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Methodology and data

4.4. Strategy and tools for the analysis

A pesquisa de campo foi concentrada no CAIC Balduino de Deus e conta com aproximadamente 138 pessoas participantes do CAIC Balduino de Deus, incluindo alunos; professores; pais e membros da comunidade que possuem um convívio próximo com os alunos, para perceber como esses segmentos entendem as mudanças ocorridas dentro da escola e principalmente se estes têm uma percepção da importância do Projeto Bola na Mão Gol Cidadão.

Os representantes da Federação de Handebol do Estado do Piauí não responderam os questionários alegando falta de tempo para realizar essa tarefa não podendo contribuir para a pesquisa com suas impressões sobre o Projeto Bola na

Mão Gol Cidadão e sua ação dentro da comunidade da Vila Bandeirantes.

Do total de questionários respondidos por parte dos professores recebemos 20 (vinte) que aceitaram participar divididos em 04 (quatro) do sexo masculino e 16 (dezesseis) do sexo feminino, com idade média de 39,8 anos, renda média de 3,1 salários mínimos, tempo de formação com média de 13,8 anos e com média de atuação na escola em meses de 82,6.

Entre os alunos foram 53 (cinqüenta e três) do sexo masculino e 24 (vinte e quatro) do sexo feminino perfazendo um total de 78 (setenta e oito) alunos que responderam os questionários, tendo uma média de idade de 14,6 anos; um tempo médio de estudo de 5,1 anos, tendo a maioria dos alunos concentrada no 6º ano e nas três séries do ensino médio. O tempo de participação dentro do projeto em média de 3,6 anos com treinos periódicos 3 (três) vezes por semana

Os voluntários, que trabalham com as aulas práticas responderam o questionário ficando assim divididos entre 03 (três) do sexo masculino e 02 (dois) do sexo feminino, apresentando uma idade média de 23,4 anos, 4 (quatro) desses voluntários possuem curso superior incompleto e 01 (um) com curso superior completo, tendo o tempo de atuação no projeto variando de 01 (um) ano a 7 (sete) anos, perfazendo uma média de 3,8 anos como voluntário. Três desses voluntários possuem renda superior a 4 (quatro) salários mínimos e dois deles de apenas 1 (um) salário mínimo deixando uma média da renda em 2,8 salários mínimos. Quatro deles desenvolvem atividades profissionais fora do projeto ligadas ao esporte e um voluntário possui outra ocupação não relacionada diretamente ao esporte.

No tocante aos familiares apenas as mães responderam os questionários com um total de 35 (trinta e cinco), com uma média de idade de 37,3 anos. O grau de escolaridade dessas mães varia do analfabetismo ao ensino médio completo, a ocupação profissional dessas pessoas são distribuídas entre costureiras, domésticas, donas de casa, auxiliar de serviços gerais e assistentes administrativos. Quanto ao tempo de estudo dos alunos na escola, na média foi de 7,8 anos que os alunos estudam no CAIC Balduino de Deus, tendo, essas famílias em média 2,2 filhos participando do Projeto Bola na mão Gol Cidadão. A renda familiar fica distribuída entre o recebimento do bolsa família e 2 salários mínimos, a grande maioria mora na Vila Bandeirantes em média ha 12,1 anos.

A amostra total dos pesquisados ficou em 138 questionários, tendo o descarte de 12 questionários por conta do não preenchimento de maneira adequada ou a simples recusa de participar da pesquisa. Na seqüência estão presentes algumas falas dos participantes da pesquisa, assim como alguns indicadores e as categorias para a análise de cada pergunta norteadora desta investigação científica. São apresentados gráficos para melhor caracterizar os sujeitos desse estudo.

3.4 PERFIL DA AMOSTRA:

1. Professores:

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

CATEGORIA I: LAZER E DESPORTO.

O projeto Bola na Mão Gol Cidadão também traz o componente do lazer, da diversão e da alegria a essa comunidade, visto que, se o esporte e o lazer não estão no mesmo patamar de outras políticas públicas como habitação, saúde e educação segundo Santos (2003). Também é verdade que o Estado nunca ignorou totalmente o esporte e o lazer para auxiliar o processo de desenvolvimento da melhoria da vida social das pessoas.

