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2 Prosjektets teoretiske grunnlag

2.2 Begrepsdefinisjoner: Bortvalg og kompetansekompetanse

Na UFRN, foi criado o Projeto “Memória”, por volta de 1980, que se propunha a registrar em long play (LP) a produção musical local. Segundo depoimentos, esse Projeto foi viabilizado por Diógenes da Cunha Lima, o reitor da UFRN na época, sendo coordenado por Deijair H. Borges, diretora da Escola de Música na época. Nessa ocasião, a equipe docente do CIART foi convidada para participar do Projeto, tendo as professoras a tarefa de escolher e preparar um repertório e as crianças para produzir um disco que seria gravado no Rio de Janeiro.

Candinha conta que as músicas que foram selecionadas para o disco eram canções utilizadas em sala de aula e que haviam sido compostas pelas professoras. Ademais, no LP foram inseridas seis canções de autoria de Diógenes C. Lima. O disco consistiu de vinte e seis faixas:

Figura 31: Capa do LP Canções Infantis. Figura 32: Faixas do LP Canções Infantis.

Candinha lembra que elas precisaram selecionar as crianças para a gravação e, no final, cinco alunas foram escolhidas e passaram alguns dias no Rio de Janeiro gravando: “Fátima foi, eu não fui, aconteceu um problema que eu não pude ir. Fátima foi, juntamente com a diretora, que era Deijair nessa época, e lá ela ficou, não sei se foram três ou quatro dias com essas crianças, e foi gravado o disco” (Candinha, E1, p. 6).

Sobre a importância do Curso ter gravado o LP, a professora Candinha comenta: “Para a gente foi muito bom porque tivemos nosso trabalho registrado numa memória” (Candinha, E2, p. 5).

O CIART, quando participa desse projeto, revela em parte seu trabalho educativo musical, presentificado nas canções escolhidas para serem gravadas. O trabalho do LP registra algumas canções vivenciadas em sala de aula, dando-lhes visibilidade. Mostra assim, um produto musical resultado de um processo de ensino de música adaptado ao universo infantil.

Além da participação nesse Projeto, o CIART se fez presente na TV Universitária. Sobre isto, a professora Fátima recorda que passou um tempo atuando na TV Universitária e o programa que participava recebeu os alunos e professoras do CIART.

Nesse tempo eu passei um ano, um ano e meio, mais ou menos, trabalhando na TV, na TVU. Só tinha duas máquinas [risos] era preto e branco, um fio de rolo, a gente fazia o programa e na outra semana apagava porque fazia em cima dele, não tinha material. A gente apresentou os trabalhos do Iniciação [Na TV]. (Fátima, E1, p. 12).

O nome do programa era Música Pró-Música e o CIART tinha espaço para apresentações, como Candinha lembra:

É porque Fátima tinha [participava] um programa de televisão onde ela falava sobre música, e quando ela podia, ela inseria o Curso de Iniciação para fazer apresentações, e aí é que saiu aquelas apresentações onde tinham as crianças na Noite de São João que tem aquelas bandeirinhas daquela foto que lhe mostrei... [foto abaixo] e teve um apresentação que Estrelita vai a Terra, peça que eu criei, que quem fazia o personagem mãe era Olguinha, e na hora Olguinha adoeceu e eu tive que entrar na TVU... [risos]. (Candinha, Entrevista Coletiva, p. 5).

Figura 33: Noite de São João. Apresentação na TVU.

A participação do CIART no Projeto “Memória”, gravando um disco, bem como em um programa televisivo local, resulta de um processo pedagógico-musical que tinha resultados, revelando sua participação junto às crianças a ser compartilhada intra e além dos muros da Escola.

Assim, as práticas pedagógicas musicais desenvolvidas pelas professoras mostraram envolver planejamentos e experimentações na prática do dia-a-dia, resultantes do modo pelo qual elas ensinavam música, partindo do seu lugar de trabalho associado às diversas formações.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta dissertação teve como objetivo desvelar e compreender como se constituiu o ensino de música no Curso de Iniciação Artística da Escola de Música da UFRN, a partir das lembranças de cinco ex-professoras do Curso estudado.

O trabalho foi conduzido pelos princípios da pesquisa qualitativa e o método história oral, foi eleito por possibilitar ouvir pessoas que participaram ativamente das práticas pedagógicas musicais aqui relatadas.

Ao adotar o método de história oral as entrevistas como principal meio de obtenção dos dados, foi possível chegar às lembranças das professoras, descrevendo e refletindo sobre situações e fatos que fizeram parte da vida das colaboradoras como professoras de música, bem como suas práticas pedagógicas musicais desenvolvidas no Curso em que atuaram.

No decorrer da pesquisa percebi que as colaboradoras tiveram grande interesse em falar sobre o tempo em que atuaram no Curso, e isso foi um fator positivo nesse processo de evocação de lembranças. Deste modo, houve predisposição destas em narrar suas lembranças acerca do CIART revelando experiências docentes significantes e de relevância em suas vidas, e no cenário pedagógico musical da cidade. Inclusive, as matérias publicadas em jornal e revistas de circulação local, apontam para a visibilidade que o Curso tinha na cidade, bem como, a gravação de um LP pelo Projeto “Memória"-UFRN, a publicação de dois livros e diversas apresentações na TV Universitária demonstra que o curso estudado era conhecido para além dos muros da universidade cumprindo sua função de extensão universitária.

