Fabrícia Monteiro Soares (SOARES, F. M.): Discente do 8° período de do curso de Bacharel em Enfermagem na FAEMA. José Cleuvison Freitas Cassiano (CASSIANO, J. C. F.): Discente do 8° período de curso de Bacharel em Enfermagem na FAEMA. Karoline de Lima Stopazzoli (STOPAZZOLI, K. L.): Discente do 8º período de Bacharel em Enfermagem na FAEMA.
José Carlos Gonçalves Furtado Filho (FILHO, J. C. G. F.): Discente do 8º período de Bacharel em Enfermagem na FAEMA. Sônia Carvalho de Santana (SANTANA, S. C.): Mestre, Docente da Faculdade de Educação e Meio Ambiente FAEMA. (O).
1. INTRODUÇÃO
A hanseníase é uma doença infectocontagiosa de evolução lenta, alta infectividade, baixa patogenicidade, baixa letalidade e baixa mortalidade, causada pelo Mycobacterium leprae, o qual possui uma predileção pela pele e nervos periféricos, podendo ocasionar deformidades e incapacidades quando não diagnosticada precocemente, gerando estigma e preconceito. (PIRES, 2012).
Suas formas clinicas são classificadas em Paubacilar (forma indeterminada e tuberculóide) e Multibacilar (formas dimorfia e virchowiana), sendo essa última responsável pela transmissão da doença. (PIRES, 2012).
A hanseníase persiste como problema de saúde pública para o Brasil, único país da América Latina que não atingiu a meta de eliminação, dada pela redução do coeficiente de prevalência a menos de um caso em cada dez mil habitantes. (IMBIRIBA et al, 2008). E é o segundo país do mundo com maior número de casos de hanseníase, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Em 2014, o país registrou 24.612 novos casos da doença, número inferior apenas aos casos na Índia, que tem uma população cinco vezes maior e o paciente é
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diagnosticado, recebe o medicamento e sai das estatísticas, como caso encerrado. (SANTOS, 2014).
E as regiões com maiores incidência e prevalência da doença são as regiões Norte, Centro- Oeste e Nordeste, pois ainda há taxas em patamares muito elevados, acima de 20 casos por 100.000 habitantes, o que demonstra a necessidade da execução de atividades que colaborem para a diminuição da transmissão. (LUNA; MOURA; VIEIRA, 2013).
A ocorrência de hanseníase em crianças pode ser considerada um indicador da prevalência da doença na população geral e sua detecção é importante para determinar o nível de transmissão. A hanseníase é uma enfermidade considerada de adultos pelo longo período de incubação, no entanto, as crianças também são suscetíveis a essa doença. Portanto, em áreas endêmicas e quando ocorrem casos na família o risco de crianças adoecerem aumenta. (IMBIRIBA et al, 2008).
A redução de casos em menores de 15 anos é prioridade do Programa Nacional de Controle da Hanseníase, que juntamente com o Ministério da Saúde utilizam a “Campanha Nacional de Hanseníase, Geo-helmintiases e Tracoma”, que tem o como um dos objetivos, identificar casos suspeitos de hanseníase através do “método do espelho”, onde em 2014 1.944 municípios aderiram à campanha, contra 852 em 2013. Ao todo, cerca de cinco milhões de crianças foram avaliadas para a hanseníase, 231 mil encaminhados para a rede pública de saúde com suspeita de hanseníase e 354 realmente diagnosticadas com a doença. (BRASIL, 2014).
2. OBJETIVOS
Demonstrar o índice de Hanseníase em menores de 15 anos no estado de Rondônia no ano 2014.
3. METODOLOGIA
Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa. As fontes bibliográficas utilizadas nas buscas eletrônicas foram: LILACS, Scientific Eletronic Library Online (SCIELO) e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), onde foram selecionados para esse estudo artigos dos últimos 7 anos. Os Descritores em Ciência da Saúde (DeCS) foram: Hanseníase; Crianças;
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Enfermagem; Doença de Hansen. O Estado de Rondônia que está localizado na Região Norte, Brasil, o qual possui área de 237.576 km² e sua área está dividida em 52 municípios. Conforme contagem populacional realizada em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), totaliza aproximadamente 1.562.409 habitantes, sendo o terceiro estado mais populoso do Norte brasileiro.
4. REVISÃO DE LITERATURA
O coeficiente de detecção de Rondônia (RO) no ano de 2014 notificou 668/100.000 hab. casos, sendo que desses casos 37/100.000 hab. foram em menores de 15 anos. (SANTANA, 2015). Apresentou classificação muito alta conforme aos parâmetros da OMS que classifica os números de casos em: Hiperendêmico: ≥ 10,00/100.000 hab., Muito Alto: 5,00 a 9,99/100.00 hab., Alto: 2,50 a 4,99/100.000 hab., Médio: 0,50 a 2,49/100.000 hab., e Baixo: < 0,50/100.000 hab. (BRASIL, 2009).