O lazer como um direito garantido na Constituição Federal de 1988, deveria receber um tratamento mais adequado. Infelizmente poucas vezes esse direito é respeitado pelas autoridades, transformando o acesso ao lazer e ao esporte em uma luta constante, mesmo sendo o lazer um direito para todas as pessoas independentes da classe social ou poder econômico (CARVALHO; VARGAS, 2010). Buscando atender a uma demanda social crescente relacionada a atividades de esporte e lazer, ocorre de maneira natural a transformação desse binômio em algo bastante importante dentro da organização social das populações. Conforme Noronha (2006). Assim o lazer tem papel fundamental enquanto meio alternativo para o relaxamento e alívio dos problemas do cotidiano das pessoas. Segundo Pereira; Bueno (1997). Veja o que os sujeitos da pesquisa dizem sobre os aspectos do lazer dentro do projeto.

Um esporte divertido (SE 19).

Momentos de lazer e diversão (SE 21).

Significou muito eu jogava só por lazer ai fui levando as coisas á sério e significa muito em minha vida (SE 6).

Muitas coisas tipo amizades boa o lazer a alegria que o handebol traz (SE 8).

Uma parte da minha vida de lazer (SE 1). Uma parte para meu lazer (SE 42).

O esporte e o lazer aparecem em nossa sociedade como componentes importantes do processo de formação dos indivíduos, principalmente dentro de

comunidades menos favorecidas atuando como promotores de diversão e momentos alegres ou até mesmo para o desenvolvimento dos aspectos relacionados à saúde conforme podemos perceber na fala dos sujeitos sobre o que pensam acerca do esporte:

Um esporte para me divertir e ajudar bastante na saúde. Um esporte para ajudar as pessoas a se desenvolverem mais rápido (SE 44).

Uma diversão (SE 2). Muita felicidade (SE 38).

Essa idéia é também apresentada por Fill et al (2008), que apontam para a atividade física como fator de desenvolvimento do bem estar físico, mental e de promoção da saúde, contribuindo para a melhoria da vida dos indivíduos, pertencentes ao ambiente socialmente estabelecido, notadamente no tocante às relações de amizade, respeito e a troca de experiências advindas de viagens e campeonatos. O contato com outras realidades sociais promove melhorias visivelmente percebidas nas falas dos alunos pesquisados.

Foi maravilhoso pois proporcionou amizades verdadeiras, viagens, aprendi a me relacionar com as pessoas, respeito o próximo (SE 14).

Significou muita coisa, conhecer outros estados e influenciou na minha educação e conhecer pessoas novas (SE 20).

A ajudar na educação dos alunos e tirar crianças da marginalidade e a levar a praticar esportes (SE 20).

As famílias aprovam não só a pratica do handebol como outras modalidades que influencie na educação dos seus filhos (SE 20).

Essa nova visão de mundo conseguida a partir de um conjunto de situações,dentre elas, as vivências com a prática do esporte, no caso em questão, o handebol, pode contribuir para uma melhoria dos processos de socialização e construção de aspectos interrelacionais mais saudáveis, construindo habitus educativos dentro de nossa sociedade.

Significa muita coisa em minha vida ganhei mais experiência quando comecei a jogar pelo clube que estou hoje (SE 13).

Significou que muitos garotos e garotas poderiam estar desviados para outros caminhos, e hoje estão praticando o handebol, que é um esporte muito bom inclusive para saúde (SE 13).

Só veio pra somar mais felicidade, e trazer mais amigos, coisa que eu não tinha antes, quer dizer tinha mais não como os de hoje que posso considerar como irmãos (SE 3).

Legal conheci outras pessoas mais legais (SE 10).

A prática do handebol desenvolvida na comunidade do CAIC Balduino de Deus, desenvolveu no cotidiano dessas pessoas a oportunidade de conhecer novas experiências e por conta dessas vivências conseguiu dar uma nossa perspectiva de opiniões e traçar novas propostas futuras, sobre suas vidas. Numa comunidade tão desfavorecida como essa, pôde-se perceber, na fala dos alunos, que essa prática de handebol apresentou-se para eles uma oportunidade para conseguir conquistar um futuro melhor e uma vida mais promissora.

Incentivo para os alunos praticar outro esporte para viajar e ser alguém na vida (SE 18).

Desenvolvimento (SE 43).

De acordo o pensamento de Lahire (2003) pode-se entender porque esses alunos tem a possibilidade de mudar suas atitudes sociais dentro de sua comunidade, pois a partir do contato com outras realidades sociais, existe o desenvolvimento da desejabilidade coletiva que o referido autor afirma ser conseguida através do acesso a toda uma série de bens, práticas, saberes. Essa desejabilidade coletiva, nada mais é que a vontade eminente de modificar uma situação social existente. Lembrando também Murad (2009), existe uma situação dialética dada socialmente, e essa condição instável é modificada principalmente pelos habitus.

