6. MIGRANTENES ROLLER OG DERES IDENTITET
6.4. U TDYPING AV DE TRE ROLLENE
6.4.1. Arbeidstaker i et underordnet yrke
A temática sobre família, segundo Oliveira V. (2008), é colocada em posto de honra no posicionamento de Freud, Lacan, Dolto, Klein, Winnicott, Bion e outros renomados pensadores psicanalistas, cujo conceito abarca temas como vínculos, natureza dupla da filiação, fantasia sobre a origem da vida, angústias edipianas, funções parentais, Lei-do-Pai e outros tantos que compõem a teoria psicanalítica. Tanto assim, que, para entender o sujeito, é necessário mergulhar em seu mito familiar (CHECCHINATO, 2007).
Apresenta-se [a família] cada vez mais multifacetada, em que cresce o número de grupos familiares diferentes da estrutura tradicional: os casados sem filhos, os solteiros com filhos, os solteiros com filhos que moram com os pais, os separados, ou viúvos com filhos, que constituíram novos casamentos ou não (CABISTANI, 2008, p. 46).
Assim sendo, a família, aqui representada pelas funções simbólicas do Outros parentais e demais personagens de significativa importância na vida psíquica da criança, possui papel imprescindível para o saudável desenrolar do seu processo de aprendizagem, seja em que faceta se apresentar. O que constitui o sujeito do filho, segundo Hamad (2002), são justamente os significantes dessa família que vão a ele e que operam sua história pessoal, por meio do relacionamento triádico (pai-mãe-filho), permeado pelo Édipo. Para cumprir devidamente seu papel, portanto, os pais devem ser capazes de lidar com sua própria imaturidade psíquica, eis que os filhos ativam suas pendências mais primitivas (SOUZA, A., 2003) e despertam suas próprias vicissitudes edipianas.
Dessa forma, como entidade estruturante, a família possui papel fundamental no saudável desenrolar do processo de desenvolvimento psíquico do filho, que inclui o de aprendizagem. Tanto assim, que estudos realizados sobre os antecedentes da produção intelectual/criativa observam que um dos aspectos mais destacados se refere às características do ambiente no qual o sujeito vive seus primeiros anos de vida (ALENCAR; GALVÃO, 2007). Dizem Alencar e Galvão (2007) que um número significativo dos pais de tais sujeitos costumam encorajar a experiência intelectual, demonstrar aprovação pelas realizações e pelo desempenho do filho, apoiar os interesses específicos da criança, responder com prazer às perguntas, explorar diferentes possibilidades, estimular a alcançar e realizar mais, entre outros.
O aprender, então, é determinado pelas estruturações psíquicas subjetivantes e objetivantes (PARENTE, 2003; WREGE, 2008), de tal modo que a modalidade de aprendizagem e a atitude de um sujeito diante de um objeto de conhecimento estão relacionadas a essas duas dimensões do pensamento: uma ligada ao sistema lógico, organizador da objetividade, da dimensão cognitiva; e outra vinculada aos sistemas de significação, que organizam a subjetividade, da dimensão afetiva (PARENTE, 2003; SOUZA, A., 2003). Ambas são frutos dos construtos simbólicos estimulados pelos Outros familiares.
A aprendizagem, pois, é elaborada ao longo da vida do sujeito, a partir das articulações de subjetividades, ou seja, das relações com os pais desde as primeiras relações infantis (KORTMANN, 2008). A própria transmissão do pensar começa desde cedo, com os primeiros cuidados que o bebê exige da mãe, e envolve uma complexa atividade de se integrar no e pelo grupo, principalmente pela mãe (BION, 1991).
Para Bion (1991), a experiência emocional da criança pequena que lhe permite aprender armazena experiência graças à função α (alfa), ou seja, aquela que, ao ser significada, deixa de ser função β (beta) – sendo essa última aquela que mantém inalteradas as emoções que experimenta. São somente os elementos-alfa, sintetizados pela função α, que conseguem ser utilizáveis pelo pensamento, pois conseguem simbolizar a experiência. Requer-se, então, a função α para o pensar consciente, para o raciocínio, para as funções intelectuais. Se só há elementos-beta, que não podem ser pensados até um nível de conceituação ou de abstração, não há aprender. Segundo o autor, portanto, a rêverie é fator de função α da mãe.
