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7 STATISK ANALYSE

7.3 Beregning av krefter i søyler

Esse curso teve início em 2008, pelo Centro Universitário UMA, em Belo Horizonte – MG. Surge com um compromisso bem definido: potencializar ações criativas de intervenção a favor de mudanças sociais por meio de conhecimentos, metodologias, recursos de tecnologias sociais, especialmente no campo da educação e da gestão social. A concepção desse curso se apoia na interlocução de três áreas de conhecimento (educação, gestão social e desenvolvimento local) desencadeando uma proposta interdisciplinar justificada pela necessidade de desenvolver conhecimentos não triviais necessários para a efetividade social face às complexas e urgentes demandas sociais. A proposta é de articular conhecimentos nessas três áreas mediante análise crítica, contextualizada e inovadora, focando a investigação científica na produção e transferência de tecnologias sociais.Justifica- se por propor diálogos com a realidade social, visando a solução de problemas e a identificação de oportunidades, especialmente educacionais e político-sociais, que promovam o desenvolvimento local, integrado e sustentável. “Propõe-se a romper com a matriz disciplinar e inovar em processos pedagógicos dialogais, cooperativos, tratando conteúdos como contextos de outros, favorecendo as conexões entre os conhecimentos e entre estes e a prática social”. O curso é aprovado pela Capes, com conceito 3, pertencendo à área Interdisciplinar (MACHADO, 2008; UMA, 2012). Existem duas linhas de pesquisa no curso. Processos Educacionais: tecnologias sociais e desenvolvimento local é uma linha mais voltada para os mestrandos que querem enfatizar mais a educação, já que “acolhe, articula e

oferece suporte a estudos, pesquisas e práticas profissionais interdisciplinares referidas a processos educacionais, aprendizagens, produção e socialização de conhecimentos e tecnologias e à construção social do desenvolvimento local”. A segunda linha, Processos Político-sociais: articulações institucionais e desenvolvimento local é mais voltada para o enfoque na gestão social, pois “acolhe, articula e oferece suporte a estudos, pesquisas e práticas profissionais interdisciplinares referidas a processos de participação social, intersetorialidade e mobilização na construção de soluções alternativas e inovações para a gestão de políticas de desenvolvimento local”(UNA, 2012).

Esse mestrado também propõe inovações na organização curricular, sendo aberto à criatividade com relação às formas de Trabalho de Conclusão de Curso: dissertações, artigos para publicação, manuais, aplicativos, metodologias e técnicas, vídeos, ensaios de simulação, desenvolvimentos de processos, desenvolvimentos de produtos tecnológicos etc. (UNA,2012)

A organização curricular é apresentada no Quadro 6, que tem como uma das disciplinas obrigatórias Gestão Social, Governança e Desenvolvimento Local que parece trazer elementos de base epistemológica e metodológica de pelo menos dois dos campos tratados pelo curso, conforme sua ementa:

Abordagens e correntes no campo da Gestão Social. Papéis dos atores governamentais, da sociedade civil e do mercado no campo da Gestão Social. Governança e seus debates teórico-práticos. Papéis dos atores governamentais, da sociedade civil e do mercado na construção das diferentes formas de Governança. Ação social, poder, conflito e colaboração na análise da Gestão Social e da Governança. Implicações da Gestão Social e da Governança para o Desenvolvimento Local. Formas associativas das Organizações da Sociedade Civil, comunidades e movimentos sociais. Participação social na gestão do desenvolvimento local. Implicações para a prática técnico-profissional. (UNA,2012)

Percebe-se nessa ementa que se anunciam diferentes formas correntes sobre a gestão social, mas que a grande ênfase dada é para a questão da governança nas relações intersetoriais. De acordo com o expressado pelo mestrando “a busca pela conceituação do que é a gestão social do desenvolvimento local é muito clara no curso, não só em uma disciplina.” Sob um outro ponto de vista, o professor P9 anuncia que inicialmente o curso privilegiava mais um dos campos que atua, e tece uma crítica

[...]essa expressão [gestão social] também tem virado um jargão, mas aí no nosso curso especificamente, eu percebo que a expressão gestão social não foi, digamos assim, a origem, o conceito ou a tentativa de uma aproximação do que seria esse conceito ou o significado, a tradução disso no campo da prática social... eu não tenho muita certeza se isso foi, se isso estava claro no curso quando ele começou, não é? (Entrevista P)

Quadro 6 – Estrutura curricular do Mestrado Profissional em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local (UNA / MG)

Disciplinas Obrigatórias

São 7 créditos (105 horas-aula) e 3 disciplinas:

· Inovações Sociais, Aprendizagem e Desenvolvimento Local; · Gestão Social, Governança e Desenvolvimento Local; · Metodologia da Pesquisa e Práticas de Intervenção.