CATEGORIA II: QUEBRA DE PRECONCEITOS.

O grande problema do preconceito aqui apresentado se refere à estereótipos, a exemplo do estabelecido na relação do jogo com as mãos com uma habilidade feminina, que muitas vezes é associada a uma questão de gênero relacionado a homossexualidade, subentendendo que “o correto” como prática de homens seria jogar futebol e, qualquer coisa que fuja a essa idéia é encarada como errada ou marginal. De acordo com Sales; Silva (2008), a cultura escolar tende a

defender a cultura geral e não aceitar as diferenças e singularidades, deixando uma visão preconceituosa a respeito das pessoas que não estão enquadradas na maioria, conforme foi observado pelo relato dos sujeitos da pesquisa que apresentam um quadro de discriminação e preconceito apenas por fazer algo que não acompanha a atitude da maioria.

No começo a comunidade tinha preconceito por pensar que esse esporte era só pra mulheres. Mas com o decorrer do tempo todos foram mudando de opinião foram conhecendo mais e gostando do esporte hoje em dia muitos garotos e garotas da comunidade praticam handebol (SE 5).

Quando o projeto iniciou na escola, ninguém quase se interessava porque achava coisa de viado, um esporte que não era pra homem. Mas com o passar do tempo foram conhecendo melhor o esporte e mudaram sua opinião. Agora até eles perguntam como é o campeonato, se as viagens são boas, eles ficam curiosos e nos como não temos raiva do que eles disseram no começo respondemos (SE 15).

Baseado no que apresenta Lopes (2009), podemos entender que a escola procura unificar padrões sociais e algumas vezes, desrespeita as diferenças interculturais existentes dentro da variedade de pessoas que compõe o ambiente escolar. Observando-se o que disseram os alunos sobre essa posição, principalmente sobre a visão existente da escola, que muitas vezes unifica atitudes e discrimina a diferença gerando uma postura preconceituosa dentro da escola. Com a prática do handebol essas atitudes foram repensadas e muitas ações se modificaram, podendo ter gerado uma mudança de comportamento dentro do ambiente escolar.

Significou uma quebra de preconceitos que tinha na escola (SE 7). A quebra de preconceitos na escola (SE 8).

Dentro da escola as discussões sobre sexualidade são pautadas a partir da cultura heterossexual, causando uma tentativa de unificar procedimentos, determinando funções do corpo, comportamentos sociais, vestimentas e até práticas desportivas como foi lembrado por Tanno (2007). Percebe-se que nessa pesquisa os alunos apresentam um quadro de motivação e satisfação com a prática do handebol. Apesar de terem enfrentado no início de suas atividades problemas de rejeição e preconceito dentro da escola. Nos relatos dos alunos, o jogo de handebol era encarado como sendo uma prática de homossexuais, mesmo o esporte tendo

grande contato físico, e seus participantes apresentarem um desenvolvimento muscular considerável. Provavelmente essa relação entre homossexualidade e esporte se apresente devido ao fato do handebol fazer gol com as mãos, algo inconcebível dentro da cultura escolar que relaciona fazer gol com a prática de futebol e consequentemente o uso dos pés. Mas apesar de todas as dificuldades as pessoas envolvidas conseguiram superar esses problemas apresentando um sentimento de valorização e respeito, enfrentando todas as dificuldades e lutas para se fazer presente dentro do espaço escolar chegando até a modificar algumas atitudes da comunidade escolar em geral.

Significa motivação para alguns alunos, mas para outros dizem que é pra viado. Sempre que nos viajamos a diretora se emociona (SE 11).

No começo todos diziam que era coisa pra viado diziam que isso não ia dar em nada. Mas quando nos começamos a viajar e ganhar que saiu nos jornais e ouvíamos boatos os garotos do CAIC foram destaques no campeonato, foram campeão. Ai todos começaram a nos elogiar ai de lá pra ca foi só elogio (SE 11).

A principio teve uma rejeição por ser esporte com a mãos mas com o decorrer dos tempos teve uma aceitação diante dos mesmos por ser um esporte coletivo vem crescendo a harmonia e a união (SE 14).

