Rafaela Cristina Bandeira Maia (MAIA, R.C.B.): Discente do curso de Bacharel em Enfermagem da FAEMA.
Rogério Anderson Souza dos Santos (SANTOS, R.A.S.): Discente do curso de Bacharel em Enfermagem da FAEMA.
Fabrícia Monteiro Soares (SOARES, F. M.): Discente do curso de Bacharel em Enfermagem da FAEMA.
Thays Dutra Chiarato(CHIARATO, T. D.):Especialista, professora do curso de Bacharel em Enfermagem da FAEMA.
1. INTRODUÇÃO
Esse trabalho versa sobre a importância de recursos humanos diante do reprocessamento de qualidade, pois com o passar dos tempos e a partir dos avanços tecnológicos, proveniente da área médico cirúrgica em consonância com surgimento de materiais médico-hospitalares mais complexos e do conhecimento acerca de infecções hospitalares, percebeu-se a necessidade de melhores adaptações envolvendo o CME. Deste modo, atualmente essa unidade tornou-se centralizada e independente, possuindo responsabilidade ativa sob a qualidade dos materiais processados. (PEZZI; LEITE, 2010).
Considerando a RDC n° 15, de 15 de março de 2012, é importante destacar que o processamento desses materiais, deve ser realizado por profissionais qualificados e devidamente regulamentados por seus conselhos de classe, onde o responsável técnico deve ser um profissional de nível superior e legalmente habilitado, este por sua vez assume a responsabilidade técnica pelo serviço de saúde ou pela empresa processadora diante da vigilância sanitária. (BRASIL, 2012).
Ao abordar-se a RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, que dispõe sobre o Regulamento Técnico para planejamento, programação, elaboração e avaliação de projetos físicos de estabelecimentos assistenciais de saúde, percebe-se que as atividades desenvolvidas dentro
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do CME incluem além de todas as etapas cabíveis ao processamento de materiais para saúde, o planejamento, organização, coordenação, supervisão, escala, treinamento e educação continuada. (BRASIL, 2002).Diante do exposto, surge a importância do enfermeiro dentro do CME, visto que de acordo com a lei do exército profissional n° 7.498, de 25 de junho de 1.986, a direção, chefia, organização, planejamento, coordenação e avaliação dos serviços prestados em instituições de saúde, correspondem a funções privativas do profissional enfermeiro. (BRASIL, 1986).
Essa ideologia é fortalecida pela Sociedade Brasileira de Centro Cirúrgico, Centro de Recuperação Anestésica e Centro de Materiais e Esterilização –SOBECC (2013, p.15), onde menciona-se que “o enfermeiro enquanto integrante da equipe de saúde, reúne condições imprescindíveis para assumir a responsabilidade pelo CME”.
Justifica-se a escolha do tema, ao considerar a importância do CME e de profissionais preparados para a execução dessas atividades, visto que, o trabalho realizado no CME, reflete diretamente na segurança e na qualidade da assistência prestada. Deste modo, esta pesquisa visa discorrer sobre a importância do profissional enfermeiro e de recursos humanos qualificados dentro do CME, fazendo uma abordagem sobre a contribuição destes para um processamento de qualidade e assistência segura.
2. OBJETIVOS
Os objetivos desse trabalho é discorrer sobre a importância do profissional enfermeiro e de recursos humanos qualificados dentro do Centro de Materiais e Esterilização, fazendo uma abordagem sobre a contribuição destes para um processamento de qualidade.
3. METODOLOGIA
Esse estudo foi realizado por meio de revisão bibliográfica, de artigos disponíveis e publicados em base de dados da Biblioteca Virtual da Saúde (BVS) - que compreende a SciELO (Scientific Eletronic Library Online), Sistema de Informação da do Ministério da Saúde / Vigilância Sanitária (ANVISA) e acervo da biblioteca Júlio Bordignon. Não há delineamento temporal das publicações, uma vez que há publicações relevantes consideradas antigas, como “lei 7.498, de 25 de junho de 1.986”. Foram utilizados para esta pesquisa 01 livro, 11
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artigos e 04resoluções e leis.Os critérios de inclusão utilizados,foram a analise do material publicado sem período cronológico específico,em língua portuguesa, disponíveis em bases de dados cofiáveis e diretrizes,com disponibilidade integral,e pertencente a acervos de bibliotecas, que possuíam relevância com a temática proposta. Como critério de exclusão, não utilizou-se materiais publicados em língua estrangeira, que não fossem trabalhos científicos de revisão ou diretrizes, não estivessem disponíveis na integra,pertencentes a fontes deficitárias ou duvidosas e que não tinham confecção com a temática proposta.Os descritores em Saúde (DeCS) utilizados foram os seguintes: Centro de Esterilização; Infecção Hospitalar; Papel do Enfermeiro e Recursos humanos.
