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A etiologia exata do câncer de pênis é desconhecida, no entanto, sabe-se que está associada a diversos fatores, que propiciam condições para a doença. Tais fatores estão vinculados a presença de fimose durante a vida adulta, infecções pelo vírus HPV, condições inadequadas de higiene, dentre outros. (COSTA et al.,2013).

A higienização precária associada à falta de informação como reflexo da condição sociocultural são fatores comuns, que quando associados à exposição ao HPV, tabagismo, fimose, dentre outros, contribui para o aumento de secreção localizada e acúmulo por um longo período de tempo. (ALLEBRANDT et al, 2013).

Vários pacientes com câncer de pênis apresentam infecção por HPV, pois em aproximadamente 15 a 46% dos casos, foram encontrados fragmentos de DNA do vírus HPV tipo 16 e 18, com prevalência do tipo 16 sobre o 18. Contudo, o mecanismo vírus-patologia ainda não foi totalmente desvendado. (CARVALHO et al., 2007). No entanto, estudos mais detalhados desvendaram que o HPV é capaz de interferir na expressão protéica, influenciando no ciclo celular. (REIS et al., 2007). Aproximadamente 74 % dos pacientes com câncer de pênis apresentam fimose, o que dificulta a higienização local, com retenção de esmegma, criando um ambiente propício e favorável à infecção viral por HPV, bem como pela bactéria Mycobacterium smegmatis, microorganismo

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responsável também pela formação do esmegma. (CRUZ, 2005; RODRIGUES, 2013). Vale ressaltar que em países onde é realizada a circuncisão neonatal, como Israel e EUA, os índices desta patologia são baixos, chegando a representar menos de 1%. (COSTA, 2013). Enquanto que em países onde a circuncisão é realizada na infância posterior ao período neonatal a incidência é até três vezes maiores. (KOIFMAN, 2011).

O tabagismo é um fator de risco associado ao câncer de pênis, pois o acúmulo de nicotina e demais substâncias cancerígenas do cigarro contribuem para a intoxicação celular crônica agindo como co-fator, que em conjunto com demais fatores favorecem a gênese ou evolução do quadro cancerígeno. (PAIVA, 2010).

Outros fatores importantes que podem ocasionar ou agravar os quadros patológicos de câncer de pênis, dentre outras, são doenças venéreas, elevado número de parceiras sexuais, presença de líquen crônico, balanite xerótica e demais lesões crônicas. (PAULA et al, 2012).

Epidemiologia

A incidência do câncer de pênis é bem diversificada, e esta relacionada diretamente a fatores socioculturais. É uma doença que afeta mais de 100.000 homens em todo o mundo e em países desenvolvidos corresponde em média a 0,5% de todas as neoplasias malignas, enquanto que em países em desenvolvimento corresponde a 10% dos tumores malignos em homens. Esse contraste epidemiológico é evidenciado quando comparamos países como os Estados Unidos que além dos baixos índices, apresentou um decréscimo de novos casos nas últimas três décadas, enquanto que a Índia é o país que apresenta maior incidência desta doença, vale frisar também que é o tumor mais comum entre os homens de Uganda. (SILVA et al., 2013; RODRIGUES, 2013). Nos Estados Unidos e na Europa a incidência aproximada é respectivamente de 0,4 a 3% e 0,3 a 1 por 100.000 habitantes, correspondendo a média de 0,5% de todas as doenças malignas que acometem a região. (CARVALHO et al., 2011).

De acordo com estudos do Instituto Nacional do Câncer, em 2009 foram registrados 4600 casos, demonstrando que o Brasil possui um dos maiores índices, com maior prevalência na região nordeste. (REIS, 2014). As regiões norte e nordeste registraram em média 53% dos casos de câncer de pênis, enquanto que a região sul registrou menos de 1%.(RODRIGUES, 2013).

Quando comparamos a faixa etária de incidência da patologia a nível global com os registros nacionais, verificamos que os pacientes brasileiros desenvolvem a doença precocemente, pois o

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pico de incidência no Brasil é de 40 anos, em contrapartida, em países desenvolvidos a faixa etária aumenta para os 70 anos. (RODRIGUES, 2013).

Diagnóstico

A avaliação primária envolve entrevista com o paciente e avaliação clínica, além de outros sinais como infecções secundárias, acometimento dos linfonodos, realização do toque retal e exame bimanual do abdômen inferior para avaliar a propagação e metástase do carcinoma. (NUNES et al., 2003).

Para um diagnóstico preciso e definitivo se faz necessário realizar exames por imagem, além de biópsia. (PAIVA, 2010). O teste azul-de-toluidina é uma alternativa eficaz para estágios iniciais. (BEGLIOMINI, 2000).

Profilaxia e tratamento

Os métodos preventivos para o câncer de pênis consistem na higienização diária e minuciosa com água e sabão, uso de preservativo em relações sexuais para evitar o contágio de doenças sexualmente transmissíveis, e a circuncisão neonatal diminuem drasticamente este quadro. (BRASIL, 2008).

Quanto ao tratamento, este deve ser baseado ao estagio do tumor, magnitude da lesão e grau de diferenciação. Sendo os tipos de tratamentos mais comuns a penectomia total ou parcial, radioterapia com braquiterapia, radioquioterapia. Também há o emprego de agentes quimioterápicos como metotrexate, bleomicina, cisplatina. Quanto ao uso de antibióticos este se inicia antes da biópsia e segue por aproximadamente cinco semanas após. (MOTTA, 2011). A penectomia parcial ou total, que apresenta bons resultados no controle patológico, porém este procedimento acarreta sérios prejuízos físicos e emocionais ao indivíduo. (MOTTA, 2011; REIS et al., 2007). E a linfadenectomia é eficiente em 80% dos casos com presença de micrometastases. (CRUZ, 2005).

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5. CONSIDERAÇÕES

Embora não seja uma doença rara, principalmente em algumas regiões mais específicas, o câncer de pênis ainda possui uma etiopatologia desconhecida e seu tratamento geralmente impõe medidas radicais que além das consequências físicas, geram agravos psicológicos aos pacientes. Nesse contexto, vale ressaltar que a prevenção como medida profilática tem se mostrado uma das melhores formas de controle da doença, uma vez que os maiores índices estão diretamente ligados a fatores socioculturais.

Dados epidemiológicos demonstram que a doença é um problema de saúde pública, principalmente em regiões mais pobres, nas quais serviços como saúde e educação geralmente são precários.

Embora seja uma doença prevalente em diversas regiões do mundo, dentre elas o Brasil, com destaque a região nordeste, é possível a redução desses índices através de medidas preventivas, que em sua maioria estão voltadas a educação em saúde.

Portanto, se faz necessário ampliar os investimentos em campanhas e medidas preventivas voltadas a saúde do homem, haja vista, que o público masculino é um público de difícil acesso no que diz respeito à saúde, principalmente no que se refere à prevenção em saúde.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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CARVALHO, Julio José M. et al. Câncer de pênis em jovem de 23 anos associado a infecção por HPV-62: relato de caso. DST J bras Doenças Sex Transm, v. 23, n. 1, p. 44-47, 2011.

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