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6. MIGRANTENES ROLLER OG DERES IDENTITET

6.4. U TDYPING AV DE TRE ROLLENE

6.4.2. Tilhører felleskap i Hong Kong som er stigmatiser i forhold til den rådende

Não existem investigações específicas que aprofundem a expertise do ponto de vista da teoria psicanalítica (GOMES, 2008). Contudo, apesar da hiância científica existente, a referida teoria do psiquismo é capaz, por meio principalmente de seus conceitos pulsionais, de ajudar a entender o desenvolvimento performático superior.

Isso porque, como esclarecido, os resultados das próprias pesquisas sobre o processo de aprendizagem de experts indicam a grande importância da colaboração dos pais (BROKAW, 1983; DAVIDSON et al., 1996; ERICSSON; TESCH-RÖMER; KRAMPE, 1990; KEMP, 1996; LEPPER; GREENE, 1975; MANTURZEWSKA, 1990; MIEG, 2006; SLOBODA; HOWE, 1991; SOSNIAK, 1990; SPERTI, 1970) e dos irmãos (BERNDT; BULLEIT, 1985; DAVIDSON, 1997; DUNN; KENDRICK, 1982).

Assim sendo, se há participação familiar (parental e fraternal) no desenvolvimento da expertise, há intervenção na subjetividade e, portanto, pode ser objeto de estudo da psicanálise. Cabe a ela analisar os conteúdos pulsionais relacionados ao desejo necessário para o desenvolvimento da expertise, de modo a perceber os determinantes psíquicos que impulsionam o expert a ser um eterno desejante de saber.

Segundo Pinto (2000), a realização de desejos mostra uma verdade do sujeito a partir de uma determinação inconsciente, fazendo sentido a uma realidade psíquica – que acaba por revelar a característica desejante do sujeito. Dessa forma, a conquista da expertise se revela como um desejo, que participa da verdade do inconsciente do expert, tendo-lhe um sentido – ainda que inconsciente. É falso e ilusório, pois, de acordo com Checchinato (2007), imaginar que a subjetividade do pesquisador está fora da objetividade de suas pesquisas, em razão da sua própria escolha do objeto ou do objetivo que elegeu para estudar. Não à toa que o

expert foi à busca constante de conhecimento, enquanto que outros sujeitos, por razões

igualmente enigmáticas, dirigem-se a outros objetos.

Destarte, considerando que o desejo do sujeito é verdadeiramente o desejo do Outro (CHECCHINATO, 2007), e que o desejo do expert é adquirir e manter sua expertise, logo, os seus pais o estimularam porque também tinham o mesmo desejo; afinal, a conquista de performance de alto nível se inicia com a obrigatoriedade de estudo geralmente imposta pelos pais (GLASER, 1996; GOMES, 2008). Tanto assim, que Freud comparava os cientistas com as crianças, no sentido de que ambos buscavam entender questões (KUPFER, 2007), em uma busca nutrida exatamente do desejo de conhecer e da necessidade de explicar os porquês (FERNÁNDEZ, 2001a).

Dessa forma, a realização do desejo implica em uma fantasia inconsciente, sendo essa uma cena na qual o sujeito ocupa um lugar pulsional incestuoso (VIVIANI, 2000). O

expert parece estar sempre em busca de uma satisfação pulsional, assim como a criança a

procurava durante o desenrolar da constituição de sua subjetividade, que inclui a sexualidade. Evidentemente que essa sexualidade se refere à sexualidade do falante, a qual se estrutura por meio do significante; não se fundamentando, portanto, em processos bioquímicos visando a reprodução da espécie (ELIA, 2007).

Assim, ao considerar que a corrida desenfreada pelo conhecimento se baseia no não saber inicial do homem (JUSTO, 2004), estimulada pela linguagem oferecida pelo Outro, pode-se inferir que o expert recebeu de seus Outros parentais ricas formas de linguagem, que o inseriram nesse campo de desejo, oferecendo-lhe liberdade de pensamento para deixá-lo aprender a raciocinar e a criticar. Absorveu, em suma, o devido investimento dos pais diante de suas curiosidades infantis acerca dos objetos do conhecimento, bem como também deles recebeu incentivo à permanência no objeto de estudo (GOMES, 2008). Isso porque quando se está livre e estimulado para fantasiar sobre suas teorias sexuais, é possível desenvolver o potencial criativo e a criatividade sobre o mundo e sobre as coisas (NARVAZ; KOLLER,

2008). O expert é, então, aquele que, inconscientemente, também busca sempre uma resposta satisfatória para suas teorias.

