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O European Communication Monitor (ECM) consiste num projeto de investigação extensiva anual promovido pela EUPRERA, em parceria com a European Association

of Communication Directors30 e a Communication Director Magazine31, que se apresenta como o primeiro estudo à escala global, tendo em vista analisar o desenvolvimento das RP e as mudanças no quadro da profissão na Europa, bem como as suas práticas e os seus instrumentos, identificando, simultaneamente, as tendências futuras desta área, e pondo em evidência quais são os tópicos relevantes para a prática

30 A European Association of Communication Directors (EACD) é uma associação europeia de

profissionais de comunicação com mais de 2.000 membros, que pretende reunir os especialistas em comunicação, promovendo a troca de ideia e discussão dos principais tópicos na agenda das Relações Públicas a nível internacional - http://www.eacd-online.eu/.

31 A Communication Director Magazine é uma revista trimestral europeia especializada na exploração da

temática da Comunicação Corporativa e das Relações Públicas. Os documentos publicados abordam questões relacionadas com a estratégia de comunicação, os principais desenvolvimentos e grandes temáticas a nível internacional, discutindo-os desde uma perspetiva europeia - http://www.communication-director.eu/.

das RP.

Apesar de todo o seu mérito e mais-valia para a compreensão das RP a um nível europeu, estes estudos online realizados anualmente não garantem a representatividade da sua amostra, não permitindo, por isso, realizar comparações de dados entre países, e não possibilitando a confrontação com investigações que são realizadas noutras partes do mundo (Moreno et al., 2009). Continua por concretizar o desafio da existência de uma articulação entre as equipas de profissionais de todo o mundo que desenvolvem estudos com objetivos semelhantes.

Ao longo das suas sete edições, o ECM tem, em função das alterações no contexto socioeconómico em que são praticadas as RP, centrado a sua análise em tópicos distintos, tendo em vista conseguir uma compreensão exacta da prática e evolução da atividade de Relações Públicas.

Em 2007, no primeiro ano em que foi realizado, o European Communication Monitor envolveu 1.087 profissionais de RP de 22 países europeus, tendo sido apresentados como principais tópicos de análise: o desenvolvimento da disciplina e as suas áreas de intervenção em 2007 e, previsivelmente, em 2010; as disciplinas mais importantes na gestão da comunicação na Europa; o desenvolvimento de canais e instrumentos de comunicação, começando a tornar-se evidente o caminho para os meios online; os desafios que se colocam aos profissionais, nomeadamente: em termos de novos canais, métricas, valores e profissionalização; questões mais importantes para a gestão da comunicação; importância da confiança e da inovação na gestão de relações; a avaliação e a monitorização, enquanto duas áreas relevantes mas ainda deficientes em termos do seu desenvolvimento; e, por fim, uma análise dos orçamentos associados ao trabalho em Relações Públicas (Zerfass et al., 2007).

No ano seguinte, existiu um aumento do número de participantes na investigação para 1.500, e do número de países envolvido, 37. Na segunda edição do European

Communication Monitor foram objeto de análise: a influência e importância das

comunicação; as disciplinas e canais de comunicação em 2011; a ligação entre comunicação e estratégia; a avaliação e monitorização em RP; a responsabilidade social; a gestão da reputação; a importância da comunicação intercultural; a cooperação entre agências e organizações; e, tal como no ano anterior, uma análise dos orçamentos associados ao trabalho em Relações Públicas (Zerfass et al., 2008).

No ano de 2009, embora envolvendo participantes de menos 3 países que em 2008, participaram no estudo 1.863 profissionais. Começa a falar-se da recessão e da crise dos

media e o grupo de investigação considera fundamental introduzir no European Communication Monitor um novo indicador associado à cultura da organização. São

análise do ECM em 2009, os seguintes tópicos: os papéis dos profissionais de RP e o seu contributo para os objetivos da organização; a associação entre as RP e as decisões de topo da organização; o impacto da recessão e da crise dos media; o desenvolvimento de novas disciplinas e novos canais; a comunicação online; a ligação entre estratégia e comunicação; a avaliação e monitorização; as tendências da comunicação interna; e, uma análise dos salários e das necessidades de qualificação sentidas pelos profissionais (Zerfass et al., 2009).

Em 2010, participaram no estudo 1.955 profissionais oriundos de 46 países e foram foco do ECM os seguintes tópicos de análise: a satisfação com o trabalho; a contribuição para os objetivos e papéis da organização; a excelência, influência e melhorias no desenvolvimento da profissão; o estilo de liderança; os efeitos da recessão global; o desenvolvimento das disciplinas e dos canais de comunicação; a comunicação

online e os social media; as estratégias de comunicação e planificação; a avaliação e performance da comunicação; e, por fim, tal como no ano anterior, a questão da

remuneração e dos salários (Zerfass et al., 2010).

No ano de 2011, os 2.209 participantes de 43 países foram questionados sobre questões relativas: à credibilidade das RP e conceitos alternativos; à tomada de decisão, estilo de liderança e papel (a tomada de decisão é guiada por abordagens racionais e boas práticas, uma minoria dos profissionais assume o risco, existe envolvimento na tomada de decisão); ao poder dos departamentos de comunicação; ao ROI – Return on

investment da comunicação; aos assuntos estratégicos e confiança; ao desenvolvimento

das disciplinas e dos canais da comunicação; aos social media; às qualificações futuras e necessidades de formação; e, mais uma vez, aos salários (Zerfass et al., 2011)

Em 2012, estiveram envolvidos no ECM 2.185 participantes de 42 países e foram grandes tópicos analisados: os desafios éticos e os standards; o profissionalismo e a acreditação; a prática da comunicação estratégica; os assuntos estratégicos, poder e influência (como reforçar o papel da comunicação em auxiliar a equipa de gestão na tomada de decisão); os social media; a formação profissional; a gestão, o negócio e a qualificação da comunicação (gap entre os conhecimentos a nível de gestão); o recrutamento de profissionais jovens; e os salários (Zerfass et al., 2012).

Por fim, o ECM de 2013 foi o estudo mais abrangente até agora realizado na área das Relações Públicas, tendo envolvido 2.710 participantes oriundos de 43 países. Este último estudo centrou-se na análise: da importância dos CEO para a comunicação e reputação da organização; do estado da arte da comunicação digital e competências dos profissionais a este nível; do tipo de comunicação estratégica em função da idade dos públicos; da importância da comunicação internacional e da comunicação de crise; da identificação dos assuntos prioritários a nível da intervenção estratégica da comunicação; do status, budgets e perspetivas dos profissionais de comunicação; e, como é já habitual, dos salários associados ao desempenho desta atividade profissional (Zerfass et al., 2013).

Embora sendo estudos não representativos, estes têm o mérito de, há sete anos, reunirem anualmente um conjunto de dados relevantes sobre a prática e o desenvolvimento das Relações Públicas a nível europeu, representando ainda a existência de um corpo de profissionais à escala europeia, o qual partilha conhecimentos, preocupações e visões sobre a sua atividade.