Todas as medidas foram realizadas no período da manhã (entre 08:00 e 09:00 horas) após 24 h de abstenção de exercício vigoroso e 12 h de jejum.
4.3.1 Medidas antropométricas
As variáveis antropométricas foram medidas antes e após a intervenção. A massa corporal foi medida em balança com precisão de 100g (Filizola, São Paulo, SP, Brasil) e a estatura pelo estadiômetro com precisão de 0,1cm acoplado à balança. As dobras cutâneas foram medidas do lado direito do corpo, sendo realizadas três medidas alternadas em cada dobra. O resultado final foi obtido pela média das três. Quando a diferença entre as medidas foi superior a 5% realizou-se uma quarta medida e descartou-se o valor discrepante. A medida das espessuras de dobras seguiram os critérios propostos por Lohman (1992).
O percentual de gordura foi calculado pelas equações de dobras cutâneas propostas por Florindo et al. (2008)especificas para a população do estudo.Dentre as equações propostas escolheu-se a de sete dobras cutâneas (bíceps, tríceps, subescapular, medial-axilar, supra ilíaca, abdominal, coxa medial) para mulheres e duas (medial axilar e subescapular) para homens. Como critério para seleção das equações utilizou-se aquelas que apresentaram maior correlação (r) e coeficiente de determinação(R2), e menor erro padrão de estimativa (EPE), frente ao padrão-ouro (DEXA). As equações são apresentadas abaixo:
♂ %G = 3,385+0,279 (MA+SB) (r=0,92, R2=0,83 e EPE= 2,42%)
♀ %G = -53,734+0,582 (BI+TR+SB+MA+SI+AB+CX) (r=0,92, R2=0,83 e EPE= 2,42%)
Onde: %G = percentual de gordura, BI = bicipital, TR = triciptal, SB = subescapular, MA = medial-axilar, SI = supra ilíaca, AB = abdominal, CX = coxa medial.
As dobras cutâneas também foram utilizadas para o cálculo da topografia da gordura conforme metodologia descrita por Florindo et al. (2004), onde a gordura subcutânea total (GST) foi estimada pela soma das dobras bíceps, tríceps, subescapular, medial-axilar, supra- ilíaca, abdominal e panturrilha medial. A gordura subcutânea da região central (GSC) pela soma das dobras subescapular, axilar média, supra-ilíaca e abdominal. A gordura subcutânea periférica (GSP) somando-se as espessuras das dobras do bíceps, tríceps e panturrilha medial. Ademais, os perímetros de pescoço, tórax, cintura, quadril e braço e antebraço direito, coxa e panturrilha foram medidos de acordo com a metodologia descrita por Petroski (2009). Para estimativa da hipertrofia muscular adotou-se as equações de Frisancho (1984):
Homens: AMB (cm2) = {[CBR (cm) – πTR (cm)]2/4π} – 10,0 Mulheres: AMB (cm2) = {[CBR (cm) – πTR (cm)]2/4π} – 6,5
Onde: AMB – área muscular do braço isenta de massa óssea, CBR – circunferência do braço relaxado, TR – espessura do tríceps.
4.3.2 Medidas bioquímicas
Inicialmente, amostras de sangue (5ml) foram coletadas na veia antecubital em tubos e armazenados em EDTA e heparina (Becton Dickinson,São Paulo, SP, Brasil) e centrifugadas a 3.400 RPM por 10 min para separar o plasma. As variáveis bioquímicas foram constituídas por colesterol total, LDL, HDL, triglicérides, glicemia sanguínea, linfócitos CD4+, CD8+ e carga viral. As concentrações de LDL, HDL, triglicerídeos e glicemia foram analisadas pelo método Enzimático-colorimétrico, com kit Human GMBH e aparelho Autohumalyzer A5® específicos (Abbott laboratories, Abbott Park, IL, Estados Unidos da América). Por citometria de fluxo em metodologia multiteste, foi possível dosar a contagem de células CD4+ e CD8+ (Sistema FACSCalibur®, Becton Dickinson, San Jose, CA, Estados Unidos da América). A
carga viral de cada paciente foi determinada por ensaio ultra-sensível de detecção do RNA viral em sistema Amplicor HIV-1 monitor assay® (Roche Molecular Systems, Branchburg, NJ, Estados Unidos da América) com faixa de detecção entre 50 e 500000 cópias de RNA por ml. Leucócitos totais e suas subclasses (linfócitos, monócitos, neutrófilos e plaquetas) foram analisados em triplicata usando-se um analisador hematológico automatizado (Horiba ABX, São Paulo, SP, Brasil).
