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4.1 Hva visste USA og Frankrike?

4.1.1 Forståelse av situasjonen: Folkemord eller borgerkrig?

Esta fase da pesquisa demandou mais tempo do que o previsto, exigindo muita paciência, perseverança e esforço pessoal, além de cuidadoso registro das informações. Tanto a coleta de dados quanto os resultados foram de total responsabilidade da mestranda- pesquisadora, que teve o necessário cuidado no controle da aplicação das entrevistas e na apuração dos resultados.

Após a primeira etapa – coleta de dados -, todas as respostas dos integrantes das díades foram categorizadas e analisadas e encontram-se, de forma sucinta, distribuídas em Quadros contendo as categorias percepção interpessoal, compromisso e satisfação, semelhanças e diferenças, reciprocidade e complementaridade, poder e conflito), estabelecidos por Hinde em seus estudos sobre as relações humanas. Estão incluídas também perguntas que fazem parte do processo investigativo. Esses Quadros estão caracterizados da seguinte maneira: Quadro 2 (orientadora A e orientanda A); Quadro 3 (orientador B, orientando B e orientanda B); e Quadro 4 (orientador C, orientando C e orientanda C). No quadro 5 há, resumidamente, o resultado final das entrevistas e, em seguida, a conclusão da pesquisa.

Em todas as etapas procurou-se detectar e corrigir informações que pudessem confundir, distorcer ou deixar os dados incompletos, evitando-se erros, defeitos e respostas inadequadas e tendenciosas que comprometessem o resultado final da pesquisa (LAKATOS; MARCONI, 2002). Conforme afirma Best (1972), a análise e a interpretação estão intimamente interligadas e representam a “aplicação lógica dedutiva e indutiva do processo de investigação”. No caso deste trabalho, foram utilizados os princípios adotados pela técnica de análise de discurso, que é um campo da lingüística e da comunicação especializado em analisar construções ideológicas presentes num texto. É proposta a partir da filosofia materialista que põe em questão a prática das ciências humanas e a divisão do trabalho intelectual, de modo reflexivo.

São numerosas as formas de abordagem da linguagem humana. Sua principal função é preencher uma das condições da sobrevivência e da organização dos indivíduos em grupo: a comunicação. A análise do discurso não se restringe apenas à linguagem verbal, mas também à linguagem corporal, que pode confirmar, ou não, as afirmações do pesquisador.

Foucault (1986) ensina que o discurso ultrapassa a simples referência a “coisas”. Ele existe para além da mera utilização de letras, palavras e frases. Logo, não pode ser entendido como um fenômeno de mera “expressão” de algo: destaca regularidades intrínsecas a si mesmo, por meio das quais é possível definir uma rede conceitual que lhe é própria. “É esse mais que os tornam irredutíveis à língua e ao ato da fala. É esse"mais" que é preciso fazer aparecer e que é preciso descrever. ”

Laclau (1991) explicita muito bem esse conceito de discurso, pelo qual os atos de linguagem constituem uma trama que ultrapassa o meramente lingüístico. Para ele, o discurso seria uma instância limítrofe com o social, "porque cada ato social tem um significado, e é constituído na forma de seqüências discursivas que articulam elementos lingüísticos e extralingüísticos". A esse respeito, acrescenta Fischer (1996) que a sociedade seria assim entendida "como um vasto tecido argumentativo no qual a humanidade constrói sua própria realidade". O discurso não pode mais ser analisado simplesmente sob seu aspecto lingüístico, mas como jogo estratégico de ação e de reação, de pergunta e de resposta, de dominação e de esquiva e também como luta (BRANDÃO, 1993).

Assim, ao proceder-se a análise dos dados, examinou-se as interações entre o orientador e o orientando, ao longo do projeto de dissertação de mestrado, de maneira que as informações colhidas pudessem suprir as carências observadas nos trabalhos de Rodrigues Júnior (1995) e Lehmann (1999) bem como responder as indagações da mestranda/autora deste trabalho, relativas a aspectos que envolvem essa relação diádica. As respostas permitiram também classificar os relacionamentos, de acordo com os Modelos de Orientação (ensino, parceria e aprendizado), definidos por Dysthe (2002), identificando as semelhanças e as diferenças mais evidentes.

O Quadro 2, que se encontra a seguir, apresenta um sumário das entrevistas feitas com a orientadora A e a orientanda A.

