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Utvalgets vurderinger

Betydningen av skjult tvangsmiddelbruk

10.2 Nytten av skjult tvangsmiddelbruk

10.2.7 Utvalgets vurderinger

As abordagens até aqui apresentadas são representativas da multiplicidade de propostas que é possível identificar sobre os processos de tomada de decisão. Para concluir este percurso de análise das várias formas de compreender a tomada de decisão, serão

apresentadas duas tipologias semelhantes, que apresentam o objeto de estudo em questão de um modo abrangente, integrando as propostas quantitativas e comportamentais, procurando explicar como surgem as decisões nas organizações, e não tanto categorizar a investigação sobre a tomada de decisão (Schwenk, 1988).

A tipologia oferecida por Alisson (1971 em Schwenk, 1988) baseia-se na explicação da tomada de decisão estratégica com base em três perspetivas fundamentais: a racional, a organizacional e a política. Segundo a perspetiva racional, a tomada de decisão é entendida como um processo de escolhas conscientes e racionais, sendo a ação do homem orientada por objetivos, e acontecendo perante o conhecimento completo das alternativas e das suas consequências. Contudo, os indivíduos apresentam limitações cognitivas que afetam inevitavelmente a tomada de decisão racional, uma vez que a forma como são apreendidos o ambiente e a organização vão determinar a formulação estratégia. Perante uma situação de racionalidade limitada, o homem constrói modelos de simplificação da realidade para lidar com problemas complexos. Por outro lado, para ultrapassar as suas limitações inatas, este desenvolve heurísticas e enviesamentos, trabalha com base em pressupostos, mapas e esquemas cognitivos, e baseia-se em analogias, apesar de cada problema ser único. Para além das questões inatas, não podemos esquecer que cada um de nós tem as suas próprias características, vivências e estilos, que acabam por ser também determinantes e condicionantes das nossas escolhas. Nesta primeira tipologia em que a decisão é entendida como uma intenção racional, o foco de análise são os processos cognitivos (Schwenk, 1988).

Por outro lado, na ótica da perspetiva organizacional, a decisão é entendida não como o resultado de uma escolha deliberada, mas enquanto um resultado dos processos organizacionais, nomeadamente da sua estrutura e características, e dos seus programas e procedimentos standard. As necessidades naturais de adaptação da organização produzem mudanças na estrutura da mesma e nas suas rotinas e, consequentemente, não só influenciam, como têm um impacto determinante nas opções realizadas. Neste sentido, a decisão enquanto resultado dos processos organizacionais implica a análise dos processos da organização (Schwenk, 1988).

Por fim, para Allison (1971), as decisões podem ser vistas como outcomes dos jogos políticos e da negociação entre indivíduos, sendo o foco de análise os stakeholders que se constituem como uma fonte de poder e legitimação externa da organização. Simultaneamente, a nível interno, podem ser identificadas fontes de poder que estão habitualmente associadas à cultura da organização, e à capacidade de tomada de decisão e de acesso a informação atribuída aos indivíduos. Para o autor, na linha do que defende Spekman (1979 em Schwenk, 1988), perante um ambiente incerto, a informação surge como um elemento-chave que confere poder a quem a detém. Deste modo, a decisão surge como o resultado da interação entre a organização e os seus públicos (Schwenk, 1988).

De modo semelhante, com o intuito de colocar em evidência os aspetos interdisciplinares dos processos de escolha, Harrisson (1987) propõe quatro modelos distintos, que não são mutuamente exclusivos e cuja designação, nos casos dos três primeiros, coincide com a proposta de Allison (1971 em Schwenk, 1998): falamos do modelo racional, organizacional, político e processual. Optou-se por dar a conhecer esta proposta em último lugar pelo facto de ser uma abordagem abrangente, que oferece um bom entendimento da complementaridade das diferentes opções de análise existentes, e por focar os pontos de aproximação e afastamento entre as várias propostas (Harrisson, 1987).

O primeiro modelo apresentado pelo autor, o modelo racional, coincide com as propostas normativas. Este modelo apresenta as condições em que deve ser tomada a decisão, indicando o que o gestor deve fazer para ser um decisor efetivo. Não tendo uma explicação racional ou empírica, esta é uma abordagem clássica, que fornece as bases para as disciplinas quantitativas como a Economia, a Matemática e a Estatística, sendo este modelo a razão pela qual a tomada de decisão é considerada um processo eminentemente quantitativo. Os objetivos do indivíduo são transformados em preferências passíveis de ser representadas em termos de valor ou utilidade. Este modelo assume que só existe um indivíduo a tomar a decisão, que este só tem um objetivo, que pode ser expresso em termos quantitativos, sendo que as alternativas são finitas e bem identificadas, e o problema consiste em escolher uma opção. A alternativa

escolhida será aquela que apresentar uma maior utilidade. Para estes princípios serem válidos, têm de ser verificados os axiomas de proximidade e transitividade, sendo que se procura a maximização perante um ambiente relativamente fechado.