Sendo que dentre os 52 municípios que RO possui, 18 apresentaram prevalência da doença, sendo eles: Alto Paraíso com 1 (2,70%) caso, Ariquemes foram 3 (8,10%) casos, em Cacoal notificaram 4 (10,81%) casos, já em Cujubim foi 1 (2,70%) caso notificado, e em Espigão d 'Oeste notificou-se 2 (5,40%) casos, em Guajará-Mirim teve 1 (2,70%) caso da doença, e em Jaru foram 2 (5,40%) casos, e Ji-Paraná 5 (13,51%) casos, Ministro Andreazza 1 (2,70%) caso, Nova Mamoré apresentou 1 (2,70%) caso, Novo Horizonte do Oeste 3 (8,10%) casos, Pimenta Bueno 2 (5,40%) casos, e em Porto Velho 6 (16,21%), Presidente Médici 1 (2,70%) caso, Rolim de Moura 1 (2,70%) caso, Santa Luzia d'Oeste 1 (2,70%) caso, São Miguel do Guaporé 1 (2,70%) caso, por fim em Vilhena 1 (2,70%) caso. E os restantes dos municípios não tiveram notificações, infere-se a essa falta do diagnóstico da hanseníase em menores de 15 anos a dificuldade de aplicação e interpretação dos testes de sensibilidade, que exige exame criterioso.
Atualmente existem vários programas com o foco na saúde das crianças e um destes é o Programa Saúde na Escola (PSE), que tem como objetivo contribuir para a formação integral dos estudantes por meio de ações de promoção, prevenção e atenção à saúde, com vistas ao enfrentamento das vulnerabilidades que comprometem o pleno desenvolvimento de crianças e jovens da rede pública de ensino. (BRASIL, 2011).
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Com essa concepção, Ministério da Saúde/Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças de Eliminação tem nos últimos três anos centrado suas ações na implementação de diretrizes e estratégias para eliminar a prevalência oculta de hanseníase, através do desenvolvimento de um conjunto de ações inovadoras nos municípios com alta endemicidade da doença.
De acordo com Ministério da Saúde (2010), a atenção à pessoa com hanseníase, suas complicações e sequelas, deve ser oferecida em toda a rede do Sistema Único de Saúde, de acordo com a necessidade de cada caso. E para se evitar as sequelas e as complicações é necessário que o enfermeiro realize a suspeição diagnóstica da doença, fortalecendo as ações de vigilância epidemiológica da hanseníase, a promoção da saúde com base na educação permanente e a assistência integral aos portadores deste agravo, ressaltando também que tratamento precoce pode quebrar a cadeia de transmissão da hanseníase.
5. CONSIDERAÇÕES
Percebe-se que a importância da taxa de detecção em menores de 15 anos é reconhecida por diversos autores e adotada pelo Ministério da Saúde como um dos indicadores epidemiológicos que contribui para a compreensão do comportamento endêmico da hanseníase em um determinado local.
Os achados deste estudo evidenciam a necessidade de implementação da descentralização das ações de vigilância à saúde, com ênfase na educação em saúde, capacitação profissional, diagnóstico precoce, incentivo à notificação correta dos casos, acompanhamento dos doentes e controle de comunicantes.
É imprescindível, que os atores envolvidos no programa de controle de hanseníase realize o exame de contato, principalmente em casos de menores de 15 anos, intensificando ações de vigilância entre os escolares, que é a população susceptível ao agravo. Apesar da baixa letalidade e baixa mortalidade, o acometimento da hanseníase em crianças, quando não diagnosticada e tratada precocemente, pode repercutir no futuro delas através de problemas físicos, sociais e psicológicos decorrentes da doença.
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BRASIL, Ministério da Saúde. Hanseníase no Brasil DADOS E INDICADORES SELECIONADOS. Brasília – DF 2009.
BRASIL, Ministério da Saúde. Informe Técnico “Campanha Nacional de Hanseníase, Geohelmintíases e Tracoma 2014”. Brasília, abril de 2014.
BRASIL, Ministério da Saúde. PORTARIA Nº 3.125, DE 7 DE OUTUBRO DE 2010.
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica. Instrutivo PSE / Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Atenção Básica – Brasília: Ministério da Saúde, 2011.
IMBIRIBA, Elsia Belo et al. Perfil epidemiológico da hanseníase em menores de quinze anos de idade, Manaus (AM), 1998-2005. Rev Saúde Pública 2008.
LUNA, Igara Cavalcanti Feitosa; MOURA, Luiza Taciana Rodrigues de; VIEIRA, Michelle Christini Araújo. PERFIL CLÍNICO-EPIDEMIOLÓGICO DA HANSENÍASE EM MENORES DE 15 ANOS NO MUNICÍPIO DE JUAZEIRO-BA. Rev Bras Promoc Saude, Fortaleza, abr./jun., 2013.
MAGALHÃES, Aliandro Willy Duarte; FRANCO, Jefferson Maia; BRITO, Vanessa Fernandes de; XERFAN, Ellen Maria Sampaio; PINHEIRO, Paula Santos. Hanseníase em crianças e adolescentes: atualidade no Brasil. AnCongrBrasMedFam Comunidade. Belém, 2013 Maio. PIRES, Carla Andrea A. et al. Hanseníase em menores de 15 anos: a importância do exame de contato. Rev Paul Pediatr 2012.
SANTANA, Sonia Carvalho. Reunião de Monitoramento e Avaliação Estadual. Rondônia, 2015. Versão Impressa.
SANTOS, Maria Divina Marques dos. INCIDÊNCIA DA HANSENÍASE NO BRASIL. Faculdade De Ciências E Educação Sena Aires Bacharelado – Enfermagem, Valparaíso De Goiás, MAIO/2014.
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