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Josefina Maria Batista Néta (BATISTA NÉTA, J. M. B.): Discente do curso de Graduação em Psicologia da FAEMA.

Leopoldina Veiga Guimarães Ferreira (FERREIRA, L. V. G.): Discente do curso de Graduação em Psicologia da FAEMA. Letícia Rani Pimenta Almeida (ALMEIDA, L. R. P.): Discente do curso de Graduação em Psicologia da FAEMA.

Maila Beatriz Goellner (GOELLNER, M.B.): Doutora, professora do curso de Graduação em Psicologia da FAEMA. (O.)

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho aborda sobre o estágio em Psicologia da Saúde, realizado em um Hospital do município de Ariquemes. Logo, são as atividades desenvolvidas por estudantes durante a formação, em um possível futuro campo de atuação (DA SILVA SANTOS; DOS SANTOS; DE LIMA, 2015). O estágio se destaca pela relevância em possibilitar ao universitário o seu desenvolvimento de maneira mais amplificada, pois o ele tem a possibilidade de relacionar a teoria com a prática. Bernardy e Paz (2012) mencionam que o estágio supervisionado tem uma grande relevância no que se refere a aquisição da prática profissional, uma vez que é através deste processo que se pode praticar o conhecimento teórico adquirido no decorrer da graduação. Além disso, Barleta, Fonseca e Delabrida (2012) pontuam que é através deste estágio que o psicólogo em formação promove a junção teórico-prática e conhece a realidade social do campo do estágio.

Seguindo para a Psicologia da Saúde, o Portal da Educação (2012) a caracteriza como um subcampo da Psicologia, que objetiva compreender o sujeito em sua totalidade. Carvalho (2013) diz que ela se constituiu efetivamente em um campo autônomo de pesquisa e intervenção psicológica no contexto anglo-saxônico no final da década de 70. Retornado para o Portal da Educação (2012), entende-se que a Psicologia da Saúde aplica princípios e

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pesquisas psicológicas focalizando a melhoria, o tratamento e a prevenção de doenças, além de dispensar um cuidado direcionado a promoção de saúde. Destacando que ela está respaldada no modelo biopsicossocial utilizando os conhecimentos das ciências biomédicas, da Psicologia Clínica e da Psicologia Social – Comunitária, elencando a necessidade do trabalho com outros profissionais.

Pontuando que o trabalho foi realizado em um hospital, se torna pertinente discorrer de modo sucinto sobre essa instituição. Nos dizeres de Vieira (2010), a história do hospital começa a ser contada sob um enfoque religioso através da preocupação com o outro. Assim, já por volta do ano 360 antes da era Cristã, foi erigido o primeiro Hospital do qual se têm conhecimento. No âmbito nacional, o autor supracitado pontua que coube ao Brasil a fundação do primeiro Hospital na América do Sul, especificamente na cidade de Santos, em 1543, por Braz Cubas, surgindo, a ainda atuante e tradicional Santa Casa de Misericórdia de Santos.

Nesse sentido, Feuerwerker e Cecílio (2007) afirmam que o hospital é uma organização complexa, que ocupa um lugar crítico na prestação de serviços de saúde, um lugar de constituição de identidades profissionais, com grande reconhecimento social.

Direcionando para a inserção dos psicólogos em hospitais, Romano (2001) apud Costa et al. (2009), alega que o caminho de entrada do psicólogo no hospital se deu pela via dos hospitais psiquiátricos e, só depois, sua inserção foi sendo ampliada para os hospitais gerais e de especialidades.

Tonetto e Gomes (2005) ratificam que o psicólogo desenvolve atividades variadas, em diferentes espaços do hospital, destacando o plantão psicológico. Este se caracteriza como um tipo de intervenção psicológica que acolhe a pessoa no exato momento de sua urgência, subsidiando-a a lidar melhor com seus recursos e limites. (CHAVES; HENRIQUES, 2008 apud DOESCHER; HENRIQUES, 2012).

2. OBJETIVOS

O objetivo do presente trabalho foi desenvolver o Plantão Psicológico com os pacientes e acompanhantes, realizando o acolhimento da demanda de Urgência e Emergência, promovendo também a escuta dos profissionais, trabalhando com a utilização de toque sutis

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direcionados aos pacientes, realizando também o encaminhamento para atendimento psicoterapêutico dos casos que foram analisados como necessários.