Logo, é primeiro a mãe, e seguidamente, o pai, que consciente e inconscientemente estimulam o desenvolvimento, ou não, da pulsão de saber do filho. Isso porque todo sujeito é passível de se desenvolver, já que não possui um potencial de
capacidades pré-determinado (PEDRON, 2007). A capacidade de pensar, por não ser herdada e, portanto, por ser desenvolvida em passos paulatinos, depende necessariamente de outras pessoas, por meio dos vínculos construídos (DUPAS, 2008); vínculos esses que deverão estar permeados pelo desenvolvimento da sexualidade da criança, pela castração, pela entrada no campo do desejo e todas as demais etapas necessárias à construção saudável da subjetividade.
Assim sendo, há um vínculo indissociável dos pensamentos com a emoção – essa resultante das experiências iniciais do sujeito –, o qual foi denominado por Bion (1991, 2007) como “vínculo K” (de “Knowledge”), ou seja, vínculo do conhecimento. Para o autor, conhecer é uma parte do pensar, ou seja, o conhecimento progride em função do pensamento (ZIMERMAN, 2004).
Em síntese, as questões referentes ao aprender – e ao não aprender – estão relacionadas ao processo de construção do conhecimento de cada sujeito e suas dimensões subjetivas e objetivas, razão pela qual a cognição e a emoção caminham juntas (PORTELLA; FRANCESCHINI; COSTA, 2008). Tanto assim, que Paín (1985, 1999) e Fernández (2001b, 2001c, 2001d), psicopedagogas, entendem que os sintomas das crianças com dificuldade de aprendizagem denunciam que algo na família ou na escola está em desarmonia, cabendo ao trabalho clínico instituir o desejo de conhecer e de pensar (CARDOSO, 2008). Nesse caso, subentende-se que as construções relacionadas ao desejo, à falta, à interdição, à integração apresentaram alguma falha, pois, de fato, o sintoma da criança indica justamente o que há de sintomático na estrutura familiar (CHECCHINATO, 2007; LACAN, 1988).
Da mesma maneira que há famílias produtoras de problemas de aprendizagem, há também aquelas que a facilitam (FERNÁNDEZ, 1991). O sucesso ou insucesso dos variados papéis sociais que serão exercidos pelo sujeito ao longo da vida, tais como aluno e profissional, dependerão exatamente desse êxito ou fracasso das relações dentro do seu sistema familiar (BORDIGNON, 2008). Por tal razão, Wrege (2008) aponta alguns conceitos básicos do processo de aprendizagem que devem permear as relações familiares, tais como: o saudável vínculo entre ensinante (Outros parentais) e aprendente (filho), desde os mais arcaicos movimentos da díade mãe-bebê; a possibilidade parental de responder à curiosidade da criança sem excessos de repressão; a inexistência de segredos e medos familiares, que podem criar um abismo entre a criança e os demais entes familiares; e a circulação de conhecimento. O mostrar e o guardar, da mesma forma, são considerados por Fernández (2001a, 2001c) e Wrege (2008) como importantes manifestações de uma aprendizagem saudável, ao contrário do exibir, esconder e ocultar.
Não é à toa, que Freud (1920), ao descrever o jogo do fort-da, que consistia em fazer aparecer e desaparecer um carretel, interpretou-o como sendo a forma encontrada pela criança (no caso, de cerca de um ano e meio) de suportar a ausência da mãe, sem se abalar por isso. Assim, a criança abre para si um caminho para poder ocupar ela mesma um papel de sujeito, de simbolização, em razão da falta vivenciada (GEOFFROY; SILVA, 2004), bem como aprende a articular o mostrar e o guardar, tão necessários à aprendizagem. A alternância entre presença e ausência, pois, sobretudo da mãe, é de fundamental importância para a subjetividade da criança (CHECCHINATO, 2007). A mãe precisa ir e necessita voltar, ou seja, causa problemas psíquicos aquela que vai e não volta; bem como aquela que nunca vai.
Portanto, o vínculo entre ensinantes e aprendentes é essencial para a aprendizagem, desde os mais remotos tempos de vida, dando-se de forma circular entre: pais e filho – filho e pais, dentro de um espaço familiar – construído – de confiança, respeito e estima (WREGE, 2008).