Delutredning I overlevert styringsgruppen for Innlandsuniversitetet 14. mai 2001
1 Statusbeskrivelse av interne forhold
1.6 Etter- og videreutdanning (EVU)
Neste ponto, buscamos identificar como a escola percebe a variação lingüística. Para tanto, analisamos, na GIDE, o Marco Operativo (parte do Marco Referencial) que traz a dimensão pedagógica da escola: objetivo geral, conteúdos e currículo. Ademais, traz a proposta curricular de LP por nível/ modalidade/disciplina93, focando as competências,
habilidades, tema, conteúdos e o detalhamento dos conteúdos.
7.2.2.1. Análise do Marco Operativo
Na análise dos objetivos gerais, vemos a consonância com o que é posto nos marcos anteriores; as escolas põem em relevo o propósito de trabalhar uma educação capaz de promover o ser humano e preparar o educando para o exercício pleno da cidadania. Três escolas, inclusive, fazem menção à Lei de Diretrizes e Bases-LDB, demonstrando que o propósito da escola mantém consonância com a referida Lei. Uma dessas cita também a Constituição Federal.
Quanto aos conteúdos a serem trabalhados, as escolas citam os de cunho conceitual, procedimental e atitudinal conforme previsto nos PCN e RCB. Duas escolas (D e F), entretanto, só mencionaram os PCN.
No que se refere ao currículo, há uma aproximação entre a posição das escolas. Para as escolas o currículo seguirá a orientação da SEDUC (o que lemos RCB). A escola B e
93 Nível equivale a Ensino Fundamental; modalidade equivale a ensino presencial e disciplina, no caso, é a de
F acrescentam também a LDB como documento a ser observado na construção do currículo. E a escola B menciona ainda os PCN.
Das seis escolas, apenas a escola a escola A não traz menção às orientações da SEDUC, nem às dos demais documentos, apontando que o currículo será planejado e desenvolvido a partir de uma seleção da cultura e das experiências dos alunos, pais e professores com vistas a habilitar esses agentes escolares para o exercício pleno da cidadania.
A partir da análise, percebemos que nem sempre a escola faz menção ao que é proposto pela política educacional. Isso revela-nos que o alcance teórico dos documentos oficiais, às vezes, não chega aos documentos escolares e, por conseguinte, está distante das práticas escolares.
7.2.2.1.1. Análise da proposta curricular de Língua Portuguesa
A estrutura desse marco, conforme orientação oficial, deve trazer os marcos de aprendizagens, os conteúdos e o detalhamento dos conteúdos para cada uma das disciplinas a serem ministradas na escola. No caso da disciplina de LP na 8ª série, poucos resultados, permitiram-nos visualizar a presença de algumas habilidades sociolingüísticas.
A escola A lista três marcos de aprendizagem que representam essas habilidades:
1. reconheçam através de marcas discursivas, intenções, valores, preconceitos veiculados em textos (orais/escritos); 2. identifiquem as implicações de fatores geográficos, históricos, sociológicos e técnicos para a variação lingüística, detectando e utilizando os níveis de registro nas modalidades oral e escrita; 3 identifiquem, em situações reais de produção de linguagem, as manifestações de fatores responsáveis pela variação lingüística nos diversos componentes da língua (fonético, léxico, morfológico, sintático) (EPF06A).
Ao estabelecer os conteúdos e o detalhamento desses conteúdos, referentes a cada um dos marcos de aprendizagem94, essa escola coloca como conteúdo referente ao marco 1, “a leitura, compreensão e interpretação,” e, como detalhamento, as “especificações de objetos, pessoas ou processo (texto descritivo); como personagens principais, ambientação, problema, solução e moral da história (texto narrativo)”.
Em relação ao marco de aprendizagem 2, a escola coloca como conteúdo a ser trabalhado os “aspectos textuais/ aspectos gramaticais” e, ao fazer o detalhamento, aborda as
“transformações e combinações de frase (por adição, substituição e encaixamento, redução, deslocamento e apagamento)” e, em seguida, cita a “linguagem padrão e não-padrão (modalidade oral e escrita, níveis de registro)” e “variedade lingüística: diferentes gêneros textuais (música, cordel, quadrinhos, etc.)”.
E quanto ao marco 3, o conteúdo a ser trabalhado são os aspetos textuais e gramaticais, e a escola não apresenta um detalhamento desse conteúdo.