3. METODOLOGIA

Este trabalho é um relato de experiência de estágio em Psicologia da Saúde, no qual participaram três acadêmicas do 10º período de Psicologia da Faculdade de Educação e Meio Ambiente (FAEMA). Para elucidar o que é um relato de experiência, esta é descrita por Cavalcante e Lima (2012) como um instrumento de pesquisa descritiva que elenca reflexões baseadas em uma ação ou em um conjunto de ações que abordam uma conjuntura vivenciada no âmbito profissional de interesse do âmbito científico. Dando continuidade, o estágio foi realizado no Hospital Regional de Ariquemes (HRA), que atende aproximadamente 14 municípios e oito distritos que compõem a grande região do vale do Jamari-RO.

O total de encontros foi de 21 dias, cuja duração contabilizou 70 horas de intervenção, sendo possível realizar a escuta psicológica dos pacientes das enfermarias masculinas e femininas, obstetrícia, recepção da urgência e emergência, enfermeiros e técnicos de enfermagem.

4. RELATO DE EXPERIÊNCIA

No início do estágio foi possível observar que a prática em psicologia da saúde por acadêmicos é pouco disseminada naquela instituição, talvez em consequência disto, o estágio causou um determinado grau de incômodo na maioria da equipe de enfermagem do HRA, que em certas ocasiões apresentaram níveis elevados de resistência, como: se incomodar com a presença das estagiárias naquele ambiente olhando-as “de cima abaixo”; outras vezes não prestavam informações quando sugeridas, agindo como se não estivesse ouvindo as perguntas das estagiárias e em outros momentos respondiam asperamente quando solicitada determinada informação. Já uma minoria aparentemente demonstrou boa consideração ao valor do estágio de psicologia naquele ambiente, por vezes pontuando a necessidade de um psicólogo para atender a demanda hospitalar.

No decorrer do estágio observou-se também que o ambiente do HRA é quase que insalubre e não oferta qualidade de vida nem para o servidor e muito menos ao paciente internado. Tanto nas enfermarias, quanto na obstetrícia e urgência e emergência foi possível verificar o espaço

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físico inadequado, o calor, a sujeira, o mau cheiro pelos corredores. De maneira que todos estes fatores podem traçar o caminho para a oferta de uma má qualidade de atendimento do paciente, refletido na minimização de acolhimento, no atendimento desumanizado, no elevado grau de estresse, e consequentemente levar à Síndrome de Burnout.

Com relação à escuta dos enfermeiros e técnicos, alguns reclamaram do poder público, demonstrando em seu discurso desesperança com relação a possíveis melhoras na parte estrutural da instituição, além de uma melhoria salarial. Comentaram sobre a jornada exaustiva de trabalho mencionando que devido o baixo salário, se obrigam a realizar vários plantões para prover um melhor sustento para suas famílias, enfatizando que passam várias noites sem dormir, o que não é motivo para se oferecer um mau trabalho.

Já na escuta na obstetrícia as mães trouxeram suas angústias, reclamaram do calor, da falta de acolhimento e humanização por parte da equipe. A partir do acolhimento realizado pelas estagiárias foi enfatizada a importância do aleitamento materno, do acolhimento dos filhos maiores e de que elas seguissem as orientações por parte dos médicos.

No que se refere à escuta dos pacientes nas enfermarias notou-se uma grande aceitação. Alguns mencionaram a necessidade de um profissional de psicologia ser inserido no ambiente hospitalar, pois trabalharia também a saúde mental do paciente. Vários pacientes elogiaram esta categoria de estágio pontuando a importância da psicologia, pois ao se verem em uma situação de vulnerabilidade fisiológica, muitas vezes a incidência sobre sua saúde mental é uma consequência bem presente.

A maioria dos pacientes ouvidos reclamou do ambiente desumanizado, especialmente do calor, pois todos que querem usar, por exemplo, um ventilador, devem trazer das suas casas e os que não têm, chegam a passar mal. Outra situação apresentada pelos usuários é a falta de acolhimento de alguns profissionais que atuam com esta demanda. Segundo relataram os pacientes, a equipe em diversos sentimentos hostis, ignorando algumas dúvidas que os pacientes queiram tirar ou oferecendo respostas agressivas.

Através da escuta foi possível verificar que tanto o paciente, quanto seus cuidadores trouxeram um discurso bastante direcionado a religiosidade e fé, afirmando que acreditavam em um milagre de Deus sobre a doença. Ainda que a enfermidade os tinham aproximado mais de Deus e dos seus familiares e que a partir do diagnóstico da doença passaram a valorizar mais a vida e aproveitar cada momento com as pessoas que amam.

