6. ANALYSE AV KONSEKVENSER VED ØKT TERSKELVERDI FOR FRAVALG
6.3 E T NYANSERT BILDE AV FRAVALGSANDEL VED ØKT TERSKELVERDI
A partir da análise de dados da pesquisa, percebemos que a prática dos estudantes e professores aglutina alguns itens do modelo de busca de Kuhlthau (2010). A busca, apesar de iniciar com textos familiares, geralmente não passa pelo processo de busca preliminar em fontes gerais e depois é esclarecida em fontes especializadas. Os professores e estudantes iniciam diretamente em uma busca exploratória e, ao encontrar os tópicos que necessita esclarecer, realizam uma busca sistemática por tópicos para construir os seus textos. Supomos que isto se deva aos conhecimentos prévios da área, pois os pesquisados eram estudantes
concluintes e professores com variavam em uma faixa de seis a 22 anos de experiência em sala de aula e pesquisa.
Segundo a psicologia cognitiva, como vimos, com o passar do tempo e da prática, os conhecimentos vão se fundindo em um bloco de recursos cognitivos e vão se automatizando, o que explicaria esta tendência a aglomerar funções, que nos anos escolares seria isolada e sequencial. Talvez seja esta a explicação do motivo pelo qual o comportamento de busca de informação dos estudantes e professores se compatibiliza bem com o de Ellis, Cox e Hall (1993), incluindo aspectos importantes não enfocados por Kuhlthau (2010). Outra possibilidade de explicação das diferenças e aproximações provém do objetivo de cada proposta de busca de informação. A proposta de Ellis, Cox e Hall (1993) foi verificar os padrões existentes entre os cientistas, a partir de sua prática, a proposta de Kuhlthau foi desenvolver um plano de Educação para o Desenvolvimento em Competência em informação em escolares. Certamente que o método de Kuhlthau (2010) é mais didático e compartido, do que o percebido por Ellis, Cox e Hall (1993).
Percebemos um eixo comum e complementar bem como diferenças interessantes entre os dois modelos de busca, que serão de ajuda na análise de dados. A grande diferença entre ambos parece residir na maturidade cognitiva de seu público base. Kuhlthau (2010) trabalha com a escola do ensino fundamental (K-12) ao ensino médio (High School) nos EUA. A pesquisa de Ellis, Cox e Hall (1993) foi realizada com cientistas das áreas da física, química e das ciências sociais, portanto, no ambiente maduro da academia. Há, entretanto, aspectos comuns que enriquecem e fortalecem tanto uma quanto outra abordagens do comportamento de busca de informação, ainda que Kuhlthau não se limite ao aspecto cognitivo e de prática como Ellis, Cox e Hall (1993).
O processo de busca de Ellis, Cox e Hall (1993) constitui-se de oito momentos, a saber: iniciar, encadear, navegar, extrair, diferenciar, verificar, finalizar e monitorar.
O momento de iniciar no modelo de Ellis, Cox e Hall (1993) é onde o pesquisador inicia uma familiarização com o novo tema para saber como abordá-lo. São recuperados conhecimentos prévios dos assuntos, buscadas discussão com pares para preparação do escopo da pesquisa. Todas estas atividades são executadas no estágio iniciar do Modelo do Processo de Busca de informação de Kuhlthau, acrescidas de instruções sobre o plano de pesquisa, afetos envolvidos, características específicas da tarefa. Observemos que as diferenças estão relacionadas à inexperiência do público de Kuhlthau. Cientistas não sentem
mais a necessidade de serem preparados para entrar em um projeto de pesquisa em termos tão introdutórios.
Na visão de Ellis, Cox e Hall (1993), já são utilizadas fontes especializadas de informação desde o início do processo de pesquisa, enquanto que, no modelo de Kuhlthau (2010) inicia- se o estudante com suas anotações pessoais, assuntos conhecidos e discussões em sala. A Na visão dos autores, a busca preliminar e a busca exploratória são condensadas e já fazem parte do momento iniciar ou seja, a busca já inicia delineando noções dos temas (busca preliminar) e tornando-as claras imediatamente (busca exploratória), utilizando inclusive textos familiares com que o cientista se identifique como ponto de partida e construindo o mapeamento da hierarquia do conhecimento assim que possível. Enquanto que no modelo de Kuhlthau (2010) a busca preliminar é realizada isoladamente só a partir do segundo estágio, no estágio da seleção, onde serão conhecidos os temas para só então ser escolhido qual será explorado. Passo a passo, em Kuhlthau (2010), utilizam-se as fontes gerais de informação (dicionários, enciclopédias, etc), em seguida, após o estágio da seleção o pesquisador irá explorar informações, para esclarecer as ideias recuperadas e só então formar a hierarquia do conhecimento, realizando a busca exploratória.
