9 VERIFIKASJON I BRUDDGRENSETILSTAND
9.1.1 Momentkapasitet
Busca-se aqui apresentar algumas dimensões de um programa instituído no âmbito de uma instituição de ensino com foco na Administração Pública e de Empresas que oferta regularmente componentes curriculares (disciplinas) sobre gestão social no âmbito da graduação e pós-graduação. Nesse caso, difere dos programas anteriores que ofertam cursos de gestão social em diferentes níveis de ensino.
Motivados por discussões internacionais, ocorridas na década de 1990, sobre a necessária profissionalização gerencial do Estado e organizações da sociedade civil, na então Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getulio Vargas (Ebap/FGV) é criado o Programa de Estudos em Gestão Social (Pegs), sob a coordenação do Prof. Fernando Guilherme Tenório. No primeiro semestre de 1990 inicia suas atividades com um estudo sobre projetos comunitários e a participação de dois alunos do Curso de Mestrado em Administração Pública, resultando na publicação, em 1991, do livro Elaboração de projetos comunitários: uma abordagem prática. (TENÓRIO, 2006)
Os objetivos do PEGS são:
- desenvolver atividades de ensino, pesquisa e extensão a fim de institucionalizar o campo de estudos em gestão social nas relações sociedade-Estado, trabalho- capital e sociedade-mercado;
- elaborar material conceitual e instrumental que auxilie diferentes organizações e sujeitos sociais, na gestão de políticas, planos, programas e projetos de natureza social;
- capacitar gerentes e técnicos de organizações do primeiro, segundo e terceiro setores, no conhecimento do referencial teórico-prático em gestão social;
- transferir, socialmente, tecnologias gerenciais para organizações do terceiro setor e movimentos sociais (TENÓRIO, 2006, p. 1145 – grifos meus)
Pela leitura dos objetivos desse programa, percebe-se explicitamente a intencionalidade na institucionalização do campo, bem como na perspectiva de transferência de conhecimentos instrumentais associados à gestão social. Esse é um fato interessante, ao gerar uma ambivalência com o que é propagado conceitualmente pelo seu mentor e coordenador, no sentido de opor gestão estratégica a gestão social, com base no referencial teórico da ação comunicativa, de Jürgen Habermas, conforme já citado no capítulo 1. Entende-se que Tenório (2006), ao afirmar o capital científico
institucional construído pelo Pegs não como pronto e acabado, admite tal ambivalência
Os elementos conceituais que orientam a reflexão do Pegs se desenvolveram a partir de uma epistemologia que procura reconstruir o conhecimento por meio da produção social e não como resultado de saberes oniscientes. Tal epistemologia tem compromisso voltado para questões intersubjetivas e permite inferir que o discurso e a prática da gestão social têm sido pautados pela lógica do mercado, da gestão estratégica, e não por questões de natureza social. Enquanto a gestão estratégica procura objetivar o “adversário” por meio da esfera privada, a gestão social deve atender, por meio da esfera pública, ao bem comum da sociedade. (TENÓRIO, 2006 p. 1147-1148 – itálicos do autor)
Atualmente, o Pegs conta com uma equipe formada por seis pessoas, além do coordenador, sendo: dois graduandos, um mestrando, um mestre e dois doutorandos. Para produzir e difundir os conhecimentos sobre gestão social, o PEGS desenvolve projetos envolvendo pesquisa-ação, análise das representações sociais e estudo de casos, além de ofertar processos de capacitação, tendo como referencial básico o método de Paulo Freire e metodologias participativas como o Zopp, do alemão Ziel
Orientierte Projekt Planung — Planejamento de Projetos Orientado por Objetivos.
Nos processos de formação são conjugadas ações de extensão envolvendo alunos dos cursos de Graduação, Mestrado em Administração Pública, Mestrado Executivo e do Doutorado em Administração da Ebape/FGV, além de bolsistas de iniciação científica. Oferta regularmente algumas disciplinas nesses cursos, além de cooperar ministrando disciplinas em cursos de pós-graduação em outras universidades no Brasil e exterior (TENÓRIO, 2006).
