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Første engår til grønngjødsling eller fôrproduksjon ved økologisk frøavl av timotei og engsvingel

O projeto comum é outro pilar importante dentro de uma comunidade de prática, pois será a busca almejada por seus membros participantes e o que os motivará no engajamento mútuo. Portanto, não é qualquer coisa que seja interessante e também não necessariamente um objetivo a ser alcançado, mas um projeto comum que traga sentido de coesão e perspectiva futura da causa a ser investida por aquelas pessoas (WENGER, 1998).

No caso da RMSFC vemos que o projeto comum que une seus membros na aprendizagem cotidiana, assim como na pactuação estatutária de cumprir às sessenta horas semanais, demonstra estar pautado na valorização da Estratégia de Saúde da Família e Comunidade, no fortalecimento da Atenção Primária (ALMEIDA et al., 2011) e do SUS como projeto social que vise os princípios socialistas de integralidade, equidade e universalidade (VASCONCELOS; PASCHE, 2006). Embora estejamos lidando com uma

perspectiva de Comunidade de Prática que seja multiprofissional e traga em si esta heterogeneidade de seus membros, vemos no projeto comum do grupo da Residência uma coerência em buscar a superação da ESF, reformulando conceitos e práticas.

Para mim necessariamente não é só o pedagógico que pesa, sabe, é porque eu parto do entendimento que esse espaço, essa proposta de formação é pra formar trabalhadores do SUS num assunto específico, pra dar certa aprofundada pelo trabalho e no trabalho, ensinando enquanto se trabalha e também aprendendo enquanto se trabalha. (R1)

Este conjunto de perguntas serão repetidas reiteradas vezes pela CP: Qual nosso projeto comum? Para que estamos aqui engajados e participando? Como caminhar em direção às possibilidades futuras?

Sair e parar pra pensar o que a gente quer pro ano que vem, de rever alguns pontos que estão precisando melhorar. Então eu me percebo em muitos movimentos ao mesmo tempo e aí, às vezes, dá a sensação da gente estar rodando, a cabeça rodando, mas eu me sinto muito presente no espaço e de uma certa forma até segura assim pro ano que vem e até me tornar R2. (R1)

Portanto, como já colocamos, na RMSFC vemos que o foco é o aprendizado para fortalecimento da Estratégia de Saúde da Família, da Atenção Primária e do SUS. Os participantes ingressam na Residência sabendo dessas peculiaridades e a busca envolve desenvolver uma prática significativa que garanta o comprometimento com este projeto. O próprio nome “projeto comum” reúne em si significados de algo a ser construído que permita flexibilidade na condução de diretrizes, mas que questione e problematize por fazer constantemente este enlace com a prática.

Na elaboração da fala de um R2 que começa a se preparar para sair da Residência vemos que o projeto da Educação Permanente enquanto política constitucional (BRASIL, 1988) foi de certa forma contemplada em seu objetivo de fortalecer os princípios do SUS:

[...] O SUS formar seus atores dentro da lógica que ele mesmo propõe. E isso a gente conseguiu vivenciar. (R2)

Se dentro desses princípios houver o momento reflexivo e problematizador da prática revendo e flexibilizando os processos de trabalho quando necessário se faz, seria outra importante competência exercida no cenário da Residência:

[Por exemplo,] o reflexo da necessidade de flexibilidade do processo de trabalho – coisa que nós na residência talvez temos e conseguimos sem ter vergonha de exercitar isso – não sei se as pessoas não querem ou acham que não é possível, mas eu acho que no serviço não vejo acontecer com tanta frequência. (R2)

Outro aspecto da ESF é a clínica ampliada e a integralidade do cuidado (ANDRADE et al., 2006), onde o sujeito não é visto a partir da doença, mas como ser integral abrangendo seus aspectos sociais, familiares, subjetivos e biológicos na atenção ao cuidado:

Quando a gente entra na residência da clínica ampliada que não é só esse sujeito global que o problema do pé vai afetar lá a sua coluna, mas eu também tive essa aproximação nessa questão da saúde mental, que muitas vezes os problemas que ele está sentindo vão afetar o corpo e vice-versa. Então é uma ampliação a questão das cuidadoras, que minha visita era focada no acamado. Aí você passa a despertar a questão da escuta, a questão do sofrimento, a questão dos desafios de implementar ações no sentido de alcançar e de aliviar sofrimento dessas cuidadoras. (R2)

Dentro da CP encontra-se na busca desse projeto comum uma possibilidade de rever-se e de negociar novos significados para seguir adiante na aprendizagem. Percebemos que diante de desafios da prática e tensionamentos com outros atores, na fala de preceptores quando não estavam ainda no trabalho da Residência e atuavam profissionalmente na APS, pensaram em desistir do projeto da ESF, mas ganharam novo fôlego ao adentrar a Residência: Confessava que quando eu fui pra residência eu tava num processo de entrega assim do saúde da família e disse assim: ‘mas, rapaz, não tem mais jeito não, o negócio é isso aqui mesmo e vamos levando o barco nessa equipe até onde der’... E aí veio a residência. (P)

Além disso, este é um projeto da ESF, desafiante, com muitas dobras e complexidades:

Só um parêntese. Eu acho que o saúde da família é muito desafiante. Como é que um profissional que está no saúde da família não ser afetado, não se afetar pelas coisas é difícil né, um profissional que quer ser tudo igual não existe né na Estratégia Saúde da Família. (P)

Porque [n]a formação a gente tem que buscar a integração e eu acho que na residência a gente faz essa integração da epidemiologia com a clínica e o que o saúde da família realmente precisa, de uma maneira até natural, fazer disso uma grande coisa. (P)

No entanto, fica o questionamento – e uma angústia vigente no grupo de residentes - de um projeto comum como a ESF e o impasse sobre se haverá no futuro manutenção dos trabalhos desencadeados pela Residência ou não. Mais adiante retornaremos a este aspecto aqui levantado, pois parece ser um dado relevante na formação desses profissionais, a permanência de práticas experimentadas e implantadas nos espaços de atuação da ESF pelos quais passaram.

Esses trabalhos no futuro? A equipe de saúde da família será que vai dar o andamento a isso ou simplesmente vai parar? Porque ontem a gente ficou num

empasse danado. Não, isso aí é pra residência fazer o resumo, mas, espera aí, a residência não é só apoio? Até que ponto a residência está levando e impulsionando o saúde da família e os projetos? E até que ponto o saúde da família vai continuar isso aí, e esses projetos, como é que vai ficar isso aí? Então, tem esse ‘porém’ aí que eu acho que interfere e muito e vai interferir no futuro do saúde da família. (P) Concluimos esta primeira dimensão analítica, enfatizando que a RMSFC apresenta os elementos necessários na constituição de uma comunidade de prática que é a busca de um projeto comum da ESF, um repertório partilhado comum a estes membros e o engajamento mútuo necessário para constituição e manutenção da comunidade. Esta comunidade está direcionada para a aprendizagem, e nos processos que desencadeia a construção coletiva é fortemente valorizada. Nos próximos tópicos iremos trazer outras dimensões de aprendizagem nas quais o leitor perceberá ainda que os três elementos favoráveis para uma CP vão naturalmente sendo acionados na apropriação de novos conhecimentos pelos indivíduos e pelo coletivo por meio da prática como sustentação da Residência.