4.3.3 Indicadores de qualidade de vida
Como indicador geral da qualidade de vida, administrou-se a versão resumida do Questionário de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde, para soropositivos (WHOQoL-HIV Bref), traduzido e validado para a língua portuguesa (Zipel e Fleck, 2007). Este instrumento possui 31 perguntas que avaliam6 domínios: físico, psicológico, nível de independência, relações sociais, ambiente e espiritualidade. O cálculo global de cada domínio varia entre 4 e 20 de acordo com a metodologia do instrumento. Quanto maior o escore, melhor é o indicativo de qualidade de vida. Esta medida foi realizada nos pré e pós-teste em todos os grupos.
Em relação à forma de administração, 33% foram auto-administrados; 42% foram assistidos e 25% foram administrados pelo pesquisador. Nos questionários assistidos, o pesquisador relia a pergunta incompreendida, de forma pausada, sem nenhuma outra explicação ou utilização de sinônimos. Os questionários administrados foram realizados em pacientes que, por algum motivo, não tinham condições de ler.
4.3.4 Variáveis hemodinâmicas
A variável frequência cardíaca de repouso (FCR) foi mensurada por cardiofrequêncímetroPolar F1®, (Polar Systems, Kempele, OU, Finlândia). A FCR foi
registrada com o indivíduo deitado em decúbito dorsal. Iniciaram-se as medidas após cinco minutos de repouso. Os valores foram registrados a cada trinta segundos. Considerou-se a FCR o menor valor anotado após 10 minutos de observação. Em sequência a FCR estimou-se a pressão arterial. Para tal,realizou-se medida em duplicata pelo método auscultatório em esfigmomanômetro aneróide (Premium, São Paulo, SP, Brasil). As médias pressóricas foram registradas segundo recomendações das V Diretrizes Brasileiras de Cardiologia (SBC, 2007).
4.3.5 Controle nutricional
A avaliação dos hábitos alimentares e a prescrição dietética foram realizadas por um nutricionista. Inicialmente, os hábitos alimentares foram avaliados por meio de questionário e de recordatório habitual da dieta. Posteriormente prescreveu-se dieta individualizada, com as demandas energéticas (estimated energy requirement – EER) calculadas mediante a ingestão de macronutrientes em conformidade com as variáveis gênero, idade, massa corporal, estatura e nível de atividade física (IOM, 2005). O nível de atividade física foi estimado pelo questionário International Physical Activity Questionary (IPAQ) (MATSUDO et al., 2001). O teor energético da dieta recomendada atendia de 90 a 110% da EER.
As recomendações nutricionais implementadas consideraram ainda a adequação da ingestão de alguns micronutrientes, tais como ferro, vitamina C, vitamina A, niacina, tiamina e riboflavina, calculadas com base nas Dietary Reference Intakes – DRI (IOM, 2000; IOM, 2005), considerando-se a ingestão estimada de cada nutriente como melhor ponto de adequação (Estimated Average Requerement– EAR). Para fibras e cálcio, utilizou-se como parâmetro a ingestão adequada (AdequateIntake – AI). Para o consumo de colesterol, adotou- se o ponto de corte preconizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC, 2007). As dietas foram calculadas utilizando-se o programa Diet-Pro versão 4.0 configurada para a
Tabela de Composição Química de Alimentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.