Ao fazermos a correlação entre cada habilidade, o conteúdo e o detalhamento do conteúdo, percebemos que a escola demonstra certa ausência de compreensão sobre essas habilidades sociolingüísticas, pois o conteúdo e o detalhamento deste pouco se adequam para que o aluno, de fato, possa desenvolvê-las. Faz-se necessário destacar que os marcos citados pela escola são uma reprodução de alguns dos conteúdos (conceituais, atitudinais, procedimentais) que aparecem nos RCB. A escola apenas os adaptou como marco de aprendizagem.
A escola B não apresenta nenhum marco que represente alguma habilidade sociolingüística. Ao citar, no entanto, como conteúdo a “compreensão de textos orais, escritos” (EPF06B), apresenta como detalhamento desse conteúdo o estudo da palavra no contexto. Essa foi a única menção feita pela escola que sugere o desenvolvimento da habilidade de adequação da escolha lexical em função do contexto situacional, do nível de formalidade ou do tipo de gênero textual.
Três marcos de aprendizagens que contemplam também algumas habilidades sociolingüísticas são abordados pela escola C:
1.Produzam e compreendam textos oral-escritos, coerentes e coesos demonstrando autonomia, segurança, utilizando registros escritos, adequando a fala às situações de interlocução e respeitando as variedades lingüísticas; 2. Detectem fatores responsáveis pela variação lingüística e sua influencia nos componentes da língua; 3) Usar e fazer a diferença entre a norma culta e popular. (EPF06C).
Dentre essas habilidades elencadas pela escola, vimos o reconhecimento de condicionamentos ligados ao nível de formalidade, a adequação da fala ao contexto e à audiência, à atitude de respeito às variedades lingüísticas, à identificação de fatores responsáveis pela variação e ao estabelecimento da diferença entre a norma padrão e a variedade popular. Ao descrever os conteúdos e o detalhamento destes, com o intuito de levar o aluno a desenvolver essas habilidades, a escola, entretanto, aborda-os na perspectiva de uma gramática de cunho meramente prescritivista, o que nos parece uma incoerência.
Na análise da escola D, encontramos um único marco de aprendizagem que representa uma habilidade sociolingüística: ”reconhecer a diversidade de gêneros textuais” (EPF06D). Como conteúdo e desdobramento deste, a escola cita alguns textos com os quais pretende trabalhar.
A escola E cita também dois marcos de aprendizagem que contemplam habilidades sociolingüísticas: 1) “produzir e compreender a linguagem oral em situações de comunicação, considerando a realidade local”; “2) compreender e interpretar textos orais, reconhecendo marcas típicas da oralidade (...)”(EPF06D). Para a primeira habilidade citada, como conteúdo a ser trabalhado, a escola apresenta a produção textual/compreensão do texto oral e escrito, enquanto que, no detalhamento desse conteúdo, menciona a produção de redação e sua análise em sala de aula, bem como a identificação de personagens. Já para o segundo marco de aprendizagem, a escola repete o mesmo conteúdo do primeiro marco, e como detalhamento, aborda a compreensão das características da linguagem oral.
A escola F também cita os mesmos marcos de aprendizagem que contemplam habilidades sociolingüísticas, citados pela escola A, e que foram transcritos dos RCB. Como conteúdo para desenvolver tais habilidades, a escola elenca: a) linguagem oral e escrita; b) familiaridade com diferentes tipos e suportes de textos; c) valorização da língua materna como instituição da soberania nacional e elemento de anseio do povo brasileiro. E no detalhamento destes conteúdos, entretanto, a escola descreve atividades de escuta de textos para identificação das idéias conflitantes do autor; atividades de sínteses e resumos; e atividades que possibilitem estabelecer relações entre textos.
Concluímos, portanto, que as escolas, ao colocarem aspectos ligados à variação lingüística (habilidades sociolingüísticas) na matriz curricular da 8ª série, o fazem sem muita ou nenhuma reflexão sobre o fenômeno. Embora citem habilidades, não conseguem fazer a devida correlação entre a habilidade, o conteúdo e o detalhamento do conteúdo a ser trabalhado de modo a desenvolver essas habilidades nos alunos. Há, inclusive, em relação ao detalhamento do conteúdo, a tendência em eleger conteúdos de cunho meramente gramatical, como referência para se trabalhar os marcos voltados para as habilidades sociolingüísticas.
Ainda que em algumas escolas tenhamos encontrado algumas habilidades sociolingüísticas, sobretudo nos moldes dos RCB, não nos pareceu convincente de que as mesmas tenham clareza da dimensão do fenômeno da variação lingüística. A discrepância entre marco de aprendizagem, conteúdo programático e detalhamento desse conteúdo, muitas vezes de cunho meramente gramatical, demonstra essa ausência de clareza e reforça uma
concepção estática de língua que vai de encontro à concepção dinâmica que subjaz a proposta tanto dos PCN quanto dos RCB.