4. METODE
4.1 F ORSKNINGSPROSESSEN
4.1.2 Datainnsamling
Bruce (1997) defendeu sua tese, que construía um modelo relacional para compreender a competência em informação. A visão fenomenográfica da autora entende a competência em informaçãocomo uma aprendizagem situacional de um conjunto de atributos ou competências. Torna, assim, o desenvolvimento de competência em informaçãouma consequência de uma situação social que exige ser resolvida. Não existiria neste caso, um conjunto específico e limitável de habilidades, conhecimentos e atitudes que descrevessem a competência em informação, mas este conjunto seria moldado situação por situação, de acordo com a necessidade dos grupos. Ou, nas palavras da professora Bernadete Ca pello:à oàlet a e toài fo a io alà[ o pet iaàem informação] é descrito em termos dos diversos modos como é vivenciado pelas pessoas. As concepções daí resultantes ep ese ta à[...]àasàdife e tesàelaç esàe t eàoàusu ioàeàaài fo aç o àCáMPELLO,à ,àp.à 37).
Bruce descreve as várias concepções de competência em informaçãocomo facetas da própria competência em informação. Estas concepções direcionariam o relacionamento do usuário com a informação. Bruce (2004, p. 4, tradução nossa) resume o seu modelo relacional de competência em informaçãoda seguinte forma:
O modelo relacional de competência em informação (Bruce, 1997) foi desenvolvido através da pesquisa das experiências dos profissionais representando uma faixa de disciplinas. Este modelo emoldura a competência em informaçãoem termos de sete diferentes formas de ver e experimentar o uso de informação. Cada um destes revela uma das sete facetas da experiência em competência em informação: tecnologia da informação para recuperação e comunicação; fontes de informação; processo informacional; controle informacional; construção de conhecimento; extensão de conhecimento e sabedoria. Muitas destas formas de ver a competência em informaçãoenvolvem reconhecer a interdependência entre os grupos e indivíduos na experiência da competência em informação. Aprender a ser competente em informação, neste modelo, envolve tornar-se consciente de formas diferentes de
experimentar o uso de informação, através do engajamento em práticas informacionais e reflexões relevantes.
Retirado da experiência dos professores, estudantes e bibliotecários, este modelo respeita as várias visões no campo, formadas a partir das necessidades de cada grupo social. Diferente da visão de linha mais cognitivista, que se baseia mais firmemente no funcionamento do cérebro e generaliza as sequências comuns de apreensão da informação para qualquer tipo de grupo social. Bruce (2004) deixa claro a sua percepção da adaptação cultural dos objetivos e conjunto de habilidades, conhecimentos e atitudes em relação ao reflexo dos diferentes interesses nacionais e culturais e a busca de compreender qual seria a infraestrutura tecnológica básica para a educação em competência em informação.
A seguir, no quadro 5, apresentamos um quadro resumo das principais percepções apontadas por Bruce (2003):
Quadro 5 Concepções de competência em informaçãosegundo Bruce (2003)
Base da
concepção Foco da competência em informação Resultado buscado
1 Tecnologias de informação
Utilizar as TICs para busca, organização e uso de informação
Garante-se o acesso à informação e às redes de conhecimento
2 Fontes de informação
Encontrar informação nas fontes, independente do formato, necessitando conhecer as fontes e sua estrutura; utilizá-las com independência e flexibilidade.
Desenvolvem-se habilidades para utilizacão das fontes de informação
3 Informação como acesso
Executar o processo de encontrar soluções de informação.
Constroem-se estratégias para lidar com a informação quando ocorre uma falta de conhecimento ou de informação, inclusive utilizando-se as TICs.
4 Controle da informação
Controlar a informação quer por meio de arquivos pessoais, o cérebro, a memória ou computadores.
Asseguram-se formas de armazenamento da informação que propiciem a recuperação da informação quando necessário.
5 Construção de conhecimento
Construir uma base pessoal de conhecimentos em uma nova área de interesse através da análise crítica da leitura.
Ocorre a construção de um background subjetivo do usuário tratada com criticidade.
6 Extensão do conhecimento
Formar novos pontos de vista a partir do conhecimento, estendendo o conhecimento a novas áreas ou aplicações.
Desenvolve uma capacidade de intuição e introspecção criativa, desenvolvendo ideias ou soluções deste tipo.
7 Saber
Adotar valores pessoais em relação ao uso de informação em vários contextos, emitindo juízos com consciência própria do contexto mais amplo e a partir de princípios éticos.
Desenvolve a consciência de seus próprios valores, atitudes e crenças pessoais. Visão do problema em um contexto geral.
Fonte: A autora, com base em Bruce (2004).
Para Bruce (2004, p. 7, tradução nossa), a educação em competência em informaçãolevaria a experiência de aprendizagem ao aprofundamento e à transformação dos aprendizes em aprendizes independentes, autodirecionados por toda a vida. Frisa
i sta te e te,àe t o,à ueà dispo i iliza àinformação e tecnologias da informação para o mundo não é suficiente. Nosso sistema educacional necessita garantir que os aprendizes de hoje, sejam aprendizes empoderados para aprender e tomar seu lugar na sociedade da ap e dizage . Várias questões são trazidas à tona nos trabalhos de Bruce (2004): Qual é a transformação necessária nos processos de aprendizagem? Qual o papel dos diferentes setores educacionais e diferentes grupos nos setores?
Após vários estudos de casos em grupos e situações distintas, Bruce (2004, p. 11-12, tradução nossa) propõe alguns princípios pelos quais se possa pensar uma educação para competência em informação:
Mudança cultural, mudança nos valores educacionais [...] sair de uma visão de ensino centrada no professor para uma visão centrada no estudante e o aumento de ênfase na compreensão dos mundos perceptuais dos estudantes e suas implicações pedagógicas;
Estabelecimento de políticas e diretrizes [...] [sobre] níveis básicos de infraestrutura em tecnologia da informação [...] estabelecimento de programas de competência em informação[...] políticas nacionais de educação em competência em informação[...] políticas sobre o papel do especialista em informação;
Educação dos professores e equipe da escola;
Parcerias com o pessoal chave [...] estudantes, especialistas em informação, planejadores de currículo, organizadores da comunidade, professores entre outros [...] no planejamento curricular, política de desenvolvimento, desenvolvimento de pessoal, pesquisa e ensino em sala de aula.
A competência em informaçãotraz claramente uma nova proposta não apenas individual e cognitiva de lidar com a informação, mas uma nova visão que deverá atingir todo o sistema educacional e o pensar sobre educação. O reflexo deverá ser estudado e trazido sobre a visão do ensino e da aprendizagem, a visão do que seja a própria aprendizagem, atingindo o currículo, a preparação dos educadores e profissionais da informação que atuam na escola ou academia. Individualmente, Bruce (2004, p. 14, tradução nossa) indica três elementos críticos para ser competente em informação:
1. Experimentação sobre a competência em informação(aprendizagem), 2. Reflexão sobre a experiência (estar consciente da aprendizagem), e 3. Aplicação da experiência a novos contextos (transferir aprendizagem).
Vamos verificar adiante, que há uma semelhança entre os modelos de educação/desenvolvimento em competência em informaçãoe diferenças de usos com relação aos diferentes contextos em que se inserem e o que é necessário para resolver os problemas informacionais na direção pretendida.