• No results found

A sexualidade no idoso está ligada ao aumento gradativo da expectativa de vida nas últimas décadas.

Segundo MARTINS (2002), os fenômenos do envelhecimento e da velhice e a determinação de quem seja idoso, muitas vezes, são considerados com referência às restritas modificações que ocorrem no corpo e na dimensão física. Ao longo do amadurecimento, o ser humano vai se transformando qualitativamente, vencendo sucessivos conflitos evolutivos e seu ego vai ganhando novas qualidades (NERI, 2011).

As mulheres possuem maior longevidade que os homens, as mulheres brasileiras tendem a ficarem viúvas com maior probabilidade do que os homens (OLIVEIRA; PASIAN, 2001) e, segundo estes dados, este fato traz um risco, uma vez que a mulher é física e socialmente mais frágil, levando à feminização da velhice, o que pode implicar em problema médico e social. Os idosos de modo geral, são objeto de um discurso ambíguo das instituições sociais e do Estado brasileiro, que ora os protege, ora os responsabiliza como causadores dos males que afligem os sistemas públicos de saúde e de previdência (NERI, 2001).

A sexualidade na terceira idade é frequentemente vista e baseada em velhos estereótipos, como também é associada à disfunção ou insatisfação.

Esta imagem de que as pessoas idosas não são atraentes fisicamente, não sentem interesse pelo sexo ou são incapazes de sentir algum estímulo sexual, unidos à falta de informação, induzem a uma atitude preconceituosa em relação ao sexo na velhice.

Segundo PERES et al. (2000), a sexualidade humana forma parte integral da personalidade de cada um. É uma necessidade básica e um aspecto do ser humano que não pode ser separado de outros aspectos da vida. A sexualidade não é sinônimo de coito e não se limita à presença ou não do orgasmo. Sexualidade é forma para contato e intimidade, e se expressa em sentir, no movimento das pessoas e como estas tocam e são tocadas. Assim, a sexualidade é mais abrangente do que o simples ato sexual (SANTOS, 2010).

Rev. Cie. Fac. Edu. Meio Ambiente v. 6, n. 2 (Supl. I), 1-366, 2015. Página 82 de 366

ABDO (2003) define a sexualidade como uma maneira de expressar afeto, uma forma dos indivíduos se descobrirem e de descobrir os demais e salienta que é uma vivência individual, na qual desejos e condutas diferenciadas são experimentados e isto faz com que cada pessoa se perceba como um ser sexual. Alguns fatores como formação moral, religião e imposição de papéis sexuais, podem resultar em grande sofrimento e angústia. Para FOUCAULT (1984), o prazer não está relacionado ao funcionamento do aparelho genital, mas tem a ver com uma série de excitações e de atividades presentes desde a infância. Isto porque o organismo humano reconhece o prazer sexual como uma satisfação natural de uma necessidade fisiológica, tal como a respiração, alimentação, dentre outros.

Sexualidade de homens idosos

No caso dos homens, um estudo afirma que, diante da modificação do padrão das ereções, elas podem perder a intensidade e duração, com aumento do período refratário (MALDONADO, 1994). Para muitos homens, grande parte de sua auto-estima centra-se no poder do órgão genital, o que pode levar à depressão e angústia quando ocorre alguma disfunção erétil. É preciso, no entanto, perceber que essa limitação pode-se transformar em novas possibilidades por meio de outras práticas sexuais, do refinamento do erotismo, novos ritmos de prazer, com mais espaço para a ternura, carinho, carícias e sensualidade (SIQUEIRA; PEREIRA, 2007).

Sexualidade de mulheres idosas

As mulheres continuam vivendo mais, fato observado na expectativa delas que avançou de 73,9 para 77 anos. É importante considerar que nos dias atuais, diferentemente de épocas passadas, o fim da fase “reprodutiva” da mulher não coincide mais com o término da vida “produtiva”, pois com a expectativa de vida de quase 80 anos, ela poderá viver metade de sua vida após a menopausa (COELHO; FRANCO, 2009).

