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9 VERIFIKASJON I BRUDDGRENSETILSTAND

9.5 Torsjonskapasitet

Os entrevistados para esta pesquisa são considerados atores e, em alguns casos autores da gestão social que conformam este campo em construção. Destaca-se que foram entrevistados boa parte dos autores citados enquanto referências sobre os conceitos de gestão social, tais como Fernando Tenório (Ebape/FGV), Tânia Fischer (Ciags/Ufba), Genauto Carvalho França Filho (Ites, Ciags/Ufba), Rosana Boullosa (Ciags/Ufba), Paula Chies Schommer (Udesc, Ciags/Ufba), Jeová Torres Silva Jr. (UFC - Cariri), Valéria Giannella (UFC - Cariri), entre outros. No Apêndice C, pode-se perceber a diversidade de formação dos docentes da gestão social, o que per si revela a tendência ao pensamento multidisciplinar do campo, uma vez que estes trazem em seus repertórios conceitos, teorias e paradigmas de base desde a graduação, de modo que pelo menos se possibilite um diálogo entre diferentes disciplinas.

Dos 17 (dezessete) professores entrevistados, 15 (quinze) são doutores e (02) dois doutorandos, tendo a maioria como formação de graduação em Administração ou Serviço Social. Interessante ressaltar que pela pesquisa nos currículos, na Plataforma Lattes do CNPq, apenas 7 (sete) docentes59 colocam o termo gestão social como área e/ou temas de interesse, embora hajam temas correlatos ou áreas gerais. Isso pode ocorrer pela própria não existência da gestão social reconhecida enquanto área de conhecimento no órgão, mas também por um entendimento pessoal. Apenas um desses não possui orientandos com temas relacionados à gestão social, e os demais, sim: 9 (nove) orientam apenas no mestrado, 2 (dois) apenas na graduação, 2 (dois) na graduação e mestrado e 3 (três) em todos os níveis de ensino.

No caso dos alunos, cabe destacar que todos além de ser graduandos, mestrandos ou doutorandos, atuam profissionalmente na área social como bolsistas / estagiários, sendo 3 (três) já professores de cursos de Serviço Social ou Administração.

59 Percebe-se que a maioria dos pesquisadores “mais jovens” do campo da gestão social é os que citam

o termo explicitamente como tema de interesse, porém, na maioria dos casos, associando a outros como desenvolvimento, políticas públicas, formação etc. Porém essas nominações também aparecem entre os autores mais consagrados.

Buscou-se saber qual foi o período em que os entrevistados começaram a trabalhar com o tema gestão social, sendo gerada uma linha do tempo, demonstrando desde quando conhecem e/ou trabalham usando o termo gestão social, conforme a Figura 9.

Figura 9 - Ano de referência que o professor/aluno iniciou a conhecer / trabalhar com o termo gestão social.

FONTE: Elaboração própria

Percebe-se pela Figura 9 que o maior número dos professores (11) e dos alunos (12) assume que usa ou trabalha com a terminologia gestão social desde 2004. As respostas dos professores prevalecem para os anos entre 2004-2006, período que coincide com o planejamento e abertura dos dois mestrados que fazem parte do universo pesquisado. Destaca-se que foi perguntado ainda para todos, após relatarem suas experiências práticas e acadêmicas com temas correlatos, se já as reconheciam como sendo do campo da gestão social. A grande maioria afirma que sim, pois vai percebendo seu enquadramento no campo da gestão social ao longo do percurso acadêmico, como, por exemplo, relata um dos professores ao se referir ao seu objeto de estudo durante o mestrado:

Tem alguma coisa de gestão social sendo debatido nesse negócio aí? Está vendo a sua dissertação aqui, mas ninguém estava dando a mínima pra isso? [...] Olhando com a luz de hoje, eu teria muito mais condições de afirmar que aquele empreendimento da [organização X] era um empreendimento realmente sui generis de economia solidária... perdão, de gestão social (Entrevista P10)

Outro exemplo corroborando nesse aspecto é trazido na fala de outro professor: “Inclusive naquela época, em 1989, fizemos pesquisas sobre organizações substantivas, lidamos com a questão da gestão social sem chamar de gestão social” (Entrevista P6). Porém, um dos docentes discorda deste posicionamento, afirmando:

• 6 professores • 2 alunos • 2 professores • 6 alunos • 2 professores • 2 alunos • 3 professores 3 professores • 4 alunos • 1 professor • 6 professores • 2 alunos • 2 professores • 6 alunos • 2 professores • 2 alunos • 3 professores 3 professores • 4 alunos • 1 professor

Eu não sei, eu não colocaria dessa forma não! Porque, não é que eu... assim... eu acho que passei a usar a terminologia gestão social, porque eu não me considero um gestor social. Eu acho que eu sou um ator de políticas públicas. Mas eu acho que não é que eu não usava antes porque eu não conhecia [...] passei a defender aqui quando eu passo a ver relações [do tema] com o campo das políticas públicas. Porque até então [...] só depois do Enapegs, lá em Palmas [...] (Entrevista P1)

