento nem sacramental. Ocorre nesse caso o que citamos acima sobre a ideia de comunhão espiritual. O telespectador participa da ação litúrgica midiática enquanto ora em comunhão com a Igreja. É na oração da Igreja que ele participa, e, por ela, recebe os abundantes frutos da graça divina.

Atingir a plenitude da comunicação, manifestada na comunhão entre os seres humanos e os próprios membros dispersos da Igreja entre si, é o propósito da relaçao simbólica entre a liturgia sagrada e a cultura midiática televisiva. Com seus princípios próprios de comunicar, a

201 Cf. BOROBIO, D. A celebração na Igreja 1. Liturgia e sacramentologia fundamental. São Paulo: Edições

mídia e a liturgia concorrem com seus símbolos e ritos para esse fim. O diálogo havido entre essas duas sublimes expressões do homem na sua busca de encontrar-se consigo mesmo e com Deus ainda possui um longo caminho de descobertas até sua maturidade. Por ora, esse caminho vai sendo trilhado como via para a evangelização, o que de modo algum desmerece qualquer das partes, porquanto cumprem a ordem do Criador e Salvador da humanidade.

Tanto os documentos da Igreja quanto os comentários dos entrevistados por nossa pesquisa demonstram essa vocação evangelizadora da TV. Imaginamos que se trate de um sinal dos tempos de que é por meio dela que a Igreja tem seu campo fértil para a semeadura da Palavra e sua abundante colheita. Não lançar mão de jogar as redes nessas profundas águas da cultura midiática contemporânea seria equivalente a desprezar a providência de Deus no exercício da missão de anunciar o Evangelho. A Igreja tem consciência disso e os fiéis católicos de perto ou de longe têm sede dessas águas abundantes, e querem ver o rosto da Igreja neste espaço que hoje predomina em suas vidas.

Um pouco mais desse horizonte aberto da evangelização, veremos na conclusão deste nosso estudo, buscando interligar o complexo universo midiático da TV com a cultura teológica da Igreja. Trata-se de um desafio às fronteiras do conhecimento na relação mídia- liturgia, desbravando a cultura midiática como meio de conquistar novos espaços para o cumprimento da missão evangelizadora e forma de redescobrir esse universo como espaço teológico.

CONCLUSÃO

A EVANGELIZAÇÃO NO ESPAÇO MIDIÁTICO

A televisão como lugar teológico

O Senhor Jesus comunicou à Igreja a sua missão e ordenou-lhe: “ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura!” (Mc 16,15). Impelida pelo mandamento do Senhor, a Igreja hoje se lança ao mundo midiático para nele cumprir sua missão de ser para toda a humanidade sacramento universal de salvação. Por isso, constitui parte desse lançar-se em missão a pesquisa metodológica de como fazê-lo. O nosso estudo encontrou muitas interrogações pelo caminho, muitas das quais já foram sendo respondidas, e outras tantas ainda seguem nossos passos.

A pesquisa que realizamos trouxe como objeto de estudo a celebração eucarística mediada pela televisão. Para chegarmos a esse objeto, contextualizamos de modo geral a televisão no espetáculo da cultura industrial, observando essa mídia sob o discurso jornalístico. Elegemos esse discurso como base para a reflexão da práxis televisiva porque o consideramos a expressão mais sublime do cotidiano midiático, pois foi em torno dele que todos os aparatos de mídia foram criados e estruturados, até o ponto em que ele também se tornou apenas um item do espetáculo mercantil da cultura industrial que fez da mídia sua criação mais genial. O objetivo dessa contextualização foi mostrar a ambiguidade da TV, com seu ambiente dominado pelo poder econômico, em contraposição com a presença litúrgica da celebração eucarística que significa uma realidade absolutamente outra, diametralmente oposta.

A incursão no contexto histórico da televisão nos permitiu observar a complexidade das relações que dão estrutura ao discurso midiático, e vimos que tais relações são ancoradas ao processo de produção industrial. Até os nossos dias, utilizamos a terminologia produção para identificar o fazer televisivo, e seus resultados como produtos de TV. A nossa investigação conseguiu observar que esse caráter escuso da produção televisiva é um grande empecilho para uma presença mais efetiva da Igreja nesse ambiente, dados os altíssimos investimentos que é necessário dispor, mas isso não impossibilitou a apresentação da Santa Missa.