Para a mulher as mudanças ocasionadas pelo envelhecimento significam passar por perdas decorrentes, principalmente de mudanças na aparência física, cabelos embranquecidos, diminuição da acuidade visual e auditiva, a lipossubstituição corporal. No entanto, a mulher idosa não irá perder a capacidade de ter orgasmo, apesar de todos os preconceitos pessoais e sociais que enfrenta. É por meio do encontro com o companheiro que ela aprimora a qualidade dos vínculos e estes, quando saudáveis, fortalecem essa capacidade de desejar, de buscar prazer na sexualidade e de amar. Inclusive, muitas mulheres relatam “que hoje na terceira idade pode até

Rev. Cie. Fac. Edu. Meio Ambiente v. 6, n. 2 (Supl. I), 1-366, 2015. Página 83 de 366

usufruir mais a relação sexual do que quando era jovem, pois a sexualidade vai além de orgasmos, tem a ver com comunhão, com tocar e se deixar ser tocada, acariciar e se deixar ser acariciada, ter e dar prazer” (MENDONÇA; INGOLD, 2006, p. 209). Esta questão expõe também a diferença entre a sexualidade feminina e masculina.

Estigmas da sociedade

As mudanças culturais ocorridas nas últimas décadas e o advento de novas tecnologias para prolongar a vida sexual não impediram o estereótipo do "idoso assexuado", o qual permanece arraigado na sociedade, influenciando não só as representações dos próprios idosos, como também as políticas públicas e programas de investigação (SALDANHA; ARAÚJO, 2006, SANTOS; ASSIS, 2011)

Segundo MENDONÇA et al (2006), os indivíduos mais jovens e a sociedade tendem a achar que as mulheres idosas não necessitam e não gostam mais de manterem relações sexuais. Quando elas apresentam qualquer manifestação, por mais tênue que seja, são freqüentemente discriminadas. A sexualidade dos idosos, também é tratada em módulos, não sendo considerada parte integrante da vida cotidiana das pessoas mais velhas. Entretanto, uma mudança sociocultural demonstrada por atitudes relativas à sexualidade e ao envelhecimento vem desafiando o estereótipo tradicional da "velhice assexuada", na medida em que a função sexual passou a ser vista como um componente vital para almejar uma vida mais longa e acompanhada de qualidade.

5. CONSIDERAÇÕES

Com o passar dos anos, a frequência da atividade sexual diminui e esta condição é mais vivenciada pelas mulheres em contrapartida aos homens, que referem ainda vivenciar a sexualidade, mesmo com menos vitalidade devido à idade e suas conseqüências. A sexualidade na terceira idade é vivenciada e desfrutada de diversas formas, tais como troca de afeto, carinho, toque, olhares, troca de carícias e não mais somente ao ato sexual e esta satisfação depende do estado de saúde física e mental de cada indivíduo. Diante das particularidades da sexualidade, podemos averiguar diferentes estratégias utilizadas, por idosos e idosas, para melhorar a qualidade e dar continuidade a vida sexual independente da idade.

Rev. Cie. Fac. Edu. Meio Ambiente v. 6, n. 2 (Supl. I), 1-366, 2015. Página 84 de 366

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABDO, C.H.N. Projeto Sexualidade. Disponível em URL: http://www.museudosexo.com.br/5_home.asp. [Acesso em 12 agosto 2012]. 2003;

COELHO, S. FRANCO, Y. Saúde da mulher. Porto. Belo Horizonte: Nescon/UFMG, Coopmed, 2009;

FOUCAULT, M. A história da sexualidade II: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Graal, 1984; GINSBEG, T.B., POMERANTZ, S.C., KRAMER-FEELEY, V. Sexuality in older adults: behaviours and preferences. Oxford University Press on behalf of the British Geriatrics Society. Age and Ageing. 2005;

GRADIM, C.V.C., SOUSA, A.M.M., LOBO, J.M. A prática sexual e o envelhecimento. Cogitare Enferm. 2007;

JACOB, L. Sexualidade na Terceira Idade. Disponível em www.socialgest.pt. [Acesso em 13 de agosto de 2012]. 2006;

MALDONADO, M. T. Amor, sexualidade e erotismo nos maiores de 40. Revista Brasileira de Sexualidade Humana, v. 5, n. 2, jul./dez. 1994.