Princípios e Categorias (Hinde)

Descrição Perguntas Orientadora A Orientanda A

Percepção Interpessoal

Idéia formada pelos participantes de um relacionamento a respeito de si, do seu parceiro e do relacionamento como um todo.

Qual a idéia que o(a) senhor(a) faz do seu parceiro de dissertação?

Acho que é uma aluna que está buscando maiores conhecimentos a respeito de sua formação profissional

Pra mim é aquela disposição de que tem alguém me acompanhando, colaborando até quando eu chegar no ponto, que coloque as minhas idéias, também, no trabalho.

Quais os motivos que levaram o(a) senhor(a) a escolher/aceitar seu/sua parceiro (a)?

Isso eu não sei. Você tem que perguntar pra eles. Eu não sei. Mas acho que pode ser o tipo de trabalho... que seria a coisa principal, a personalidade do orientador e outras coisas

mais...Acho que a primeira coisa seria realmente o interesse comum em termos do objeto da pesquisa.

Porque ela é uma pessoa dinâmica, muito alerta. Assim, ela propõe coisas pra a gente fazer e dá condições. Estou trabalhando com ela há bastante tempo, e eu gosto muito do trabalho dela, do modo como ela trabalha.

Havia alguma idéia/imagem preconcebida dele(a)?

Havia sim, pois ela já tinha trabalhado comigo durante uns dois anos. Tanto ela me conhecia quanto eu. A gente fez pesquisa na iniciação científica e alguns outros trabalhos extremamente produtivos. Então, eu já sabia da capacidade dela de trabalho e da sua relação pessoal, da inteligência, da dedicação..

Sim, pois ela foi minha professora na graduação, foi minha professora de Bioquímica.

Como é avaliado o relacionamento que une o(a) senhor(a) ao seu/sua parceiro (a) ?

Acho excelente. Assim... é pra quantificar, para ser bem quantitativa? Bem, posso dizer que mantenho uma boa relação com ela...

Eu acho que é uma relação muito boa. Eu vejo muito que as pessoas tratam o orientador como chefe. A gente não tem muito disso, a gente tenta conversar. A gente tem abertura pra conversar. Há diálogo constante. A gente discute até chegar a uma solução. Ela me acompanha, me ajuda no que for preciso.

Semelhanças e Diferenças

As similaridades e as diferenças pessoais entre os participantes de um relacionamento podem causar efeitos positivos ou negativos. A similaridade comportamental, cognitiva e emocional pode ser um elemento facilitador no processo de comunicação entre os participantes, fortalece as crenças positivas sobre o futuro do relacionamento e permite avaliações consensuais das percepções dos participantes.

O(a) senhor(a) considera que na relação com seu/sua parceiro(a) existem mais similaridades ou diferenças?

Acho que há diferenças, mas isso é uma questão de maturidade, pois o caminho da orientação é longo. Então, os alunos vêm muito crus pra universidade. Aí, a gente vai trabalhando e espera que, ao longo do curso, ele vá adquirindo maior maturidade e, no final, que ele seja um profissional bem capacitado.

Eu acho que a gente tem mais pontos em comum, mais similaridades. Pelo tempo que já trabalho com ela acaba criando uma linha de trabalho. As diferenças são pouquíssimas e eu acho que ela é bem mais ativa do que eu. Eu faço tudo com calma, tranqüilidade. Ela é bem elétrica pra fazer as coisas, mas a gente tem muito em comum. Eu sei que ela é a minha orientadora... As diferenças prejudicam ou contribuem para o desenvolvimento da dissertação?

De um modo geral, elas contribuem. As diferenças são uma forma de maturidade, e só se consegue isso com o tempo.

Eu acredito que contribuem, porque se a gente pensasse tudo igual ia acabar só ficando aquela coisa repetitiva. Essas diferenças me dão margem pra eu chegar pra ela e dizer: não... não é bem assim. Eu não acho que deva ser assim não. E ela também chega pra mim e diz: não... não vá por esse caminho não. Vamos ver se não tem uma outra alternativa. Então, as poucas diferenças que a gente tem contribuem pra gente discutir e ver qual o melhor caminho a seguir.

Em quais situações elas se tornam mais evidentes? Na discussão de projetos, de experimentos, e em várias situações da vida acadêmica.

Nas práticas de laboratório. Se estou fazendo um experimento, ela olha e fala se está certo ou não. Ela é muito precisa, gosta de tudo certo.