Significa muito pois os pais de todos que praticam falam bem do handebol e assim falam pra outras pessoas a grande maioria gosta só que sempre tem as pessoas que não gostam mais é muito aceito na comunidade(SE 12). Aceitam muito bem só que tem alguns colegas nossos que ficam com piadas chamando de Biba e coisa e tal, mas é bem aceito o handebol principalmente na minha família (SE 12).

Segundo Farias (2009), a adolescência é uma fase da vida muito complexa podendo ser influenciada, e principalmente ser caracterizada como a fase onde as personalidades são constituídas, o que mostra que muitas vezes a opinião da maioria influencia a tomada de decisões de poucos. Nessa pesquisa obtivemos relatos que muitos jovens foram seduzidos pela prática do handebol devido à curiosidade e divulgação feita pelos próprios alunos, conseguindo assim diminuir as atitudes preconceituosas e mudar o pensamento discriminatório e segregador dessas pessoas para com os alunos que praticam o handebol dentro do CAIC.

Muitas coisas porque vários jovens ouviam os amigos fala e queriam saber o que era que eles falavam tanto. Fora os jovens os pais começaram a gosta do esporte e mandavam os filhos ir. Porque eles viram que eles tavam convivendo com pessoas certas, e isso foi bom pra comunidade (SE 15).

A quebra de preconceitos na comunidade e a ajuda na comunidade como trazendo menores que ficavam na rua a praticar o esporte maravilhoso como o handebol (SE 8).

CATEGORIA III: FUNÇÃO PROFISSIONAL.

Dentro da nossa sociedade existem princípios aceitos para que haja harmonia nas relações pessoais. Esses princípios são de extrema importância para o desenvolvimento das pessoas dentro da sociedade. Em comunidades menos favorecidas, alguns desses princípios não são apreendidos dentro do ambiente familiar, ficando a cargo da escola desenvolver e incentivar essas características tão importantes para o bom relacionamento social.

É com esse pensamento que o esporte desenvolvido dentro do Projeto

Bola na Mão do Gol Cidadão, assumiu características “de esporte-educação, o qual privilegia o conteúdo sócio-educativo, baseado em princípios como participação, cooperação, co-educação, integração e responsabilidade” (GAYA, 2008, p. 20). Em todas as classes sociais, as pessoas algumas vezes não conseguem desenvolver esses valores dentro das suas famílias e transferem essa responsabilidade para escola. Mas dentro de comunidades menos favorecidas, pode-se ter essas práticas mais presentes na sua realidade cotidiana.

A responsabilidade de promover o desenvolvimento de princípios educativos aceitos dentro de nossa sociedade para construir cidadãos mais comprometidos, fica a critério de uma união de forças encabeçadas pelo professor, e esse, influência diretamente na realidade das pessoas envolvidas,

Ajudou a crescer a nossa responsabilidade, mas sem o professor isso não dava certo (SE 5).

Uma coisa pode-se perceber com clareza dentro da relação dos pais e alunos com os professores do Projeto. O professor Giuliano Martins Ramos contribuiu de maneira fundamental para garantir o funcionamento do projeto e, por conseguinte auxiliando nas mudanças de comportamentos por parte dos alunos. Para Bini; Pabis (2008), a motivação feita pelo professor durante o processo de

ensino é o grande diferencial para garantir a aprendizagem dos alunos, bem como, as mudanças dos mesmos. Na fala das pessoas pesquisadas, podemos perceber que o professor foi o ponto importante para o funcionamento do projeto e as mudanças conseguidas com ele.

A figura do professor é tão importante que muitas vezes substitui a autoridade dos familiares junto aos alunos. Para Silva; Neves (2006) as relações sócio-afetivas entre professor e aluno garantem uma melhora na prática pedagógica e com isso ajudam a potencializar os resultados positivos do processo de aprendizagem, além de mudanças sociais concretas. Castro (2010) confirma que a relação professor/aluno seria a base das práticas educativas, possibilitando melhorias no processo educativo, o que reforça a idéia que a figura do professor dentro do Projeto Bola Na Mão Gol Cidadão se apresenta como ponto principal no processo de melhoria social das pessoas envolvidas no projeto.

O professor é o fundamental para o desenvolvimento do projeto. O professor não é só um professor ajuda muito a criação dos filhos (SF 1). Sem o professor não tem condição, não pode sair (SF 3).

Sem o professor não funcionaria o projeto e nem o esporte (SF 4).

