• No results found

T IDLIGERE EMPIRI OG KOBLING TIL VÅR STUDIE

3. TEORETISK FREMSTILLING

3.6 T IDLIGERE EMPIRI OG KOBLING TIL VÅR STUDIE

Nem toda proposta de mudança de foco é passível de assimilação por outros cenários. As condições de necessidade dos problemas suscitados em outros loci precisam ser suficientemente semelhantes para que uma solução possa ser reaproveitada em outro cenário, ainda assim, exigindo uma releitura e os cuidados necessários de uma adaptação ressignificada. Então, é preciso perguntar-nos se a competência em informação enquanto proposta nascida em outro continente, será aplicável no Brasil.

Enquanto cidadãos brasileiros é nosso direito constitucional ter acesso à informação que pode melhorar nossas vidas. Este é um princípio constitucional no Brasil, principalmente quando está relacionado à sua [...] indispensabilidade à dignidade da pessoa humana [...] à (SOUZA, 2012, p. 164), podemos vê-lo nos artigos 5º., 37º., 93º., 216º., 220º. Da Constituição brasileira em vigor, que inserem noções de direito de acesso à informação; manifestação de livre pensamento; direito de petição de habeas data; proibição de uso de material da intimidade e dados pessoais; assim como o acesso à informação da administração pública e do poder judiciário. Entretanto, somente pessoas capacitadas poderão utilizar-se destes direitos e suprir suas necessidades da vida pessoal e profissional.

As ações em relação ao desenvolvimento da competência em informação só vieram a consolidar-se nos Estados Unidos da América (EUA), no ano de 1983, como resposta à crise na Educação daquele país,àexpostaà oàdo u e toàA national risk: the imperative for educational

reform (Um risco nacional: o imperativo de uma reforma educacional) (national..., 1983). Esse

documento denunciava a falência da Educação no ensino público e a formação de uma geração incompetente em informação, apontando para a necessidade de desenvolvimento de habilidades intelectuais superiores.

No documento citado, não havia nenhuma referência à contribuição da Biblioteconomia para a solução do problema e isso provocou a reação da American Libraries

Association- (ALA). 6 Esta instituição propôs como solução a estruturação de centros de

informação equipados para a aprendizagem baseada em recursos e profissionais bibliotecários capacitados para apoiar o desenvolvimento de competência em informação.

Iniciando em 1983, no ensino fundamental nos Estados Unidos (K-12), procurou-se responder ao relatório da National Commission on Excellence in Education (Comissão Nacional sobre Excelência em Educação), que condenava o processo educativo no país, com a disseminação da educação voltada para a competência em informação. A National

Commission on Libraries and Information Science (NCLIS)7 advogou o papel da biblioteca na construção dos acessos requeridos. Com este fim, foi elaborado um documento intitulado

Educating students to think: the role of the school library media program (Educando os

estudantes a pensarem: o papel do programa de mídia da biblioteca escolar). Neste documento, foram apontados três elementos principais a serem focados pelas bibliotecas:

6 Associação Americana de Bibliotecas

1. O papel do programa de mídias da biblioteca escolar no apoio ao desenvolvimento das habilidades de raciocínio dos estudantes;

2. As implicações teóricas das pesquisas recentes sobre como as crianças e os adolescentes processam informações e ideias; e

3. As implicações práticas e aplicações dos conceitos como uma base para o desenvolvimento de um programa de habilidades informacionais em todas as áreas do currículo (SPITZER; EISEMBERG; LOWIE, 1994, p. 18, tradução nossa)

Um ambiente educacional novo, cheio de novas perspectivas, se abria, apoiado no desenvolvimento da competência em informação. O tema se consolidou de uma forma, que em 2004, tendo uma larga visão sobre a importância do tema, Cristine Bruce fez a seguinte declaração para a UNESCO:

A competência em informação é uma extensão natural do conceito de alfabetização em nossa sociedade da informação e a educação para a competência em informação é o catalizador requerido para transformar a sociedade da informação de hoje na sociedade aprendente de amanhã (BRUCE, 2004a, p. 1).