Os senhores comungam sempre das mesmas idéias no que se refere a aspectos da vida em geral?

Existe um pouco dessa comunhão em relação à vida acadêmica, mas na vida em geral, acho que não.

Às vezes. A gente tem mais contato acadêmico. Mas nas poucas vezes que a gente conversou, particularmente, notei umas certas semelhanças. Reciprocidade e Complementar i- dade A reciprocidade é o resultado de comportamentos similares, quer de forma simultânea ou alternada, enquanto que a complementaridade é formada pela concepção de comportamentos diferentes. Os relacionamentos raramente podem ser descritos como exclusivamente recíprocos ou complementares. O mais adequado parece ser restringir a classificação às suas interações ou classificá-los em função do tipo de comportamento mais freqüente. Nem a reciprocidade nem a complementaridade são determinantes para a atração, desenvolvimento e manutenção dos relacionamentos .

Na relação entre o (a) senhor (a) e seu/sua parceiro (a) há mais concordâncias ou discordâncias diante dos posicionamentos apresentados?

Há mais concordâncias Concordâncias, sem dúvidas.

As diferentes idéias apresentadas pelo(a) orientando(a) orientador (a), complementam seus posicionamentos ? Não? Sim?

Sim. O ideal é que o aluno chegue ao ponto ideal, que ele dê uma contribuição, que complemente as nossas informações, os nossos posicionamentos. A gente está sempre buscando isso.

Sim. É como eu já falei: ela vem como uma forma de realmente me orientar. E, muitas vezes, eu chego pra ela e digo que não sei pra onde ir, como fazer. E ela fala: não, não, esse não. A gente tem esse caminho aqui para seguir. Então, o que ela me sugere me complementa bastante.

De que maneira isto acontece?

Quando, por exemplo, o orientando ou a orientanda escreve alguma coisa ou quando ela encontra, de repente, um artigo com um outro foco diferente daquele que eu

estava pensando inicialmente.

Isso a orientadora é que pode explicar melhor. Eu sempre digo: eu tenho isso, isso e isso. Como é que eu faço, agora? Então, ela diz: vamos fazer assim, assim, assim. Ela é muito metódica, muito sistemática. Então, consegue organizar as coisas...bem direitinho.

Poder e Conflito

A posição antagônica assumida pelos parceiros pode fazer com que, em determinadas situações, um participante apresente características de poder, infrinja a liberdade do outro, gerando conflitos. Dessa maneira, podem ocorrer alterações quanto às formas de pensar, perceber, sentir e agir de cada participante. No caso do poder, as variações de comportamento são criadas, muitas vezes, pela adversidade de opinião, podendo ativar emoções e sentimentos, afetar a objetividade e acarretar prejuízo ao processo relacional. O conflito pode ser construtivo, quando o relacionamento apresenta altos graus de compromisso e confiança, atuando como um caminho para melhorar o entendimento entre os parceiros e reforçando os laços da relação já estabelecida. O conflito é destrutivo quando há entre os participantes um clima de ameaças, desconfiança, falta de compromisso e percepção interpessoal inadequada. O conflito pode também facilitar a efetivação da aprendizagem de convivência, diante das oportunidades de defesa de pensamentos, idéias e posições que cada participante assume.

Na relação com seu /sua parceiro(a) já ocorreu algum posicionamento antagônico que trouxesse conseqüências negativas ou infringisse a liberdade de um dos dois participantes, caracterizando-se como abuso de poder? A nossa posição, no mestrado, por exemplo, é a de acatar, a de aceitar o oposto, mas deve ser um oposto coerente, correto. Então, a gente não vê

muito isso...de conseqüências negativas

numa posição contrária.

A gente chega a discutir, mas não há conflito, nem isso causa conseqüências negativas. A nossa liberdade é sempre respeitada.

Se aconteceu, houve alteração na forma de pensar ou agir de um dos dois?

Não, não houve. Não, isso nunca aconteceu

As divergências provocaram conflitos entre os participantes da díade?

Mas é isso que eu estou dizendo, que não tem divergências. Quando a gente briga, geralmente não é pelas divergências. Isso não existe.

Não

Compromisso e Satisfação

O termo compromisso é usado por Hinde, em sentido amplo, quando há por parte dos parceiros concordância com as regras estabelecidas para a continuidade do relacionamento. Assegura que se o compromisso for firmado de modo consciente e gradual, mesmo que não seja explícito, dificilmente haverá declínio ou término do relacionamento.