MARTINS, C. R. M. O envelhecer segundo adolescentes, adultos e idososusuários do SESC Maringá: um estudo de representações sociais,168 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia) - Departamento de Psicologia,Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis. 2002.

MENDONÇA, A.M.L., INGOLD, M. A sexualidade da mulher na terceira idade. Ensaios e Ciência. Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal. Brasil. Disponível em URL: http://redalyc.uaemex.mx/src/inicio/ArtPdfRed.jsp?iCve=26012809020 [Acesso em 22 ago 2012]. 2006;

MORAES, K.M. et al. Companheirismo e sexualidade de casais na melhor idade: cuidando do casal idoso. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol., Rio de Janeiro, 2011;

NERI, A.L. Envelhecimento e qualidade de vida na mulher. II Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia; Campinas. São Paulo: UNICAMP; 2001;

NERI, A.L. Maturidade e velhice: trajetórias individuais e sócio-culturais. Campinas. São Paulo. 2011;

OLIVEIRA, E.A., PASIAN, S.R. A vivência afetiva em idosos. Revista Psicologia Ciência e Profissão. 2001;

PERES, C., et al. Fala educadora & fala educador .Programa Nacional de DST/AIDS. Secretaria de Estado da Saúde; 161 p. ilus. (ARTIGO__http://bases.bireme.br/cgibin/wxislind.exe/iah/online/?IsisScript=iah/iah.xis&src=google &base=LILACS&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=268621&indexSearch=ID). [Acesso em 12 agosto 2012]. 2000.

SALDANHA, A.A.W., ARAÚJO, L.F. Viver com AIDS na Terceira Idade. In: Congresso Virtual. Congresso Virtual HIV/AIDS. [Acesso em 12 ago 2012] Disponível em URL:www.aidscongress.net/article.php?id_comunicacao=296. 2006;

SANTOS, A.C.C. Formação de professoras(es) em gênero e sexualidades: novos saberes, novos olhares. [internet] Disponível em URL:

Rev. Cie. Fac. Edu. Meio Ambiente v. 6, n. 2 (Supl. I), 1-366, 2015. Página 85 de 366

http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1278296972_ARQUIVO_textofazendogenero .pdf [Acesso em 17 agosto 2012]. 2010;

SANTOS, A.F.M., ASSIS, M. Vulnerabilidade das idosas ao HIV/AIDS: despertar das políticas públicas e profissionais de saúde no contexto da atenção integral: revisão de literatura. Rev. Bras. Geriatr. Gerontol. 2011;

SARDEIRO, P.N. Sexualidade na meia idade. [internet] Disponível em URL: http://www.webartigos.com/artigos/sexualidade-na-meia-idade/54151/. [Acesso em 22 agosto 2012]. 2010;

SIQUEIRA, T.C.B., PEREIRA, A.B.M. Terceira idade e sexualidade: um encontro possível? Fragmentos de cultura. Goiânia, v. 17, n. 3/4, p. 271-277, mar./abr. 2007;

ZORNITA, M. Os novos idosos com AIDS: sexualidade e desigualdade à luz da bioética. Rio de Janeiro. Dissertação [Mestrado em saúde pública] – Fundação Oswaldo Cruz. 2008.

Rev. Cie. Fac. Edu. Meio Ambiente v. 6, n. 2 (Supl. I), 1-366, 2015. Página 86 de 366

CONTAMINAÇÃO DA ÁGUA POTÁVEL POR ESPÉCIES DE MICRORGANISMO

Outline

RELATERTE DOKUMENTER