Por conseguinte, corroborando com a afirmação de Freud (1905) de que a pulsão de saber está diretamente relacionada com a sexualidade da infância, o expert é aquele que vivenciou de forma saudável sua fase fálica, quando suas tentativas de autonomia intelectual foram satisfatórias pulsionalmente.

Considerando, ainda, que a exploração da criança embasada por sua curiosidade sexual pode ser feita com grande carga de prazer para alguns, ou com alto nível de ansiedade para outros (SOUZA, 2003), percebe-se que o expert pode ser aquele que mescla prazer e ansiedade ao longo do desenrolar da aquisição do conhecimento de seu domínio. Ansiedade, porque está sempre atrás do conhecimento, cujo processo de estudo deliberado de longo prazo pode ser desprazeroso e desestimulante (ERICSSON, 1996b; ERICSSON; TESCH-RÖMER; KRAMPE, 1993; GALVÃO, 2000; HALLAM, 1997; SLOBODA et al., 1996; SOSNIAK, 1985, 1990). E, ao mesmo tempo, a conquista de um novo saber e os frutos decorrentes da sua relação com seu objeto de conhecimento podem ser fontes de extremo prazer.

Ademais, Galvão e Gomes (2008), em tentativa de explicar mais a fundo a vinculação do saber com as primeiras experiências, afirmam que, devido às demandas internas ou externas, o sujeito expert, para dar conta de sua existência no mundo, retorna ao estágio oral e, então, organiza-se diante do conteúdo investido, assumindo outra posição subjetiva diante de si próprio. Assim, segundo pesquisa de Gomes (2008), ele poderia possuir uma personalidade organizada subjetivamente pela oralidade, da qual o sujeito partiu para a sua relação consigo mesmo e com o mundo. Após, passa a se vincular com o objeto de estudo, ao lhe ser introduzido, e o incorpora canibalisticamente, de modo a destruí-lo em todas as suas dimensões, tal como ocorre na fase oral.

É também nessa fase oral que ocorre grande satisfação proveniente do objeto que alimenta e que, ao mesmo tempo, gera prazer. Em um primeiro momento – referente à posição esquizoparanoide –, o bebê se sente misturado ao seio materno, já que não possui ainda a noção de que seu corpo é distinto ao da mãe. Para o bebê, o seio é ele próprio, sendo que para tê-lo, é necessário que o perca – ou seja, é preciso deixar de ser, para ter (VIVIANI, 2000). Corrobora-se com a afirmação de Klein (1921), então, de que a pulsão epistemofílica é uma necessidade de busca pulsional de saber e compreender, sendo que o primeiro objeto de interesse é o corpo da mãe misturado ao seu, nesse momento inicial pré-triangulação.

Nesse raciocínio, por estar tão vinculado ao objeto de conhecimento inicialmente, como se fossem uma só unidade, é possível afirmar que o expert, segundo

Gomes (2008), aliena-se ao conhecimento e vive com ele uma relação de mistura até que seja necessário se autorrregular, em busca de uma nova direção ao seu domínio performático, adquirindo sua individualidade e autonomia acerca do conteúdo anteriormente alienado. Transita, então, para a posição depressiva, separando-se do seu objeto – mesmo que apenas parcialmente.

Analogamente essa transição PS↔D, Bion (1999) conceituou a passagem da “capacidade negativa” para o “fato selecionado”, sendo a primeira, o caos; e o segundo, a ordenação. O fato selecionado do expert é a autorregulação, a qual para conquistá-la, segundo Galvão (2003) e Gomes (2008), precisa passar primeiramente pelas fases de apoio externo e transição. O expert, pois, vai organizando seus pensamentos a partir do caótico.