Quando se refere à satisfação, Hinde diz que tanto as auto-avaliações quanto as avaliações a respeito do processo relacional são fundamentais para o bem- estar dos participantes e para o atingir os objetivos pretendidos. A relação entre a satisfação e a qualidade do relacionamento é dinâmica e dialética: quanto maior a satisfação, maior o interesse em aumentar a intimidade, o compromisso e o investimento que, por sua vez, geralmente resultam em maior satisfação. Entrelaçam- se, nesse caso, os efeitos e as causas do relacionamento. Os compromissos firmados pela díade são cumpridos fielmente conforme combinado no início das atividades?

Acho que sim, pois a gente trabalha com o sistema biológico, então, o aluno não tem fim de semana, o aluno não tem férias. A gente trabalha com plantas e a planta não pára de beber água no Natal, por exemplo. Planta precisa de luz todos os dias. Planta precisa ter isso tudo. Não interessa se é Natal, se é Ano Novo, se é sábado. A planta, se ela não pegar, você pode matar a sua planta e, quando você voltar, ela não está mais ali.

No início, quando eu entrei logo, tinha muita disciplina pra fazer, então eu sempre procurava marcar de acordo com as minhas folgas. Foi mais ou menos desse jeito. Agora, não. Fora os dias de aula, todos os outros dias da semana eu tô aqui no laboratório. Então, aí, a gente controla o dia que a orientadora dá aula e não pode estar aqui. E aí a gente vai se ajustando e fazendo tudo para atender a agenda. Mas, normalmente, eu tiro minhas dúvidas quando eu quero, pois ela está quase sempre aqui...aí eu mostro o que está sendo feito e falo: olha estou fazendo isso, isso e isso...

As obrigações determinadas e a orientação das etapas que dão prosseguimento às atividades da dissertação são realizadas dentro do prazo pré- determinado?

Sim. Só que no caso do orientando, ele precisa de obter pontos... Eles fazem parte de um curso... Eles têm um prazo. E nós fazemos tudo para caminhar junto, cumprindo, assim, a nossa

parte.

Às vezes não dá tempo pra fazer tudo, mas aí eu chego pra ela e falo que não tenho como cumprir as atividades no prazo que foi estabelecido. Agora, fiz a qualificação e tenho que entregar tudo, com as correções.

Há pressões por parte de um dos parceiros a respeito da conclusão do projeto de dissertação?

A pressão é...aqui tudo tem tempo certo. Mas existe uma pressão fortíssima em termos de bons resultados, porque o curso é muito... é muito bem avaliado, até porque as bolsas são dadas pelas instituições, e essas instituições têm regras, determinações...cobram. Então, por exemplo, se você pegar um aluno de mestrado e começar a demorar demais... passar mais de 24 meses... isso é... isso denigre o programa.

Eu acho que ela exige assim... dentro do necessário. E nisso ela tá me alertando, né? Então, nós temos prazo pra cumprir e temos de prestar atenção pra não deixar o tempo passar. Mas não existe aquela pressão, nem minha nem dela, de cobrança de resultado, que deixa a pessoa estressada. A cobrança dela é uma cobrança de alerta pra cumprir o projeto, pra saber como estão indo as coisas. É uma maneira de dizer: preste atenção, nós temos datas pra concluir, vamos fazer tudo direitinho.

As atribuições acadêmicas assumidas são encaradas e respeitadas como compromisso mútuo?

A gente faz o experimento junto com o aluno. Se ele faz mais de uma vez, a gente diz: vamos embora, vamos lá fazer juntos. Aí, a gente vai chegar ao final do experimento.

Acho sim. Por exemplo, se eu ficar muito tempo sem procurar ela, ela vem, vem me procurar pra saber como vão as coisas, se eu estou precisando de alguma coisa, se tá tudo tranqüilo.

Há momentos em que predomina alguma tensão psicológica?

Sim.Tem que ter, pois a gente precisa de resultados. Aí, com certeza, tem bastante estresse e tensão. Mas terminam...