Os relatos evidenciaram que as práticas pedagógicas musicais do Curso estavam articuladas com as concepções e práticas contemporâneas a esses momentos sobre arte/música no Brasil, tais como os estudos acerca do método Sá Pereira, e os ideais da arte integrada, entre outros. Cabe ressaltar que o Curso estudado embora denominado de Curso de Iniciação Artística – UFRN colocava a música como centro das atividades desenvolvidas no período pesquisado.

O CIART foi visto como um espaço de educação musical, onde suas quatro primeiras professoras construíram suas carreiras docentes ao mesmo tempo em que atuavam no Curso, formação esta que refletiu o momento sociocultural e histórico vivido. Esta formação foi sendo construída pela participação em cursos em diversos estados, bem como em Natal. Neste sentido, a Escola de Música da UFRN desempenhou papel importante nessas formações, apoiando a saída temporária das professoras para realizar cursos, bem como ofertando formação de curta duração em sua instituição.

As aulas foram relatadas como lúdicas e prazerosas – aspectos resultantes da maneira pela qual as professoras conduziam o processo educativo. As vivências musicais, experimentações e criação musical caracterizaram as práticas educativas das cinco professoras pesquisadas, tendo reflexos diretos nas aulas ministradas no Curso. Ademais, a prática da confecção de materiais didáticos pelas professoras mostrou o cuidado em se pensar um material direcionado ao sujeito infantil.

O momento do planejamento foi descrito pelas cinco professoras como coletivo e constante, mostrando-se como uma prática corrente. Ao registrar em cadernos esse momento, as professoras podiam recorrer a este como um recurso reflexivo de suas práticas pedagógicas. Tal momento foi marcado pela interação entre pares onde havia uma constância na partilha de saberes.

Os currículos relatados e percebidos durante a pesquisa foram resultados de reflexões das professoras atuantes, as quais, partindo de suas formações diversas e adaptações às crianças e à realidade musical natalense, revelaram o quanto aqueles eram dinâmicos e flexíveis. Também revelaram influências das tendências educacionais artísticas musicais que vigoraram no Brasil, como as ideias do método Sá Pereira, da arte integrada e os ideais de Schafer.

As produções artístico-musicais realizadas no CIART foram vistas pelas colaboradoras como um compartilhar entre os que faziam a Escola de Música e os familiares. Desse modo, os recitais e exposições de arte resultaram das atividades desenvolvidas em sala de aula.

A compreensão das experiências vividas por outros pelo viés das lembranças – no caso, testemunhos orais narrados por professoras de música sobre ensinar música em nível elementar a crianças em um passado recente – pode contribuir para a compreensão de práticas educativas musicais do passado pelas gerações futuras.

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Anexo A Roteiro de Entrevista

1. FORMAÇÃO MUSICO-PEDAGÓGICA

 Fale sobre sua formação e trajetória musical.

[Onde você estudou música? Com quem? Quando? Por quanto tempo?]  Como eram essas aulas?

 O que te levou|motivou ser professora? Como foi isso? [graduação – tempo gasto]

2. ESTRUTURA E CARACTERIZAÇÃO DO CIART  O que motivou a criação do CIART?

 Como era o CIART nessa época?  Qual era a duração do curso?

 Havia outra(s) escola(s) de música na cidade nessa época?

[o CIART se diferenciava das outras escolas de música da sua época?]  O que você acha importante no CIART enquanto escola?

 Quem foi ensinar no CIART?

 O que lhe motivou trabalhar no CIART?

[Quando você entrou no CIART? Quando você saiu do CIART? Por que?]  Quem eram seus colegas de trabalho? Como era sua relação com eles?  Havia rotatividade entre os professores?

3. O ENSINO DE MÚSICA NO CIART  Como era ensinar no CIART?

 Como você via o ensino-aprendizagem musical no CIART?  Que disciplinas eram ministradas? E quais você ensinava?  Como eram as aulas?

[individuais, coletivas....liam partitura, tocavam de ouvido...]  Quais propostas ou métodos de ensino musical eram utilizados?  Quem coordenava o CIART?

 Como acontecia o planejamento?  Além das aulas, havia outras atividades?

4. ALUNOS

 Como se dava o ingresso do aluno?

 Quantos alunos o CIART atendia? [por sala, total...] E em suas turmas?

 Qual a idade mínima para a criança entrar no CIART?. E tinha uma idade máxima?  Do ponto de vista sócio-econômico, quem eram essas crianças?

 O que os alunos aprendiam? E quando terminavam o curso, o que eles sabiam?  Após terminarem o curso no CIART, os alunos continuavam a estudar música?

5. RELAÇÃO COM A ESCOLA DE MÚSICA

 Como era o convívio com os outros cursos da Escola de Música? Existia contato entre vocês. Se existia, como era esse contato?

 Como funcionava administrativamente a Escola de Música em relação ao CIART? [Verba, recursos humanos, equipamentos, materiais didáticos, etc.]

 Que infra-estrutura o CIART dispunha?

 Quais cursos a Escola de Música ofertava à época da criação do CIART? Posteriormente isso mudou?

Anexo B

Carta de Cessão de Direitos

Eu,____________________________________________, RG _________________, declaro para os devidos fins que cedo os direitos de minhas entrevistas, gravadas nos dias______________ e revisadas por mim no dia____________, para Cleide Alves da Silva estudante do PPGM – UFPB que pesquisa sobre lembrança de professoras do Curso de Iniciação Artística da EMUFRN. Essas entrevistas poderão ser utilizadas integralmente ou em partes para fins de estudo, pesquisas e publicações a partir da presente data.

Abdico igualmente dos direitos dos meus descendentes sobre a autoria das ditas entrevistas.

Natal, _________________________

__________________________________________ (Nome)