8 RESULTATER FRA STATISK ANALYSE
8.4 Lastkombinering i bruddgrensetilstand
8.4.1 Lengderetning
O curso de bacharelado em Administração Pública: Gestão Pública e Social, ofertado pela UFC-Cariri, na cidade de Juazeiro - CE, é um dos mais recentes no campo, tendo iniciado suas atividades no segundo semestre de 2011. Trata-se de um bacharelado realizado em 08 (oito) semestres.
A contextualização para o surgimento deste é baseada também pela “rearticulação e redefinição de papéis entre organizações do Estado, do mercado e da sociedade civil”, bem como pela crise de emprego âmbito mundial sendo as organizações do setor público social apontadas como potenciais absorvedoras dos trabalhadores. Além disso, consideram-se as expectativas com relação à eficiência no setor público (especialmente estatal). Assim, “um curso nesta área é oportuno e inovador, provoca a interação entre teoria e prática, reflexão e intervenção, reconhecendo e valorizando os diferentes saberes relacionados ao desenvolvimento e à gestão social” (ADMPUBLICA, UFC-Cariri, 2012). De modo geral, a criação do curso é justificada a partir de três elementos principais:
a) Uma demanda percebida na região do Cariri, tanto nas esferas públicas quanto sociais;
b) O não atendimento desta demanda em nível local, que não conta com curso similar a este, sendo atendido apenas por três cursos de Administração de Empresas;
c) A oportunidade dada pelo conjunto de fatores, aliada à idéia de pioneirismo e liderança adotada pela UFC a partir da decisão de instalação na Região do Cariri (ADMPUBLICA, UFC-Cariri, 2012).
Assim como nos cursos da Ufba e UNA, inovação, aprendizagem pela prática e a necessidade pela promoção do desenvolvimento aparecem como elementos justificadores da formação em gestão social. Isso aparece inclusive na missão do curso, apresentada em seu site:
Formar cidadãos com conhecimentos, habilidades e atitudes necessárias para serem gestores públicos e sociais conscientes de suas responsabilidades profissionais, trabalhando decisivamente na promoção do desenvolvimento sustentável nos contextos regionais articulados com o global (ADMPUBLICA, UFC-Cariri, 2012)
Uma curiosidade é que nesse caso se lida com a inovação terminológica e curricular, mas se faz questão de institucionalizar uma graduação em nível de bacharelado e não no nível da educação profissional, implicando inclusive na nomenclatura dada a formação, conforme esclarece um dos seus professores e idealizadores:
[...] não tem a cara de um curso de Administração Pública convencional, porque a gente incorporou, por exemplo, discussões desde o primeiro semestre, de gestão social mesmo. Nós colocamos economia solidária, metodologia de gestão social [...] políticas públicas, incubação de empreendimento de economia solidária, discussão de empreendedorismo social, enfim [...] Queríamos que o curso fosse chamado de Gestão Social. Mas, internamente, quando ele foi pra Pró-reitoria de Graduação [que] tem toda a dificuldade também dessa assimilação [da gestão social]. E, de imediato: “Ah!... Se ficar Gestão Social tem que ser tecnológico!” Essa coisa... Então tem que ficar como Administração Pública, para ir como Bacharelado, Ficou assim, com ênfase de Administração Pública em gestão social, na proposta aprovada lá. E colocada até por eles, entendeu? E o quê que a gente fez? Passamos a adotar assim, inclusive no próprio material do curso, na próprio site do curso Por quê? Porque realmente tem uma ênfase (Entrevista P)
Por essa fala mostra-se que em termos do capital científico institucional, nesse que é um recente campus criado na UFC, não se reconhece a legitimidade da gestão social enquanto campo disciplinar que possa ter consistência para um curso de bacharelado, sendo aprovada a proposta para uma área de conhecimento considerada consolidada, inclusive perante órgãos reguladores como CNPq e
Capes. Mais uma vez prevalece a polêmica sobre a divisa entre dois campos científicos e a refração e retradução característica de um campo ainda autônomo.
Anunciam-se estratégias metodológicas e pedagógicas já testadas em outros processos de formação, tais como:
a) disciplinas ministradas por até dois professores por disciplina, visando a interação dialógica entre pontos de vista distintos ou complementares no processo de ensino; b) aplicação de recursos de ensino a distância e outras atividades que não utilizem a sala de aula como espaço das operações didático-pedagógicas do curso;
c) realização de seminários temáticos obrigatórios semestrais, articulando e integrando as disciplinas com possibilidade de abertura para participação de governantes municipais, técnicos de instituições governamentais, lideres e técnicos de organizações da sociedade civil e docentes de instituições de ensino;
d) o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) ocorre no último semestre do curso, na forma de monografia ou projeto de intervenção em organização. A opção por ambas está vinculada à disciplina Residência Social em Núcleo de Conhecimento, seguindo o conceito desenvolvido pelo Ciags/Ufba.
Reconhecendo a inovação e legitimidade pedagógica das estratégias, estas parecem apontar para certo mimetismo e heteronomia em termos metodológicos, típico da rápida institucionalização do campo. Em alguns aspectos isso também pode resvalar na proposta de estrutura curricular, conforme demonstrada no Quadro 7. Interessante considerá-la como de “trilhas de construção do conhecimento”, centrada em seis eixos (social, ambiental, econômico, político-institucional, paradigmas e métodos, formação complementar) trazendo certo equilíbrio entre disciplinas de base já consolidadas historicamente, como Fundamentos da Sociologia, Fundamentos da Economia, Teoria Política Clássica etc. ; e disciplinas mais recentes e in process como Redes e Arranjos Institucionais de Cidades e Territórios, Cultura e Gestão da Memória Social, Governo Eletrônico etc.
Numa análise geral da matriz proposta curricular observa-se que, de fato, o curso tende a ser de Administração Pública numa perspectiva mais pós-moderna, trazendo a ênfase para a gestão social. Isso pode ser percebido pelas nomenclaturas mais diretas da maioria das disciplinas que remetem a conteúdos típicos da gestão pública.
Chama-se atenção para as ementas das duas primeiras disciplinas que trazem um contato mais próximo com a gestão social:
Fundamentos de Gestão Pública e Social (1º semestre): A importância do setor público na economia: seu papel, sua função e sua evolução teórica e histórica. O papel, a influência e o poder da opinião de massa: sua estabilidade e vulnerabilidade aos fatos, e as ocorrências extemporâneas. O novo setor de comunidades, de parcerias, ações efetivas e de grande representatividade social. (UFC, 2011)
Gestão Social do Desenvolvimento (2º semestre):Evolução e experiência do setor não governamental: sua importância, papel e abrangência. Organizações que atuam no campo social: O caráter distinto dessas organizações. Aspectos legais e Institucionais. Gestão Social: A importância da Gestão para as Organizações que atuam no campo social. Gestão participativa e Autogestão. Responsabilidade social empresarial como estratégia de negócios, de sustentabilidade e de gestão; Gestão socioambiental nas organizações; Investimento social privado; Responsabilidade social socioambiental, cooperação e desenvolvimento. (UFC, 2011)
Pelos documentos analisados, apesar de no primeiro semestre se designarem três aulas iniciais para abordar o conteúdo “gestão pública e gestão social: interfaces e delimitações”, apenas nos conteúdos da segunda disciplina são tratadas questões ontológicas, epistemológicas e praxiológicas específicas sobre o campo da gestão social.