4. REVISÃO DE LITERATURA
O CME é caracterizado como uma unidade de apoio técnico, que objetiva fornecer materiais para saúde adequadamente processados para todos os serviços assistenciais. (BRASIL, 2002). Este por sua vez, pode estar inserido ou não dentro de uma instituição de saúde, levando em consideração a possibilidade do mesmo existir como uma empresa prestadora de serviços independente. (TAUBE; MEIER, 2006).
A prática de reprocessamento de produtos para saúde, já é rotineira nos tempos atuais, esta por sua vez, objetiva garantir que a reutilização desses produtos ocorra de maneira segura. As atividades realizadas dentro do CME incluem a recepção, limpeza, inspeção de integridade, e de funcionabilidade, preparo, desinfecção, esterilização, acondicionamento/guarda e distribuição dos artigos processados, sendo o CME responsável pela qualidade do material, necessária para a prática de assistência livre de risco de infecção hospitalar. (COSTA, et al, 2011).
As Infecções Hospitalares (IH) correspondem a processos infecciosos adquiridos pelo cliente após a internação, que podem estar relacionados com a mesma ou procedimentos hospitalares, estes manifestam-se tanto durante a internação como também posteriormente a alta hospitalar. (PEREIRA, et al, 2005).
Deste modo, de acordo com a RDC n° 8 de 27 de fevereiro de 2009, Art 10, “o serviço de saúde deve possuir registro que permita a rastreabilidade do instrumental cirúrgico, consignado ou não, e produtos para saúde submetidos à esterilização [...]”, o que possibilita,
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mediante a suspeita de infecção hospitalar, o descarte ou confirmação de hipóteses que apontem a origem da IH para materiais reprocessados. (BRASIL, 2009, p. 02).
Diante do exposto, levando em consideração principalmente aspectos gerenciais que norteiam princípios ligados não apenas a segurança da equipe que desenvolve o processamento, mas também a qualidade e a segurança da assistência prestada ao paciente, vale colocar a importância da presença de um profissional enfermeiro neste setor, segundo a RDC n° 15, de 15 de março de 2012, o CME como empresa independente ou como unidade do serviço de saúde, deve possuir um responsável técnico legalmente habilitado e de nível superior, esse profissional assume responsabilidade diante da vigilância sanitária, o qual pode responder por “[...] infração sanitária, nos termos da Lei nº 6.437, de 20 de agosto de 1977, sem prejuízo das responsabilidades civil, administrativa e penal cabível”. (BRASIL, 2012, p.18).
Deste modo pode-se perceber o trabalho do enfermeiro como fundamental para suprir, as exigências do CME (SOBEEC, 2013), vale considerar ainda, a RDC n° 307, de 14 de novembro de 2002, nesta, é colocado que além das etapas que constituem o reprocessamento, são desenvolvidas dentro do CME também, atividades como, o planejamento, organização, coordenação e a supervisão (BRASIL, 2002), tais atividades, deixam clara a necessidade de um enfermeiro, ressalta-se ainda que na lei do exercício profissional, n° 7.498, de 25 de junho de 1986, Art11, essas são funções privativas deste profissional. (BRASIL, 1986).
Dentre os papéis cabíveis ao profissional enfermeiro, está à supervisão, esta, consiste atualmente, em ajudar o indivíduo a desenvolver melhor o trabalho que lhe foi designado, envolve orientação contínua a fim de capacitar os recursos humanos disponíveis para o desenvolvimento da atividade designada, desde modo, o enfermeiro enquanto supervisor deve cobrar da equipe, produção qualitativa, orientando, acompanhando e principalmente valorizando cada individuo antes de tudo, como pessoa humana. (GAMA, 2014).
Ressalta-se, entretanto que um planejamento bem elaborado e uma supervisão eficiente, refletem diretamente na qualidade do trabalho da equipe, podendo deste modo reduzir a incidência de erros e riscos de acidentes, aumentando a confiabilidade da equipe ou instituição. (GAMA, 2014).