Desde 1990, no segundo semestre de cada ano são realizados cursos de extensão sobre elaboração, administração e avaliação de projetos comunitários, com apoio da Cáritas Arquidiocesana do Rio de Janeiro. A atividade está vinculada a disciplina Gestão Social I, ofertada pelo Pedgs no Mestrado em Administração Pública da EBAPE53. Além desta disciplina, são ofertadas as disciplinas eletivas Gestão Social
II, no Mestrado e Doutorado em Administração Pública, e Gestão Social e Desenvolvimento, na graduação em Administração da Ebape (TENÓRIO, 2006; PEGS,
2012). Conforme entrevista realizada com o Prof. Tenório, ele afirma que, “no caso do mestrado, é ministrada Gestão Social I, que é a parte teórica e Gestão Social II, que é a
53 Até 2006 esses cursos envolveram aproximadamente 110 monitores,alunos do Mestrado em
Administração Pública da Ebape, da disciplina Gestão Social I e cerca de 520 alunos provenientes de comunidades da cidade do Rio de Janeiro (TENÓRIO, 2006).
parte prática, que na realidade, é mais extensão universitária [...] na graduação, tem se chamado de Gestão Social e Desenvolvimento”. Em entrevista concedida por um dos alunos envolvidos no PEGS, afirma-se que “em 2010 houve uma alteração na grade e durante o transcurso ela [a disciplina] tornou-se obrigatória então a todos os alunos” (Entrevista APG)
Na entrevista concedida pelo professor do Pegs, destaca-se que os conteúdos seguem uma linha ideológica distinta: “eu não discuto a gestão social naquela perspectiva de gestão do terceiro setor, de gestão de responsabilidade social comparativa, de gestão de políticas sociais, nada disso. Eu procuro discutir uma gestão que se diferencie de uma [gestão] estratégica etc.”
O professor ainda destaca, enquanto conteúdos estruturantes das disciplinas o “entendimento sobre o que é república ou neo-republicanismo”, a ideia de “democracia deliberativa” numa perspectiva da Filosofia Social e da Ciência Política. É interessante observar que nestas se mesclam conteúdos de natureza ideológica e instrumental, voltados para a questão da gestão de projetos, usando inclusive métodos específicos, conforme citado anteriormente.
Durante as entrevistas com os alunos que fazem parte do Pegs, ao serem questionados sobre o caráter inovador das estratégias de ensino em gestão social, existem opiniões diferentes destes:
Então classificar como inovação eu não sei te dizer [...] porque a temática, pelo menos no nosso programa, já é muito antiga. O que eu posso te dizer é o seguinte... tenho observado nos últimos três anos o argumento dos alunos que procuram a disciplina. Quando ela se tornou uma disciplina obrigatória [...] que os alunos são obrigados a fazer porque é obrigatório na grade ficou diferente [de quando era procurada] como disciplina optativa [...] os que buscam esse tipo de formação por questões do funcionalismo público, dos concursos, esse tipo de relação, esse é um ponto. Outros são mais ideológicos [...] por exemplo, ter modelos de gestão que não sejam tão hierarquizados, burocratizados, que sejam um pouco distantes desse modelo mais empresarial. Aí você vê um enfoque mais ideológico. Mas, com relação à inovação eu não sei te dizer se é, se pode se dizer que é. (Entrevista APG)
Olha, dentro da Fundação Getúlio Vargas sim [é inovador], porque, por exemplo, somos o único projeto/programa de pesquisa que tem atividade de expansão universitária. A maior parte dos programas de pesquisa são voltados para a participação em congressos, para a publicação no Caderno da Ebape ou então em algum outro tipo de revista, para a publicação de livros. A gente tem mais essa coisa da prática mesmo, do contato com a sociedade. Isso eu considero inovador. Na verdade eu não sei se é inovador, mas é um diferencial. (Entrevista AG)
É interessante ressaltar que sendo esse um programa de disciplinas ofertados no contexto de uma Escola de Administração no moldes mais convencionais, há diferentes perspectivas de aceitação da gestão social entre os administradores públicos que cursam esses conteúdos. De modo geral, pode-se afirmar que as ofertas de formação pelo Pegs têm grande relevância histórica na configuração do campo da gestão social no país, trazendo inclusive uma das perspectivas epistêmicas mais aceitas na atualidade entre os pesquisadores e alunos.
3.2.5 Graduação, Mestrado e Doutorado em Administração / Graduação em