Em sincronia com esse posicionamento, o expert é igualmente aquele que abdicou do princípio do prazer para vivenciar o da realidade, passando a ser capaz de tolerar as frustrações e de, consequentemente, desenvolver sua capacidade para pensar. Aliás, essa mesma tolerância está relacionada ao escuro e desconhecido da posição esquizoparanoide, em que os elementos não se juntam (CASTELO FILHO, 2004), à espera de uma organização integrada – o que indica um ciclo de conceitos psicanalíticos que se complementam.

Todas essas transições, contudo, segundo Bion (2007), devem ser pendulares, ou seja, são interativas durante todas as etapas de vida do sujeito. Fácil entender tal entendimento, haja vista que sempre haverá um início baseado no caos, na desintegração, na dependência, no princípio prazer, no eu ideal; para passar, então, para a ordem, a unificação, a autonomia, princípio da realidade e o ideal do eu; a seguir, o ordenado volta a se desorganizar, para se integrar novamente, e assim por diante. Esse é o caminho de organização e construção de conhecimento, tão elaborado pelo expert.

Destarte, as ordenações só se fazem possíveis porque encerram o gozo dual (da posição esquizoparanoide) e introduzem a falta do Outro (da posição depressiva), a qual permite que o desejo de saber e as investigações pessoais se mantenham (LEMÉRE, 1999; VIDAL, E., 1999). Até porque, se o gozo alienante permanecesse, excluiria a possibilidade de se satisfazer com o saber (VIDAL, E., 1999; VIDAL, M., 1999), eis que o saber tende a gerar satisfação ao sujeito faltoso que o procura. Assim sendo, o expert procura o conhecimento visando sempre preencher os seus vazios mais arcaicos em busca desse prazer, continuamente, construindo novos saberes em torno do seu objeto de interesse – ou seja, sempre lidando com o conhecimento como o seu correspondente fálico (GOMES, 2008).

No entanto, a sua busca é e sempre será incessante, eis que a falta nunca será preenchida. Haverá sempre uma distância entre a satisfação almejada e a alcançada, sendo

exatamente essa hiância que marcará o sujeito em sua eterna procura por um suposto objeto que poderá completá-lo (COSTA, T., 2007). Isso demonstra que o expert está sempre à procura de uma satisfação que nunca o preenche completamente, mas que o estimula a continuar ativamente tentando.

Além disso, Shirahige e Higa (2004) afirmam que o prazer na realização de qualquer tarefa traz uma marca de sua origem sexual no empenho e na paixão com que certos sujeitos se dedicam a ela. Natural perceber mais uma vez que a sexualidade não está desvinculada da expertise. Assim, considerando a derivação da pulsão à sublimação, em que os conteúdos sexuais são investidos em objetos, em tese, de ordem não sexual, tal como o estudo, o expert acadêmico é aquele que inconscientemente deposita seus prazeres sexuais em forma de conhecimento, por meio da pulsão de saber (GALVÃO; GOMES, 2008; GOMES, 2008).

Evidentemente que há outros tipos de expertise, não necessariamente ligados aos conhecimentos científicos. Há experts, por exemplo, em música, em pintura, em literatura. O próprio Freud (1929) afirmou que a ciência, a arte e a religião são os três destinos possíveis da pulsão sublimante, sendo que, para o autor, “toda a organização da sociedade e todos os avanços da humanidade provêem de uma dessas três áreas” (CHECCHINATO, 2007, p. 38), o que caracteriza a importância social de um profissional que atinge a expertise.

Por tal afirmação, aponta-se que o expert não participa daquilo que Bion (1988) denominou de “pensamento sem pensador”, que compõe o campo epistêmico maior da civilização. Segundo o autor, o pensamento precede ao pensador, como, por exemplo, no caso da sexualidade infantil, que sempre existiu, mas só foi descoberta e revelada após ter sido “pensada” por Freud (ZIMERMAN, 2004). Portanto, os pensamentos existem sem pensadores, mas necessitam que pensadores o elaborem para participar do mundo. O expert é esse pensador do pensamento, justamente por ser capaz de sublimar e oferecer contribuições significativas à sociedade, mesmo que o seu reconhecimento ocorra apenas a posteriori.

