TEST
Na década de 30, Hines e Brown (1936) reportaram a utilização de um teste que consistia na imersão de uma extremidade do corpo na água gelada para verificar a resposta da pressão arterial. Os autores encontraram um efeito vasoconstritor em 99,0% dos participantes da pesquisa. Quase 50 anos depois, Wood et al. (1984) avaliaram novamente os mesmos voluntários da pesquisa realizada por Hines e Brown e observaram que grande parte dos indivíduos que se mostraram hiper-reativos ao Cold Pressor Test no primeiro estudo apresentavam um quadro de hipertensão arterial. Desta forma, este teste tem sido frequentemente utilizado como um preditor de pressão arterial elevada (WOOD et al., 1984).
O Cold Pressor Test consiste em mergulhar uma das extremidades em um
recipiente com água gelada (entre 4 ºC e 5 ºC) permanecendo durante um minuto. No decorrer do mesmo, a pressão arterial é aferida aos 30 e 60 segundos e o maior valor encontrado é caracterizado como valor de pico. A diferença entre o valor de pico e o de repouso determina o nível de reatividade vascular. Indivíduos que sofrem aumento de, no mínimo, 25 mmHg ou 20 mmHg para pressão arterial sistólica e diastólica, respectivamente, são classificados como hiper-reativos. Valores menores que estes são diagnosticados como normoreativos (HINES e BROWN, 1936; WOOD et al., 1984).
Apesar de o Cold Pressor Test ser um teste que causa certo desconforto, ele tem sido utilizado em diversas populações, inclusive crianças (BIRNIE et al., 2011;
TRAPANOTTO et al., 2009). Além disso, modificações na sua aplicação têm sido utilizadas com o intuito de minimizar este desconforto. Arjamaa et al. (2001), por exemplo, utilizaram uma metodologia em que o voluntário permanecia com uma das mãos na água a 10,0 ºC durante 5 min. Silverthorn e Michael (2013) realizaram o protocolo com a mão imersa na água entre 4,0 e 10,0ºC durante 2 minutos e mediram a pressão arterial a cada 30 segs. Bond Jr. et al. (2001) utilizaram a imersão de um dos pés na água a uma temperatura de 5,0 ± 0,5 ºC durante 2 minutos, enquanto que Kawano et al. (2007) repetiram este processo, só que durante 90 segundos.
De acordo com Silverthorn e Michael (2012), um estímulo repentino e uma dor crescente em decorrência da baixa temperatura da água resultam em uma descarga do sistema nervoso simpático e liberação de norepinefrina. Esta descarga desencadeia respostas cardiovasculares que incluem a constrição das artérias, aumento da frequência cardíaca e aumento da contratilidade cardíaca. Todavia, uma série de fatores pode estar relacionada com a potencialização da resposta da pressão arterial ao Cold Pressor Test, como: dieta (ingestão de sal); diabetes tipo 2 e intolerância à glicose, genética, ambiente, entre outros.
Chen et al. (2008) relataram que há uma associação entre a resposta da pressão arterial no Cold Pressor Test e a sensibilidade à ingestão de sal. De acordo com os autores, indivíduos hiper-reativos ao Cold Pressor Test devem ter uma baixa ingestão de sal. Por outro lado, Arjamaa et al. (2001) não observaram diferenças significativas entre os valores de pressão arterial após o Cold Pressor Test entre indivíduos que realizaram (ou não) uma ingestão prévia de sal (121 mmol de Sódio em tabletes de 1g adicionados à alimentação, divididos em 3 a 4 doses, durante os 14 dias que precederam o teste). Mei et al. (2011) referiram a existência de um fator genético comum relacionado às respostas da pressão arterial ao Cold Pressor Test e intervenções com alta suplementação de sódio e potássio.
Em outro estudo, Mei et al. (2009), avaliando 1.994 chineses da mesma etnia, expuseram que há determinantes genéticos em comum no que se refere à reatividade da pressão arterial ao Cold Pressor Test, assim como ao tempo necessário para o retorno da pressão arterial a valores de repouso. De acordo com os autores, existe a possibilidade de os mesmos genes influenciarem a reatividade e retorno aos valores normais da pressão arterial, visto que membros da mesma família apresentavam respostas semelhantes. Achados similares foram descritos por
Roy-Gagnon et al. (2008) em 835 participantes de 18 famílias da mesma descendência na Filadélfia, Estados Unidos.
Por fim, Wang et al. (2010) verificaram associações significativas entre as respostas da pressão arterial de indivíduos submetidos ao Cold Pressor Test de acordo com variantes genéticas dos genes AGT e AGTR1, ambos ligados ao sistema Renina-Angiotensina. Este sistema influencia diretamente na regulação da pressão arterial e está envolvido com respostas do sistema nervoso simpático ao estresse.
Fatores ambientais também têm sido considerados variáveis que interferem no comportamento da pressão arterial na realização do Cold Pressor Test. Cui et al. (2010) reportaram que um estímulo prévio de calor (por meio do aquecimento do corpo através de uma roupa de perfusão) atenuou a resposta da pressão arterial no CPT quando comparado à realização do mesmo em temperatura ambiente. Segundo os autores, os indivíduos que realizaram o teste em temperatura ambiente apresentaram uma elevação em 25,6 mmHg da PAS, enquanto que os sujeitos que sofreram um aquecimento corporal prévio apresentaram aumento de 13,4 mmHg após o teste.
A inalação de cheiro verde, uma substância que simula o cheiro de folhas verdes, constituída por 3Z-hexenol (álcool das folhas) e 2E-hexenal (aldeído das folhas), por sua vez, também diminuiu o incremento da pressão arterial sistólica e diastólica induzida pelo Cold Pressor Test (OKA et al., 2008). Especula-se que o cheiro verde atue no núcleo paraventricular do hipotálamo, diminuindo a modulação de informações que implicam respostas comportamentais, endócrinas e autonômicas relacionadas ao estresse (OTAKE et al., 2002; SPENCER et al., 2004).
Outros fatores como a prática de exercício e tempo de sono, por exemplo, que têm sido associados à normalidade da pressão arterial, não refletiram em respostas diferenciadas no teste. Bond Jr. et al. (2001) e Kawano et al. (2007) não observaram diferenças significativas nas respostas da pressão arterial ao Cold
Pressor Test ao compararem indivíduos fisicamente ativos com sedentários. Yang et
al. (2012), ao compararem as respostas pressóricas de indivíduos com 24 horas de privação de sono e com sono normal, também não observaram diferenças significativas após a realização do teste.
Indivíduos que sofrem de doenças crônico-degenerativas também podem apresentar acentuadas variações na pressão arterial após a realização do Cold
Pressor Test. Smirnova et al. (2013), por exemplo, relataram que pacientes com
diabetes mellitus tipo 2 e intolerância à glicose apresentaram reatividade da pressão arterial e respostas prejudicadas na temperatura da pele após a realização do teste. De acordo com os autores, estas respostas estão associadas à disfunção do endotélio. Em outras palavras, nestes indivíduos, a temperatura da pele demora mais tempo para voltar ao normal.
Por outro lado, Flaa et al. (2006), analisando pessoas com diagnósticos diferentes de pressão arterial (baixa, normal e elevada), não constataram variações da pressão arterial estatisticamente diferentes entre eles em resposta ao Cold
4. METODOLOGIA