A afirmação de P1 é curiosa e remete a outra questão já abordada nos capítulos anteriores, a qual não há convergência nas informações, no que trata sobre os fatos geradores da gestão social no Brasil, conforme apontam Fischer e Melo (2006), Tenório (2006). Nas falas, aparecem diferentes marcos e datas de lançamento da ideia:

A concepção de gestão social, que eu tive contato pela primeira vez foi através do Banco Interamericano de Desenvolvimento e do Indes, o Instituto de Desenvolvimento Socioeconômico [...] Ocorre que em 1990, eu tive contato com esse pessoal do Banco Interamericano, em 1992, em Santa Cruz De La Sierra (Entrevista P11)

Eu em 1997, fui para um curso e ouvi pela primeira vez o termo, Gestão Social. Foi um curso, programado pelo BID, Banco Interamericano de Desenvolvimento, em Washington, com Bernardo Kliksberg trazendo o termo [...] Então, eram gestores públicos, de grandes universidades Só estava eu e [professor X], o restante era pessoal do governo federal. Foi um mês em Washington. A ideia de Gestão Social que aparece, era a ideia da gestão pública de programas sociais [que] poderiam ser mais eficientes, mais eficazes. Era esta a proposta. Nós fomos os primeiros a trazer isso para o Brasil (Entrevista P5).

Eu acho que foi praticamente em 2001, quando eu retornei do doutorado, em que começamos a ver um ambiente de discussão sobre terceiro setor, economia solidária, e aí apareceu o termo gestão social. Acho que a partir desse período[...](Entrevista P6)

Nas três afirmações não há convergência de datas nem mesmo de fatos, coincidindo com o que já foi afirmado com relação à pesquisa bibliográfica. Ressalta-se que para P11 e P5 a gestão social nasce no âmbito do BID como estratégia a ser disseminada para os governos dos países latino-americanos e que depois se começou a fazer releituras sobre a proposta e disseminá-la em espectro mais amplo. Há inclusive referência a um consultor do BID e consagrado autor no campo do desenvolvimento, Bernardo Kliksberg, como primeira pessoa a usar o termo. Importante frisar que essa organização internacional tem exercido forte influência e tendência no direcionamento das políticas públicas nos países do sul. Nesse caso, parece que houve uma atração

pelo termo pela academia que tratou de dar outros direcionamentos para aludir à gestão social.

Para P6, o termo nasce de outra influência que é na discussão sobre o chamado terceiro setor e a economia solidária. Ambos os termos, principalmente o primeiro, apresentam-se no auge da redemocratização do país como “novidade” para o enfrentamento da pobreza e promoção do desenvolvimento, dentro da lógica do third

sector americano. Logo, de certo modo, nas duas acepções pode-se inferir que a

gestão social nasce de modo exógeno ao país e às universidades, passando a refratar para outros setores, que não apenas o estatal, desvelando possibilidades para convocar outros atores que passam a se reconhecer na configuração de um novo campo para designar suas práticas. Isso é típico do início de configuração de um campo, conforme afirma Bordieu (2007, p.22) que “uma das manifestações mais visíveis da autonomia do campo é a capacidade de refratar, retraduzindo sob uma forma específica as pressões ou as demandas externas”.

Outra característica investigada quanto ao perfil dos entrevistados foi relacionada aos motivos pelos quais se aproximaram e começaram a usar o termo e estudar a gestão social. Esta foi uma das primeiras questões propostas no roteiro (Apêndice A), associada à formação profissional e na qual se identificou 30 temas que foram agrupados em 4 (quatro) categorias analíticas descritas no Quadro 10.

As categorias descritas no Quadro 10 não são excludentes, podendo haver a presença de conteúdos verbalizados pelos entrevistados em mais de uma delas, como é o caso P2, P5, P6, P9, AG3 e APG7 que são listados na terceira coluna em mais de uma categoria. A motivação da gestão social por oportunidades está bastante ligada à exogenia, anteriormente descrita. Nesta categoria enquadram-se principalmente os professores/coordenadores dos cursos, centros e programas de pesquisa, que os criaram como forma de disseminar inovações sociais demandadas por financiadores como, por exemplo, explicitam alguns entrevistados:

Existe uma grande demanda para essa possível gestão social [...] o curso surgiu muito dessa demanda que percebemos. Nota-se que a sociedade brasileira está se modificando no sentido de sair um pouco do individual e ir para o social. (Entrevista P8)

Final dos anos 1990. Houve então a chamada do edital que eu elaborei o Programa [X], uma coisa complicadíssima, achando que jamais aprovariam aquela ‘maluquice’ mesmo que fosse em dois anos[...] E pensei que era um programa enorme, que ninguém vai financiar, que ninguém vai ser louco [..] e foram, não é? [...] E foi! [O financiador X] na época disse: “agora vamos apoiar isso aqui, porque a gestão social hoje não tem sentido, mas, daqui a alguns anos terá e muito”. (Entrevista P3)

Quadro 10 -Motivações do uso/estudo do termo gestão social

CATEGORIA ANALÍTICA DEFINIÇÃO ENTREVISTADOS