1. INNLEDNING
1.1. B AKGRUNN OG FORMÅL FOR STUDIEN
A análise comparativa constante parte da base de uma evidência acurada, pelo fato de emergir da comparação de dados coletados em vários grupos semelhantes. É a partir destes dados, que são geradas categorias (categorias conceituais) e suas propriedades (propriedades conceituais), onde:
[...] um conceito pode ser gerado de um fato, que então se torna meramente um em um universo de muitos possíveis diversos indicadores de dados sobre o conceito. Estes indicadores são então vistos para a análise comparativa.
Na descoberta da teoria, alguém gera categorias conceituais ou suas propriedades a partir da evidência; então, a evidência da qual a categoria emerge é utilizada para ilustrar o conceito. A evidência pode não necessariamente ser acurada além de dúvidas, mas o conceito é indubitavelmente uma relevante abstração acerca do que será a área a ser estudada. Além disso, o próprio conceito não muda, enquanto mesmo os mais acurados fatos mudam. Conceitos só têm seu significado refeito às vezes, porque outras propostas teóricas e de pesquisa estão envolvidas (GLASER; STRAUSS, 1967, p. 23).
A pesquisa com a metodologia e os métodos da GT parte, assim, da coleta de dados em um grupo primário, a partir da qual se constroem e refinam as categorias e as propriedades das categorias (subcategorias qualificadoras das categorias) e estas categorias servem como base para comparação com outras categorias de outros grupos sobre os mesmos temas estudados. Estas categorias também são comparadas a categorias emergentes de instrumentos de coleta diferentes para multiplicar a possibilidade da fidelidade aos dados. Variações deste método mudaram um pouco as bases de comparação, mas não o processo em si.
A comparação constante é o elemento que produz o refinamento da categoria. O processo de criação das categorias é chamado de codificação. A codificação passa por um refinamento, como explica Ellis (1993, p. 477, tradução nossa):
Quando a análise está completamente formalizada, o número original de categorias pode ser reduzido enquanto aumenta a confiança que estas são as categorias centrais para o foco de pesquisa particular e menos modificações são feitas nestas categorias tanto quanto elas e suas propriedades se tornam firmemente estabelecidas. O objetivo é a exaustividade analítica. Isto envolve garantir que nenhuma categoria principal ou propriedade foi perdida e que as entrevistas tenham sido completamente analisadas.
A análise comparativa na pesquisa proposta acontecerá através da comparação das entrevistas realizadas com professores e estudantes sobre os mesmos aspectos das estratégias e experiências relativas ao desenvolvimento de competência em informação. E, posteriormente, as comparações entre respostas aos questionários prévios e posteriores às aulas, nos grupos de estudantes que receberam as duas aulas nos temas de competência em informação.
A cada categoria gerada, os exemplos dos textos declarativos que as subsidiaram, são relacionados em um banco de dados de exemplificação servindo como evidências das mesmas e suas ocor iasàfa tuais.àEllisà ,àp.à ,àt aduç oà ossa àes la e eà ueà oà esultadoà deverá ser que o leitor tenha algum sentimento autêntico para o modelo como um todo, suas
atego iasàeàp op iedadesàeàasài st iasàespe ífi asàaàpa ti àdasà uaisà àde ivado . A cada categoria criada, trechos de dados são escolhidos como exemplos da mesma (processo da exemplificação teórica).
As inter-relações entre as categorias são registradas através dos memos, os registros escritos das hipóteses de explicação destas relações.
Entretanto, notam os autores, que este tipo de teoria requer a utilização de grande quantidade de dados, além de tempo e foco na pesquisa, estudo e ensino. Hoje, diferentemente do ano de 1967, temos a ajuda dos pacotes de escritório como o Microsoft
Office, que associam editor de textos, planilha e banco de dados, possibilitando codificar e
agrupar desde as categorias às especificações e memos de forma mais rápida e até propiciar uma contagem de frequência dos trechos, a exemplo das categorias que nos indicariam um nível comparável de intensidade em categorias recorrentes.
A partir da estabilização das categorias, revisadas e esclarecidas, realizam-se os procedimentos interpretativos, que levarão à criação da teoria. A teoria é construída pelas relações entre categorias ou entre categorias e suas propriedades. Após a criação da teoria, o autor compara os dados com a literatura. Nesta concepção de pesquisa, a literatura científica é outra gama de dados a serem compilados e enriquecerem as conclusões a partir dos mesmos.
Na construção constante da teoria pode haver a indicação de fazer uma nova coleta de dados. Este tipo de procedimento de recoleção de dados é chamado amostra teórica. Motivo pelo qual o segundo questionário de cada aula a ser aplicado aos estudantes permanece totalmente em aberto e deverão ambos serem elaborados após a ministração das aulas. Entretanto, isto não ocorreu nesta pesquisa.