No modelo de Ellis, Cox e Hall (1993) durante a busca exploratória, são levantadas as referências-chave e as pessoas-chave da área de estudo. As referências-chave são percebidas como parte de uma rede de referências e as pessoas-chave como parte de uma rede social de produção de conhecimento. A formação destas redes é denominada de momento de encadear (chaining). Interessante que Ellis, Cox e Hall (1993) distinguem o encadeamento retrospectivo (backward chaining) e o encadeamento prospectivo (forward chaining). O encadeamento retrospectivo é relacionado a seguir as referências, o que já foi escrito e registrado naquele documento. O encadeamento prospectivo está relacionado a seguir os autores e suas produções atuais e manter um monitoramento de atualização na área com relação às futuras produções. Esta contribuição não aparece em Kuhlthau (2010) e se mostrou fundamental na prática da produção textual acadêmica.
A visão de encadeamento retrospectivo e prospectivo sugere um movimento horizontal. Nós percebemos que há também um movimento de encadeamento vertical quando o pesquisador procura compreender os antecedentes mais gerais na hierarquia do conhecimento e pesquisar a partir deles e pode também utilizar a hierarquia descendente e
refinar a busca, encadeando as ideias de forma descendente em relação à hierarquia do conhecimento.
Sendo assim, podemos dizer que o momento iniciar de Ellis, Cox e Hall (1993) aglutina os momentos iniciar, selecionar e uma parte do momento explorar de Kuhlthau (2010). O momento encadear de Ellis, Cox e Hall (1993) complementa o momento explorar de Kuhlthau (2010) em relação às práticas de construção de conhecimento na academia.
Os pesquisadores em Kuhlthau (2010) só são instruídos a realizar uma busca exploratória em fontes especializadas quando passam para o momento em que já escolheram a abordagem do assunto a ser tratado na pesquisa (foco), ou seja, a formulação do foco. Este tipo de busca os cientistas de Ellis, Cox e Hall (1993) já procedem desta forma desde o início, na sequência da busca preliminar unida com a busca exploratória. Mas, há que se pensar que, pela maturidade dos cientistas pesquisados em Ellis, Cox e Hall, o foco é determinado com mais facilidade, devido à quantidade de conhecimento prévio acumulado.
Além das atividades relativas ao encadear, em Ellis, Cox e Hall (1993), se inserem as atividades de navegar, que consistem em uma busca semi-direcionada ou semi-estruturada em uma área de interesse potencial, a qual entendemos que corresponde à busca sistemática realizada pelos pesquisadores de Kuhlthau (2010), após formular a abordagem do tema a ser pesquisado, no estágio de coletar informações.
Os cientistas de Ellis, Cox e Hall (1993) passam a avaliar a informação, fazendo a verificação de fontes e autoridade de autores, no momento diferenciar e, em alguns casos, conferindo a acurácia da informação coletada, principalmente dados numéricos, o que é denominado de verificar. Em Kuhlthau (2010) isto é realizado no momento de preparação do texto escrito, em um paralelo ao momento de apresentar o resultado da pesquisa, onde os dois modelos compartilham uma busca de finalização. Os dois modelos oferecem em seu último momento contribuições importantes para a competência em informação: o momento de avaliar o produto informacional gerado e o processo da pesquisa de Kuhlthau (2010) favorece e propicia condições de aprender a aprender, enquanto o momento monitorar do modelo de Ellis, Cox e Hall (1993) permite manter a consciência dos desenvolvimentos na área através do acompanhamento regular das novas obras e dos autores efetivando o princípio do aprendizado por toda a vida. A figura 5 dá uma ideia geral dos dois modelos e suas intercessões.
Figura 5 – Diagrama associativo dos modelos de busca de informação de Ellis, Cox e Hall (1993) e Kuhlthau (2010)
É possível perceber a profícua complementaridade entre os dois modelos que somente os reafirma. Novas especificidades são inseridas em Ellis, Cox e Hall (1993) a Kuhlthau (2010), muito provavelmente devido à maturação dos pesquisadores e aos objetivos das pesquisas na academia.
Neste capítulo, delineamos o conceito de competência em informação e seu histórico conceitual, o cenário brasileiro à espera da revelação da competência em informação e apresentamos um breve estado da arte da produção científica em competência em informação na iberoamérica. Então, apontamos os Modelos de desenvolvimento de competência em informação mais conhecidos e utilizados e aprofundamos o Modelo de Processo de Busca de Informação de Carol Kuhlthau (2010) em relação à produção de textos na academia, acrescido de atualizações como os operadores de busca e restrição do Google; critérios de avaliação de informação online e em suportes não digitais (PINTO, 2015); das contribuições da Teoria Sociocognitiva da Aprendizagem de Bandura (1986), com o conceito de percepção de autoeficácia; e das compreensões do comportamento de busca da informação de Ellis, Cox e Hall (1993), que possibilitam basear uma compreensão sobre o que seria necessário para desenvolver a competência em informação em direção à construção de textos acadêmicos.