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Bruksmangfold

In document Det norske mediemangfoldet NOU (sider 148-154)

O segundo ponto digno de nota é o consenso entre os músicos entrevistados ao reconhecer que a grande maioria de seus colegas de Brasília se vê diante de uma situação na qual o FAC é a única alternativa para capitalizar sua produção artística. Quando questionados sobre suas compreensões acerca da política pública para a cultura, tanto Pedroza quanto D’Araújo dizem que consideram fundamental a existência de uma política voltada para a produção cultural. Porém, Pedroza faz uma retificação pertinente: “eu acho que ainda é uma mentalidade de fornecer dinheiro pra artistas, enquanto artistas mesmo, e..., porque eles não dão conta de conseguir esse dinheiro em termos de mercado”. É justamente neste ponto que se observa que ele, enquanto músico e produtor, tem uma noção muito clara de como a produção artística está de fato inserida em uma lógica capitalista de produção. Ele sustenta, além disso, que a política cultural ainda é muito calcada na produção artística e que poucas são as ações para difusão e circulação.

Soma-se a isso uma fala de D’Araújo que ilustra perfeitamente este quadro: “existe um movimento que eu acho estranho aqui em Brasília: todo mundo espera ganhar o FAC pra gravar o seu disco. E é o contrário! Você tem que gravar o seu disco pra você merecer novos FACs!”. Ou seja: a política pública foi sendo construída de tal forma que o músico é levado a adequar sua produção artística às exigências do certame público ao invés de criar livremente e buscar o financiamento governamental como um investimento em um produto que tenha potencial comercial e daí elaborar um planejamento de carreira.

Tal raciocínio se relaciona diretamente com as ações que Leonardo Hernandes tem intenção de inserir na gestão do FAC. Chama a atenção a fala do diretor do Fundo quanto ao objetivo que o artista deve ter no que se refere ao certame: "O FAC não pode ser visto como um recurso que tem fim em si mesmo,

mas que ele é o início de algo, ele é pra ser uma mola propulsora de alavancagem do grupo. Então a gente tem estimulado os grupos a pensarem assim". Isso significa que ele reconhece que, historicamente, este tem sido o tom no qual o Fundo vinha se afinando desde a sua implantação. O esforço, segundo ele, é de implementar uma mudança de paradigma, no sentido de entender os setores artísticos como parte de um mercado.

Hernandes deixa isso claro quando afirma que na sua gestão foram criados mecanismos para que a política inverta a lógica que tem se replicado entre a classe artística brasiliense e já explicitada por D’Araújo: a de "ganhar o recurso para produzir outro produto". Em outras palavras, a gestão dos projetos é feita de tal forma que o recurso não é visto como investimento, mas sim como um fim em si mesmo. Ou seja, findado o período de execução de um projeto de gravação de disco, por exemplo, o músico tinha que recorrer novamente ao FAC para gravar um novo álbum. O recurso é administrado de tal forma que o músico fatalmente se torna dependente do Fundo para tocar sua carreira, de forma que é um ciclo sem fim. Nesse sentido, o diretor do FAC afirma que este foi reestruturado de modo a permitir que o artista tenha acesso a uma cadeia de editais que, se entendidos por ele da maneira correta, abre espaço para que se faça um planejamento de carreira. Segundo Hernandes, esta cadeia se estrutura da seguinte forma: primeiro, contempla-se o músico no edital de gravação de álbum; no próximo ano, com o álbum em mãos, ele pode concorrer em uma categoria para realizar o show de lançamento desde álbum; no certame seguinte, o artista se inscreve no edital de circulação local, depois regional e, por conseguinte, nacional; por fim, pode-se, por exemplo, escrever um projeto para produção de DVD, o qual traz a trajetória daquela obra como um todo. Fechado este ciclo, pode-se pensar em um próximo álbum, iniciando-se, portanto, uma nova cadeia. Se o artista compreende que o FAC lhe permite estas ações encadeadas, o mesmo já tem um planejamento de carreira a médio prazo.

Porém, esta renovação estrutural se depara com uma barreira de difícil transposição: a defasagem do aparelho estatal da Secretaria de Cultura para dar conta das demandas do FAC. Hernandes destaca que as limitações referentes à estrutura administrativa do FAC - e, por extensão, da Secretaria de Estado de Cultura - representam o maior problema para a eficiência do certame. Há déficit de servidores, inexistência de informatização em alguns setores, além da

defasagem nos sistemas de gestão e no arcabouço jurídico. Em uma escala mais ampla, Hernandes também destaca que os equipamentos culturais do DF, sob tutela e administração da SeCult, também estão em estado crítico de conservação e, em muitos casos, subutilizados no que se refere à finalidade original, e afirma veementemente que a reforma e a recuperação, atreladas a uma política de manutenção destes equipamentos é uma prioridade na atual gestão. Ele conclui, portanto, que a "má condição da burocracia" é o principal entrave na administração pública da cultura e que a atual direção da Secretaria, por conta do estado de sucateamento deixado pelas gestões anteriores, ficará praticamente o mandato inteiro por conta da recuperação do patrimônio público e modernização da burocracia.

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