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Criminal insanity and the law’s understanding of mental disorders

4 University of Bergen, Faculty of Law

4.2 Criminal insanity and the law’s understanding of mental disorders

Tal opinião pode ser reforçada quando o significado de mar é considerado. O caos ou a desordem causada pela própria liberdade e atuação do opressor acaba se voltando contra ele mesmo. Isto, visto à luz da fé por aquele que é oprimido, é reconhecido como ação divina em seu favor.

V. 20a: No livro do Êxodo, o nome Míriam220 se faz presente somente neste

versículo. Segundo Pablo R. Andiñach, tal nome pode ser de origem egípcia, cujo significado é “amar”. Entretanto, pode também ser de origem ugarítica: “altura”, “eminência” ou ainda de origem cananeia: “oferenda”, “dádiva”. “A LXX traduz o nome por Marian, e Flávio Josefo, por Marianne. É o nome hebraico que corresponde a Maria no texto grego”.221

O autor do poema decide apresentar Míriam utilizando uma dupla característica, como profetisa

Seu papel neste texto e sua proeminência na narrativa são valorizados, e um espaço para o desenvolvimento de sua personalidade é aberto.

222

217 Cf. LARSSON, Göran. Bound for Freedom…, p. 102.

e como a irmã de Aarão. Sabe-se que na tradição bíblica outras mulheres também são consideradas profetisas: Débora (Jz 4,4), Hulda (2 Rs 22,14) e Noadias (Ne 6,14). A tradição rabínica ainda acrescenta outras três: Ana, Abigail e Ester. São, portanto, sete as profetisas ativas do tempo bíblico e Míriam se encontra

218 Sarna e Cassuto também comungam da mesma opinião (cf. SARNA, Nahum M. The JPS

Torah Commentary…, p. 82; CASSUTO, Umberto. A Commentary…, p. 181).

219 Cf. ANDIÑACH, Pablo R. O livro do Êxodo…, p. 209.

220 Fora do Pentateuco, Míriam aparece associada aos seus dois irmãos Moisés e Aarão em Mq

6,4 e em 1Cr 5,29 (cf. nota de rodapé em DOZEMAN, Thomas B. God at War…, p. 169).

221 ANDIÑACH, Pablo R. O livro do Êxodo…, p. 210.

222 Há uma suposição de que Míriam é chamada de profetisa por causa de sua atitude extática de

cantar e dançar, já que este é um dos significados hebraicos do termo ‘profeta’ (Cf. ALTER, Robert. The Five Books of Moses…, p. 402).

entre estas.223 Entretanto, Míriam parece ser uma das mais conhecidas pela tradição, conforme mostra o artigo definido “a”, já comentado na primeira parte deste capítulo. Uma segunda característica é dada a ela, a qual é identificada como sendo a irmã de

Aarão. Tal designação exclui a menção a Moisés. Isto pode ser compreendido pelo fato de, na cultura antiga, haver a prática de identificar a mulher com seu irmão mais

velho.224 Pablo R. Andiñach sugere também que “o redator já pode ter em vista a

rivalidade futura entre Moisés e Míriam”.225

Segundo Davies G. Henton, o fato de Míriam ser associada a Aarão já é usual na Bíblia, inclusive, eles são até postos em contraposição a Moisés. Por isso, outros estudiosos defendem a tese de que Aarão e Míriam são personagens pertencentes a uma tradição maior já perdida e que só mais tarde eles foram feitos membros da família de

Moisés.226 Já Rashi apresenta outras duas possibilidades de explicação: ela é chamada como tal “porque ele [Aarão] arriscou sua vida por ela quando ela foi castigada com lepra (cf. Nm 12,10-11)” e ela teria se manifestado como profetisa “quando era irmã de Aarão (somente), antes de Moisés ter nascido”. Segundo o “Tratado de Sotá”, ela teria dito: “Minha mãe dará a luz um filho”.227

Há ainda outras opiniões a esse respeito de acordo com a interpretação judaica. Ramban sustenta que o nome de Aarão aparece aqui porque a Torá quer honrá-lo, já que não o menciona em toda a canção. Já Kli Yakar diz que o objetivo é pedagógico, a fim de “ensinar que seu nível de profecia [o de Míriam] era semelhante ao de Aarão, mas não semelhante ao de Moisés”. Finalmente, Rashi reconhece a fama dos poderes dessa mulher ao ponto de ser reconhecida como profetisa desde a sua infância.228

223 Cf. SARNA, Nahum M. The JPS Torah Commentary…, p. 82.

Não vale julgar qual dessas hipóteses estaria mais ou menos correta porque não se trata aqui de provar nada. O importante é reconhecer o quanto de tradição se construiu em torno dessa figura feminina mesmo em meio a uma cultura onde a figura masculina é mais benquista.

224 Cf. ALTER, Robert. The Five Books of Moses…, p. 402. Tal prática ainda pode ser

verificada em Gn 4,22; 28,9; 36,22.

225 Cf. ANDIÑACH, Pablo R. O livro do Êxodo…, p. 210. 226 Cf. DAVIES, G. Henton. Exodus…, p. 130-131.

227 SHLOMO, Yitzjaki (Rashi). Éxodo…, p. 79 (tradução nossa). O rabino Chaim Miller traz a

frase de Míriam mais completa: “Minha mãe está destinada a carregar um filho que salvará Israel”, e, por isso, torna-se mais interessante para o leitor cristão porque o faz lembrar logo de Jesus, o qual, numa leitura tipológica do NT, é interpretado como sendo o novo Moisés (cf. MILLER, Chaim. Chumash. O livro do Êxodo…, p. 105).

Thomas B. Dozeman sustenta que há três aspectos no v. 20 que podem indicar ser este canto de tradição sacerdotal: o fato de Míriam ser a cantora, irmã de Aarão e

profetisa. Não obstante pareça estar numa posição obscura no Pentateuco, ela é uma das três personagens (junto com Moisés e Aarão) ligadas diretamente ao êxodo. Míriam recebe o privilégio de proferir a última palavra do comentário profético do evento do

mar.229

V. 20b: Os tamborins230

Quanto à informação de que todas as mulheres tinham consigo tamborins, alguns personagens judeus expressaram opiniões divergentes no que concerne ao significado destes instrumentos. Rashi afirma que as mulheres haviam trazido consigo do Egito esses tamborins porque, sendo justas, tinham certeza de que Deus operaria

milagres para seu povo. Tseidá Laderech, por sua vez, sustenta que a razão está na proibição judaica de um homem poder ouvir o canto de uma mulher, assim, o som dos

tamborins teria disfarçado as vozes femininas. Entretanto, uma terceira opinião judaica salienta a insustentabilidade da explicação de Tseidá Laderech e ainda lembra que é sabido que os judeus saíram do Egito levando todas as suas posses, então, o fato de as mulheres terem levado consigo seus tamborins não seria um problema, já que a maioria das famílias possuía instrumentos primitivos para suas celebrações familiares.

podem ser comparados a um tambor portátil ou a um instrumento de percussão utilizado exclusivamente por mulheres.

231

229 Cf. DOZEMAN, Thomas B. God at War…, p. 160. Observe a tendência de Dozeman por

uma leitura diacrônica do texto, o que, no mínimo, chama a atenção do ouvinte-leitor.

230 Na guerra contra a Assíria, há a alusão a instrumentos musicais, como os tamborins à

passagem do SENHOR (cf. Is 30,32). Veja também Gn 31,27, no contexto de conflito entre

Jacó e Labão, a alusão ao mesmo instrumento musical.

Figura 2: Mulher dançarina com tamborim nas mãos. In: KEEL, Othmar. Die Welt der