Ao final da análise e fechamento da codificação, os memos (registros das categorias, propriedades e suas inter-relações) referentes a estes dados são compilados. Este é o procedimento de ordenação, que une os dados em um corpo teórico conceitual com as principais contribuições construídas sobre o tema estudado. Então, inicia-se quase que naturalmente a fase de escrita da pesquisa. Observe-se que a GT
[...] é um método de investigação estruturado cujas fases muitas vezes são sobrepostas. Data collection [coleta de dados], Coding [Codificação] e Memo [Registro] ocorrem simultaneamente desde o início. Sorting [Ordenação] ocorre quando as categorias encontram-se saturadas e o Writing [Escrita] ocorre como etapa final. Apesar de estruturado, o método é flexível: em Grounded Theory, a teoria é emergente, descoberta a partir dos dados (PETRINI; POZZEBON, 2009, p. 4).
Em Ciência da Informação, grandes contribuições já foram auferidas através deste método. Um exemplo aplicável ao caso da pesquisa proposta é o da construção do modelo de busca de informação de David Ellis, que tem influenciado vários outros estudiosos da área. O autor utilizou a metodologia citada em vários estudos em larga escala. Trazemos, como exemplo, aquele relatado em Ellis (1993), que estuda o comportamento de busca de informação entre pesquisadores professores de várias universidades e centros de pesquisa nos Estados Unidos. O grupo base era formado por professores da área de Ciências Sociais, mas também participaram professores da área de Ciências Exatas e das Humanidades. Ao todo, foram realizadas entrevistas com 48 acadêmicos, baseadas em roteiros de entrevista semiestruturada. Estas entrevistas tiveram duração entre 40 minutos e uma hora e foram
gravadas em fitas cassete, sendo transcritas as suas porções mais relevantes para basear a construção das categorias, propriedades e da teoria sobre o comportamento de busca de informação dos professores pesquisados. A seguir, os padrões de busca de informação de cada departamento foram comparados entre si. Segundo Ellis (1993, p. 473, tradução nossa).
O roteiro de entrevista listava as questões ou temas que deveriam ser cobertos na entrevista, mas deixava o entrevistador livre para explorar e sondar os temas. [...] Isto deu o elemento necessário para focar as entrevistas, mas tinha flexibilidade para não determinar exageradamente o andamento da entrevista e sondar onde fosse apropriado. [...] O roteiro foi usado para garantir que a principal parte das atividades de busca de informação dos pesquisadores não fosse perdida. A intenção era de que os pesquisadores conversassem a respeito de seu trabalho e os tipos de coisas que eles fazem que podiam ser compreendidas como tendo um componente de informação. Não para eles terminarem falando artificialmente sobre o seu comportamento de busca de informação; alguma outra abstração; ou falar isoladamente sobre seu uso de biblioteca.
Esta mesma linha de pensamento para roteiro de entrevista; formato de entrevista; e tom é também utilizado por esta proposta de pesquisa. Um exemplo apontado por Ellis (1993, p. 478, tradução nossa) torna bem palpável a aplicação dos métodos da GT em Ciência da Informação. Este trecho de entrevista exemplifica o processo de comparação analítica continuada tratando a questão sobre como o professor de Psicologia localizaria informação a respeito de um tema que ele não conhecia e nem tinha acesso nenhum, intermediário ou facilitador para acessar a informação:
Três anos atrás, eu estava trabalhando na área de análise de discurso. Eu sabia que a área de análise de discurso existia, mas eu não conhecia ninguém mais que conhecesse muito sobre isto neste país. Eu segui o padrão de busca: a primeira coisa era que havia um artigo muito importante publicado em um periódico clássico da psicologia – um jornal convencional de alto status que apresentou a teoria da coerência textual e que foi escrito por um psicólogo e linguista bem conhecido, publicado recentemente na época. Eu tentei encontrar referências sobre isto nos fascículos recentes do Science Citation Index e do Social Citation Index. Eu também fui através dos periódicos da Biblioteca Universitária procurando pelos que fossem relevantes. Eu descobri que havia um chamado Discourse Analisys, que eu imediatamente peguei e li todos os artigos nele. Nas costas deste periódico havia avisos de publicações de livros correlatos – que eu também peguei – e eles também ajudaram. Um dos livros era muito bom – então eu fui novamente através dos periódicos de resumos de novo para conseguir referências dessa pessoa e em cada caso, é claro, de encontrar um novo periódico, que eu não tinha visto antes, eu ia atrás de alguns fascículos dele.
Houve várias características chave que foram utilizadas para codificar o comportamento de busca de informação dos professores: iniciar (ponto de partida da busca,
o artigo indicado e bem cotado no mundo acadêmico); encadear (seguir conexões que indicavam mais informação relevante e de qualidade a partir das referências e da publicidade das editoras); navegar (construir e revisar as formas de validar e qualificar a informação coletada); e extrair (tomar o conteúdo dos artigos encontrados para acesso e uso). Em outros relatos da mesma questão, foram extraídas categorias como monitorar (manter-se atualizado); e diferenciar (basear-se na diferença entre as fontes para filtrar material).
Assim, dada a propriedade e o valor atualizado das contribuições da GT no campo da Ciência da Informação e em estudos tão próximos da competência em informação, vemos uma possibilidade bastante sólida de contar com esta estrutura metodológica para construir uma base para a organização e análise dos dados, que nos dê parâmetros e elementos para a fundamentação de um plano de ação para desenvolvimento da competência em informação baseado na vivência de estudantes e professores do curso de Biblioteconomia da UFPB.