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Outros pacientes, porém, especialmente os mais idosos acometidos por doenças crônicas trouxeram que não conseguem mais seguir as orientações médicas, principalmente no que diz respeito a alimentação, por vezes chegando a pontuar que querem aproveitar o restante da vida que têm, comendo o que gostam, pois já estão no final da vida. O discurso geralmente era sarcástico, cômico e melancólico. Sarcástico e cômico porque ao se direcionar a algum familiar presente o paciente sorria e fazia com que o cuidador sorrisse também ou chamasse a atenção do paciente e melancólico porque aparentemente o paciente estava e busca de melhoras, mas ao se sentir fragilizado demonstrava em seu discurso a falta de esperança. Entretanto as acadêmicas perceberam que por trás deste discurso existe uma grande possibilidade de um ganho secundário, quando o paciente acamado recebe uma maior atenção dos seus familiares, desfrutando dos cuidados, da companhia, das conversas, especialmente quando os cuidadores mencionam que eles são importantes para a família, por isto precisam se cuidar afim de que vivam mais.

Através da escuta os pacientes trouxeram ainda vários conteúdos referentes à própria história de vida, quando retornam no tempo relembrando a infância, juventude e os momentos difíceis e bons que vivenciaram, e se veem impossibilitados ao vivenciarem o processo do enfrentamento a doença. Alguns se apresentaram fortes, esperançosos, outros, porém, se apresentaram fragilizados e temerosos em relação ao prognóstico da sua saúde.

Já na recepção da urgência e emergência a escuta foi bastante rápida em comparação da observação nos leitos, pois é o que a demanda exige. Assim foi possível ouvir as angústias relacionadas a ansiedade do prognóstico da saúde do paciente e qual das esferas de cuidado na área de saúde oferecerá o atendimento. Alguns aguardavam o resultado de raio x para verificar se necessitaram ser encaminhados para um especialista; outros após serem medicados esperavam os efeitos do medicamento, a fim de verificar se ficariam em observação, se seriam internados ou encaminhados. De modo que, ao chegarem nesse ambiente, geralmente estavam nervosos, com dores, reclamando do tempo de espera, da falta de acolhimento e humanização de alguns funcionários, mas ao serem ouvidos se acalmavam e a ansiedade era minimizada.

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Percebe-se que o estágio supervisionado é uma prática importante para o futuro profissional da psicologia, pois é através deste tipo de vivência que o acadêmico pode avaliar se é o campo que ele pretende atuar ou não, escolhendo futuramente o campo para ele mais profícuo.

De maneira geral o campo de estágio do HRA foi desafiador, uma vez que as estagiárias vivenciaram na prática situações até então nunca experimentadas. Deste modo, uma das estagiárias foi direcionada a outro campo de estágio por não ter condições emocionais de prosseguir no ambiente hospitalar e duas prosseguiram o estágio no hospital.

A experiência mais prazerosa foi sair do contexto teórico para a dinâmica prática de ouvir e acolher o sofrimento do outro, intervindo para que o seu sofrimento fosse amenizado. Entretanto, o acolhimento nesta prática exigi a compreensão, não somente das estagiárias, mas de todos os profissional da saúde, de maneira que o paciente seja atendido e beneficiado de uma forma singular. (MUSSKOPF; LANG, 2014). Uma vez que neste ambiente os doentes apresentam os mais variados sentimentos, como: “angústia em se deparar com a vulnerabilidade, fragilidade, dependência, limites, dor e, principalmente, com a finitude e a morte”. (FREITAS; MORETTO, 2014, p. 92).

Por fim vale considerar a necessidade da presença de profissional da psicologia inserido na equipe multidisciplinar do HRA, pois o trabalho deste profissional como já pontou Silva (2014) transcende a ambiente físico, sendo um ato de disponibilidade emocional, para atuar em todo o espaço hospitalar, uma vez que a demanda necessita deste tipo de cobertura, uma vez que a saúde não é somente o bem estar físico, pois a saúde mental é importante não somente para os usuários dos serviços, mas para todos os profissionais de saúde e funcionários inseridos naquele contexto. Conforme Paes et al (2014) “o papel do psicólogo neste contexto está além de expectativas relacionadas a cura, de maneira que pode contribuir através da escuta na relação do paciente consigo mesmo, com a sua doença e com a equipe” (pág. 1206).

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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A EFICIÊNCIA DO EXERCÍCIO AERÓBICO NA PERDA DE GORDURA

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