O modelo organizacional coincide com a abordagem neo-clássica da decisão e resulta de uma combinação das disciplinas comportamentais com a análise quantitativa, sendo considerados os constrangimentos do ambiente externo. Neste modelo, a tomada de decisão é entendida como um processo temporal no qual os indivíduos inseridos numa estrutura organizacional com diferentes objetivos, alguns contraditórios, e com conhecimento imperfeito sobre as alternativas e suas consequências, procuram a satisfação e não a maximização dos seus resultados.

Integram-se nesta linha autores como Cyert e Marcj (1963 em Harrisson, 1987) que caracterizam este modelo como apresentando objetivos múltiplos e mutáveis, tendo em consideração, de modo sequencial, as alternativas que visam a satisfação, não se procurando prever as consequências, ou a anulação da incerteza através de políticas e procedimentos, e existindo a implementação da escolha através de procedimentos e da utilização das regras que derivam da experiência.

Outro autor que se insere nesta linha é Simon (Alisson, 1971 em Harrisson, 1987), para quem as dimensões do modelo organizacional, que diferem do modelo racional e que refletem os aspetos comportamentais da proposta são: os problemas consignados – estes são tão complexos que só é possível considerar alguns aspetos do mesmo, o indivíduo foca e divide o problema em diferentes elementos; a satisfação – os agentes envolvidos procuram a satisfação e não a maximização, pois não há acesso a todas as alternativas e, por isso, é preciso escolher uma que seja boa o suficiente para atingir os objetivos; a pesquisa – as alternativas são geradas por procedimentos relativamente estáveis e sequenciais; a anulação da incerteza – feitas alterações após a decisão, para atingir os objetivos; e os repertórios – alternativas a implementar se a alternativa escolha não gerar o resultado satisfatório.

De referir ainda que neste modelo existe uma baixa tolerância à incerteza, sendo consideradas questões qualitativas e não só quantitativas, e havendo contributos da Psicologia, da Sociologia e da Filosofia. É possível ainda identificar questões semelhantes entre os dois primeiros modelos, nomeadamente a orientação para os resultados imediatos e a consideração dos constrangimentos. Enquanto o modelo racional tem uma orientação normativa, advinda das disciplinas quantitativas, o modelo organizacional é guiado por políticas e procedimentos.

O terceiro modelo proposto pelo autor, o modelo político, é baseado na Filosofia, na Ciência Política, na Psicologia e na Sociologia, sendo a sua base quase na íntegra comportamental. É mais parecido com o modelo organizacional. No entanto, este modelo implica um compromisso ou negociação tendo em vista um resultado aceite por diferentes audiências externas, enquanto que no modelo organizacional se procura que o resultado beneficie a organização.

A existência de uma estratégia de compromisso é o que caracteriza o modelo político, sendo a ênfase colocada nos dados qualitativos. A manipulação e a supremacia são conceitos-chave, sendo este modelo baseado no conceito de incrementalismo. Segundo o modelo político, não são avaliadas todas as consequências, apenas as mais relevantes e evidentes. É requisito primário do modelo político, a avaliação das alternativas que diferem das políticas actuais, sendo consideradas poucas alternativas e apenas avaliadas algumas consequências das alternativas. O problema é constantemente redefinido, não existe uma melhor resposta, a decisão é constante, a resolução de problemas imediata, não existindo uma visão de longo prazo. Segundo este modelo, não são distinguidos os meios e os fins e é minimizada a incerteza na tomada de decisão, não incluindo a matemática, economia ou estatística, predominando o aspeto comportamental da tomada de decisão.

Por fim, o modelo processual coloca a ênfase nas questões administrativas, sendo os objetivos orientados para os resultados. Em termos de interdisciplinaridade, é semelhante ao modelo organizacional, baseando-se na Matemática, Estatística, Economia e reconhecendo também as disciplinas comportamentais como a Filosofia, a

Psicologia e a Sociologia. O modelo processual distancia-se do modelo organizacional na medida em que está orientado para os resultados a longo prazo, tendo em vista o crescimento e o futuro. Existe uma clara orientação estratégica neste último modelo, enquanto o modelo organizacional é mais tático e preocupado com o curto prazo. Este modelo aplica as técnicas do modelo racional de comparação e avaliação de alternativas, e utiliza os métodos quantitativos para reduzir a incerteza, e ainda as técnicas de negociação do modelo político. Considerados ainda os constrangimentos humanos e institucionais, bem como os apresentados pelo ambiente, existe uma preocupação com a inovação e a mudança organizacional.

Nesta secção procurou-se oferecer uma visão das principais propostas de compreensão sobre os processos de tomada de decisão, tendo sido evidenciada a interdisciplinaridade que existe no estudo desta realidade e a complementaridade de abordagens e conceitos. Embora possa entender o leitor que se trata de uma apresentação exaustiva das propostas existentes na literatura, é importante ressalvar que se pretendeu fazer uma

overview das principais categorias patentes na literatura sobre o tema em questão, para

construir o quadro teórico que sustenta o presente trabalho.