A televisão é a mídia que melhor vende a ideia mercadológica de produção cultural. Ela é a mais distinta interlocutora de uma sociedade pautada pela construção do espetáculo, do consumo, da complexidade e volatilidade de valores, como também do estar só no meio da multidão, do isolamento, da individuação. A TV conclama seu interlocutor para um diálogo pautado, que para ele tem ares de participação efetiva, de tomada de decisão, mas para ela é apenas ludicidade, entretenimento. O telespectador interage com sua interlocutora sabendo que ela é uma caixa de fantasias, aquelas prometidas e vendidas como produtos de mercado. A pesquisa de campo que realizamos mostra a consciência que o telespectador tem diante da TV e a autonomia dele, ao mesmo tempo que vê nela qualidades que não encontra no cotidiano comunitário, inclusive o conforto do sonho que ela é capaz de lhe proporcionar por meio de sua reprodução simbólica.

Consideremos que em nossos dias a TV está em todo lugar, portátil em todo tamanho, com programas produzidos para todos os bolsos, com acessos interativos que fazem dela algo muito além de um antigo armário inamovível de vinte e quatro polegadas sobre uma cômoda na sala de estar. A TV não se limita a movimentar imagens e colocar cores nelas. Ela cria novas paisagens urbanas e mentais, constrói novas narrativas, novos contextos discursivos através de um clique em qualquer microrreceptor de sinal, portado em qualquer lugar de acesso virtual no planeta. O aparato tecnológico de mídia atual permite à TV uma potencialização comunicativa jamais imaginada em outra época de nossa história, gerando interação e compartilhamento de informações entre interlocutores em diferentes partes do globo que podem estar em cadeia virtual participando de um determinado programa televisivo.

Apesar de toda essa evolução tecnológica, a televisão ainda tem os mesmos pressupostos estruturais que a definiam desde o momento de sua criação enquanto mídia. Sua base é a linguagem econômica. Seu ponto de partida e objetivo é a venda, a movimentação do mercado de bens de consumo. E, nesse sentido, ela não tem um compromisso de fidelidade com a dignidade humana se isso também não for precificado. A Igreja, por exemplo, paga o preço da TV para estar no ar, isto é, para se fazer presente no espaço midiático, pela sua concessão e manutenção de canais, que movimentam milhões de reais mensalmente. Encontramos nisso o paradoxo da exigência anúncio do Evangelho. Ao mesmo tempo em que

é preciso ir evangelizar, esse gesto missionário é sempre gratuito da parte de Deus e do mesmo espírito deve se revestir o evangelizador.

A linguagem da TV, grosso modo, apresenta incompatibilidade de convivência com a peremptoriedade discursiva do Evangelho, como também, seria uma ilusão imaginar que a cultura televisiva consiga comportar o peso simbólico e eficaz da liturgia sacramental sem que haja do ponto de vista teológico um jeito novo de olhar para essa mediação que permita à TV, dentro de seus limites de mídia, comunicar a experiência do divino, fazendo os telespectadores participarem do Mistério de Cristo. Tal participação é plena na mesa da Palavra, mas parcial na mesa da Eucaristia em virtude da impossibilidade de o telespectador comungar. Supomos, portanto, que a Igreja está no caminho certo quando acredita ser necessário investir mais na pesquisa desta relação, em vista da superação de tal dicotomia, crendo na possibilidade de uma aproximação maior dos fiéis com o mistério eucarístico celebrado através da mediação televisiva.

Os documentos da Igreja que se ocupam deste tema incentivam a missa televisionada de modo privilegiado aos enfermos e idosos, mas não só a eles serve a celebração eucarística pela TV. A pesquisa que realizamos mostra que, mesmo destacando a qualidade insuperável da celebração eucarística em sua comunidade, a maioria dos entrevistados que assistem à missa pela televisão, atuantes em sua comunidade paroquial, o fazem por inúmeros motivos, dentre os quais, porque se sentem confortados pela presença de Deus, pela força da Palavra e pela curiosidade de aprender algo novo sobre a fé. Compreendemos, então que, mesmo que não seja plena, a Igreja exerce, pela missa televisionada, seu sinal visível do mistério de Cristo no mundo; realiza sua missão de evangelizar, pregando a Palavra de Deus, e confirmando todos os que, na qualidade de assembleia eletrônica, participam da celebração litúrgica.