O texto citado mostra as expectativas entre na atuação do tema sobre a sociedade, sendo posto como um reflexo da evolução social atual e poderosa carreadora de mudanças.

Então, podemos dizer que o movimento pela competência em informação iniciou-se de uma crise reconhecida de acesso e uso de informação no sistema educacional dos EUA e depois foi percebida como necessidade do cidadão da sociedade da informação.

Por vezes, encontramos retratos nítidos que explicitam a crise não dita da Educação brasileira com relação a habilidades fundamentais de acesso e uso de informação em termos de leitura e escrita. Por exemplo, a manchete do Jornal Folha de São Paulo, publicado em 11 de dezembro de 2014 dizia:à àe à adaà àalu osàdaà edeàpú li aàest à oàpio à ívelàde Português . A matéria apresenta dados da avaliação bienal nacional do Ministério da Educação, a Prova Brasil, realizada em 2014, os resultados relativos ao Ensino Fundamental, na qual 75,3% dos estudantes de 5º. ano não foram capazes de ao ler uma reportagem diferenciando opinião de fato e identificar informação explícita em contos. Do total, 24,1% dos estudantes não são sequer capazes de identificar o personagem principal de uma fábula. Em relação aos estudantes do 9º. ano, 89,2% não conseguem compreender o sentido das palavras, expressões e pontuação em romances, contos e crônicas. Do total de estudantes do

9º. ano 24,4% não conseguem interpretar expressões e opiniões em crônicas (FOREQUE; TAKAHASHI, 2014). A leitura no ensino médio se apresenta, no mínimo, comprometida.

Quanto à escrita, no mesmo ano de 2014, além destes resultados, temos a queda dos índices de desempenho do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM). Os resultados das provas de 2014 apontam o que resumiu muito bem o Jornal Folha de São Paulo, publicado em de 13 de janeiro de 2015:

Do total de 6,19 milhões de candidatos que participaram do Enem 2014, apenas 250, receberam nota máxima na redação. De acordo com o balanço divulgado nesta terça-feira (13) pelo Ministério da Educação, 55,7% dos candidatos receberam até 500 pontos – metade da nota máxima. Já o número de pessoas que zeraram a redação foi 529.374 (FOREQUE, 2015).

Estar no ponto médio parece ser o tom destes resultados. Os resultados apontam que nos estudantes de nível médio a escrita não condiz com a proficiência, nem com a sua busca. Lembramos que a escrita é resultado da leitura. Sabendo que as habilidades de leitura e escrita formam a base das habilidades informacionais, percebemos um horizonte sombrio, bem mais sombrio do que aquele que assombrou as autoridades americanas em 1983 e que levou a uma reestruturação total na Educação dos Estados Unidos em direção à competência em informação. Entretanto, apesar destes resultados, o Governo do Brasil sequer admite a existência de uma crise na Educação.

Uma frase é marcante no National Risk (Risco Nacional) relatório que denunciou a crise na Educação norte-americana e deflagrou a busca por uma solução que culminou na proposta da competência em informação, pode resumir seu teor de urgência:

Se um poder inimigo estrangeiro houvesse tentado impor sobre os americanos o desempenho educacional medíocre que existe hoje, nós poderíamos muito bem ter vistoàistoà o oàu àatoàdeàgue aà NáTIONáL…,à àapudà“PIT)E‘;àEI“ENBE‘G;à LOWE, 1994, p. 41, tradução nossa).

Dadas as semelhanças e incluindo-se nas considerações as desvantagens da situação brasileira, este é o pano de fundo básico do cenário para o investimento em pesquisas sobre o tema proposto, uma vez que leitura e escrita são habilidades fundamentais para o desenvolvimento de competência em informação. Estamos em um momento semelhante ao dos Estados Unidos de 40 amos atrás, em uma sociedade que, hoje, depende muito mais das habilidades, conhecimentos e atitudes necessárias para resolver problemas informacionais do

que a do primeiro cenário, tendo como agravante o fato de que que não temos os recursos econômicos de que eles dispunham para procurarem soluções para o problema.

3.3 Mapeando a produção científica em competência em informação na