Destarte, nota-se que a questão do narcisismo original pode acompanhar o sujeito expert, haja vista que o status social que possui em razão de seu saber, a ele completamente arraigado, corrobora com a noção de que o narcísico é aquele que busca admiração e reconhecimento egóico. Contudo, segundo Checchinato (2007), para o cientista, o ato da descoberta só pode ser sublimatório se não se fechar em um narcisismo autocomplacente, que se destina somente à satisfação gozoza dele próprio; até porque, a sublimação só ocorre na ausência de gozo (CHECCHINATO, 2007). A verdadeira ciência, portanto, só o é quando puder ser transmitida ao outro, fazendo a sociedade caminhar.

Segundo Bion (1999), por exemplo, trabalho não publicado, não é trabalho científico, o qual implica em transmissão do conhecimento ao outro. Evidentemente, que a afirmação de Bion se refere à passagem de um conhecimento individual para um conhecimento não individual, que atinge outros sujeitos. Para tanto, o expert deve estar mesmo no campo do desejo, eis que senão, segundo o autor, o gozo se amarra a ele, em seu próprio narcisismo.

De todo modo, Checchinato (2007) afirma que o cientista pode também ficar alienado na ideologia, o que acarretará um impedimento de se abrir para novas epistemes. Tal afirmação se liga com a de Clark (2008) de que experts podem vir a se tornar inflexíveis em relação ao seu objeto de domínio, incapazes de se adaptarem a novos problemas. Acabam ficando limitados no que concerne a contribuir para o avanço da civilização. O hábito, portanto, tolhe o futuro criativo, bloqueando o processo desejante da sublimação (CHECCHINATO, 2007).

De acordo com Souza A. (2003), no entanto, não é suficiente ter capacidade intelectual para bem aprender, pois é necessário também que o sujeito seja psiquicamente maduro para se desvincular do auxílio familiar e ser capaz de desenvolver seus próprios mecanismos propiciadores de conhecimento. Assim, o expert além de ser capacitado intelectualmente é aquele que precisou amadurecer gradativamente ao longo de um período de tempo, de modo a ser capaz de adquirir suas próprias modalidades autorreguladas de aprendizagem. Isso corrobora com a afirmação de Sosniak (2006) de que crianças prodígio não podem ser consideradas experts.

Ademais, Gomes (2008) e Galvão e Gomes (2008) também referenciam a

expertise como aquela que pode ser estruturada com base na posição subjetiva na qual o

sujeito se coloca analmente. Isso porque na fase anal, segundo Bergeret (2006), o bebê possui grande prazer na retenção e na expulsão de suas fezes, bem como no intenso domínio pela retenção. Da mesma forma, reter ou expulsar o conteúdo que domina, bem como sua manipulação, é decisão do expert, que possui poder para tanto – e, consequentemente, prazer. É ele, detentor de um saber, quem decide o que dele fazer, como, para quem e quando.

É também essa possibilidade de trabalhar com seu conhecimento que indica a capacidade de rêverie do expert, que transforma experiências brutas (elementos-beta) em dados líquidos (elementos-alfa). É possível inferir que, se o expert é capaz de oferecer uma

rêverie ao seu objeto de domínio, é porque também foi embalado pela rêverie (função α) de

sua mãe. Isso porque ninguém é capaz de oferecer aquilo que nunca recebeu (CASTELO FILHO, 2004).

O sinthome do expert, em suma, foi constituído de forma a haver predominância do Simbólico, que caracteriza a neurose (em prol da psicose e da perversão), eis que é um sujeito capaz de desejar, de sublimar e de transitar entre as posições psíquicas constituintes. Frisa-se, contudo, que psicóticos podem adquirir amplo conhecimento em áreas exatas (objetivas), eis que, por serem desintegrados, não lidam bem com questões subjetivas, que exigem simbolização. Assim sendo, como as estruturas não são puras, o lado neurótico do psicótico pode prevalecer nesse campo exato do conhecimento, efetuando as necessárias conexões das partes.

Enfim, confirma-se que as concepções psicanalíticas são capazes de oferecer subsídios teóricos para entender a pulsão de saber do expert, tais como: desejo, dedicação, prazer, alienação, separação, narcisismo, teorias sexuais infantis, curiosidade, liberdade de pensamento, díade mãe-bebê, Outros parentais, linguagem, fantasias infantis, pulsão, sexualidade, constituição da subjetividade, satisfação pulsional, falta primordial, castração,

2 NATUREZA DA PESQUISA E METODOLOGIA