De certa forma há tensão sim. Olha, a gente tem uma sala de crescimento de plantas, aí eu fico responsável por molhar essas plantas e não faço... aí ela percebe...e me chama a atenção, e diz: tome cuidado, a gente tem que prestar atenção, senão a gente perde nossas plantas. Ela faz isso não só comigo, mas com todos do nosso grupo. Mostra que a gente tá errado, conversa com a gente...só que ela tem um jeitinho muito sutil de conversar. É comum entre aqueles que integram a díade discussões a respeito da falta do compromisso assumido? Geralmente há. Quando não está dando certo, a gente explica o problema e diz à pessoa o que deve fazer. Às vezes, ela diz é minha folga e outras coisas. A gente diz isso na própria triagem, já fala logo de cara, porque não adianta você ficar querendo esconder isso.

A gente nunca sabe quando ela tá dando bronca ou quando ela não tá.. Ela não transparece nada. Ela conversa com você super tranqüila. Aí, a gente nem percebe se ela brigou ou simplesmente observou. Ela sabe que a gente não pode estragar o nosso experimento. Houve algum problema acadêmico ou particular que tenha afetado o desenvolvimento da pesquisa?

A nível de mestrado, não. Não há nem tempo, porque a gente vai ajudando...a gente socorre. Mas, a nível de graduação, sim. Eu tive uma excelente aluna que teve de parar porque engravidou

Há satisfação por parte dos senhores na realização da dissertação? No caso da orientanda, você tem que perguntar pra ela. Eu mesma não sei, porque na verdade agora tudo é novo pra ela, tudo é novo naquela questão.

Gosto do que faço. Ás vezes, de uma hora pra outra, a gente nota que os experimentos vão dando certo, que tá conseguindo resultados e tal, aí, sim, vem a satisfação: minha e dela. E laboratório é isso. Tem época que tudo dá errado, outras vezes, de repente, começa tudo dá certo. Mas a gente faz tudo com muita satisfação. Como ela é

demonstrada?

Acho que o aluno, às vezes, só vai entender isso daqui a cinco anos. Eu tenho certeza absoluta de que ela falará... ela ou qualquer um falará coisas

maravilhosas da experiência. Quanto a mim, tudo bem, gosto e estou muito satisfeita com o que estou fazendo, com o que faço.

Bem, não sei, mas acho que é em tudo que faço.

Na análise dos dados da díade A foram encontradas as seguintes respostas, de acordo com os princípios e categorias assinaladas por Hinde (1979, 1997).

Percepção interpessoal – Ao perguntar - qual a idéia que o senhor faz do seu parceiro de dissertação - tanto na resposta da orientadora quanto na da orientanda verificou-se que a percepção interpessoal é entendida como o papel que cada um exerce na relação. A orientadora vê na orientanda alguém que busca conhecimentos, enquanto a orientanda tem em sua orientadora a profissional que lhe deve acompanhar e colaborar com ela no processo de elaboração de seu trabalho final de curso, que está sempre ao seu lado, orientando-a, acompanhando o seu trabalho e dando-lhe a liberdade necessária para externar suas idéias.

A segunda pergunta se destinou a saber quais os motivos que as levaram a escolher/ aceitar uma a outra como parceiras de trabalho de mestrado. A orientadora A preferiu, inicialmente, responder que não sabia e que a resposta poderia estar com a orientanda A: “Isso eu não sei. Você tem de perguntar para ela.”. Para Hinde a forma como cada um se percebe e percebe o outro numa relação é essencial à integridade dos indivíduos, varia de pessoa para pessoa e do tipo de interação estabelecida, podendo afetar e influenciar profundamente a continuidade do relacionamento. Afirma, ainda, que numa relação, os indivíduos se auto- avaliam, avaliam a sua participação e a relação de um modo geral, criando “imagens” sobre seus sentimentos em relação ao outro e a respeito dos sentimentos do outro sobre si, e também são vistos de maneira diferente pelas pessoas que os cercam.

Diante desse posicionamento, a orientadora A pode não ter querido colocar em exposição, logo de início, “imagens” sobre seus sentimentos em relação à orientanda, tanto é que, após alguns segundos, acrescentou que “a coisa principal pode ter sido o tipo de trabalho que realiza, a sua personalidade (dela, orientadora) ou o interesse comum em termos de pesquisa.” A resposta dada pela orientanda A confirmou que a personalidade da orientadora aliada ao seu comportamento pesaram na sua escolha. Os motivos apontados estão direcionados às características pessoais da orientadora – “ela é uma pessoa dinâmica e alerta. É ... ela propõe