O professor seria o diferencial e sem ele o projeto não iria ser difundido e prorrogado (SF 6).

Essa participação do professor no processo de construção dos cidadãos é muito importante para ajudar na melhoria das condições dentro das comunidades, visto que a educação é o motor maior das transformações. Para Bellia; Santos (2008) a educação pode formar sujeitos capazes de pensar e transformar a sociedade e a realidade em que vive. O professor se constitui como ponto de segurança para o desenvolvimento das pessoas que participam do projeto. Mas o grande diferencial é sem dúvida o compromisso do professor, pois percebe-se que a dedicação do professor na condução do projeto é muito significativa. E sem essa postura de organização e gestão do projeto, o mesmo poderia não ter resultados tão positivos como observamos nas manifestações dos participantes da pesquisa.

O professor é o ponto principal para a manutenção e sucesso do projeto. O trabalho do professor é importante para o desenvolvimento (SF 8).

Os professores que estão à frente do projeto são o diferencial para a apropriação do projeto. Outros professores talvez não conseguissem realizar esse projeto (SF 9).

Difícil esse projeto funcionar sem o professor (SF 10). Muito importante a ajuda do professor (SE 1).

Proveitosa mas sem o professor isso não dava certo (SE 2).

Melhoria para as famílias, mas sem o professor isso não dava certo (SE 7).

CATEGORIA IV: PROBLEMAS SOCIAIS.

Um dos problemas sociais das comunidades é o ócio não criativo, a falta de uma ocupação pode levar as pessoas ao mundo da rua. Assim conforme Gaya (2008) as pessoas em situação de risco social, são excluídas dos direitos humanos mais elementares, e apesar do esporte e lazer estar garantido na Constituição Federal de 1988 (TOLEDO, 2010) para todos de maneira igualitária independente da classe social ou poder econômico. Carvalho; Vargas (2010), afirmam que esse direito ainda não é respeitado e muito menos garantido.

Os processos culturais, esportivos e de lazer são vistos como meios que podem modificar situações de ausência de atividades e processos de criminalidade conforme trata Stuccihi (2009). Mas o poder público deve assumir sua responsabilidade criando políticas públicas na área de esporte e lazer para atender a comunidade em geral em comum acordo com a sociedade civil organizada, assim, pode-se promover o desenvolvimento de pessoas ativas e preparadas para exercer a cidadania (PEREIRA, 2009).

A falta de oportunidades de acesso a direitos sociais como o esporte e lazer, são um problema para construção de uma sociedade mais justa, democratizadora e geradora de inclusão social conforme afirma Amaral; Junior (2008).

Assim, a retirada desse direito, ou a falta de oportunidade de exercê-lo se apresenta como sendo perigoso para desenvolvimento social das pessoas e por conta disso, muitos enveredam para um mundo de drogas e transgressões sociais perigosas. Observe na fala dos sujeitos que responderam os questionários, que o projeto se apresenta como uma saída concreta dos problemas sociais relacionados à retirada das crianças da rua e dos problemas existentes nela.

Foi muito bom para que meus filhos saído da rua dos maus acompanhamento (SF3).

Diminuiu as crianças no mundo das drogas, crimes e etc (SF 3). Diminuiu os índices de violência, droga, alcoolismo (SF 3).

Diminuição da violência, droga, vandalismo e ficam ocupando seu tempo livre com o esporte (SF 4).

A prática do handebol desenvolvida pelo Projeto Bola na Mão Gol Cidadão conseguiu contribuir para provocar mudanças concretas dentro da vida das pessoas pertencentes a essa comunidade. Essas mudanças são tão claras, que muitos dos sujeitos pesquisados apresentam um quadro diferenciado de atitude.

Existe o Mauricio antes do handebol, que passava a maior parte do dia na rua, não estudava, só falava palavrões, meus pais viviam reclamando do mal comportamento com meus irmãos e não tinha muitos amigos. Já com a prática do handebol minha vida é totalmente diferente, tenho amigos, estou cursando Educação Física, meu comportamento é outro. Devo muito ao handebol (SV1).

Mais responsabilidade e intuitos na inovação de nosso alunos melhorando a convivência e tirando-os da rua (SE 23).

Um grande problema social enfrentado hoje em dia pelas comunidades carentes é sem dúvida a questão das drogas e as amizades que influenciam e estimulam o uso e tráfico dentro das comunidades apresentando essa prática proibida como forma de trabalho e caminho rápido para aquisição de bens materiais,