Considerando a importância das atividades desenvolvidas pelo CME, bem como a complexidade das mesmas, é indispensável salientar que esta unidade de serviço necessita
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de profissionais técnico-cientificamente qualificados, de modo a possibilitar qualidade dos materiais processados. (COSTA, 2011). Ainda segundo a RDC n° 15 “o processamento de matérias para saúde deve ser realizado por profissionais para os quais, estas atividades estejam regulamentadas pelos seus conselhos de classe”. (BRASIL, 2012, p. 06).
Segundo Tipple (2015), uma das maiores dificuldades enfrentadas pelo CME, além da falta de profissionais enfermeiros frente à unidade, está à precariedade de mão-de-obra qualificada, a qual tem gerado comprometimento da qualidade do processamento de materiais para saúde, fato esse evidenciado pelo elevado índice de IH registrado, implicando em imperícia, negligência e/ou imprudência. Tais práticas refletem prejuízos tanto para o trabalhado da equipe, considerando riscos biológicos, como para o enfermeiro responsável pelo setor, destacando aspectos legais ao qual este está sujeito e também para a instituição, abordando além dos aspectos legais cabíveis, a credibilidade do serviço, e por último, mas não menos importante, a assistência ao paciente.
Aliada a essa questão, vale colocar também, a susceptibilidade de ampliação dos gastos com materiais e equipamentos utilizados neste setor, salientando que o despreparo profissional pode resultar em desperdícios de materiais bem como manuseio inadequado dos equipamentos, considerando principalmente a complexidade destes, podendo deste modo gerar até mesmo a inutilizarão do equipamento.
O preparo de materiais constitui risco constante no que tange ao profissional não qualificado dentro do CME, possibilitando a ampliação dos mesmos quando a equipe não possui arcabouço teórico – cientifico acerca de mecanismos de assepsia, anti-sepsia, noções de microbiologia, de biossegurança, ou mesmo de manuseio adequado, dessa forma fica claro que sem um profissional altamente qualificado todo o processamento de matérias fica extremamente comprometido. (TIPPLE, 2015).
5. CONSIDERAÇÕES
Percebe-se o CME como uma área de grande importância para os sistemas de saúde, tanto ao mencionar aspectos econômicos, como aspectos técnicos - cientifico. Essa unidade de apoio técnico possui evolução histórica relacionada ao desenvolvimento do Centro Cirúrgico, levando em consideração o desenvolvimento de cirurgias e matérias médicos-hospitalares mais complexos aliados ao conhecimento ampliado de IH. Embora já tenham sido alcançados
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grandes avanços abordando essa temática, percebe-se ainda a necessidade de maiores adaptações até mesmo ao relacionarmos as leis já vigentes que abordam o CME.
Mesmo essa unidade sendo percebida como importante e complexa, implicando riscos tanto aos profissionais envolvidos, como a qualidade do serviço prestado ao cliente e a acreditação da instituição, ainda pertence a um grupo de temáticas negligenciadas, levando em consideração, que os avanços investidos em pesquisas ainda não são completamente revertidos em qualificação de estrutura e de recursos humanos.
Ao abordar os recursos humanos, pode-se perceber a grande relevância do tema, destacando que tanto a presença de um enfermeiro como a de profissionais qualificados para desempenho de processamento no CME, são recursos indispensáveis para a obtenção de um processamento de qualidade para os materiais de saúde, aja visto que, a presença de um profissional enfermeiro dentro do CME, reflete em um planejamento bem elaborado e uma supervisão eficiente. Vale mencionar ainda, que profissionais bem qualificados e preparados para o desempenho do processamento, agem de maneira diferente de um profissional sem qualificação para o desempenho das atividades mencionadas, tendo em vista o embasamento teórico-científico, abordando dentre outras temáticas a assepsia, anti-sepsia, ou mesmo de biossegurança.
Conclui-se deste modo, que é possível realizar processamento de qualidade para produtos para saúde, desde que a equipe envolvida no CME esteja preparada para o desenvolvimento de todas as atividades ligadas a esse setor, destacando, sobretudo, que a qualidade deste serviço reflete em todas as atividades da instituição, principalmente na qualidade da assistência prestada ao cliente.
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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