A televisão espelha as relações da sociedade que a mantém. Portanto, a chave de leitura de sua linguagem é exatamente essa. Apropriando-se de sua cultura particular, a Igreja pode, falando pela TV, mostrar Cristo ao mundo, sem que necessariamente se projete na tela uma imagem caricaturada de Cristo aos moldes contemporâneos. Assim sendo, a TV também pode espelhar fielmente a celebração litúrgica da Igreja, se os católicos e profissionais envolvidos no processo decodificarem ambas as linguagens em vista da comunicação do Evangelho. Trata-se, precisamente, de uma tarefa que se confia à produção dos programas

televisivos de orientação católica. Embora o conteúdo, por vezes, pareça ter um acento doutrinal e moralista, atualmente, as TVs Canção Nova e Aparecida, de modo especial, têm investido muito na linguagem televisiva de última geração em fins de evangelizar a partir da cultura contemporânea, falando a língua do homem de hoje. Os programas de evangelização dessas emissoras atingem, como vimos na pesquisa de campo, muitos lares brasileiros e estão sendo muito bem recebidos, ficando atrás apenas da missa, que é a programação preferida do povo católico.

Se, de um lado, a celebração eucarística tem aquele seu caráter próprio e inalterável, do outro as emissoras de TV parecem se sentir à vontade ao produzir seu estilo próprio de celebrar. A mensagem que se transmite com isso é a de coexistência de modelos ideais. Nesse sentido, por exemplo, cada emissora de inspiração católica apresenta a celebração a partir de seu carisma e espiritualidade próprias, fazendo com isso, uma opção autônoma de estilo celebrativo. Tal diferenciação é natural que ocorra porque essa é a realidade da vida da Igreja em toda a sua diversidade, abrigando sob o seu manto inumeráveis ordens, congregações e comunidades de vida, cada uma com seu jeito específico de conferir ao mistério eucarístico nuanças particulares no modo de celebrá-lo.

A celebração eucarística pela TV enfrenta as interferências econômicas do ambiente midiático, e, senão no espaço, é no tempo destinado à transmissão que esse fator se verifica. Nós mesmos, quando das diversas oportunidades que temos de presidir a missa pela Rede Vida, nos fazemos testemunhas disso. A contagem do tempo da TV interfere diretamente na condução da celebração eucarística realizada no estúdio-santuário da emissora. Celebrada ao vivo, a missa pela TV está condicionada às vicissitudes do tempo, às vezes, devido à entrada em cadeia nacional de alguma voz política, de uma notícia de caráter urgente, da transmissão de uma partida de futebol, ou mesmo, para a correção do tempo regulamentar de horário das propagandas e demais programações da grade diária. São situações que forçam o presidente da celebração a acelerá-la ou contê-la para fazê-la caber no espaço de tempo disponível. Tudo vai sendo sutilmente realizado em combinação com o presbítero de modo que o telespectador quase sempre não percebe qualquer mudança na dinâmica da celebração. Contudo, perde-se na qualidade da homilia, dos cantos e da própria oração eucarística quando a ordem é acelerar o processo, porque, de algum modo isso perturba a concentração do sacerdote. Diante disso, em seus documentos, a Igreja é bem clara em sua opção por um modelo de comunicação

pautado nos princípios éticos da fé cristã e valores do Evangelho. Descobrir esse ponto de encontro é imprescindível para a manutenção da missão da Igreja nos ares da televisão com o mais alto nível de qualidade que a ação litúrgica e também evangelizadora requer.

Embora se apresente uma barreira conceitual aparentemente intransponível entre os ganhos litúrgicos e sacramentais para a vida da Igreja a partir da mediação televisiva, o momento atual é de oportunidade para a conquista de novos horizontes para o pensar teológico e litúrgico, como também de experimentação de novas possibilidades para a tecedura de discursos televisivos que contemplem aqueles horizontes de fé. A Igreja está nesse caminho de busca, e convoca os cientistas e pesquisadores de ambas as áreas do conhecimento e da cultura à colaboração conjunta em vista de uma comunicação mais plena. Tal urgência nesse empreendimento provém das demandas do relacionamento social contemporâneo, que anseia pela abertura de espaços para o diálogo e a compreensão, derrubando barreiras e alargando perspectivas. É um sinal dos tempos ao qual a Igreja está seguramente atenta, como afirma o Documento de Aparecida:

Queremos felicitar e incentivar a tantos discípulos e missionários de Jesus Cristo que, com sua presença ética coerente, continuam semeando os valores evangélicos nos ambientes onde tradicionalmente se faz cultura e nos novos areópagos: o mundo das comunicações... Evangelizar a cultura... [é um gesto] que nasce do amor apaixonado por Cristo202.

O discurso midiático da TV é construído, proeminentemente, à base do