Disciplinas Optativas

São 11 créditos (165 horas-aula) e 22 opções para escolha: · A Atividade Humana e sua Dimensão Política;

· Ações Coletivas, Identidades Sociais e Educação; · Avaliação de Programas e Projetos Socioeducacionais; · Cidadania, Movimentos Sociais e Educação;

· Dinâmica Demográfica no Brasil;

· Economia Política da Educação e Desenvolvimento Local;

· Economia Popular de Solidariedade, Educação e Desenvolvimento Local; · Estado, Planejamento e Desenvolvimento Local;

· Geografia, Educação e Desenvolvimento em Escala Local;

· Gestão Democrática e Interação entre Escolas e Comunidade Local; · Indicadores Sociais no Brasil;

· Inovações Socioeducacionais e Mudanças na Realidade Local; · Metodologias de Articulação de Políticas Setoriais Locais; · Métodos Qualitativos de Pesquisa;

· Métodos Quantitativos e Rotinas Computacionais;

· Multiculturalismo e Mobilização de Conhecimentos Locais; · Pedagogia do Trabalho, Inovações e Tecnologias Sociais;

· Planejamento Socioeducacional e Desenvolvimento Sustentável de Base Local; · Projeto do Território e Aprendizagem Cidadã;

· Qualidade de Vida Local e Educação;

· Tópicos Especiais em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local;

· Usos de Tecnologias de Informação e de Comunicação em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local.

Atividades de Pesquisa Aplicada (12 créditos / 180 horas-aula):

· Atividades de Socialização da Produção Acadêmica; · Atividades de Seminários de Pesquisa;

· Atividades de Elaboração do Trabalho de Conclusão de Curso.

FONTE: UNA (2012)

Mais adiante, o mesmo entrevistado reforça esta critica, ao falar sobre a multiplicidade de campos que o curso engloba, afirmando:

Eu acho que tem um pouco a ver com a história do curso, quando o curso começa, por mais que a gente saiba que existam vários conceitos ou várias interpretações, por exemplo pegando gestão social, nosso curso é Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local. Então, nós temos uma forte formação ali na área da educação, professores que têm uma sólida formação e trajetória na área da educação, e quanto a isso não há dúvidas em termos de formação daquilo que o curso está oferecendo de base para esta formação. Mas, no campo específico da gestão social ainda acho que nós precisamos caminhar muito, nós ainda estamos [...] muitos novos, sem ainda...sem saber o que é essa gestão social” (Entrevista P)

Uma das mestrandas das primeiras turmas desse mestrado confirma esta fala, ao refletir que

[...] tem um lado da educação muito forte e eu acho que a minha turma perdeu muito porque os professores ainda não tinham uma base, um conhecimento da gestão social, vamos dizer assim [...] eu tenho notícias que hoje dar pra conseguir se adaptar melhor, porque minha turma eu já estou defendendo agora em fevereiro [de 2012] [...] Eu já tenho notícias de que teve uma mudança nos professores [havendo] essa visão um pouco mais voltada pra Gestão Social [...] Antes não havia tanto até porque tinham poucos alunos interessados nessa linha específica [...] (Entrevista APG)

Um outro professor do curso confirma as questões anteriores levantadas, afirmando: “Eu não sou especialista em gestão social, só vou poder te dizer com relação ao curso como um todo, mas não especificamente eu vou poder te dizer tanta contribuições sobre os conceitos [de gestão social]” (Entrevista P10). Mais adiante, o mesmo justifica a importância do curso pautando-se no caráter interdisciplinar deste: “a educação está [geralmente] desassociada da gestão social e, por sua vez, do desenvolvimento local. Para que serve aquela educação, ali naquele momento? Desenvolvimento local sem educação e gestão social e vice- versa?” (Entrevista P).

As afirmações dos docentes e discentes evidenciam duas hipóteses já trazidas anunciadas: a questão da banalização do termo e, ao mesmo tempo, a necessidade de aprofundar um conceito que é extremamente recente e em construção. Ao contrário do que se possa parecer, essas declarações podem ser vistas com bons olhos no sentido do reconhecimento sobre o campo e sobre como historicamente se inseriu num processo de formação específica. Esse reconhecimento também ocorre por parte de outros docentes entrevistados, inclusive alguns de instituições com maior tradição e produção sobre o tema da gestão social. No capítulo seguinte, retorna-se a essa discussão sobre a complexidade das variadas concepções e definições desse conceito.

Analisando a diversidade de disciplinas optativas ofertadas na matriz curricular do curso, mais uma vez tem-se anunciadas algumas nomenclaturas mistas e híbridas, com abertura para os mesmo questionamentos feitos anteriormente com relação aos cursos do Ciags/ufba. Isso parece remeter ao próprio processo de construção do currículo que vai se moldando pelos conhecimentos específicos dos docentes, assim como pelos contextos sociopolíticos em que as disciplinas são ofertadas. Ao analisar ementas de algumas dessas disciplinas também não fica evidente sobre como são tratadas as questões das políticas públicas e da ampliação da esfera pública.

3.2.3 Graduação em Administração Pública: Gestão Pública e Social (UFC –