Mariza Aparecida Angelo (ANGELO, M. A.): Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da FAEMA.
Janaína da Mota Mariano (MARIANO, J. M.): Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da FAEMA.
Juliana Brun Xavier (XAVIER, J. B.): Discente do Curso de Graduação em Enfermagem da FAEMA.
Jessica de Sousa Vale (VALE, J.S.): Docente do Curso de graduação em Enfermagem da FAEMA. (O)
1. INTRODUÇÃO
Na década de 50 surgiu a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) uma evolução na área da saúde, destinada à assistência de pacientes que necessitam de cuidados mais complexos. (CAMPONOGARA, et al 2012; SILVA, et al 2012).
A UTI pode ser caracterizada como um ambiente hostil, com sentimentos de medo e angústia, e seu atendimento é direcionado a pacientes que apresentam condições graves à saúde, como por exemplo insuficiência respiratória e/ou que necessitam de monitoração e acompanhamento como uma medida preventiva. Há necessidade do preparo de profissionais para atuar em unidades de terapia intensiva dentre estes a enfermagem, exigindo capacidade de reflexão e equilíbrio. A humanização na UTI é de suma importância para o paciente, pois o bom atendimento não está só nos equipamentos, mas sim na forma que o paciente e seus familiares são atendidos. (COSTA, 2009).
Os enfermeiros atuam em muitas atividades na unidade de terapia intensiva, como monitorar os pacientes constantemente, atuando em situações de emergência, e uso de equipamentos. A tecnologia presente na UTI pode comprometer a humanização, pois por muitas vezes impede que o enfermeiro tenha mais contato com o paciente. Assim a humanização na unidade hospitalar se torna um desafio, pelo elevado envolvimento com máquinas. Considera-se que o estado
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emocional do paciente é essencial, e a proximidade do cuidado tem a tendência de conferir melhoras ao estado de saúde. (MARQUES et al, 2010; CAMPONOGARA et al, 2011)
Expressada a relevância desta temática, a humanização na área da saúde possui recorrentes reflexões e investigação onde vários estudos sinalizam para que profissionais e gestores da saúde desenvolvam uma assistência com a preconização da Politica Nacional da Humanização (PNH). (COSTA, et al 2009).
Desta forma, o presente estudo destaca a compreensão da humanização na unidade de terapia intensiva através de profissionais de saúde, especialmente o enfermeiro.
2. OBJETIVOS
Este estudo tem como objetivo expor formas de humanização na unidade de terapia intensiva, visando à interação do enfermeiro/paciente, onde suas atribuições buscam melhorar a qualidade de vida do paciente.
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma revisão bibliográfica realizada através de artigos científicos publicados a partir de 2010 e disponíveis nas bibliotecas virtuais como Scielo e Google Acadêmico, além de acervo da Biblioteca Júlio Burdignon da Faculdade de Educação e Meio Ambiente – FAEMA. Os Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) utilizados foram: humanização; UTI e equipe de enfermagem.
4. REVISÃO DE LITERATURA
Desde a década de 60, as enfermeiras já enfrentavam muitos desafios durante os anos de fundação das unidades intensivas. Apesar da transformação e rápido crescimento dessas unidades as enfermeiras já praticavam a humanização na UTI, visando às necessidades de um bom atendimento aos pacientes e seus familiares. Além do cuidado ao paciente, os equipamentos também exigiam atenção. (COSTA, 2009)
A humanização na UTI enfatiza três aspectos: primeiro é ter o cuidado hoslitico, integral, voltado para o ser humano; Segundo é a empatia, a qual o profissional deve colocar-se no lugar do
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paciente, exercendo amor ao próximo; E o terceiro preconiza que o profissional deve investir na relação entre família/paciente, atuando de maneira responsável e ética. (MARQUES, 2010)
A importância da humanização exige cuidados técnicos complexos. A equipe de enfermagem deve estar envolvida com o cuidado humanizado, expressando assistência que englobe paciente/família, principalmente quanto ao suporte emocional. Porém, a realidade que se encontra vem gerando discussão entre os profissionais de saúde e órgãos envolvidos, pois há muita dificuldade em prestar atendimento humanizado. Sendo assim, o Ministério da Saúde (MS) no ano de 2000, implantou o Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar (PNHAHO), tendo com objetivo, aprimorar o atendimento e relação paciente/enfermeiro. Após este programa, o MS implantou a Política Nacional da Humanização (PNH), possuindo a finalidade de diminuir a demanda dos processos que envolvem o paciente/família. (SOARES, et al,2014)
Assim a humanização deve fazer parte da filosofia da enfermagem. Estudos indicam que o ambiente da UTI precisa de uma ”humanização da assistência”, fazendo com que haja modificações na imagem de que a UTI é um ambiente hostil, frio, e melancólico. O cuidado adequado ao paciente é essencial para sua recuperação. Para isto, é preciso que o profissional tenha conhecimento, habilidades e destreza para a realização dos procedimentos. Nesse sentido, subentende-se que os profissionais que atuam nessas unidades, necessitem de preparo específico, pois invariavelmente, podem defrontar-se com situações cujas decisões definem o limite entre a vida ou a morte das pessoas. (OLIVEIRA, 2014)
A humanização deve ser vista como um bem maior aos seus assistidos, tendo em vista que para a sua aplicação, é necessário que todos os níveis de gestão do SUS (federal, estadual e municipal) trabalhem juntos com os mesmos objetivos. Humanizar não restringe-se apenas por chamar ou conhecer o nome do paciente, ou dar um sorriso, vai muito além disso, como por exemplo o aperfeiçoamento dos conhecimentos e respeito ao paciente e família. (SALMAN, 2013) A entrada do paciente na UTI requer decisões precisas, uma vez que já caracteriza o paciente com possíveis riscos de vida. Muitas vezes, por conta da rotina, os profissionais acabam minimizando e adiando o contato com a família do assistido, portanto a abordagem aos familiares deve ocorrer desde o momento em que a internação ocorre, oportunizando diálogos e esclarecimentos de dúvidas. (POTTER, 2013)
Em momentos iniciais da internação de um indivíduo na UTI, a família se encontra fragilizada e angustiada. Por isso a equipe de enfermagem deve estar preparada para atendimento
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humanizado em relação aos familiares do paciente. Entretanto a equipe de enfermagem deve conhecer seus limites, mantendo postura ética e demonstrando um envolvimento emocional não invasivo. A relação enfermeiro/família contribui para reduzir a ansiedade do familiar quanto ao paciente internado, constituindo um elemento importante para uma assistência de qualidade para sua equipe e família, possibilitando uma comunicação mais afetiva, buscando minimizar a situação estressante que é estar em uma unidade de terapia intensiva. (SILVEIRA, 2005)
Para que a UTI possa proporcionar um ambiente harmonioso, acredita-se que a equipe de enfermagem deva organizar suas práticas assistenciais para ter a oportunidade de disponibilizar tempo para integrar a família no cuidado. (POTTER, 2013)
O profissional que busca o aprimoramento de suas ações, desenvolvendo a capacidade de tolerar, aceitar e enfrentar as ansiedades, lidando com receios, medos e perdas, constrói uma assistência fundamentada na humanização. Desta forma, proporciona a otimização do trabalho em equipe, e fortalece a confiança paciente/enfermeiro, além da relação com os familiares, o que contribui para um cuidado integral do paciente. (FERREIRA, 2013).
5. CONSIDERAÇÕES
Ao abordar os cuidados de enfermagem dentro da unidade de terapia intensiva, podemos observar que a humanização é importante para o bem estar do paciente, bem como sua recuperação. A valorização da tecnologia por vezes, acaba comprometendo a assistência humanizada, sendo um desafio para o cuidado holístico.
A humanização busca proporcionar um ambiente tranquilo, harmonioso, respeito pelo ser humano, tendo como objetivo principal a assistência de qualidade ao paciente, fato que reflete de maneira positiva no estado de saúde do indivíduo.
Portanto esse estudo demonstrou que a comunicação simples e empática entre enfermeiro/paciente é fundamental para a recuperação do paciente, especialmente quando envolve seus familiares. A assistência de enfermagem humanizada é o diferencial para a qualidade dos serviços prestados pelo enfermeiro, refletindo não somente no bem estar do indivíduo assistido, mas também na melhoria do processo de trabalho da equipe.
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6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
COSTA, Silvio Cruz. FIGUEIREDO Maria Renita Burg. SCHAURICH. Diego. Humanização em Unidade de Terapia Intensiva Adulta (UTI): compreensões da equipe de enfermagem. Artigo: interface, comunicação, saúde e educação, vol.13, Botucatu, 2009. Disponível em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1414-32832009000500009&script=sci_arttext> acesso em: 10/10/2015
FERREIRA, Priscila Dias; MENDES, Tatiane Nicolau. Família em UTI: importância do suporte Psicológico diante da iminência de morte, Rev. SBPH vol.16 no.1 Rio de Janeiro jun. 2013,
disponível em:<
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S151608582013000100006&script=sci_arttext> acesso em: 25/10/2015
MARQUES, Isaac Rosa, SOUZA, Agnaldo Rodrigues. Tecnologia e humanização em ambientes intensivos ecnologia e humanização em ambientes intensivos. Rev Bras Enferm, Brasília 2010; jan-fev; 63(1): 141-4. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/reben/v63n1/v63n1a24>acesso em: 21/10/2015
Oliveira. M. P. Os benefícios da tecnologia da informação no âmbito da enfermagem. Santa Catarina, maio de 2014. Disponível em: <https://www.portaleducacao.com.br/enfermagem/artigos/56996> acesso em: 28/10/2015
POTTER, Patrícia, et al. Fundamentos de enfermagem. Vol. 1, Rio de janeiro, Elsevier, 2013 SALMAN, Laila Abdul Karim. Humanização em Unidade de Terapia Intensiva. 22 de abr de 2013. Disponível
em:<http://www.posgraduacaoredentor.com.br/hide/path_img/conteudo_5422eed490e89.pdf.> acesso em: 21/10/2015
SILVEIRA, Rosemary Silva, et al. Uma tentativa de humanizar a relação da equipe de enfermagem com a família de pacientes internados na UTI. enferm. vol.14 no.spe Florianópolis
2005. Disponível
em:<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010407072005000500016&script=sci_arttext>acesso em: 24/10/2015
SOARES, Larissa Gramazio, et al. Humanização na uti: dificuldades encontradas para sua implementação uma revisão integrativa. Volume 06 Ed. 01 (Jul. 2014) Caderno de Ciências da Saúde. Disponível em:<http://www.revistavoos.com.br/seer/index.php/voos/article/view/263/263- 1106-1-PB>acesso em: 20/10/2015.
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